Sapucaí canta “Olê, Olê, Olá” e ovaciona Lula

Sapucaí virou palco político, na noite deste domingo (15), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu no camarote da Prefeitura do Rio e ouviu da arquibancada o coro “Olê, olê, olá, Lula, Lula”, em meio ao desfile da Acadêmicos de Niterói que o homenageou.

Lula surgiu na fachada do camarote Rio Capital do Brasil, ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e acenou por alguns instantes para o público. O aplauso veio antes e durante a entrada da escola na avenida, registrada por volta das 22h, já com clima de comício informal, só que embalado por tamborim.

O que seria “só Carnaval” virou um dos quadros mais intensos da pré-campanha de 2026: Lula ovacionado no coração midiático do país, e a oposição tentando carimbar o desfile como propaganda eleitoral antecipada.

O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, construído para narrar a trajetória de Lula, levou para a Sapucaí elementos que a direita lê como senha política, entre eles o próprio “Olê, olê, olá” entoado como mantra, e referências associadas ao PT. A reação foi imediata: parlamentares e lideranças oposicionistas partiram para o ataque nas redes e no discurso público.

O senador Sergio Moro (União-PR) foi um dos que subiram o tom, chamando o desfile de “propaganda eleitoral antecipada” e tentando colar no governo a etiqueta de uso político do dinheiro público.

Nos bastidores, a própria equipe presidencial tratou o episódio como área minada. Auxiliares consultaram orientação jurídica e ministros foram instruídos a evitar gestos, falas e postagens que parecessem pedido de voto, numa tentativa de não oferecer munição pronta para ações na Justiça e nos órgãos de controle.

Como se não bastasse a disputa política, a transmissão também entrou no enredo. Houve acusações de que a TV Globo “escondeu” o início do desfile da escola, alimentando mais uma camada de guerra cultural: de um lado, quem viu censura; de outro, quem viu só grade e conveniência editorial.

O resultado prático foi o que interessa para a política real: a cena correu as redes como um clipe perfeito. Lula aparece, o público canta, o adversário reclama, e a discussão se retroalimenta sozinha.

O desfile da Acadêmicos de Niterói terminou por volta das 23h30.

A direita tenta enquadrar a homenagem como ilegalidade. Lula colhe o que todo líder popular busca em ano eleitoral: imagem de rua, emoção e um símbolo simples, repetível, fácil de viralizar. No fim, a Sapucaí mostrou uma verdade incômoda para os palácios: no Brasil, cultura e política não se separam, e quem finge que separa, geralmente, está só tentando controlar o microfone.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Lunes Senes

Colaborador Convidado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *