Por Alexandre Linares e Letícia Kutzke, Sindsep
As dirigentes do Sindsep, Flavia Anunciação da Secretaria dos Trabalhadores da Saúde e Laudiceia Reis, a “Lau”, que também é agente de endemias, participaram da organização da atividade.
Lau foi responsável pela organização da estrutura que contou com aula pública e caminhada até a frente da Prefeitura.
Sindicatos, Movimentos de Saúde, trabalhadores(as), usuários(as) e parlamentares realizaram, na manhã desta terça-feira (07), uma aula pública em frente ao Theatro Municipal, em comemoração ao Dia Mundial da Saúde.
A atividade teve início com a leitura de uma carta-manifesto assinada pelas Plenárias Municipal e Estadual de Saúde de São Paulo, lançada na ocasião com o objetivo de provocar o debate sobre a universalidade em saúde.
Lida por Cecília Figueiredo, dirigente do Sindicato dos Jornalistas de SP e integrante da organização da manifestação, o documento, que conta com dezenas de assinaturas de sindicatos, centrais sindicais, movimentos de saúde e populares e associações, denuncia que não há saúde sem condições dignas de trabalho, sem respeito e valorização à profissão. E reforça que não há cobertura universal com um SUS terceirizado, como na cidade e no estado de São Paulo.
A aula pública foi ministrada pelo médico sanitarista, professor e ex-presidente da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Pedro Tourinho.
O médico falou sobre a importância do SUS e do seu papel igualitário, em que todos têm seus direitos garantidos, independentemente da condição financeira ou social.
Em sua explanação, ele explicou que a saúde não é apenas o acesso aos serviços, mas um conjunto de condições para o bem-viver. Ter acesso ao transporte público de qualidade, moradia digna e saúde mental.
Foto: Zito
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Pedro Tourinho ainda falou um pouco sobre a história do SUS e sobre seu financiamento, que não ocorre como deveria. Afirmou a urgente necessidade de mais pessoas defendendo o Sistema Único de Saúde e, por fim, falou sobre a importância de sabermos votar em outubro. Para decidir se o Brasil continuará sendo um país ou será uma colônia.
Após a aula pública, o microfone foi aberto para os participantes. Flávia Anunciação, trabalhadora da saúde e dirigente do Sindsep, coordenou a manifestação. Além disso, reforçou que o SUS é, antes de tudo, um projeto de política de vida ou morte. Na cidade de São Paulo, segundo a dirigente, o projeto é de morte, e a gestão atual lida bem com essa realidade.
Flávia também reforçou a importância do voto consciente. “Pense bem em quem você vai dar seu voto, pois ele pode ser usado contra você”. A dirigente ainda falou dos companheiros que estão na política e que têm a vida dedicada a defender um SUS público e de qualidade.
Representantes de movimentos e sindicatos também realizaram falas defendendo e enaltecendo o SUS, que é referência mundial no direito à saúde, e destacaram a importância de todos estarem ali defendendo a saúde pública.
Foto: Elineudo Meira
O sr. Luiz, liderança da UMPS e organizador da Plenária Estadual da Saúde, disse: “O SUS é a maior e melhor política social do mundo. A população usuária é a razão do SUS e, por isso, nesta terça-feira de manhã, é um exercício de cidadania estarmos aqui para defendê-lo”.
Fábio Chagas, liderança da Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo, afirmou: “Não é possível continuarmos com a política de saúde pública da Prefeitura de São Paulo e do Estado de São Paulo, de Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas. O que assistimos é um processo de terceirização e privatização baseado em números e desempenho que não medem a qualidade dos serviços de saúde pública à população”.
Leonardo Musumeci, da Associação Paulista de Saúde Pública (APSP), explicou: “Hoje, precisamos lembrar que completamos 40 anos da 8ª Conferência de Saúde, que estabelecia que saúde pública é democracia! Isso é um valor inegociável, por isso saúde não é mercadoria, é democracia!”.
Foto: Elineudo Meira
O companheiro Braizan Alves Machado, do Movimento Popular de Saúde de São Mateus e da UMPS, denunciou: “Quero falar das OSS. No Hospital do Tatuapé, eles estão matando os trabalhadores de tanto trabalhar. Em São Mateus, a Fundação ABC entrou e agora os trabalhadores sofrem. Temos de denunciar essas máfias na saúde que fazem mal ao SUS”.
A médica Célia Medina, sanitarista, deu seu depoimento: “Eu fico feliz de ver esse conjunto de gerações nessa luta pelo SUS. Estou há 50 anos nessa luta. Faço parte da geração que tomou o Sindicato dos Médicos das mãos dos donos de hospitais. Perdemos muito, mas temos muito o que reconquistar”.
A companheira Maria Auxiliadora, integrante do Conselho Municipal de Saúde e militante do Movimento Popular de Saúde de Cidade Tiradentes, foi clara: “Temos governos que não valorizam o SUS, que diminuem o orçamento da saúde, que não valorizam os trabalhadores do SUS. Temos de abrir os olhos das nossas vizinhas, pois esses governos atacam o SUS. Eles só querem saber das OSS, e as OSS são o câncer do SUS. As OSS devem ir embora do SUS”.
O ato foi contundente ao denunciar os desmontes promovidos pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo prefeito Ricardo Nunes: ambos querem acabar com a saúde pública por meio de seus projetos de privatização e terceirização.
Ambos seguem a mesma cartilha de entrega dos serviços públicos de saúde para entidades de exploração conhecidas como “Organizações Sociais de Saúde” (OSS).
Foto: Elineudo Meira
Uma denúncia contundente do Movimento Popular de Saúde do Centro (MPSC), repercutida por diversos oradores, foi o decreto de extinção da Coordenadoria Regional de Saúde do Centro, promovido pelo prefeito Ricardo Nunes, que força sua incorporação à Coordenadoria Regional de Saúde Norte.
A medida não respeita as individualidades e particularidades da região, além de deixar os trabalhadores inseguros por não saberem para onde irão.
Em diversas falas, foram apontadas enormes irregularidades e reafirmado o “estelionato eleitoral” do prefeito Ricardo Nunes, que fechou o Hospital Bela Vista logo após sua reeleição, deixando mais de 2 milhões de pessoas que vivem ou transitam na área central da cidade sem um hospital no Centro.
Os vereadores Amanda Paschoal, Hélio Rodrigues, Luana Alves e Toninho Vespoli também estiveram presentes na manifestação e tomaram a palavra.
A companheira Luana Alves, psicóloga do SUS e vereadora, disse: “Estamos vivendo um momento em que o neoliberalismo quer acabar com a saúde como direito”.
Foto: Cecília Figueiredo
A vereadora Amanda Paschoal falou que seu mandato enviou representações à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Saúde sobre a situação do CAPS Vila Prudente, que há mais de dois anos não tem psicólogo. No Ministério Público, a representação foi pela construção do CAPS Vila Maria, que há mais de 10 anos é apenas um projeto no papel.
Hélio Rodrigues, trabalhador químico, dirigente sindical e vereador, foi claro: “O SUS se efetiva da seguinte forma: tendo financiamento e servidores públicos responsáveis por ele na ponta. Hoje, em São Paulo, temos a desarticulação do SUS pela gestão municipal. O sindicato já denunciou: há milhares de concursados aprovados que devem ser chamados para reforçar o SUS em São Paulo”.
Toninho Vespoli, professor e vereador, falou sobre sua diligência no Hospital do Tatuapé e explicou sua posição: “Essa administração municipal quer a privatização de tudo. É na privatização da saúde que eles podem fazer maracutaias. Por isso, estamos lutando pela convocação de todos os concursados cujos editais estão vigentes”.
A deputada federal Juliana Cardoso também esteve representada, bem como o deputado federal Orlando Silva, que transmitiram seu apoio aos manifestantes e à luta por uma saúde pública de qualidade. Participaram e tomaram a palavra os ex-deputados Simão Pedro e Jamil Murad.
Foto: Elineudo Meira
Os participantes da atividade do Dia Mundial da Saúde saíram em caminhada do Theatro Municipal até a frente da Prefeitura para dizer ao prefeito Ricardo Nunes que não aceitam o desmonte que está sendo promovido na saúde pública da cidade de São Paulo. Defendem um SUS público, com trabalhadores(as) concursados, qualidade de atendimento e respeito ao controle social.
Diversos sindicatos tomaram a palavra, como o Sindsaúde-SP (saúde estadual), Sinpsi (psicólogas/os), Sindsprev (previdenciários/as e saúde federal), Seesp (enfermeiras/os), Apeoesp (professoras/es da rede estadual), Bancários, Químicos de São Paulo e das centrais sindicais UGT, CTB, CUT e Intersindical, afirmando a necessária defesa do Sistema Único de Saúde.
O presidente da CTB-SP, Rene Vicente, disse: “Nós nos somamos à luta em defesa do SUS. Defender o SUS é defender a soberania do país”.
A companheira Rita, representante da Intersindical, afirmou: “Conquistamos em 1988 o SUS com a luta dos sindicatos, pastorais e movimentos populares. Em 1998, a reforma administrativa de Bresser privatizou o SUS. Precisamos de concursos públicos já”.
Pela CUT, o companheiro Osvaldo Bezerra, o Pipoca, trouxe uma saudação da Executiva da CUT-SP e reafirmando seu compromisso com a luta pela saúde pública. Pipoca, segurando um cartaz com os dizeres “Pela saúde pública! Basta de privatizações da saúde”, disse aos manifestantes: “Nos anos 1980, quando a CUT estava em construção, a Central nasceu com essa bandeira de defender a saúde pública e o SUS. A pressão popular nos anos seguintes fez com que as autoridades fizessem constar na Constituição de 1988 a figura do Sistema Único de Saúde, com toda a sua plenitude para atender à saúde pública”.
A atividade foi encerrada pela companheira Maria José, liderança da União dos Movimentos Populares de Saúde (UMPS) e pela companheira dirigente do Sindsep, Lourdes Estevão, que também foi trabalhadora da saúde.
Foto: Elineudo Meira
Lourdes falou que a discussão sobre saúde não poderia ficar restrita apenas aos manifestantes. E reforçou: “Se a gente não acabar com as OSS, elas vão acabar com o SUS. E só faz sentido essa discussão aqui se tivermos a consciência de que, sozinhos, não vamos acabar com as OS, e que elas vão tirar o SUS da população brasileira.”
Lourdes ainda lançou um desafio para os presentes, o fortalecimento dos conselhos nas unidades de saúde, pois a extrema-direita está acabando com eles, e é ela quem lucra com isso. “Quanto mais gente morrer, mais eles lucram”. E finalizou: “Só vale a pena a gente estar aqui se tivermos os trabalhadores, e principalmente a população, juntinhos. É hora de unidade e, neste momento, a unidade é nosso principal instrumento”.
Publicação de: Viomundo
