China reitera apoio a Cuba; promete ajudar a superar bloqueio energético dos EUA
Em uma forte manifestação de apoio a Cuba, o governo chinês condenou, nesta terça-feira (27), as sanções impostas à ilha pelos Estados Unidos, denunciando a violação do direito internacional e a tentativa de subverter a soberania do país. A China também se posicionou com preocupação por possível ampliação dos bloqueios e ratificou seu apoio a Cuba.
“Cuba não está sozinha”, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa, ao responder uma pergunta do Brasil de Fato.
O diplomata afirmou que a China está profundamente preocupada com as ações de Washington, destacando que essas medidas prejudicam diretamente a vida do povo cubano e violam seus direitos fundamentais.
“A China expressa sua profunda preocupação e oposição às ações dos EUA. Essas medidas não afetam apenas a economia de Cuba, mas afetam diretamente o povo cubano, privando-o de seus direitos mais básicos, como o acesso à energia e à sobrevivência”, declarou Guo.
O bloqueio energético, uma das principais formas de ataque de Washington, tem causado escassez de petróleo e apagões frequentes, afetando o funcionamento do sistema de saúde, da educação e de outros serviços essenciais para a população cubana.
Guo lembrou que as sanções não têm impacto apenas sobre a economia, mas sobre a vida cotidiana dos cubanos, que enfrentam sérias dificuldades para manter a infraestrutura básica do país.
O porta-voz também enfatizou que a China continua a apoiar Cuba e sua soberania nacional, reafirmando que as ações dos EUA são ilegais e não têm justificativa legítima.
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“Cuba não alberga hostilidade contra nenhuma nação. Os Estados Unidos não têm direito de interferir nos assuntos internos de Cuba,” afirmou Guo, destacando que as dificuldades econômicas enfrentadas pela ilha são resultado direto das sanções unilaterais de Washington.
“A China entende que as dificuldades econômicas enfrentadas por Cuba não são resultado de uma falha interna, mas sim de políticas hostis e ilegais impostas por potências externas, que buscam desestabilizar o país. O povo cubano tem o direito de viver sem ameaças e pressões externas que busquem subverter seu sistema político e sua escolha de desenvolvimento. As sanções e os bloqueios não podem e não devem ser justificativas para essa interferência.”
Além disso, a China expressou sua crescente preocupação com a possibilidade de medidas ainda mais drásticas contra Cuba, como um bloqueio naval, que, caso implementado, agravaria ainda mais a já difícil situação da ilha.
“A China se opõe veementemente a qualquer medida que prive o povo cubano de seus direitos fundamentais e agrave ainda mais a situação econômica do país. Cuba tem o direito de escolher seu próprio caminho de desenvolvimento, sem interferências externas”, afirmou Guo Jiakun.
O porta-voz garantiu também solidariedade. “A China reitera que Cuba não está sozinha. Reafirmamos nosso compromisso com a solidariedade internacional e com a defesa de sua soberania, e continuaremos a trabalhar ao lado do povo cubano para garantir que sua independência e autodeterminação sejam respeitadas”, disse Guo.
A China, portanto, não só se posiciona contra as sanções unilaterais de Washington, mas também se compromete a apoiar Cuba de maneira contínua, seja por assistência humanitária, cooperação econômica, ou através de sua atuação no plano internacional.
Sanções dos EUA contra Cuba: Cerco econômico de décadas
As sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba começaram logo após a Revolução Cubana, na década de 1960.
Em 1960, o governo de Fidel Castro, ao adotar o socialismo e nacionalizar várias indústrias, levou os EUA a imporem um embargo parcial. Em 1962, esse embargo foi ampliado para um bloqueio econômico completo, limitando o comércio e o acesso a recursos essenciais.
Ao longo dos anos, as sanções se intensificaram, afetando diversos setores, incluindo alimentos, medicamentos e outros bens básicos. A Lei Helms-Burton de 1996 fortaleceu o embargo, tornando as restrições ainda mais rígidas.
Durante o governo de Donald Trump, as sanções contra Cuba foram endurecidas de forma significativa.
Trump implementou novas restrições, especialmente no setor energético, com limitações ao fornecimento de petróleo, o que resultou em escassez de energia e apagões frequentes na ilha. Esses apagões afetaram os serviços essenciais, como saúde, educação e transportes, agravando a situação econômica e social de Cuba.
Aliança histórica com a China: Pilar de solidariedade
Desde a Revolução Cubana de 1959, Cuba tem buscado parceiros internacionais para enfrentar os desafios impostos pelas sanções dos Estados Unidos.
A aliança entre Cuba e China começou a se fortalecer significativamente no início da década de 1960, quando os dois países passaram a compartilhar uma visão socialista e de resistência ao imperialismo.
Desde então, a China tem sido um aliado estratégico de Cuba, fornecendo apoio econômico, político e militar, especialmente após o fim do apoio da União Soviética no início dos anos 90.
Em 2004, Cuba e China assinaram um acordo de cooperação bilateral, estabelecendo uma parceria econômica sólida, que tem sido essencial para Cuba enfrentar os impactos das sanções dos EUA.
A China tem sido um parceiro comercial importante, fornecendo recursos vitais, como petróleo e produtos manufaturados, além de manter um apoio político constante a Cuba em foros internacionais.
A aliança Cuba-China também se refletiu na cooperação em áreas como saúde, com Cuba enviando médicos cubanos para a China, e ambos os países colaborando em projetos de infraestrutura e tecnologia.
Quando os EUA intensificaram as sanções energéticas sob a presidência de Donald Trump, Cuba contou com o apoio crucial da China para garantir o fornecimento de petróleo e combustíveis essenciais para seu funcionamento.
Nos últimos anos, a China tem reafirmado seu compromisso com Cuba, especialmente no contexto do bloqueio econômico imposto pelos EUA.
Em 2021, o governo chinês declarou sua oposição às sanções unilaterais e denunciou o impacto negativo das restrições no bem-estar da população cubana, reiterando a importância de Cuba para a solidariedade internacional e a defesa da soberania.
Com a crescente ameaça de um bloqueio naval e a intensificação das sanções energéticas, a China continua a ser um pilar fundamental de apoio para Cuba, garantindo que o país continue a manter sua soberania e a buscar alternativas para enfrentar as dificuldades econômicas impostas pelos EUA.
Esta parceria histórica não é apenas uma questão de comércio, mas uma aliança de princípios que reflete a resistência contra as imposições externas.
Editado por: Luís Indriunas
Publicação de: Viomundo
