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Senador questiona a prorrogação do horário de votação e diz que não reconhece o resultado; durante a Superlive do Blog do Esmael, a possibilidade de contestação foi discutida enquanto a apuração avançava
Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não reconhece a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que pretende pedir a anulação da eleição presidencial. Ao contestar o resultado, o senador apontou a prorrogação do horário de votação como motivo de questionamento e classificou a medida como uma “sacanagem”.
A declaração abre uma nova frente de disputa política depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a reeleição de Lula para seu quarto mandato presidencial. A apuração deste domingo (25) terminou com vitória do petista, que começou atrás na contagem, foi ultrapassado por Flávio Bolsonaro durante parte da noite e recuperou a liderança até a confirmação matemática do resultado.
A possibilidade de contestação foi discutida durante a Superlive de Apuração do Blog do Esmael, que acompanhou a contagem voto a voto por 5h30 ininterruptas, em transmissão multicanais. A declaração de Flávio Bolsonaro reforça a preocupação debatida na cobertura: o resultado das urnas poderá ser seguido por uma disputa política e judicial sobre a legitimidade do processo eleitoral.
Prorrogação da votação vira argumento para contestar o resultado
O horário de votação foi estendido até as 19h por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos relacionados a dificuldades de transporte público e ao acesso de eleitores às seções eleitorais.
A medida foi alvo de críticas de aliados de Flávio Bolsonaro, que passaram a falar em interferência judicial e a sugerir irregularidades sem apresentar provas públicas que demonstrassem fraude no resultado. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), também usou a expressão “golpe judiciário” ao criticar a decisão.
Há um dado relevante nessa controvérsia: a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado a extensão do horário em municípios de cinco estados, alegando problemas provocados por chuvas, alagamentos, bloqueios de vias e falta de energia. O pedido da campanha do senador tinha alcance geográfico diferente daquele apresentado pelo PT, que solicitou a ampliação nacional. UOL
A decisão de prorrogação gerou questionamentos sobre sua execução, especialmente porque algumas urnas já haviam sido encerradas quando a determinação foi comunicada. A Justiça Eleitoral esclareceu que os locais em que a votação já havia terminado não deveriam reabrir as urnas; a extensão valeria para as seções que ainda estavam funcionando.
A existência de controvérsia administrativa, porém, não comprova fraude eleitoral nem determina, por si só, a anulação do pleito. Uma eventual ação precisará ser examinada pelas autoridades competentes, com base em fundamentos jurídicos e provas.
PT vê risco de nova ofensiva contra a democracia
A decisão de Flávio Bolsonaro de contestar o resultado alimenta o temor, manifestado por setores do PT, de que o bolsonarismo volte a questionar a legitimidade de uma eleição vencida por Lula e use a contestação para ampliar a tensão institucional.
O episódio remete ao processo eleitoral de 2022, quando Jair Bolsonaro e aliados colocaram em dúvida o sistema eleitoral e houve uma tentativa de impedir a posse do presidente eleito, conforme apurado e julgado posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal. A comparação ajuda a explicar a preocupação política, mas não permite afirmar, sem evidências adicionais, que já exista um plano organizado para um novo golpe de Estado em 2026.
O ponto central será verificar se a contestação anunciada por Flávio Bolsonaro ficará restrita às vias judiciais ou se será acompanhada de uma mobilização política para deslegitimar o resultado. Até aqui, o anúncio de um pedido de anulação não equivale a uma decisão da Justiça nem altera o resultado proclamado pelo TSE.
Lula vence após virada na apuração
O TSE confirmou matematicamente a reeleição de Lula às 21h08, quando 97,69% da apuração estava concluída. Naquele momento, o presidente tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro. A diferença era de aproximadamente 4,2 milhões de votos, segundo a Agência Senado.
A disputa teve mudanças na liderança durante a apuração. Lula começou na frente, Flávio Bolsonaro assumiu a dianteira às 19h46 e permaneceu nessa posição por cerca de 38 minutos. Às 20h24, o petista recuperou a liderança e a manteve até a confirmação matemática da vitória.
A comparação entre o primeiro e o segundo turno também merece atenção. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos, enquanto Lula obteve 45,16%. No segundo turno, Lula superou o adversário e conquistou o quarto mandato presidencial.
A alegação de que Lula recebeu mais de 10 milhões de votos adicionais em relação ao primeiro turno precisa ser conferida com a totalização oficial dos dois turnos antes de ser publicada como dado fechado. O resultado confirmado pelo TSE é suficiente para estabelecer a vitória, sem recorrer a uma comparação numérica ainda não verificada.
Superlive acompanhou apuração e reação política
A Superlive do Blog do Esmael acompanhou durante 5h30 a contagem dos votos e a mudança de liderança entre os candidatos. A transmissão reuniu jornalistas, comunicadores e analistas de diferentes regiões do Paraná, com distribuição em múltiplos canais e participação de veículos parceiros.
A cobertura discutiu os números da apuração e os desdobramentos políticos de uma eleição apertada. Com a declaração de Flávio Bolsonaro sobre a intenção de pedir a anulação, a disputa entra em uma nova etapa: além do resultado eleitoral, estarão em debate os fundamentos da contestação, a resposta da Justiça Eleitoral e o compromisso dos atores políticos com a decisão das urnas.
O resultado oficial permanece válido enquanto não houver decisão judicial em sentido contrário. A eventual tentativa de anulá-lo deverá ser acompanhada com base nos atos protocolados, nos argumentos apresentados e nas decisões das autoridades competentes.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
