Bolsonarismo explora soltura de Ramagem para empurrar Flávio Bolsonaro

O ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixou o centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, nesta quarta-feira (15). O nome dele também saiu do banco de dados de pessoas sob custódia, mas a situação migratória exata ainda não foi esclarecida oficialmente pelas autoridades americanas.

A libertação acionou de imediato a máquina de propaganda bolsonarista. Aliados celebraram nas redes, Paulo Figueiredo agradeceu a Donald Trump, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) falou em “terra da liberdade” e o senador Jorge Seif (PL-SC) entrou no coro.

O passivo jurídico, porém, continua pesado. Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; perdeu o mandato em dezembro de 2025, fugiu pela fronteira com a Guiana e virou alvo de pedido formal de extradição enviado pelo Brasil aos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025.

A versão difundida por aliados é que Ramagem tem um pedido de asilo pendente e, por isso, tentará permanecer em liberdade nos Estados Unidos até a decisão final. Esse enredo apareceu em veículos brasileiros e foi repetido por Paulo Figueiredo, mas a Reuters registrou na noite de quarta-feira (15) que ainda não conseguiu confirmar o status migratório dele após a soltura.

Rebeca Ramagem celebrou a saída do marido da cadeia e falou em dias de “tristeza, ansiedade e pânico”. Também voltou a bater na tecla da perseguição e cobrou atuação institucional “sem abuso de autoridade e sem violações”.

Esse discurso não anda sozinho. Rebeca já vinha usando as redes para impulsionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em publicação em 6 de dezembro de 2025, ela chamou Flávio Bolsonaro de “nossa voz”; em outra, de 25 de março de 2026, associou o nome do senador a “esperança” e a “um futuro melhor”.

Para Flávio Bolsonaro, o caso tem duas faces. A prisão já havia sido vista dentro do PL como munição contra a pré-campanha presidencial do bolsonarismo; a soltura, agora, é tratada pela mesma base como ato de mobilização política, com Trump transformado em avalista imaginário de um condenado pelo STF que segue com extradição pedida pelo Brasil e sem status migratório publicamente esclarecido.

No curto prazo, Ramagem saiu da cela. No plano político, a direita tenta vender a cena como vitória, embora o núcleo do problema permaneça intacto: condenação, fuga, extradição e disputa de narrativa em torno de Flávio Bolsonaro.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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