Mamdani assume Nova York, enfrenta Trump com moradia

Zohran Mamdani tomou posse como prefeito de Nova York nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, e começou o mandato assinando decretos voltados à crise de moradia, num gesto político que tenta virar a página do ciclo Eric Adams e, ao mesmo tempo, marcar posição diante do trumpismo que domina Washington.

Posse vira recado do “governo grande”

No discurso inaugural, Mamdani se apresentou como “socialista democrático” e prometeu governar de forma “audaciosa”, dizendo que a Prefeitura não vai hesitar em usar o poder público para melhorar a vida de quem trabalha e paga aluguel caro. A cerimônia reuniu símbolos da ala progressista do Partido Democrata, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez (democrata-Nova York) e o senador Bernie Sanders (independente-Vermont), que participou do juramento.

A leitura política é direta: a maior cidade dos EUA escolheu uma vitrine de esquerda, num país comandado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Partido Republicano), em mandato iniciado em 20 de janeiro de 2025.

Três decretos no primeiro dia, foco em aluguel

Horas depois de falar na escadaria da City Hall, Mamdani foi a um prédio com aluguel estabilizado no Brooklyn, na região de Flatbush, para anunciar três ordens executivas ligadas à habitação.

O pacote inclui a retomada do Mayor’s Office to Protect Tenants, estrutura para centralizar respostas a denúncias, cobrar fiscalização e pressionar proprietários. A liderança do escritório ficou com Cea Weaver, nome associado à mobilização de inquilinos em Nova York.

O novo prefeito também sinalizou ação judicial em caso de falência envolvendo a Pinnacle, citada como proprietária do edifício onde ele fez o anúncio, além da criação de forças-tarefa para acelerar inventário de terrenos e destravar desenvolvimento.

Revogação do “legado” Adams após indiciamento

No início do mandato, Mamdani revogou ordens executivas editadas depois de 26 de setembro de 2024, data do indiciamento de Eric Adams, e reeditou apenas o que diz apoiar, num movimento que mistura gestão com símbolo, limpar a mesa, reordenar prioridades, reabrir canais.

A mensagem é que a Prefeitura volta a ter “intenção” política para enfrentar a lógica do mercado imobiliário, que em Nova York costuma mandar mais que voto.

O conflito com Trump já está contratado

O problema é que “audácia” custa dinheiro e Nova York depende de fluxos federais em áreas sensíveis. Com Trump na Casa Branca, a tensão tende a crescer em imigração, orçamento, segurança pública, regulação e até no tom do debate cultural, o terreno preferido do trumpismo.

Mamdani escolheu começar pela moradia porque é onde o cotidiano sangra: aluguel, despejo, prédio deteriorado, especulação. E porque é aí que a esquerda pode provar se governa, ou se apenas protesta.

Nova York decidiu testar a esquerda no comando, com carimbo de “socialismo democrático” e prioridade na moradia, exatamente quando Washington puxa o país para a direita com Trump. Se Mamdani entregar resultado rápido para quem vive de salário e aluguel, vira modelo. Se emperrar, vira troféu do cinismo.

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Publicação de: Blog do Esmael

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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