Esquerda vence em Portugal e vira farol contra a extrema direita no Brasil

A vitória do socialista António José Seguro (PS) para presidente de Portugal, confirmada no segundo turno deste domingo (8), virou um recado político que atravessou o Atlântico: líderes do PT trataram o resultado como prova de que dá para derrotar a extrema direita nas urnas, e usaram Portugal como espelho da disputa brasileira contra o bolsonarismo.

Seguro derrotou André Ventura, líder do Chega, por ampla margem, com contagem avançada apontando cerca de dois terços dos votos para o socialista, num pleito marcado por tempestades e adiamentos pontuais de votação em zonas afetadas.

A imagem que ficou é a de uma frente democrática que se formou para conter o populismo autoritário, sem relativizar o risco institucional.

Um placar largo, uma derrota que não apaga o alerta

A Associated Press registrou vitória “enfática” de Seguro sobre Ventura, com 99% das urnas apuradas, e destacou o apoio transversal ao socialista como resposta ao avanço populista.

A Reuters, por sua vez, apontou que Ventura saiu derrotado, mas reforçado como figura nacional, ao performar acima do tamanho eleitoral anterior do Chega, sinal de que a extrema direita mantém base social e quer liderar o campo conservador em Portugal.

Traduzindo para o leitor brasileiro: vencer uma eleição não dissolve o extremismo, só muda o jogo. A extrema direita perde o troféu, mas tenta conservar a pauta.

Por que a Presidência importa contra aventuras autoritárias

Em Portugal, o presidente não é um adereço. Mesmo com funções de moderação, o cargo tem instrumentos de poder, como veto político e a possibilidade de dissolver o Parlamento e convocar eleições em contextos previstos, o que torna a eleição um freio institucional relevante contra projetos de choque.

Esse detalhe ajuda a explicar por que a direita democrática portuguesa se moveu para bloquear Ventura. Não foi só disputa formal, foi disputa de barreira democrática.

Gleisi e Lindbergh transformam Portugal em farol para 2026

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), celebrou o resultado como vitória da esquerda e da democracia, destacando o caráter “expressivo” do placar diante da candidatura de extrema direita.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) foi ainda mais direto. Em publicação nas redes, afirmou que “Portugal nos mostra que é possível derrotar a extrema-direita” e conectou o desfecho à luta política contra o bolsonarismo no Brasil.

A mensagem, aqui, é menos sobre copiar “manual europeu” e mais sobre método: alianças amplas, voto com sentido democrático e disputa de narrativa sem pedir licença ao ódio.

O farol para o Brasil não é slogan, é estratégia

O paralelo com 2026 é óbvio para quem acompanha política sem ingenuidade.

Primeiro, a extrema direita cresce quando consegue transformar ressentimento em identidade política permanente. Ventura perdeu, mas saiu maior, e isso ensina que o campo democrático precisa ganhar e governar com entrega social real, senão o extremismo volta com mais raiva.

Segundo, a derrota de um líder extremista costuma depender de uma costura ampla, que inclui centro e direita democrática, sem abrir mão de valores. Foi esse movimento que produziu o placar largo em Portugal e é esse o tipo de engenharia política que a esquerda brasileira discute, mesmo com tensões internas e ruídos nas redes.

Portugal funciona como farol porque mostrou que democracia não se defende com neutralidade covarde, se defende com coalizão, voto e coragem de enfrentar a extrema direita como ameaça real.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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