Lula põe Durigan na Fazenda, libera Haddad para São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (19) Dario Durigan no comando do Ministério da Fazenda, em substituição a Fernando Haddad, que deixou o cargo no mesmo dia. O anúncio foi feito durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, quando Lula apontou publicamente o sucessor de Haddad diante das autoridades presentes.

O fato, porém, não é burocrático. Lula não escolheu um nome de fora nem fez aceno ao mercado com um figurino de ruptura. Entregou a economia a alguém da cozinha de Haddad, o atual número dois da pasta, descrito pelo próprio governo como articulador político da equipe econômica e, por Haddad, como um auxiliar de confiança com trânsito direto no Planalto.

Na prática, o presidente fez dois movimentos de uma vez só. Blindou a continuidade da Fazenda e abriu o palanque paulista. A saída de Haddad já vinha sendo desenhada para a eleição de 2026 e a candidatura ao governo de São Paulo é vista no entorno de Lula como peça importante para reforçar a presença do PT no estado mais populoso do país.

Durigan não chega como corpo estranho. Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade de Brasília (UnB), ele trabalhou com Haddad na Prefeitura de São Paulo entre 2015 e 2016, passou pela Casa Civil no governo Dilma Rousseff, foi servidor da Advocacia-Geral da União (AGU) e dirigiu políticas públicas do WhatsApp antes de assumir a Secretaria-Executiva da Fazenda em 2023.

Isso ajuda a explicar o recado político de Lula. A troca mantém a assinatura de Haddad sobre a política econômica, mesmo sem Haddad no gabinete. É uma sucessão por continuidade. Durigan herda a vitrine das entregas do ministro, como a reforma tributária sobre o consumo, o arcabouço fiscal e mudanças no Imposto de Renda, mas também recebe um ambiente mais espinhoso, com pressão sobre a dívida, resistências do Congresso e incerteza inflacionária alimentada pelo petróleo.

Em Brasília, a leitura é cristalina. Lula preferiu não comprar uma crise adicional na economia às portas da campanha. Trocou o ministro, mas segurou a linha política da pasta. E fez isso no exato momento em que Haddad deixa de ser apenas fiador do ajuste para virar ativo eleitoral do lulismo em São Paulo.

A nomeação de Durigan mostra que o Planalto quer atravessar 2026 sem abrir flanco desnecessário na Fazenda, enquanto reorganiza suas peças no maior campo de batalha eleitoral do país. Haddad sai do cofre e entra no palanque. Durigan fica com a chave. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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