Moraes manda prender condenados do núcleo 4 do golpe

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) a prisão definitiva de sete condenados do núcleo 4 da trama golpista, após o trânsito em julgado da Ação Penal 2694. O grupo foi condenado por ações de desinformação contra o processo eleitoral e por ataques a instituições e autoridades durante 2022.

Os mandados foram enviados ao Exército. Foram presos o major da reserva Ângelo Martins Denicoli, o subtenente Giancarlo Gomes Rodrigues e o tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida. O policial federal Marcelo Araújo Bormevet, que já estava preso preventivamente, passou a cumprir pena definitiva.

A execução penal não alcançou todos ao mesmo tempo. Carlos Cesar Moretzsohn Rocha é considerado foragido desde dezembro de 2025, o coronel Reginaldo Vieira de Abreu está nos Estados Unidos e, até a tarde desta sexta-feira (10), não havia informação oficial sobre o cumprimento da ordem contra o major da reserva Ailton Gonçalves Moraes Barros.

Em outubro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou os sete réus do chamado núcleo da desinformação por 4 votos a 1. As penas variaram de 7 anos e 6 meses a 17 anos de prisão. Luiz Fux foi o único ministro a votar pela absolvição de todos os acusados.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), esse núcleo reunia militares e civis ligados à produção e difusão de conteúdo falso sobre as urnas, ao uso indevido de estruturas de inteligência e à tentativa de criar um ambiente favorável à ruptura institucional depois da eleição de 2022. Entre os condenados estão oficiais do Exército, um agente da Polícia Federal e o presidente do Instituto Voto Legal.

O peso institucional da decisão é imediato. O Supremo sai da fase da condenação e entra no terreno mais duro da responsabilização penal, com execução de pena, captura de foragidos e cumprimento efetivo das sentenças. Segundo o STF, isso puxa de volta para o centro da cena política o flanco mais tóxico do bolsonarismo: a tentativa de desacreditar as urnas e emparedar a democracia.

A decisão de Moraes mostra que o 8 de Janeiro não ficou encerrado na memória do ataque às sedes dos Poderes. O processo segue produzindo consequência concreta, com cadeia para condenados, pressão sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e novo desgaste para a extrema direita em plena antevéspera da eleição de 2026.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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