Ducci costeia Ratinho e arma saída do PSB no Paraná

O deputado federal Luciano Ducci (PSB) entrou na reta final da janela partidária com jeito de quem já conversa com a porta de saída. Segundo apurou o Blog do Esmael, o parlamentar foi visto na quarta-feira (25) no 3º andar do Palácio Iguaçu, em Curitiba, de malinha pronta, e, logo depois, cruzou a praça do Centro Cívico rumo ao segundo andar da Assembleia Legislativa. A cena ocorreu a poucos dias do fechamento da chamada janela da infidelidade, período que vai até 3 de abril e permite a deputados trocar de legenda sem perda de mandato.

No miolo do poder, a leitura foi direta. Ducci passou a costear o alambrado do governador Ratinho Junior (PSD) justamente quando o PSB paranaense vive uma disputa de rumo. Nos bastidores, corre a versão de que o ex-prefeito de Curitiba recebeu convites do PSD e do Republicanos. Até aqui, ele não confirmou a mudança.

O movimento não nasce do nada. Em 14 de março, o próprio Blog do Esmael mostrou que PT e direção nacional do PSB pressionavam Luciano Ducci a levar o partido para uma frente com Requião Filho (PDT) ao governo do Paraná e Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado. Naquele momento, João Campos, presidente nacional do PSB, já admitia uma construção envolvendo PDT, PT e PSB no estado.

Ducci nunca pareceu confortável nesse desenho. Em fevereiro, o Blog do Esmael já havia noticiado que ele cogitava deixar o PSB, incomodado com a cobrança para aderir ao palanque de Lula no Paraná e atento ao risco eleitoral de uma chapa proporcional sem densidade bastante para protegê-lo em 2026. Em outubro do ano passado, o blog também havia registrado que o deputado flertava com uma saída calculada da legenda.

A visita ao Palácio Iguaçu, portanto, pesa mais do que um gesto protocolar. Na política do Paraná, ninguém sobe ao 3º andar em semana de janela sem deixar recado. Se Ducci realmente mudar de partido, Ratinho ganha um quadro com recall em Curitiba e trânsito no centro político, enquanto o PSB perde seu presidente estadual no exato momento em que Brasília tenta enquadrar o diretório paranaense.

Nesse caso, a legenda socialista pode trocar de comando e de lado. A prefeita de Rio Branco do Sul, Karime Fayad (PSB), aparece entre os nomes cotados para assumir protagonismo no partido. Reeleita em 2024, ela entrou em 2026 com aprovação elevada e já é tratada nos bastidores como nome competitivo para a Câmara Federal, o que aumentou seu peso interno.

Se essa transição se confirmar, o efeito político será imediato. Sem Ducci no leme, cresce a chance de o PSB do Paraná desembarcar de vez no campo de Requião Filho, reforçando o palanque de Lula e Gleisi no estado. É justamente esse o ponto de atrito que vinha separando a ala nacional do partido da direção comandada por Ducci.

Na prática, a janela da infidelidade virou para Luciano Ducci uma decisão de sobrevivência. Ficar no PSB significa aceitar a pressão de Brasília e conviver com um arranjo que o empurra para longe do campo de Ratinho. Sair agora significa buscar abrigo mais seguro, ainda que ao preço de entregar o partido a um comando mais simpático à frente lulista no Paraná.

Ducci ainda não bateu o martelo sobre a saída do PSB. Mas a movimentação no Centro Cívico, a poucos dias do fim da janela, foi lida nos bastidores como sinal de que a troca de legenda entrou na reta decisiva.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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