O ex-ministro José Dirceu (PT-SP), o ex-deputado André Vargas (PT-PR) e o ex-tesoureiro Delúbio Soares (PT-GO) reaparecem como pré-candidatos à Câmara Federal com apoio de Lula e transformam a eleição de 2026 em acerto político com a Lava Jato de Sergio Moro, senador pelo PL-PR e pré-candidato ao governo estadual.
A foto do reencontro no 8 º Congresso Nacional do PT, em Brasília, carregou a mensagem que a legenda queria mandar à militância: nomes atingidos por processos, prisões e condenações da Lava Jato não foram retirados da política.
No registro aparecem Barba, José Dirceu, André Vargas, Delúbio Soares e Edinho Silva, atual presidente nacional do PT. A frase de Vargas resumiu o espírito do grupo: “Tentaram nos apagar, mas a verdade é que continuamos de pé”.
O 8º Congresso Nacional do PT ocorre entre os dias 24 e 26 de abril, em Brasília, com cerca de 600 delegadas e delegados, para debater conjuntura, programa partidário e estratégia eleitoral de 2026.
O fato político está menos na nostalgia e mais na urna. Dirceu, Vargas e Delúbio representam uma ala petista que atravessou o auge da ofensiva judicial contra o partido e agora tenta voltar ao centro do jogo legislativo.
O Blog do Esmael já registrou que José Dirceu, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e André Vargas são pré-candidatos a deputado federal em 2026 e que Lula apoia a volta desses quadros ao Congresso.
O retorno mexe direto com a narrativa de Moro. Como juiz federal da 13ª Vara Federal de Curitiba, ele condenou Dirceu na Lava Jato a 23 anos em 2016 e voltou a condená-lo em 2017, em outro processo da operação.
Moro também condenou Delúbio Soares em 2017 a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro em processo da Lava Jato.
André Vargas foi preso em 2015 na Lava Jato e teve condenação ligada ao caso anulada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023, em mais um revés jurídico para a operação.
Dirceu também teve condenações da Lava Jato anuladas no Supremo Tribunal Federal. A decisão foi usada por Moro para atacar o esvaziamento da operação, enquanto o PT leu o movimento como reparação política tardia.
A disputa de 2026, portanto, junta duas frentes. No Paraná, Moro tenta trocar o Senado pelo Palácio Iguaçu. Em Brasília, antigos alvos de sua caneta tentam voltar ao plenário da Câmara.
A filiação de Moro ao PL ocorreu em março de 2026, com aval da cúpula bolsonarista. A mudança abriu caminho para sua candidatura ao governo do Paraná, onde ele aparece em vantagem nas primeiras pesquisas divulgadas.
Para Lula, a operação é simples no cálculo e pesada no símbolo. Ele precisa ampliar a bancada governista na Câmara, onde a direita e o Centrão impõem derrotas, cobram cargos e travam pautas populares.
Aliás, o presidente Lula já defendeu em público a volta de outros petistas históricos à Câmara Federal, além do trio José Dirceu, André Vargas e Delúbio Soares. Na lista entram João Paulo Cunha (PT-SP) e Gilmar Machado (PT-MG). A conta política do Planalto é direta: reforçar a bancada governista para proteger a estabilidade institucional diante da ofensiva da extrema direita.
Dirceu, Vargas e Delúbio não entram nessa conta como nomes neutros. Eles carregam memória, desgaste, fidelidade partidária e uma disputa aberta sobre o legado da Lava Jato.
A direita vai explorar o passado judicial do trio. O PT vai responder com a tese de perseguição, anulações, suspeição de Moro e recuperação de direitos políticos.
Essa é a eleição dentro da eleição.
Se esses nomes voltarem à Câmara, Moro poderá ver, de Curitiba a Brasília, antigos alvos da Lava Jato ocupando novamente o mesmo Congresso que a operação tentou redesenhar pela via penal.
A foto dos “Dinossauros” não encerra a história. Ela avisa que a Lava Jato seguirá na urna de 2026, agora com Moro pedindo voto no Paraná e seus ex-alvos pedindo voto para voltar ao Parlamento.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
