Sandro Alex leva pedágio para urna contra Moro

O governador Ratinho Junior (PSD) escolheu o deputado federal Sandro Alex (PSD) para tentar segurar o Palácio Iguaçu em 2026, mas a sucessão do Paraná virou vitrine nacional da direita rachada: a máquina aposta em obras, enquanto o senador Sergio Moro (PL) lidera a pesquisa contratada pelo próprio partido.

O Blog do Esmael mostrou que Ratinho quer transformar Sandro Alex no candidato da infraestrutura. A peça política associa o ex-secretário a obras como o Moegão do Porto de Paranaguá, a Rodovia das Cataratas, a Ponte de Integração Brasil-Paraguai e a Ponte de Guaratuba.

O problema é que infraestrutura, no Paraná, não vem limpa para a urna. Ela carrega pedágio, tarifa, concessão, contrato, promessa de duplicação e memória amarga de motorista parado na praça de cobrança.

Sandro Alex entra na disputa com o currículo que Ratinho quer vender. Foi secretário de Infraestrutura e Logística, tem quatro mandatos de deputado federal e aparece como nome do PSD para manter o grupo no poder.

Mas o mesmo rótulo que ajuda no palanque pode virar peso no asfalto. O Paraná cansou de ouvir que pedágio caro era preço de desenvolvimento. A conta chegou antes da propaganda.

A eleição estadual virou um teste duro para Ratinho: descobrir se obra inaugurada transfere voto para candidato escolhido. Essa conta ainda não apareceu na pesquisa divulgada pelo Blog do Esmael no último dia 13.

Nesse levantamento da Paraná Pesquisas, contratado pelo PL, Sergio Moro aparece com 46% no cenário com o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB). Sem Greca, Moro sobe para 52,5%. Sandro Alex não foi testado nesses cenários.

Requião Filho (PDT) segue sendo o nome mais nítido do campo oposicionista ao governo estadual, mas esta rodada trouxe sinal de aperto. Ele cai de 20,4% para 17,7% no cenário com Greca, de 26,0% para 22,9% no cenário sem Greca e de 23,1% para 22,0% quando Curi aparece. Na rejeição para governador, lidera com 33,5%, acima de Moro, que marca 21,7%.

A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº PR-06559/2026, ouviu 1.500 eleitores em 56 municípios entre 10 e 12 de abril e tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

Esse detalhe é decisivo. A sondagem mede a força de Moro contra nomes já conhecidos, mas ainda não mede o tamanho real de Sandro Alex depois da benção de Ratinho.

Por isso, o Paraná virou laboratório da direita brasileira. De um lado, o governador tenta transferir popularidade, obras e estrutura estadual para um sucessor. De outro, Moro tenta transformar voto antipetista, Lava Jato e bolsonarismo residual em caminho para o Palácio Iguaçu.

A rachadura não é pequena. Ratinho governa com máquina, prefeitos e obras. Moro tenta montar uma candidatura de oposição pela direita dentro de um estado onde o bolsonarismo ainda pesa, mas já não obedece a um comando único.

O Blog do Esmael registrou que o entorno de Ratinho avalia as obras como principal trunfo contra Moro. A aposta é bater no ponto fraco do senador: a falta de experiência em cargo executivo e de entregas administrativas.

Moro, por sua vez, joga no vazio deixado pela própria escolha de Ratinho. Enquanto Sandro Alex precisa ficar conhecido no estado inteiro, o ex-juiz já entra com recall nacional, base conservadora e presença diária no debate de 2026.

A disputa também interessa a Brasília. O Paraná pode mostrar se a direita institucional, abrigada no PSD e na máquina estadual, consegue conter uma candidatura de perfil mais ideológico no campo do PL.

Sandro Alex leva para a urna o pacote de obras de Ratinho. Moro leva a marca da Lava Jato, a filiação ao PL e a tentativa de se apresentar como adversário direto do grupo que manda no Paraná desde 2019.

No papel, Ratinho escolheu o candidato da continuidade. Na política real, escolheu também o candidato que terá de responder pela tarifa, pelo pedágio e pela promessa de que a obra pública melhora a vida de quem paga a conta.

Essa é a tensão central da eleição paranaense. A sucessão não será apenas disputa por cargo; será plebiscito sobre a capacidade de Ratinho transferir poder sem aparecer na urna.

Se Sandro Alex crescer, Ratinho prova que ainda comanda a direita estadual. Se Moro sustentar a dianteira, o Paraná confirma que a direita rachou no próprio terreiro.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.


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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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