Gleisi cobra urgência no Senado após Carbono Oculto expor lavagem bilionária

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, recoloca no centro do debate o projeto de lei contra o devedor contumaz. Segundo ela, a proposta é fundamental para punir empresas criadas deliberadamente para sonegar impostos, ocultar patrimônio e lavar dinheiro, como revelaram as investigações. Gleisi adiantou que pedirá à liderança do governo no Senado que solicite regime de urgência para a votação.

O projeto tramita há anos no Congresso, sob pressão de setores econômicos que acusam o texto de ampliar a fiscalização sobre grandes grupos. Para o governo Lula, entretanto, trata-se de uma resposta direta ao uso de redes de postos de combustíveis e fintechs como fachada para o PCC movimentar bilhões de reais.

Na avaliação da ministra, endurecer contra empresas de fachada é parte da estratégia de sufocar o crime organizado pelo bolso, já que organizações criminosas utilizam o mercado formal para dar aparência legal a recursos ilícitos.

Como revelou a colunista Mariana Londres, o Planalto também aproveitou o “cruzado de esquerda na Faria Lima” para publicar uma instrução normativa da Receita Federal que obriga fintechs a prestarem as mesmas informações que os bancos ao Fisco. A medida, segundo ela, faz toda a diferença em termos de segurança e de mercado, ao equiparar a atuação das empresas. O mecanismo havia sido enfraquecido após a onda de fake news sobre uma suposta “taxação” do Pix.

Parlamentares bolsonaristas, como Nikolas Ferreira (PL-MG), ajudaram a viralizar essa narrativa. Investigações apontam que a mentira beneficiou diretamente esquemas de lavagem do PCC, que se aproveitaram da ausência de controle sobre fintechs para movimentar R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

A operação Carbono Oculto já é tratada como divisor de águas no mercado financeiro e reconfigura o jogo em Brasília, como reportou a colunista Mariana Londres. O governo federal capitaliza o protagonismo da PF e da Receita, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tenta se apropriar dos méritos via Ministério Público paulista.

O impacto, porém, é duplo: atinge o coração financeiro que sustenta a direita e enfraquece a base de apoio de Tarcísio, ao expor a proximidade de seus aliados com um mercado contaminado. Lula, por sua vez, ganha terreno no discurso de firmeza contra o crime e no reposicionamento do Estado como guardião da legalidade. A ofensiva também põe em xeque a blindagem midiática historicamente oferecida por corporações ligadas à Faria Lima.

No Congresso, a pauta da PEC da Segurança Pública ganha fôlego, assim como projetos para regular o setor de combustíveis e coibir práticas de sonegação. Líderes do PL, que no passado atacaram medidas da Receita, sofrem desgaste diante da associação com fake news e com a fragilidade da fiscalização que permitiu os crimes.

A fala de Gleisi mostra que o Planalto quer transformar a Carbono Oculto em plataforma para aprovar medidas estruturais contra o crime econômico. A narrativa bolsonarista sobre “taxar o Pix” ruiu diante dos números. O desafio, agora, é saber se o Senado terá coragem política de enfrentar os devedores contumazes, muitos deles grandes financiadores de campanhas.

Leia mais análises sobre a operação Carbono Oculto no Blog do Esmael.

Reprodução/RRSS

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Publicação de: Blog do Esmael

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