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No terceiro bloco do debate da Band, em 18 de outubro de 2026, Lula voltou a comparar patrimônios e desafiou Flávio Bolsonaro a abrir sigilos bancários e telefônicos para esclarecer suspeitas de corrupção; o senador recusou o compromisso e devolveu acusações ao presidente.
O terceiro bloco do debate presidencial da Band, realizado neste domingo (18), foi marcado por provocações, bate-bocas e um confronto direto sobre corrupção, patrimônio familiar e relações internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou Flávio Bolsonaro (PL) a abrir os sigilos bancários, telefônicos e fiscais das duas famílias para que o eleitor pudesse avaliar quem tem algo a esconder. O candidato do PL não aceitou a proposta nos termos apresentados pelo petista.
A cobrança deu sequência ao embate do bloco anterior, quando Lula comparou o próprio patrimônio ao do adversário. No novo confronto, o presidente tentou transformar o tema da corrupção em um compromisso público de transparência antes da votação do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio não assumiu o compromisso de abrir os sigilos familiares. Em resposta, afirmou que o dinheiro de Lula estaria fora das contas declaradas e citou suspeitas que, segundo ele, precisariam ser investigadas.
Lula propõe abertura de sigilos antes da eleição
O confronto começou com uma pergunta de Lula sobre a política externa de Flávio Bolsonaro, especialmente a relação com os Estados Unidos e o futuro da exploração brasileira de minerais críticos e terras raras.
O presidente questionou se o senador entregaria recursos estratégicos do Brasil aos americanos e criticou a proposta de cooperação militar conhecida como Escudo das Américas. Para Lula, a iniciativa poderia subordinar países latino-americanos aos interesses de Washington.
Flávio negou ter trabalhado contra empresas brasileiras e afirmou que viajou aos Estados Unidos para defender o Brasil. O senador, por sua vez, acusou o governo federal de não enviar representantes para defender os interesses nacionais e fez uma referência ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
Na réplica, Lula deslocou o confronto para o tema da corrupção e apresentou o desafio que se tornou o principal momento político do bloco.
“Eu desafio você de corrupção e eu amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, declarou o presidente.
Lula propôs que ele e Flávio autorizassem a abertura dos dados das respectivas famílias e entregassem os documentos à Justiça. Citou também o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como destinatários da documentação.
A proposta foi apresentada como uma maneira de permitir que o eleitor conhecesse informações sobre os candidatos antes de votar. Lula insistiu que a discussão não deveria ficar restrita a acusações feitas em um palanque.
O presidente, entretanto, não apresentou no debate um procedimento jurídico detalhado para viabilizar a abertura conjunta dos dados. Sigilos bancário, fiscal e telefônico têm regimes legais distintos, e o acesso depende dos instrumentos jurídicos aplicáveis a cada tipo de informação.
Flávio não aderiu ao desafio. Em vez de assumir o compromisso de autorizar a divulgação dos dados, respondeu com novas acusações contra o adversário.
“Não tem absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre, né?”, afirmou o senador.
Flávio também mencionou uma declaração atribuída ao empresário Daniel Vorcaro e levantou suspeitas sobre recursos relacionados a um filme e ao Instituto Lula. As afirmações foram feitas pelo candidato durante o debate e não constituem, por si só, comprovação de irregularidade.
O ponto central do confronto permaneceu sem acordo: Lula pediu a abertura dos sigilos, enquanto Flávio declarou não ter nada a esconder, mas não aceitou a proposta nos termos apresentados pelo presidente.
Produtividade e indústria abrem o bloco
Antes do confronto direto, a mediação apresentou a mesma pergunta aos dois candidatos sobre como aumentar a produtividade da economia brasileira. O apresentador precisou recordar as regras de civilidade e pedir que os adversários evitassem interrupções.
Lula defendeu investimentos em inovação industrial, qualificação profissional e setores ligados à transformação tecnológica. Citou R$ 25 bilhões aplicados na Nova Indústria Brasil e crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial, além de investimentos em centros de processamento de dados, economia digital, economia criativa e economia verde.
O presidente sustentou que a produtividade depende da modernização da indústria e da preparação dos trabalhadores para novas atividades econômicas.
Flávio respondeu com críticas aos governos petistas. “É impressionante como é que parece que ele é da oposição, né?”, provocou, ao argumentar que Lula já teve tempo para executar as políticas apresentadas.
O senador prometeu realizar o que chamou de “maior programa de mobilidade social da história desse Brasil”. Defendeu tratar a internet como infraestrutura, conectar trabalhadores e empresas por meio de aplicativos e transformar a Caixa Econômica Federal em um “banco da prosperidade” para microempreendedores.
A diferença entre as propostas apareceu na ênfase de cada candidato: Lula destacou investimentos industriais e qualificação, enquanto Flávio apostou na conectividade, no acesso ao emprego e no crédito para pequenos negócios.
Segurança pública provoca novo bate-boca
No segundo confronto direto, Flávio questionou Lula sobre segurança pública e criticou posições da bancada do PT no Congresso Nacional. Defendeu a castração química para estupradores e a redução da maioridade penal, retomando a proposta de responsabilizar adolescentes a partir dos 14 anos em casos de crimes hediondos.
Lula respondeu citando medidas relacionadas à proteção de celulares e ao bloqueio de aparelhos por meio do aplicativo gov.br. Também mencionou iniciativas de renegociação de dívidas destinadas a micro e pequenos empreendedores por meio da Caixa.
Flávio insistiu na redução da maioridade penal e acusou o PT de modificar o discurso sobre segurança durante o período eleitoral.
Na tréplica, Lula defendeu os resultados econômicos de seu governo, mencionou o controle do déficit fiscal e ressaltou políticas de acesso à universidade. O presidente, porém, aproveitou o tempo restante para voltar ao desafio dos sigilos.
“Flávio, vamos fazer o seguinte, vamos abrir a minha conta e a sua. Vamos abrir, vamos abrir seu celular e a conta bancária”, afirmou.
Em seguida, reforçou a cobrança: “Ao invés de ficar falando que é honesto, prove que é honesto. Abra a sua conta”.
A repetição mostrou que Lula decidiu manter o assunto no centro do confronto, mesmo diante das tentativas do adversário de deslocar a discussão para outras acusações.
Escudo das Américas e inteligência artificial
Flávio também defendeu a cooperação internacional no combate ao narcotráfico por meio do Escudo das Américas. Na área de segurança pública, apresentou o projeto Smart Brasil, que, segundo sua proposta, prevê mais de 1 milhão de câmeras e o uso de inteligência artificial para auxiliar no monitoramento e na prevenção de crimes.
A iniciativa foi apresentada como parte de uma estratégia de reforço da segurança, inclusive nas periferias.
O debate contrapôs, assim, duas linhas de discurso: Lula questionou os efeitos políticos e estratégicos da aproximação de Flávio com os Estados Unidos, enquanto o senador apresentou a cooperação internacional e a tecnologia como instrumentos de combate ao crime organizado.
Moderação precisa intervir antes do encerramento
A tensão do terceiro bloco levou a mediação a interromper a dinâmica do confronto. Com movimentações no palco e ruído vindo da plateia, o apresentador precisou pedir que os candidatos aguardassem os respectivos tempos de fala.
“Candidato Lula, um instante. O cronômetro está parado… Candidato Flávio, só um instante”, advertiu.
Na sequência, a moderação orientou o senador a esperar a conclusão das considerações finais do adversário e pediu silêncio à plateia.
A intervenção evidenciou a dificuldade de manter a organização do debate em meio às provocações acumuladas nos três blocos. O confronto entre Lula e Flávio não ficou restrito às propostas de governo: acusações sobre corrupção, patrimônio e segurança dominaram boa parte da discussão.
Lula critica privatizações e Flávio promete Ministério da Prosperidade
Nas considerações finais, Lula agradeceu aos eleitores que o receberam nas ruas e criticou privatizações de empresas estatais, citando a Eletrobras e a BR Distribuidora. O presidente reafirmou o compromisso de não privatizar a Petrobras.
Flávio ironizou declarações do adversário e pediu a recuperação de seu tempo diante das manifestações da plateia. O senador prometeu criar um Ministério da Prosperidade, reforçar a segurança nas periferias e pediu votos para o número 22.
A mediação encerrou o primeiro debate do segundo turno presidencial.
O terceiro bloco deixou um ponto político concreto para a reta final da campanha: Lula colocou a abertura dos sigilos no centro do confronto, mas não obteve de Flávio o compromisso público que buscava. As acusações feitas pelos dois candidatos permaneceram no terreno do discurso eleitoral, sem que o debate apresentasse documentação capaz de comprovar as imputações lançadas no palco.
Com a votação marcada para 25 de outubro, o embate na Band reforçou a disputa sobre quem consegue convencer o eleitor de que tem mais condições de governar o país e responder às suspeitas levantadas durante a campanha.
Acompanhe a cobertura do segundo turno, os bastidores da eleição e a análise dos debates no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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Publicação de: Blog do Esmael

