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O jornalista e advogado Esmael Morais afirmou, em entrevista concedida ao apresentador Rafael Paes, da TVCI, nesta sexta-feira (6 de novembro), em Curitiba, que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma janela de quatro anos para o governo recuperar a economia, reduzir os juros e melhorar a qualidade dos empregos. Segundo ele, o desempenho econômico será decisivo para definir se a esquerda conseguirá eleger um sucessor ou se a direita voltará ao Palácio do Planalto em 2030.
Na entrevista ao programa 18 Horas Paraná, Morais também analisou a eleição de Sérgio Moro (PL) para o governo do Paraná, a derrota do grupo político de Ratinho Junior (PSD), a composição da Assembleia Legislativa e o comportamento esperado do Congresso Nacional diante do novo mandato de Lula.
A avaliação do jornalista é que a disputa presidencial de 2026 deixou uma mensagem clara: o eleitor considera a situação econômica na hora de escolher seus representantes.
Lula precisa transformar reeleição em melhoria econômica
Para Esmael Morais, Lula conseguiu conversar com diferentes segmentos do eleitorado ao apresentar propostas e medidas relacionadas à renda, ao trabalho e à proteção social.
Entre os fatores que ajudaram o presidente estão os acenos à classe média, aos trabalhadores e a setores que reivindicam melhores condições de vida. A discussão sobre a jornada de trabalho, especialmente o fim da escala 6×1, também integra esse conjunto de pautas com repercussão eleitoral.
O jornalista ponderou, entretanto, que a vitória nas urnas não garante automaticamente a continuidade do projeto político do PT.
“O Lula terá que corrigir essa rota sob pena de não fazer o sucessor”, foi a síntese de sua avaliação sobre os desafios econômicos do próximo mandato.
O principal obstáculo, segundo Morais, está no custo do dinheiro. Ele defendeu mudanças na política de juros para permitir que empresas e trabalhadores tenham melhores condições de empreender, produzir e gerar renda.
O jornalista também chamou atenção para a precarização das relações de trabalho. Embora o desemprego esteja em patamares baixos, argumentou que é necessário observar a qualidade das ocupações disponíveis.
A expansão de contratos precarizados e da pejotização, na avaliação apresentada à TVCI, compromete direitos como férias, décimo terceiro salário e proteção social.
Para Esmael, se o governo não conseguir melhorar a vida material da população, a direita terá condições de disputar novamente o poder nacional em 2030.
Moro assume Paraná depois da derrota do grupo de Ratinho Junior
Sobre a eleição de Sérgio Moro, Esmael afirmou que o resultado não surpreendeu o Blog do Esmael. A possibilidade de vitória do então candidato já havia sido discutida nas Superlives realizadas durante a campanha eleitoral.
O fator determinante foi a divisão do grupo político de Ratinho Junior.
Segundo o jornalista, o governador adotou uma estratégia errática, trocou de candidato mais de uma vez e acabou escolhendo um nome que não reunia o consenso esperado dentro de sua própria base.
A candidatura competitiva de Requião Filho (PDT), que conquistou quase um quarto dos votos, também contribuiu para o resultado da disputa.
Na avaliação de Morais, a derrota demonstrou que o governo estadual não conseguiu converter sua estrutura política e administrativa em apoio eleitoral suficiente para eleger o sucessor.
O jornalista relacionou esse resultado à insatisfação com serviços públicos, privatizações, educação e funcionalismo.
Entre os exemplos citados estão os problemas no fornecimento de energia após a privatização da Copel, as dificuldades de abastecimento de água no litoral durante a temporada e a controvérsia envolvendo a privatização de escolas estaduais.
Morais também observou que obras importantes, como a Engorda de Matinhos e a Ponte de Guaratuba, não foram suficientes para reverter o desgaste político.
Lula venceu em 69 municípios do Paraná
Outro dado destacado na entrevista foi o desempenho eleitoral de Lula no Paraná.
De acordo com os números mencionados por Esmael, o presidente venceu em 49 municípios paranaenses no primeiro turno e ampliou essa presença para 69 cidades no segundo turno.
O resultado demonstra que, mesmo em um estado com forte presença eleitoral da direita, o campo progressista conseguiu ampliar sua votação territorial na etapa decisiva da eleição.
Sobre a relação entre Lula e Moro, Esmael avaliou que o governador eleito precisará separar a disputa eleitoral das responsabilidades administrativas.
O jornalista lembrou que Moro foi o juiz responsável pela prisão de Lula e que Deltan Dallagnol, senador ligado ao mesmo campo político, também teve participação na trajetória da Lava Jato.
Apesar das diferenças, o governo paranaense dependerá de relações institucionais com Brasília, inclusive para assegurar transferências constitucionais e recursos necessários à administração estadual.
A avaliação é que haverá retórica política, mas a administração pública exigirá diálogo entre os governos.
Assembleia Legislativa e Congresso devem se alinhar aos governos
Na análise do novo cenário parlamentar, Esmael considerou provável que a Assembleia Legislativa do Paraná mantenha uma relação de alinhamento com o Executivo estadual.
O jornalista lembrou que esse comportamento se repetiu em diferentes governos, incluindo as administrações de Roberto Requião, Beto Richa e Ratinho Junior.
Para ele, a tendência é que a maioria dos deputados estaduais também estabeleça uma relação de sustentação política com o governo Moro a partir de 2027.
Em Brasília, Esmael Morais fez uma avaliação semelhante sobre o Congresso Nacional.
Mesmo sem contar com uma bancada numericamente dominante, Lula conseguiu construir maiorias para aprovar matérias de interesse do Executivo.
O jornalista afirmou que derrotas legislativas também fazem parte das negociações políticas entre o Palácio do Planalto e o Parlamento.
Na sua interpretação, nem toda derrota representa necessariamente uma ruptura entre o governo e sua base de sustentação.
O desafio dos governos, portanto, será administrar as relações com os parlamentares e evitar erros políticos que comprometam as negociações.
Economia pode decidir a eleição de 2030
Ao encerrar sua participação, Esmael voltou ao ponto que considera determinante para o futuro político do país: a economia.
O jornalista observou que problemas no fornecimento de energia, por exemplo, não se limitam ao desconforto de uma residência sem eletricidade.
A interrupção do serviço pode comprometer granjas, produção industrial, atividades comerciais e diferentes cadeias produtivas.
O mesmo raciocínio vale para as políticas públicas: quando serviços essenciais pioram, o prejuízo chega diretamente à população e à atividade econômica.
A avaliação apresentada à TVCI conecta os resultados das eleições de 2026 aos desafios dos próximos quatro anos.
Lula conquistou mais um mandato, Moro venceu no Paraná e a direita mantém presença expressiva no Parlamento. Mas o próximo capítulo dessa disputa será escrito também no orçamento das famílias, na qualidade dos empregos, nos juros e na capacidade de o governo entregar resultados.
A entrevista completa foi concedida ao apresentador Rafael Paes, no programa 18 Horas Paraná, da TVCI, nesta sexta-feira (6), em Curitiba. Acompanhe a cobertura política e as análises de Esmael Morais no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael

