Segundo bloco da Band leva bets, redes sociais e 6×1 ao centro da disputa pelo Senado

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O segundo bloco do debate da Band Paraná entre os candidatos ao Senado, realizado nesta quarta-feira, 9 de setembro, ampliou a disputa para temas como câmeras corporais, bets, escala 6×1, regulação das redes sociais e emendas parlamentares. Na etapa de direitos de resposta, os confrontos subiram de tom entre Deltan Dallagnol (Novo) e Gleisi Hoffmann (PT), Gleisi e Filipe Barros (PL), e Filipe Barros e Dr. Rosinha (PT).

A rodada com jornalistas começou com Alexandre Curi (PSD) respondendo sobre o uso de câmeras corporais por policiais. Questionado sobre dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontaram 6.602 mortes provocadas por policiais em 2025, Curi reafirmou ser contrário às câmeras e defendeu maioridade penal e investimentos em segurança.

Gleisi, responsável pelo comentário, defendeu inteligência policial e combate ao financiamento das organizações criminosas. Na mesma intervenção, porém, direcionou o discurso contra Deltan, retomando acusações relacionadas ao Banco Master e ao entorno político de Flávio Bolsonaro.

A discussão seguinte colocou Gleisi e Filipe Barros frente a frente sobre as bets. A candidata do PT afirmou ser contra os jogos de apostas e disse defender o fim das bets, além da proibição da publicidade desse tipo de atividade.

Filipe Barros também se declarou favorável ao fim das bets. O candidato relatou ter ouvido de um empresário de Londrina que cerca de 15% dos funcionários de seus supermercados estariam pedindo adiantamento salarial por causa de dívidas com apostas. A informação foi apresentada por Barros como relato recebido de um empresário, sem indicação de estudo ou levantamento próprio.

Na resposta, Barros atacou o governo Lula e afirmou que o PT teria interesse em manter a população endividada. Gleisi rebateu posteriormente, sustentando que as bets chegaram ao governo Lula já legalizadas e desregulamentadas e que existe resistência política à proibição.

A escala 6×1 também entrou no debate. Filipe Barros afirmou ter votado a favor do fim da jornada e defendeu redução da carga tributária sobre empresas e desoneração da folha de pagamentos.

Dr. Rosinha, no comentário, disse que o PT apoia o fim da escala 6×1 e citou a posição de Lula favorável à aprovação da proposta. Em seguida, contestou as afirmações de Barros sobre impostos, inflação, saúde e combustíveis, atribuindo ao governo Bolsonaro resultados diferentes dos apresentados pelo adversário.

Outro confronto ocorreu em torno da regulação das redes sociais. Deltan defendeu regras semelhantes às adotadas na Europa, com responsabilização das plataformas, mas criticou modelos que, segundo ele, poderiam restringir a liberdade de expressão.

Alexandre Curi também defendeu regras e punições para plataformas que exponham crianças e mulheres, mas vinculou o debate à crítica sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que o Congresso precisa recuperar espaço na definição das regras.

Cristina Graeml (PSD) foi questionada sobre os limites entre liberdade de expressão e crimes como injúria, calúnia e difamação. A candidata defendeu a responsabilização de quem cometer crimes, mas se posicionou contra uma regulação ampla das redes sociais. Como alternativa, propôs a identificação dos usuários por nome e CPF.

Deltan concordou com a necessidade de punição para crimes cometidos nas redes, mas voltou a criticar o que classificou como regulação genérica. No fim de sua intervenção, defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

As emendas parlamentares fecharam a rodada. Dr. Rosinha afirmou ser contrário às emendas impositivas e defendeu o fim desse mecanismo. Segundo ele, o modelo reduz a capacidade de planejamento do Executivo e pode criar relação de dependência entre a liberação de recursos e a aprovação do orçamento.

Cristina Graeml defendeu maior transparência na aplicação das emendas e disse que, caso eleita, pretende divulgar na internet os beneficiários, destinos dos recursos e notas fiscais. A candidata também associou a discussão à defesa de uma reforma administrativa e de maior participação privada em determinadas áreas.

Três direitos de resposta mudam o tom do debate

Depois da rodada, a Band informou que quatro pedidos de direito de resposta haviam sido analisados e três foram concedidos. O primeiro foi destinado a Deltan Dallagnol em razão de declarações de Gleisi Hoffmann sobre sua situação eleitoral.

Deltan usou o minuto para atacar o PT e acusar Gleisi de ter apresentado informações falsas sobre jogos de azar. Ele afirmou que o governo Lula teria legalizado o chamado “jogo do tigrinho” e associou o endividamento das famílias aos juros praticados durante a atual gestão.

Na sequência, Gleisi recebeu direito de resposta pelas declarações de Filipe Barros sobre as bets. A petista afirmou que as apostas já haviam sido legalizadas antes do governo Lula e acusou Barros de não ter cobrado uma mudança durante o governo Jair Bolsonaro.

Gleisi também voltou a atacar Deltan, classificando-o como inelegível e ficha suja e afirmando que ele foi condenado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a oito anos de inelegibilidade. Essas afirmações foram feitas pela candidata durante o direito de resposta e aparecem na transcrição como declarações atribuídas a ela.

O terceiro direito de resposta foi concedido a Filipe Barros por declarações de Dr. Rosinha relacionadas à pandemia e às vacinas.

Barros rebateu a afirmação de que o governo Bolsonaro teria defendido a morte de pessoas durante a pandemia. Disse que o governo comprou vacinas e, na sequência, deslocou o ataque para a segurança pública, acusando o PT de tolerância com facções criminosas.

O confronto terminou com a disputa eleitoral novamente organizada em torno de dois polos. De um lado, candidatos como Gleisi e Dr. Rosinha utilizaram o debate para defender políticas públicas associadas aos governos petistas e atacar Bolsonaro e seus aliados. De outro, Deltan, Filipe Barros e Cristina Graeml concentraram críticas no PT, em Lula e no STF, com ênfase em segurança, liberdade de expressão, redução de impostos e combate à criminalidade.

O segundo bloco, portanto, não ficou restrito às perguntas dos jornalistas. A rodada abriu espaço para temas econômicos e sociais, enquanto os direitos de resposta transformaram o debate em uma sequência de ataques diretos sobre bets, corrupção, pandemia, segurança pública e situação eleitoral.

A disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado entra, assim, em uma fase em que os candidatos passaram a confrontar não apenas propostas, mas também os governos, grupos políticos e personagens nacionais aos quais estão associados.

Assistir ao debate

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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