O Partido Liberal oficializou em 4 de novembro a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal no biênio 2027-2028. O anúncio foi feito após reunião da bancada, em Brasília, e o senador passou a dizer que tem mais de 40 votos. A eleição é em 1º de fevereiro, por voto secreto, e o vencedor precisa de pelo menos 41 dos 81 senadores.
O PL terá 29 senadores a partir de fevereiro, a maior bancada da Casa. Marinho é o atual líder da oposição, tem 62 anos, é economista e foi ministro do Desenvolvimento Regional no governo de Jair Bolsonaro. Em 2026, coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém a candidatura e não fará lançamento formal. “Eu continuo candidata, ele lançou a dele. Eu não vou fazer o lançamento da minha candidatura, ela está posta”, disse à CNN Brasil. “Tem muita conversa para andar nesses dois meses que temos pela frente e quem tiver melhor vai sair candidato pelo campo da direita.”
Tereza Cristina afirma que quer ser a primeira mulher a presidir o Senado Federal em 203 anos. Marinho diz que os dois estão “do mesmo lado” e que vão convergir “no momento oportuno”. A fragmentação da direita, porém, favorece o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que trabalha pela reeleição com apoio do governo e de parte da esquerda.
A disputa não é só pelo cargo. O presidente do Senado Federal controla a pauta da Casa nos dois primeiros anos do novo governo e o calendário de votações de 2027 e 2028, período em que o PL tentará transformar a maior bancada em maioria política.
No PL, a divisão é sobre a Câmara dos Deputados. A bancada decide em 11 de novembro se lança candidato próprio ou apoia a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). Uma ala teme o isolamento: sem acordo, o partido perderia preferência nas comissões mais importantes e, segundo projeções técnicas, cairia para a 16ª escolha de comissão. Outra ala não quer se coligar ao PT no bloco de Motta. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) indicou dois nomes: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).
Em vídeo gravado nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro pediu que os senadores que votaram nele apoiem Marinho. A eleição das Mesas das duas casas é em fevereiro, mas o desenho já está em disputa.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
