O deputado estadual Requião Filho (PDT) ironizou Sergio Moro (PL-PR), nesta quinta-feira (25), depois que o senador e ex-juiz confundiu “parnanguaras”, gentílico de quem nasce em Paranaguá, com uma população indígena ao responder pergunta sobre o Porto de Paranaguá.
“Sergio Moro não conhece o próprio estado que quer governar. Uma gafe com o povo parnanguara!”, disse Requião Filho, pré-candidato do PDT ao governo do Paraná.
A fala de Moro ocorreu em entrevista no litoral paranaense. Questionado sobre o porto “em relação aos parnanguaras”, o senador respondeu como se o termo se referisse a uma comunidade indígena. “A população indígena lá tem que preservar os direitos”, afirmou, antes de defender que a preservação desses direitos não fosse tratada como obstáculo ao crescimento econômico e à ampliação portuária.
O erro deslocou a discussão do porto para o território simbólico da campanha estadual. Paranaguá não é detalhe geográfico no Paraná: é a cidade mais antiga do estado, fundada em 29 de julho de 1648, porta histórica do litoral e sede de um dos principais complexos portuários do país.
Requião Filho explorou a gafe com um vídeo em tom de aula pública sobre o litoral. Ele tratou Paranaguá como “tribo dos parnanguaras” para devolver a ironia, lembrou que parnanguara é quem nasce na cidade e citou a formação histórica do litoral, do homem do sambaqui aos povos indígenas e caiçaras.
O pedetista também aproveitou para corrigir outras confusões geográficas atribuídas a Moro. No vídeo, Requião Filho lembrou que Morretes e Antonina são cidades diferentes, que a BR-277 e a Estrada da Graciosa descem a Serra do Mar e que Alexandra-Matinhos não é nome de mulher, mas uma estrada que liga a comunidade de Alexandra a Matinhos.
A resposta atingiu o ponto fraco que adversários tentam colar em Moro desde que o senador passou a se movimentar como pré-candidato ao Palácio Iguaçu: a acusação de que ele conhece mais o palco nacional da Lava Jato do que a realidade territorial do Paraná.
O episódio também exige cuidado com a pauta indígena. O litoral paranaense tem presença histórica de povos originários, e a Ilha da Cotinga abriga a aldeia Pindoty, de tradição Mbyá-Guarani. A crítica a Moro, portanto, não apaga a presença indígena; o problema político foi confundir o gentílico da população de Paranaguá com uma etnia.
No campo eleitoral, a gafe entrega munição a Requião Filho em uma disputa que passa por identidade regional, infraestrutura, porto, pedágio, turismo e pertencimento. Em campanha estadual, errar o nome do povo de uma das cidades mais importantes do Paraná deixa de ser apenas deslize de linguagem e vira cobrança sobre preparo político.
Moro tenta se apresentar como nome competitivo para governar o Paraná. Requião Filho tenta enquadrá-lo como candidato de fora do chão paranaense. A palavra “parnanguara”, que parecia pequena na entrevista, virou uma senha para a disputa maior: quem conhece o Paraná que pretende governar.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), pré-candidata ao Senado, também entrou na cobrança contra Moro. Em publicação no Instagram, ela ironizou a confusão do senador e vinculou a gafe à falta de conhecimento sobre o Paraná. “Ainda bem que ele queria ser senador por São Paulo, onde a conja dele é deputada, porque de Paraná eles não entendem coisa alguma”, escreveu.
No vídeo, Gleisi afirmou que Moro precisa saber que quem nasce em Paranaguá é parnanguara e lembrou que o Paraná já tem porto em Antonina, além da discussão antiga sobre um porto em Pontal do Paraná, travada por problemas de acesso viário. “As pessoas precisam conhecer o Paraná para querer governá-lo”, disse a petista.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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