Morre Renato Rabelo, líder histórico do PCdoB aos 83
Morreu neste domingo (15) o ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo, um dos dirigentes mais influentes da esquerda brasileira no pós-ditadura. Ele tinha 83 anos e morreu ao meio-dia no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, após enfrentar um câncer.
Renato comandou o PCdoB por quase 14 anos, período em que sucedeu João Amazonas na presidência nacional do partido, em dezembro de 2001, e conduziu a legenda em fases decisivas da política nacional, da reorganização do campo progressista ao ciclo de vitórias eleitorais que levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto.
Casado desde 1966 com a assistente social Conceição Leiro, conhecida como Conchita, deixa dois filhos e quatro netos, segundo informações divulgadas por dirigentes do partido.
Renato Rabelo nasceu em Ubaíra, no interior da Bahia, em fevereiro de 1942. Ainda jovem, presidiu a União dos Estudantes da Bahia e teve o curso de medicina interrompido pela perseguição política durante a ditadura, entrando na rota da militância que atravessaria mais de seis décadas.
Ele passou pela Ação Popular (AP) e, com a incorporação de quadros da AP ao PCdoB no início dos anos 1970, consolidou-se na direção partidária. Entre 1977 e 1979, viveu no exílio na França e retornou ao Brasil com a anistia, retomando a atuação na linha de frente da disputa democrática.
Mesmo reconhecido por sua capacidade de formulação e articulação, Renato não ocupou cargo público. No PCdoB, a sua marca foi a de estrategista de alianças e organizador partidário, com participação nas campanhas presidenciais de Lula desde 1989, e influência no desenho político que aproximou o partido dos governos petistas.
Em 2015, ele passou a presidência do PCdoB para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e assumiu a Fundação Maurício Grabois, vinculada ao partido. Na fundação, liderou debates e iniciativas até deixar o posto, por saúde, em 2023, e depois ser reconhecido como presidente de honra.
Em nota e depoimentos, dirigentes do PCdoB destacaram que a trajetória de Renato se confunde com a história contemporânea do Brasil e com a construção do próprio partido, da resistência à ditadura à disputa por um projeto nacional.
A vida do dirigente também ganhou registro recente em livro. O Blog do Esmael acompanhou, em Curitiba, o lançamento da biografia “Renato Rabelo – Vida, Ideias e Rumos”, do jornalista Osvaldo Bertolino, em circulação nacional desde 2025, com reconstrução detalhada da militância e da atuação política do ex-presidente comunista.
A morte de Renato Rabelo encerra uma geração que atravessou clandestinidade, exílio e reconstrução institucional sem abandonar o fio da democracia. Em tempos de radicalização e tentativa de reescrever a memória política do país, a história dele lembra que a disputa por futuro também passa por preservar a verdade sobre o passado.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
