Álvaro e Curi lideram Senado sem Gleisi, diz Paraná Pesquisas
A disputa pelo Senado no Paraná entra em 2026 com uma vaga relativamente encaminhada e outra completamente aberta, segundo a pesquisa da Paraná Pesquisas. Com duas cadeiras em jogo, o levantamento aponta liderança isolada de Álvaro Dias (MDB) e uma briga embolada pela segunda posição, agora redesenhada pela entrada da ministra Gleisi Hoffmann (PT) na corrida.
O detalhe central é que a pesquisa foi realizada antes de o PT anunciar oficialmente sua candidatura ao Senado. À época, o nome testado no campo petista era Enio Verri. Desde então, o partido decidiu lançar a responsável pela articulação política do governo Lula, o que altera o cenário eleitoral.
A pesquisa foi realizada entre 18 e 22 de janeiro, ouviu 1.300 eleitores em 54 municípios e está registrada no TSE sob o nº PR-08451/2026, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.
CENÁRIO 1 – ESTIMULADO
Álvaro Dias: 47,5%
Alexandre Curi: 36,2%
Cristina Graeml: 26,0%
Filipe Barros: 23,0%
Jeffrey Chiquini: 9,8%
Enio Verri: 9,4%
Voto espontâneo mostra eleitor distante da disputa
No voto espontâneo, quando o eleitor responde sem estímulo de nomes, 82,5% disseram não saber ou não opinar. O dado revela que a corrida ao Senado ainda não foi plenamente assimilada pelo eleitorado.
Mesmo assim, alguns nomes aparecem com lembrança inicial, entre eles Álvaro Dias, Cristina Graeml (União), Alexandre Curi (PSD) e Filipe Barros (PL), todos abaixo de 2% nesse recorte.
A ausência de Gleisi Hoffmann no questionário ajuda a explicar o alto índice de indefinição nesse momento pré-campanha.
Cenário estimulado aponta líder e disputa aberta
Quando os nomes são apresentados e o eleitor pode escolher até dois candidatos, como prevê a eleição de 2026, o quadro se consolida parcialmente.
Álvaro Dias lidera com folga, superando a marca de 47% das menções e chegando a 52% em um dos cenários testados. A primeira vaga aparece, portanto, relativamente encaminhada.
A segunda vaga, porém, permanece aberta. Alexandre Curi surge competitivo quando associado ao campo governista. Cristina Graeml e Filipe Barros aparecem em seguida, disputando um eleitorado semelhante, de perfil conservador e fortemente ideológico.
Entrada de Gleisi muda o eixo da disputa
O ponto de inflexão do cenário ocorre fora da pesquisa.
O PT decidiu esta semana substituir Enio Verri por Gleisi Hoffmann, nome de maior densidade política, alta exposição nacional e ligação direta com o presidente Lula.
A ministra passa a disputar diretamente a segunda vaga, com potencial de reorganizar o eleitorado progressista, atrair votos lulistas e reduzir a fragmentação à esquerda, hoje dispersa.
Diferentemente do nome testado originalmente, Gleisi entra na corrida com musculatura política, recall elevado e estrutura partidária consolidada no Paraná.
Rejeição e polarização tendem a crescer
O levantamento mostra que a rejeição será fator decisivo. Álvaro Dias lidera esse índice, mas mantém saldo eleitoral positivo. Os demais nomes aparecem com rejeições intermediárias.
A entrada de Gleisi tende a elevar a polarização da disputa, reposicionando o segundo voto do eleitor. Em eleições com duas cadeiras, esse movimento é determinante.
Senado vira eleição de engenharia política
O Senado no Paraná será decidido menos por largada e mais por arranjos.
Com duas vagas, o eleitor tende a combinar perfis. Um nome tradicional com outro ideológico. Um candidato identificado com o governo estadual e outro alinhado ao Planalto.
Nesse novo cenário, a segunda vaga deixa de ser apenas uma disputa interna da direita e passa a ser uma corrida tripla, agora com a presença do PT em condições reais de competitividade.
O que está em jogo
A pesquisa da Paraná Pesquisas captou um retrato anterior à entrada de Gleisi Hoffmann, mas ajuda a entender o ponto de partida da corrida.
Uma vaga parece encaminhada. A outra será decidida na campanha, no peso de Lula no Paraná e na capacidade dos candidatos de crescer sem ampliar rejeição.
Em eleições assim, o segundo voto define o resultado.
CENÁRIO 2 – ESTIMULADO
Sem Alexandre Curi.
Álvaro Dias: 52,2%
Cristina Graeml: 32,5%
Filipe Barros: 31,6%
Jeffrey Chiquini: 12,4%
Enio Verri: 11,2%
REJEIÇÃO ELEITORAL – SENADO
Em quem não votaria de jeito nenhum.
Álvaro Dias: 21,0%
Enio Verri: 16,9%
Alexandre Curi: 13,6%
Cristina Graeml: 12,3%
Filipe Barros: 11,4%
Jeffrey Chiquini: 9,7%
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
