Trump negocia com Cuba sob ameaça de bloqueio petrolífero

O presidente americano Donald Trump afirmou que Washington está negociando diretamente com a cúpula de Havana, dias após ameaçar a economia cubana com um bloqueio virtual de petróleo. A fala sinaliza abertura tática, mas vem acompanhada de sanções, tarifas e pressão por mudança de regime.

Segundo Trump, “estamos falando com as pessoas mais altas de Cuba” para “ver o que acontece”. Ele disse acreditar em um acordo, sem detalhar termos. A declaração foi dada em Mar-a-Lago, na Flórida.

A segunda administração Trump elevou o tom desde a queda do aliado venezuelano Nicolás Maduro, fonte histórica de petróleo para a ilha. Na quinta-feira (29), o republicano assinou ordem executiva que ameaça impor tarifas adicionais a países que vendem óleo a Cuba.

Horas depois, filas se formaram em postos de Havana. Apagões diários, de até 12 horas, se tornaram rotina. Hospitais e cadeias de abastecimento sentem o impacto.

Trump também declarou que “não precisa haver crise humanitária”, sugerindo que Havana “viria negociar”. Antes, foi taxativo: “SEM MAIS PETRÓLEO OU DINHEIRO PARA CUBA: ZERO!”.

O secretário de Estado Marco Rubio, filho de exilados cubanos, tem defendido publicamente a pressão por mudança de regime. Autoridades dos EUA chegaram a ventilar a possibilidade de navios de guerra nas proximidades da ilha.

Um diplomata americano em Havana resumiu a nova fase: o que Cuba chamava de “bloqueio” agora seria um bloqueio “de verdade”.

A presidente do México Claudia Sheinbaum advertiu que as tarifas podem desencadear uma crise humanitária. O México se tornou, desde 2025, o principal fornecedor de petróleo para Cuba, à frente de Rússia e Venezuela.

Sheinbaum disse buscar esclarecimentos com o Departamento de Estado e alternativas para ajuda humanitária, sem colocar o México em risco. Para ela, hospitais, alimentos e serviços básicos estão diretamente ameaçados.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel acusou Trump de tentar “sufocar” a economia e classificou as medidas como de natureza “fascista, criminosa e genocida”.

Relatórios oficiais do Ministério das Relações Exteriores de Cuba apontam perdas bilionárias anuais, falta de medicamentos e impacto direto no sistema elétrico. Segundo Havana, sem o endurecimento do bloqueio, o PIB teria crescido 9,2%.

Especialistas em energia alertam que, sem novas entregas em seis a oito semanas, o país pode enfrentar racionamento severo.

O discurso de negociação convive com sanções que asfixiam. Trump oferece a mesa enquanto fecha a torneira do petróleo. O recado é claro: diálogo condicionado à capitulação política.

Para Cuba, a escolha é dramática. Para a região, o risco é humanitário e geopolítico. Para Washington, trata-se de reafirmar poder no Caribe em meio a rearranjos globais.

Continue acompanhando os bastidores da política internacional e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Lunes Senes

Colaborador Convidado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *