O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (12), durante comício na Boca Maldita, em Curitiba, que a abertura de informações relacionadas ao caso Banco Master poderá revelar viagens e episódios de “sacanagem” envolvendo políticos. A declaração ocorreu no mesmo discurso em que Lula defendeu a quebra do sigilo da investigação e afirmou que “quem fez bobagem vai ser desmascarado”.
“Quem fez putaria vai ser desmascarado neste país”, discursou o presidente diante 20 mil pessoas que lotaram a Boca Maldita, tradicional ponto de manifestações de Curitiba. O mandatário falou cerca de 40 minutos.
Lula citou o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso no âmbito das investigações, e disse que o caso ainda deverá revelar novos fatos. Segundo o presidente, haveria registros de viagens à Suíça e à Suécia relacionadas a episódios que classificou como “sacanagem com muita gente da política”.
Lula estava acompanhado do candidato ao governo do Paraná Requião Filho (PDT), da candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) e do candidato ao Senado Dr. Rosinha (PT), além de aliados da chapa, como o ex-governador Roberto Requião (PDT), que também estava no palanque principal.
O presidente relacionou a discussão sobre o Banco Master à decisão do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o levantamento do sigilo de informações da investigação que estava sob relatoria do ministro André Mendonça.
Lula disse que pediu a Fachin que o processo fosse colocado “às claras”, sob o argumento de que não seria adequado divulgar apenas partes da investigação. “Vamos deixar nu para saber quem é que está por detrás disso”, afirmou.
Na sequência, o presidente declarou que a prisão de Vorcaro seria apenas uma etapa da investigação. “Agora vai começar a aparecer”, disse Lula, antes de mencionar as viagens internacionais e os episódios que atribuiu ao entorno do caso.
A declaração ganhou dimensão política porque o discurso também mirou a família Bolsonaro. Lula afirmou que “a família Bolsonaro não escapa” das investigações, mas não apresentou, no palanque, uma prova específica que vinculasse Jair Bolsonaro ou seus familiares às supostas irregularidades mencionadas.
O presidente também associou o caso Master a uma disputa mais ampla sobre transparência e responsabilização. Ele afirmou que seu governo não deveria proteger nem mesmo pessoas próximas ao presidente da República e citou o próprio filho como exemplo: “Meu filho não será protegido”, disse, acrescentando que, se alguém cometer um erro, deverá responder por ele.
A referência às viagens e às supostas “putarias” ocorre no contexto da controvérsia envolvendo o material conhecido como “Dark Horse”, produção relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula afirmou, segundo o relato apresentado no discurso, que a abertura dos dados permitirá esclarecer conteúdos que estariam relacionados a viagens de políticos e episódios de “surubas” de caráter sexual.
O presidente, porém, não apresentou durante o comício os supostos vídeos nem identificou nominalmente as pessoas que apareceriam neles. Por isso, a existência e o conteúdo de eventuais gravações devem ser tratados como afirmações atribuídas a Lula, e não como fatos comprovados.
O episódio foi um dos trechos mais políticos do discurso na Boca Maldita. Lula também atacou a extrema-direita, defendeu a atuação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) em investigações sobre descontos fraudulentos de aposentados e criticou adversários que, segundo ele, usam investigações como instrumento de disputa eleitoral.
Ele afirmou que descobriram que o escritório de seu adversário principal, Flávio Bolsonaro (PL), fica no mesmo prédio do Careca do INSS.
“E é importante lembrar que a quadrilha foi montada no governo Bolsonaro e ontem saiu a matéria de que o tal do Careca está no mesmo prédio que o Flávio Bolsonaro. A verdade é tardia, mas não falha”, disse o petista.
Ao lado de Requião Filho, Gleisi e Dr. Rosinha, Lula transformou o ato em Curitiba em um palanque para a eleição de 2026. Pediu votos para Requião Filho ao governo, Gleisi e Dr. Rosinha para o Senado e fez defesa direta de sua própria candidatura à Presidência da República.
A fala sobre o caso Master acrescentou ao comício um elemento nacional à disputa paranaense. Com a investigação sob maior exposição pública, Lula aposta que a divulgação integral dos elementos do processo permitirá distinguir acusações, documentos e responsabilidades individuais.
O presidente encerrou o discurso defendendo que o eleitor não acredite em fake news e vá às ruas para disputar a narrativa política das eleições de 2026.


Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
