Direita se engalfinha no Paraná e amplia o drama conservador para 2026
A direita do Paraná entrou em rota de colisão pública nas redes sociais após uma troca de acusações pesadas entre Luiz Felipe França, pré-candidato ao governo do estado pelo Missão, legenda que sucedeu o MBL, e Jeffrey Chiquini, advogado criminalista e pré-candidato ao Senado pelo Novo. O embate, marcado por insinuações graves e desafios públicos por “provas”, escancarou a fragmentação do campo conservador no estado às vésperas da corrida eleitoral de 2026.
O confronto se deu no X, antigo Twitter, e rapidamente ganhou repercussão política. De um lado, França acusa Chiquini de envolvimento em tentativas de produção de material político contra adversários. Do outro, Chiquini reage com narrativas ainda mais duras, fala em vídeos, dinheiro e reuniões, mas sem apresentar documentação pública até o momento. Ambos afirmam ter razão e cobram explicações um do outro, em uma escalada verbal que extrapola o debate programático.
As postagens circularam com linguagem agressiva, ironias e ameaças retóricas de judicialização. As acusações são alegações feitas nas redes, sem comprovação apresentada publicamente até agora. O tom chamou atenção por envolver possíveis crimes eleitorais e penais, o que, em tese, despertaria interesse de órgãos de controle e do Judiciário.
Nos bastidores, a avaliação é de que o episódio enfraquece a narrativa moralista que parte da direita tenta sustentar no Paraná. Em vez de unidade e projeto, o que se vê é exposição de conflitos internos, acusações cruzadas e desgaste mútuo.
O racha contrasta com o movimento do campo progressista no estado. Partidos de esquerda e centro-esquerda têm sinalizado maior coordenação, diálogo e construção de palanques comuns, especialmente em torno de agendas sociais e de oposição ao bolsonarismo local. Enquanto isso, a direita paranaense parece disputar espaço no grito, sem mediação e sem síntese política.
No fim de semana, no Litoral, Paranaguá virou vitrine da articulação progressista ao reunir no mesmo espaço a ministra Gleisi Hoffmann (PT), o deputado estadual Requião Filho (PDT), o ex-governador Roberto Requião (PDT) e lideranças do PSB, em um gesto claro de unidade política com foco nas disputas pelo Palácio Iguaçu e pelo Senado em 2026.
Dito isso, analistas ouvidos reservadamente apontam que a disputa França versus Chiquini é sintoma de algo maior. O campo conservador no Paraná segue dividido entre projetos personalistas, heranças do bolsonarismo e tentativas de renovação que não conversam entre si.
Em ano pré-eleitoral, brigas públicas costumam ter custo alto. Elas afastam eleitores moderados, reduzem capacidade de alianças e oferecem munição gratuita aos adversários. No caso do Paraná, o episódio reforça a percepção de que a direita chega a 2026 sem comando claro, sem discurso unificado e com dificuldade de sustentar o discurso ético que costuma empunhar.
No fim, quem ganha é o campo que consegue mostrar estabilidade, previsibilidade e projeto coletivo. E, neste momento, não é a direita que ocupa esse lugar no estado.
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Abaixo, confira ao bate-boca nas redes sociais:








Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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