O governador Ratinho Junior (PSD) entrou no fim de março pressionado a resolver a própria sucessão no Paraná porque Sergio Moro (PL) deixou de ser apenas um nome incômodo e passou a funcionar como ameaça real ao campo governista. Depois de abandonar a pré-candidatura ao Planalto, Ratinho concentrou energia na eleição estadual, num momento em que Moro aparece na dianteira dos levantamentos já divulgados e força a base do Palácio Iguaçu a correr contra o relógio.
A reportagem publicada na noite desta sexta (27) pelo Blog do Esmael mostra com nitidez para onde a disputa afunilou. Com Guto Silva perdendo força, as negociações passaram a se concentrar em dois nomes, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD). O problema é que o consenso ainda não veio. Pimentel segue em fase de convencimento, e Curi mantém margem para rediscutir seu destino conforme o arranjo final da chapa.
É aí que a crise da direita paranaense ganha forma concreta. Se Ratinho não fechar logo um nome capaz de unificar o bloco, o risco é abrir mais de uma candidatura no mesmo campo. A hipótese de Curi migrar para o Republicanos continuava no radar das conversas, enquanto Rafael Greca já deixou o PSD e se filiou ao MDB, ampliando a fragmentação do grupo que hoje orbita o governo estadual.
No meio dessa aflição, Moro acertou em cheio o sistema nervoso do governismo ao desembarcar no PL. A filiação do senador provocou a saída de Fernando Giacobo do comando estadual do partido e desencadeou uma rebelião nos municípios. Na quinta-feira (26), 48 dos 53 prefeitos eleitos pela legenda no Paraná participaram, em Curitiba, de um ato puxado por Giacobo para marcar o rompimento com a nova linha do partido e reafirmar apoio ao projeto político de Ratinho.
O recado dessa debandada foi duro. De um lado, Ratinho recupera musculatura no interior ao puxar para sua órbita uma fatia relevante do municipalismo que estava abrigada no PL. De outro, a direita entra em 2026 rachada, com Moro tentando se consolidar como polo bolsonarista, enquanto a máquina estadual corre para não entregar de bandeja o Palácio Iguaçu a um adversário nascido dentro do mesmo campo ideológico.
Como se a equação já não estivesse carregada o bastante, surgiu mais um foco de pressão sobre Moro. O ex-deputado Tony Garcia disse ao Blog do Esmael, também na sexta-feira (27), que disputará o governo do Paraná como candidato anti-Moro e anunciará até quinta-feira (2) o partido pelo qual pretende concorrer. Ele afirmou que fará uma campanha ancorada no que chama de “verdades comprováveis” sobre o senador e promete expor, no debate eleitoral, o submundo da antiga “República de Curitiba”.
Tony não entra como candidato governista nem como peça lateral da conjuntura política paranaense. Ele tenta ocupar o espaço do antagonista direto, explorando uma ferida que acompanha a biografia política de Moro desde o desmanche da Lava Jato. As acusações feitas por Garcia já levaram o ministro Dias Toffoli a determinar diligências sobre fatos narrados por ele, e a Polícia Federal chegou a fazer buscas na antiga vara em que Moro atuou. O senador nega irregularidades e já classificou os relatos de Tony como mentirosos.
O quadro, portanto, ficou mais nítido neste sábado (28). Ratinho ainda tem força para empinar um sucessor, mas já não pode se dar ao luxo de prolongar a indecisão. Cada dia sem definição aumenta o espaço de Moro, aprofunda a fissura da direita paranaense e transforma a sucessão num teste de comando sobre o grupo que governa o estado há anos.
Enquanto a direita se enrola na própria sucessão, a oposição vê uma janela abrir no Paraná. O deputado estadual Requião Filho (PDT) se empolga com a pré-candidatura ao governo, e a ministra Gleisi Hoffmann (PT) articula a volta ao Senado. Com essa costura, Lula pode ter no estado um palanque competitivo para a reeleição.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
