Gasolina da Petrobrás está 23% mais barata que a das refinarias privatizadas, mostra Observatório

Petrobrás cobra gasolina 23% mais barato do que refinarias privatizadas; é a maior diferença em quase dois anos
Por Alessandra Campos*
O preço da gasolina vendida pela Petrobrás está 23% mais barato do que a média cobrada pelas refinarias privadas.
A diferença atingiu, neste mês de julho, o maior patamar da série histórica, iniciada em 1º de dezembro de 2021, quando foi privatizada a primeira unidade de refino estatal, a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, atual Refinaria de Mataripe.
Levantamento do Observatório Social do Petróleo (OSP) mostra que o litro da gasolina da Petrobrás está custando R$ 2,52, enquanto as refinarias privatizadas cobram, em média, R$ 3,10.
A recordista dos preços mais altos do país é a Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), no Rio Grande do Norte, privatizada em 7 de junho.
Administrada pela empresa 3R Petroleum, a unidade vende gasolina a R$ 3,20, valor 27% mais caro do que o da estatal.
A Refinaria da Amazônia (Ream), privatizada em dezembro de 2022, comercializa o litro a R$ 3,06 e a Acelen, gestora de Mataripe, a R$ 3,03, uma diferença em relação aos preços da Petrobrás de 21% e 20%, respectivamente.
Segundo o economista Eric Gil Dantas, do OSP e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), as refinarias privatizadas, estruturalmente, cobram preços mais elevados do que a Petrobrás.
Ele aponta dois motivos para isso. O primeiro é que a Petrobrás é uma empresa integrada, que produz e refina o petróleo. “Sendo assim, ela tem uma margem para absorver variação de preços que é imensamente superior à de suas concorrentes”, explica.
O segundo motivo apontado pelo economista é que a Petrobrás é uma empresa estatal e conta com vários fatores para estabelecer o seu preço, além exclusivamente da maximização de lucros.
“Mesmo quando seu preço era definido pelo PPI, a política de paridade de importação, a companhia manteve por muito tempo preços abaixo dos internacionais, justamente por conta da pressão da opinião pública sobre o governo. E com o fim do PPI, em maio deste ano, a Petrobrás passou a ter maior margem para definir os preços, até porque seus custos não variaram”, conclui.
*Alessandra Campos é jornalista e assessora de imprensa do Observatório Social do Petróleo (OSP).
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Publicação de: Viomundo
