Podemos chifra Ratinho e Lula ao abraçar Sergio Moro

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O Podemos abriu uma crise de confiança com o governador Ratinho Junior (PSD) e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao declarar apoio, no sábado (25), à pré-candidatura de Sergio Moro (PL) ao Governo do Paraná. A guinada foi anunciada pelo deputado federal Felipe Francischini, que cerca de um mês antes havia prometido apoio ao governador paranaense e agora assumirá a articulação política do adversário do Palácio Iguaçu.

Um vídeo que circula nas redes sociais reúne as duas declarações de Francischini. Na primeira, dirigida a Ratinho Junior, o deputado afirma que sua palavra “não tem volta”, oferece apoio ao governador e classifica a administração estadual como “a melhor gestão do Brasil”.

“Todo mundo sabe de uma coisa: quando eu dou a palavra, não tem volta. Você pode contar com meu apoio”, declarou Francischini na gravação anterior.

Na gravação mais recente, porém, Francischini aparece ao lado de Moro e anuncia uma posição eleitoral diferente: “Para mim é uma alegria declarar o nosso apoio ao pré-candidato a governador Sergio Moro, pré-candidato a senador Filipe Barros”.

Podemos entra na aliança de Moro

O Podemos confirmou apoio a Moro na disputa pelo Palácio Iguaçu e a Filipe Barros (PL-PR) para uma das duas vagas paranaenses no Senado. A legenda passa a integrar a aliança estadual formada por Partido Liberal (PL), Novo e Democracia Cristã (DC).

Francischini auxiliará na coordenação política da pré-campanha, aproximando o grupo de prefeitos, vereadores, ex-prefeitos e lideranças regionais. O movimento amplia a estrutura de Moro no interior e reforça o campo de oposição à candidatura governista.

A promessa a Ratinho e o custo político

A mudança atinge diretamente Ratinho Junior. O governador escolheu Sandro Alex (PSD) para disputar sua sucessão e tenta conservar os partidos que ocuparam espaço em sua base durante os dois mandatos. O Podemos, entretanto, preferiu o palanque de Moro, um dos principais adversários eleitorais do candidato governista.

A direção estadual poderá argumentar que elogia a gestão de Ratinho, mas rejeita o candidato escolhido pelo governador. O próprio Moro tenta administrar essa contradição ao prometer continuidade aos bons projetos estaduais enquanto disputa contra Sandro Alex. Na prática eleitoral, contudo, o Podemos entregará sua estrutura ao adversário do Palácio Iguaçu.

A promessa registrada no primeiro vídeo aumenta o custo político da decisão. O apoio “sem volta” voltou — mas tomou o caminho de Moro.

O segundo chifre alcança o governo Lula

Segundo informações obtidas pelo Blog do Esmael, integrantes ligados ao Podemos conquistaram espaços na administração federal no Paraná, enquanto a legenda preservou postos importantes no governo estadual. O episódio exige transparência sobre nomes, funções e atos de nomeação para que o eleitor saiba como um partido instalado em duas administrações decidiu trabalhar eleitoralmente contra candidatos apoiados por ambas.

Francischini não escondeu o antagonismo com Lula ao justificar a aproximação com Moro e Filipe Barros. O deputado recordou que os três estiveram juntos, a partir de 2019, “enfrentando o PT” na Câmara dos Deputados. A declaração transforma o apoio estadual em adesão explícita ao campo antilulista.

A contradição não está na liberdade partidária para escolher candidatos. O problema político está em ocupar posições nos governos, prometer fidelidade a seus dirigentes e entregar a estrutura eleitoral aos adversários desses mesmos governos.

Dois chifres na mesma eleição

Para Ratinho Junior, a perda do Podemos enfraquece a tentativa de apresentar Sandro Alex como herdeiro natural de uma frente ampla. Para Lula, o episódio mostra que a presença de aliados indicados por partidos do Centrão em cargos federais não garante compromisso eleitoral com o governo.

O Podemos pode manter relações administrativas com o Palácio Iguaçu e com o Palácio do Planalto. Depois do abraço em Moro, porém, terá de explicar se permanecerá nos cargos e quais compromissos políticos sustentam essas nomeações. Sem essa prestação de contas, o partido ficará marcado por dois chifres na mesma eleição: um em Ratinho Junior e outro em Lula.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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