Horário eleitoral: Sandro morde, Requião assopra e Moro volta à Lava Jato

Sandro Alex mira Moro, Requião Filho mantém habitação e Sergio Moro retoma discurso anticorrupção

O primeiro programa eleitoral dos candidatos ao governo do Paraná após o feriadão da Independência, nesta quarta-feira (9), manteve as principais linhas adotadas antes da pausa. Sandro Alex (PSD) elevou o tom contra Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) permaneceu concentrado em políticas sociais e Moro voltou a explorar sua trajetória no combate à corrupção.

A diferença mais evidente apareceu na abertura do programa de Sandro Alex. A campanha afirmou que “o outro candidato está só caindo nas pesquisas”, sem citar Moro nominalmente, e em seguida apresentou a mensagem de que Sandro Alex estaria em crescimento.

A estratégia indica uma mudança de intensidade no confronto eleitoral. Em vez de apenas apresentar realizações e propostas na área de segurança, o candidato passou a associar sua campanha ao desempenho nas pesquisas e a contrastá-la com o adversário.

O restante do programa manteve a segurança pública como principal eixo. A campanha afirmou que o Paraná vive a menor criminalidade dos últimos 20 anos e apresentou números de redução de roubos, além da informação de que sete em cada dez municípios não registraram homicídios.

Sandro Alex também prometeu contratar mil novos policiais por ano e afirmou que, em seu eventual governo, a polícia paranaense será a mais bem paga do Brasil. Entre as propostas estão ainda uma nova base do comando de aviação na região Sul, um batalhão de patrulha rural em Cascavel e sete novos gabinetes de inteligência integrada.

Outro trecho foi dedicado ao combate à violência contra a mulher. A campanha apresentou a monitoração eletrônica simultânea entre agressor e vítima, com tornozeleira para o primeiro e botão de pânico para a mulher protegida por medida judicial. Segundo o programa, o sistema atualmente existe em Curitiba, São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu e seria ampliado para os 399 municípios.

O programa também retomou a proposta de colocar presos para trabalhar e pagar pelo próprio sustento dentro do sistema penitenciário.

Moro seguiu por outro caminho. O candidato não centrou sua propaganda em um adversário local nem respondeu diretamente ao ataque de Sandro Alex. A mensagem foi construída sobre corrupção, responsabilidade na administração pública e sua trajetória na Operação Lava Jato.

A campanha afirmou que a corrupção não retira apenas dinheiro dos cofres públicos, mas também compromete oportunidades e o futuro da população. Moro apresentou sua experiência como juiz federal e disse ter compreendido, durante o combate a grandes esquemas de corrupção, a responsabilidade de um governante.

O argumento central foi que combater a corrupção seria uma etapa para melhorar áreas como saúde, segurança, educação e oportunidades de trabalho. O candidato também associou sua candidatura à defesa do dinheiro público e à transparência na administração estadual.

Com isso, Moro preservou uma estratégia que procura nacionalizar sua imagem política no horário eleitoral. Em vez de transformar a propaganda em uma disputa direta com Sandro Alex, a campanha apresentou o candidato como alguém cuja experiência anterior poderia ser transferida para o governo do Paraná.

Requião Filho, por sua vez, não alterou substancialmente sua linha. Ao Blog do Esmael, o candidato afirmou que não pretende mudar o rádio e a televisão. O programa desta quarta-feira confirmou a opção por apresentar propostas e estabelecer uma identidade própria sem concentrar a propaganda no ataque aos adversários.

A habitação foi o tema escolhido. Requião Filho criticou a construção de conjuntos habitacionais distantes dos serviços públicos e defendeu que novas moradias sejam planejadas próximas ao trabalho, às escolas, aos postos de saúde e ao transporte coletivo.

O candidato também abordou famílias que vivem em áreas de risco, como regiões próximas a encostas e rios. A proposta apresentada é retirar essas pessoas do perigo sem repetir o problema de transferi-las para locais distantes e sem infraestrutura.

Requião Filho vinculou a proposta à trajetória de seu pai, o ex-governador Roberto Requião, ao recordar programas de construção de moradias e urbanização de bairros. A campanha defendeu a utilização de recursos federais do Minha Casa, Minha Vida e uma atuação da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) em parceria com os municípios.

O ponto de convergência entre os três programas está justamente na manutenção das estratégias. Sandro Alex aposta na segurança pública e começa a incorporar ataques mais explícitos ao desempenho de adversários. Moro insiste na marca anticorrupção e em uma imagem de candidato associado à Lava Jato. Requião Filho procura ocupar o espaço das políticas sociais e da habitação.

O retorno do feriado, portanto, não produziu uma virada na propaganda eleitoral. A disputa entrou em uma nova fase com os candidatos reforçando os territórios que escolheram para tentar convencer o eleitorado paranaense.

A diferença está no grau de confronto. Sandro Alex passou a mirar mais claramente Moro, enquanto Moro, pelo menos neste programa, preferiu falar de corrupção sem transformar a propaganda em resposta direta ao adversário. Requião Filho, por sua vez, manteve a aposta em propostas sociais e confirmou que pretende seguir no mesmo caminho no rádio e na televisão.

Portanto, Sandro mordeu, Requião assoprou. Moro voltou à Lava Jato.

Íntegra dos programas de Sandro, Requião e Moro

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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