Secos e Molhados aplaudem ‘O Vira’, versão cerâmica animada, de artesã de Campo Grande. VÍDEO

Por Conceição Lemes

Quem de vocês não dançou, cantou, se divertiu ao som de O Vira, interpretado pelos Secos e Molhados?

A primeira gravação é de 1973.

É o maior sucesso do grupo.

Para matar um pouco da saudade, um pedacinho da composição antológica de Luhi (Heloisa Orosco Borges da Fonseca) e Joao Ricardo (João Carneiro Teixeira Pinto).

O gato preto cruzou a estrada
Passou por debaixo da escada.
E lá no fundo azul
na noite da floresta.
A lua iluminou
a dança, a roda, a festa.
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira
Vira, vira, lobisomen
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira

(…)

Que tal agora assistir ao Vira na versão inusitada 2.026, com cerâmica animada?

Vejam o vídeo abaixo.

O professor Schabib Hany, de Corumbá, Mato Grosso do Sul (MS), foi quem me enviou o link.

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O Viomundo já publicou vários artigos dele. O professor queria apenas me mostrar o trabalho da sobrinha Marina Torrecilha, ilustradora e artesã, que é produtora e autora do vídeo.

Mas eu encantei-me, de imediato, e quis conhecê-la.

Marina é muito talentosa, criativa.

Confira aqui o trabalho del.

Pedi a Carlos Lopes, músico e ilustrador, que assistisse também.

Carlos adorou: ‘’Ela fez tudo físico e mexe os bonecos com linha de naylon, hoje neste mundo digital isso é uma bênção’’.

Ney Matogrosso e João Ricardo também já assistiram ao vídeo O Vira e aplaudiram.

‘’Foi muito bacana eles terem assistido, comentado e permitido que o vídeo rolasse no stories deles’’, diz Marina ao Viomundo. ‘’Pra mim, como artista foi incrível’’.

Marina é formada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Graduou-se em 2010. Veio, então, para São Paulo, onde fez curso de animação 3D.

Por 10 anos trabalhou como ilustradora de livros e criadora de games (jogos) para celular, fazendo personagens e cenários.

Em 2020, para driblar as adversidades da pandemia, Marina começou na cerâmica e nunca mais saiu.

‘’A cerâmica se tornou um pilar de amor e pesquisas com resgates da nossa memória e símbolos’’, expõe.

Na cerâmica, Marina faz peças da fauna brasileira, principalmente do cerrado e do Pantanal. E também arte rupestre e contos dos encantados brasileiros.

‘’Mas sempre tive vontade de unir a ilustração animada e a cerâmica. Aí, veio a ideia de criar o vídeo de O Vira’’, conta-nos.

Os personagens e cenário de O Vira são 100% em cerâmica!

— Como você os fez?

Primeiro, fiz a escultura de todas as peças e deixei secar.  Aí, realizei a primeira queima, passei esmalte cerâmico e corantes para colorir. Em seguida, fiz a última queima de alta temperatura.

— A cerâmica é um material muito frágil. Como conseguiu movimentar os personagens em cena?

Foi extremamente desafiador. Diversas vezes, tive que colar uma parte aqui, outra ali, mas, no final, consegui montar a animação e deu tudo certo.

— Como movimentou as peças com um fio de nylon?

Colei o fio de nylon embaixo da base de cada peça e movimentei suavemente para não quebrar a cerâmica.

Por que o Ney Matogrosso e os Secos e Molhados, já que são artistas bem distantes da tua geração?

Tenho 36 anos. Gosto muito do Ney. É hipnotizante assisti-lo. Mexe com o meu imaginário desde a infância. A minha família gosta bastante de música brasileira, eu sempre o ouvi. Além disso,  ele nasceu no município Bela Vista (MS), próximo à região em que cresci, que é Campo Grande. Para mim, o Ney é uma mitologia folclórica brasileira.

Publicação de: Viomundo

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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