Alexandre Curi troca o PSD pelo Republicanos nesta quarta-feira

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), vai se filiar ao Republicanos nesta quarta-feira (1º), em Brasília, segundo apuração do Blog do Esmael. A decisão encerra a fase de suspense sobre sua permanência no partido do governador Ratinho Junior (PSD), mas abre outra disputa, a da pré-campanha pelo Palácio Iguaçu.

Curi chega a esse movimento com lastro político e ambição assumida. Ele preside a ALEP no biênio 2025-2027, está no sexto mandato consecutivo e há meses se apresenta como nome de peso para a corrida majoritária de 2026. Em março, já havia admitido publicamente que recebeu convite do Republicanos para deixar o PSD.

A migração é resposta direta ao titubeio de Ratinho Junior na escolha do herdeiro político do grupo. Nos últimos dias, o governador testou alternativas e viu seu campo ficar mais estreito: Rafael Greca deixou o PSD e se filiou ao MDB em 19 de março, enquanto o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), reafirmou nesta segunda-feira (30) que não renunciará para disputar o governo.

Com Greca fora do PSD, Pimentel no cargo e Guto Silva sem decolagem nas pesquisas, Curi decidiu sair para continuar vivo na maratona sucessória. No grupo do governador, a leitura passou a ser simples: quem esperar demais pelo dedo de Ratinho corre o risco de entrar na disputa já enfraquecido. O Republicanos, nesse quadro, vira abrigo, plataforma e instrumento de pressão ao mesmo tempo.

O gesto também empurra o Palácio Iguaçu para uma zona mais incômoda. A partir de sexta-feira (3), termina a janela partidária para deputadas e deputados trocarem de legenda sem perder o mandato. A indecisão que até aqui estava represada no PSD agora ameaça contaminar toda a pré-campanha governista, com risco de canibalismo aberto entre os aspirantes ao Palácio Iguaçu, como Alexandre Curi, Rafael Greca, Guto Silva, Beto Preto e outros nomes que Ratinho Júnior ainda possa pôr em circulação. No fundo, todos brigam pela mesma herança política e pelo mesmo carimbo de candidato do governador, que, inclusive, pode nunca sair.

Esse segundo tempo será mais longo e mais duro que o primeiro. Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções partidárias ocorrerão de 20 de julho a 5 de agosto, os registros de candidatura vão até 15 de agosto, e a propaganda eleitoral só começa em 16 de agosto. Até lá, haverá espaço para composições, desistências, blefes e pressões cruzadas.

Nesse intervalo, Ratinho pode até tentar manter todos sob o mesmo guarda-chuva, mas a conta já ficou mais cara. Curi saiu do PSD porque concluiu que ficar parado equivaleria a aceitar a fila. No Republicanos, passa a falar de fora, com mais liberdade para tensionar o campo governista e para se vender como alternativa viável, com ou sem aval formal do governador.

O efeito colateral interessa diretamente a Sergio Moro. O senador, que já entrou na órbita do PL com apoio explícito de Flávio Bolsonaro e da cúpula do partido, ganha sempre que a sucessão governista se embaralha. Quanto mais tardar a definição de Ratinho, maior a chance do ex-juiz ocupar sozinho o espaço de candidato já posto, enquanto os adversários seguem consumidos por uma guerra interna.

A filiação de Curi, portanto, não resolve a sucessão no Paraná. Resolve apenas uma parte do enigma. O suspense sobre a saída do presidente da ALEP do PSD termina nesta quarta-feira (1º). O problema de Ratinho Junior começa a ficar ainda maior a partir daí.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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