Crise do petróleo reforça papel da Petrobras e conteúdo local, afirma especialista

Disparada dos preços dos contratos de petróleo detonam teoria tosca de perda da importância da commodity e reforça papel da Petrobras.

Por Marcos de Oliveira, Monitor Mercantil

As fortes oscilações dos preços dos contratos futuros de barril de petróleo nos mercados internacionais – que atingiram uma máxima de US$ 120 no final de semana, cedendo para US$ 98 na segunda-feira e US$ 88 nesta terça-feira, podendo disparar novamente amanhã – deveriam ser motivo de reflexão para aqueles que, por inocência ou por desinformação, ainda acreditavam que o petróleo seria uma mera commodity.

“O que está acontecendo, diante da nova geopolítica global, refletindo no comportamento de preços e no risco desabastecimento de muitos países, joga por água abaixo, essa teoria tosca e manipulada que alguns ainda defendiam no Brasil”, critica Wagner Victer, ex-secretário de Energia e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro.

“O que vemos fortalece, de forma inconteste, a importância de termos uma empresa de petróleo estatal, como a Petrobras, atuando no Brasil com uma forte produção de petróleo interna associada à capacidade de refino, evitando a volatilidade de preços e, principalmente, garantindo o abastecimento, enquanto alguns segmentos e refinarias que foram privatizadas não demonstram comprometimento com o abastecimento nacional e já estão explodindo os preços”, prossegue o especialista.

Para Victer, o momento reforça que as políticas públicas devem, cada vez mais, fortalecer nossa cadeia local de fornecedores de itens críticos associada à importância de produzir e refinar petróleo internamente, garantindo nossa segurança energética.

“Ao mesmo tempo, demonstrando, para o mundo, o Brasil como sendo uma fonte confiável de abastecimento de petróleo que estará presente, por muitas décadas, ainda dentro dessa interconexão internacional energética”, finaliza o ex-secretário.

Para subir, não depende?

Na coluna de ontem, comentamos sobre a pressão de importadores de combustíveis para forçar a Petrobras a aumentar os preços da gasolina e do diesel nas refinarias, embora a estatal faça a extração de petróleo no Brasil, a milhares de quilômetros do Estreito de Ormuz.

Em janeiro, quando a Petrobras reduziu o preço da gasolina, a diferença foi apropriada pela distribuição/revenda e não chegou ao consumidor.

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Nesta semana, alegando a alta dos preços do barril de petróleo no exterior, postos de São Paulo elevaram os preços dos combustíveis em até R$ 0,50. Frase dita em entrevista ao UOL pelo presidente do Sincopetro, entidade dos varejistas, sobre o motivo de os preços demorarem a cair ao consumidor, na baixa, é esclarecedora e confirma o que a coluna disse ontem: “Depende mais da concorrência.”

Publicação de: Viomundo

Lunes Senes

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