Mendonça devolve caso Master ao coração do STF e da PF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), devolveu nesta quarta-feira (18) o caso Banco Master ao centro nervoso de Brasília ao dar mais 60 dias para a Polícia Federal (PF) concluir o inquérito e, ao mesmo tempo, receber da nova defesa de Daniel Vorcaro a sinalização de que uma colaboração premiada entrou no radar do investigado.
O recado político é pesado. Depois de semanas em que o escândalo foi puxado para o palco da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, com disputa por depoimentos, sigilos e sala-cofre, o eixo da crise voltou ao lugar onde hoje está o poder real de decisão: o gabinete do relator no Supremo e a mesa dos delegados federais. Essa leitura decorre do bloqueio imposto por Mendonça ao acesso da CPMI a novos dados de Vorcaro e da devolução desse material à PF, além da nova prorrogação do inquérito.
O tamanho do caso ajuda a explicar a mudança de temperatura. As investigações preliminares apontam que as fraudes sob apuração podem chegar a R$ 17 bilhões. A Operação Compliance Zero investiga a concessão de créditos falsos pelo Banco Master e também a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal.
A prorrogação concedida por Mendonça atende a pedido da PF. Os investigadores disseram ao Supremo que o prazo extra é imprescindível para o esclarecimento dos fatos, numa apuração que já está na terceira fase e que levou à prisão de Vorcaro, hoje custodiado na Penitenciária Federal em Brasília.
Ao mesmo tempo, um novo flanco se abriu. O advogado José Luis Oliveira Lima, que assumiu a defesa de Vorcaro nos últimos dias, reuniu-se com Mendonça e tratou da viabilidade de uma delação premiada. Fontes informaram que a conversa não fechou acordo, mas abriu a discussão sobre uma eventual colaboração. O Blog do Esmael apurou que, até agora, não há negociação formal confirmada e que qualquer acordo dependerá da PF, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de homologação do Supremo.
Esse movimento ganha mais peso porque ocorre logo depois de Mendonça ter enquadrado a CPMI do INSS no caso Vorcaro. Na segunda-feira (16), o ministro proibiu a comissão de acessar novos dados da quebra de sigilo do banqueiro, determinou a devolução do material à PF e mandou separar o conteúdo relativo à vida privada do investigado. Na terça-feira (17), ele ainda foi sorteado relator do pedido de prorrogação dos trabalhos da própria CPMI.
Em resumo, o caso Master deixou de ser apenas um escândalo barulhento de comissão parlamentar e voltou a ser um bastidor bruto de Estado, com potencial de respingar em Brasília muito além do Congresso. Quando o relator do STF amplia o prazo da PF e a defesa passa a testar a porta da delação, o jogo muda de andar. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
