Filipe Barros reage ao caso Master e apresenta sua versão ao Blog do Esmael

O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) contestou a interpretação de que teria atuado politicamente em favor do Banco Master e enviou ao Blog do Esmael uma nota na qual reivindica o direito ao contraditório sobre sua atuação no escândalo financeiro que abalou o sistema bancário.

Na manifestação encaminhada à redação, o parlamentar afirma que sua conduta foi, desde o início, de investigação e enfrentamento, não de blindagem.

Segundo Filipe Barros, ele foi um dos primeiros parlamentares a assinar a CPMI destinada a apurar os negócios do banco.

O deputado também sustenta que, ainda em dezembro de 2024, acionou a Polícia Federal para apurar possíveis crimes envolvendo a Reag Investimentos em operações de crédito de carbono.

Na nota, ele afirma que a mesma empresa apontada naquele momento apareceria mais tarde no centro do caso Master.

Barros também rebate o entendimento de que o Projeto de Lei 4935/2024 teria servido para ampliar proteção institucional a interesses ligados ao banco.

De acordo com o deputado, a proposta nasceu para combater fraudes praticadas por instituições que venderiam promessas enganosas de lucro e, ao mesmo tempo, dar segurança sobretudo a pequenos e médios investidores.

Na argumentação apresentada ao blog, ele destaca que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não é um fundo público, mas um mecanismo custeado pelos próprios bancos, razão pela qual, em sua visão, o debate sobre eventual ampliação de cobertura não poderia ser tratado automaticamente como socialização de prejuízos com dinheiro do contribuinte.

Ao fim da nota, Filipe Barros informa que decidiu retirar o projeto de tramitação.

Segundo ele, a proposta passou a ser contaminada por ilações que não condizem com sua atuação parlamentar no caso Master.

O ponto central da contestação do deputado é a leitura política de que setores da direita teriam atuado para proteger o banco enquanto o escândalo se agravava.

Na avaliação de Filipe Barros, essa interpretação o alcançou de maneira indevida, ao desconsiderar medidas que ele diz ter tomado antes de o caso ganhar proporção nacional.

O Blog do Esmael registra a manifestação do parlamentar por entender que o contraditório é parte essencial da cobertura jornalística, especialmente em temas de alta tensão política e financeira, nos quais interpretações públicas podem atingir diretamente a reputação de agentes envolvidos no debate.

A controvérsia permanece aberta no plano político.

De um lado, seguem sob escrutínio as articulações que cercaram o Banco Master, a liquidação extrajudicial e os movimentos feitos em Brasília em torno do caso.

De outro, Filipe Barros sustenta que sua trajetória no episódio foi a de quem tentou investigar suspeitas e não a de quem buscou proteger interesses do banco.

Ao publicar a versão do deputado, o Blog do Esmael assegura ao leitor acesso a um elemento importante da disputa narrativa e política em torno do escândalo Master.

O caso continua a exigir apuração rigorosa, memória factual e responsabilidade editorial, porque a fumaça que sai do sistema financeiro quase sempre encobre mais do que uma simples disputa de versões. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Nota do deputado Filipe Barros

DEPUTADO FILIPE BARROS | NOTA AO BLOG DO ESMAEL

PL 4935/24 E ESCÂNDALO MASTER

16/03/2026

É primordial elucidar uma série de fatos sobre meu trabalho em relação ao escândalo do Banco Master:

• Fui um dos primeiros parlamentares a assinar a CPMI para investigar os negócios do banco.

• Em dezembro de 2024, quando as manchetes ignoravam os fortes indícios de fraude financeira que já se desenrolavam no banco, acionei a Polícia Federal para abrir inquérito contra a Reag Investimentos por possíveis crimes em operações de crédito de carbono. Hoje, constatamos que a mesma empresa teve papel central no caso Master.

• O projeto de lei PL 4935/24 nasceu exatamente para combater interesses criminosos de instituições golpistas que, diante da inoperância de agentes de fiscalização do mercado, vendem promessas falsas de lucro vultoso.

• Portanto, aumentar o FGC – que, vale lembrar, não é público; e sim custeado pelos próprios bancos – é dar resguardo principalmente ao pequeno e médio investidor, permitindo que apliquem com segurança o dinheiro poupado ao longo de toda a vida.

• Por fim, por entender que, embora o PL mereça ser debatido, decidi retirá-lo de tramitação por vê-lo contaminado por ilações que, como os fatos acima comprovam, não condizem com minha própria minha atuação parlamentar no caso Master.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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