Olavo de Carvalho antecipou prisão de Bolsonaro e legado segue vivo
Olavo de Carvalho previu que Jair Bolsonaro (PL) acabaria preso pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mais de três anos após sua morte, a frase ganha atualidade: o ex-presidente é réu e pode ser condenado por tentativa de golpe de Estado. O julgamento reforça o peso da ideologia olavista no bolsonarismo.
Em 2021, o “guru” da extrema direita advertiu: “Ou Bolsonaro prende a turma do STF, ou ela o prende”. À época, soou bravata. Em 2025, com o processo robusto da Procuradoria-Geral da República (PGR) e provas coletadas pela Polícia Federal, a previsão ressurge como prenúncio político.
Bolsonaro responde no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O caso envolve os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores invadiram as sedes dos Três Poderes. A denúncia inclui articulação militar para anular o resultado das eleições de 2022.
Olavo, falecido em 24 de janeiro de 2022 nos EUA, influenciou diretamente o núcleo duro do bolsonarismo. Ex-militante do PCB, migrou à extrema direita nos anos 1990, abraçou o discurso antidemocrático e construiu audiência cativa no YouTube e em cursos pagos.
Defendia o armamento civil, atacava a democracia representativa e apostava na ideia de “marxismo cultural” como inimigo comum. O discurso radical encontrou eco na campanha de Bolsonaro em 2018 e inspirou a formação de uma base militante, muitas vezes hostil ao Supremo.
Mesmo isolado no fim da vida, Olavo ditava linhas de ação: criticava militares, chamava Bolsonaro de “frouxo” e dizia que até os filhos terminariam presos. A profecia não se limitava ao pai: Flávio, Carlos, Eduardo e Renan também eram citados como alvos da Justiça.
O 8 de janeiro de 2023 foi o ápice da radicalização plantada pelo olavismo. A crença de que apenas a força popular armada poderia derrubar o “sistema” se traduziu na depredação das sedes do Congresso, STF e Palácio do Planalto.
A atual situação jurídica de Bolsonaro, monitorado por tornozeleira eletrônica e proibido de usar redes sociais, mostra que o bolsonarismo incorporou essa lógica confrontacionista. As delações de Mauro Cid e as conversas de militares reforçaram a acusação de que houve tentativa de golpe.
Olavo foi o Rasputin do bolsonarismo. Sua morte não encerrou a influência. O julgamento de Bolsonaro pode transformar a profecia em realidade, evidenciando que a democracia brasileira ainda lida com os efeitos retardados de sua obra ideológica.
Bolsonaro, outrora presidente da República, pode se tornar o czar sem trono, e sem liberdade.
A história mostra que a democracia resiste, mas o bolsonarismo ainda respira pelas veias do olavismo. O STF não julga apenas um homem: julga um projeto que testou os limites do Estado de Direito. A profecia de Olavo pode até se confirmar, mas o essencial é reafirmar que não há espaço para golpes no Brasil.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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Publicação de: Blog do Esmael