COP 15 é a garantia da perpetuidade de espécies extremamente relevantes, diz Capobianco
O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima detalhou a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres em entrevista à Voz do Brasil desta terça (27)
Pela primeira vez no Brasil, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP 15, vai reunir governos, cientistas, povos indígenas e comunidades tradicionais e sociedade civil de todo o mundo para o enfrentamento dos desafios de conservação que impactam espécies migratórias, seus habitats e rotas de migração em toda sua área de distribuição.
O evento ocorre entre os dias 23 a 29 de março, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, estado que abriga três quartos do bioma Pantanal, um dos principais eixos de rotas migratórias das Américas. “A Convenção de Espécies Migratórias é o que eu considero uma das mais altas expressões da consciência ecológica da humanidade”, explicou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, em entrevista à Voz do Brasil desta terça-feira (27/1).
É um pacto ético entre nações, ou seja, eu protejo aquelas espécies que, embora não sejam nativas do meu país, elas dependem do ambiente do meu país para manterem a sua trajetória e a sua vida. Portanto, é isso, é a garantia da perpetuidade de espécies extremamente relevantes”, completou.
Capobianco foi anunciado como presidente da COP 15 na sexta-feira (23), com a responsabilidade de articular as negociações entre os países para impulsionar a conectividade ecológica e a conservação de ecossistemas. À Voz do Brasil, o secretário explicou que, durante a conferência, ministros, Estado, lideranças de vários países vão apresentar o que estão desenvolvendo para servir de exemplo para outros países.
Então, o papel do presidente da COP é de estimular a participação dos países nos seus esforços, aumentando a sua capacidade de ação, aumentando o seu compromisso, aumentando a sua dedicação para essa agenda internacional tão relevante”, pontuou.
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Confira a entrevista completa
Secretário, vamos começar explicando o que são as espécies migratórias e por que a necessidade de se fazer uma conferência só para tratar da conservação delas, por que elas são tão importantes a ponto de precisarem desse olhar exclusivo?
Olha, são espécies que migram entre países, entre regiões, às vezes são milhares de quilômetros de distância e, ao migrarem, elas necessitam encontrar no seu percurso o apoio necessário para se manterem, seja regiões onde elas possam nidificar, no caso das baleias, que fazem isso aqui no nosso litoral brasileiro, seja para obter alimentos, seja para descanso. Então, como são espécies que circulam entre países, não há nenhuma medida que um país isoladamente possa adotar para protegê-las. Portanto, a Convenção de Espécies Migratórias é o que eu considero uma das mais altas expressões da consciência ecológica da humanidade.
É um pacto ético entre nações, ou seja, eu protejo aquelas espécies que, embora não sejam nativas do meu país, elas dependem do ambiente do meu país para manterem a sua trajetória e a sua vida. Portanto, é isso, é a garantia da perpetuidade de espécies extremamente relevantes.
Agora, a última vez que essa conferência voltada para as espécies migratórias aconteceu na América Latina foi em 2014, no Equador. Agora, as lideranças em questão climática no mundo vão se encontrar aqui no Brasil, em Mato Grosso do Sul, que é um estado estratégico quando a gente fala justamente das espécies migratórias. O senhor pode explicar para a gente por quê?
Olha, o Pantanal é uma espécie de hub, a gente está acostumado a dizer que no Brasil nós temos os hubs de aeroportos, onde você passa por eles para buscar um outro destino. O Pantanal é uma espécie de hub, nós temos espécies que vêm do Hemisfério Norte, que passam pelo Pantanal em direção ao Hemisfério Sul, nós temos espécies do Hemisfério Sul que passam no Pantanal em direção a regiões mais ao norte, portanto, é um local de passagem de espécies, espécies de aves, espécies de mamíferos, espécies de peixes e que tem ali uma trajetória extremamente significativa.
O Pantanal é, de fato, um bioma muito importante, tanto do ponto de vista nacional, para toda sua diversidade biológica e cultural, mas também para garantir a sobrevivência de muitas espécies que dependem do Pantanal na sua trajetória de migração.
A COP 15 sobre espécies migratórias, embora tenha esse nome, não é um desdobramento direto da COP 30, que o Brasil também sediou em novembro do ano passado aqui em Belém, no Pará. Mas a conferência também ajuda a reforçar a liderança brasileira no debate climático, né, secretário?
Com certeza, porque as mudanças do clima agravam o problema exatamente afetando as rotas migratórias.
Então, quando você tem uma ação integrada de proteção, de combate às mudanças climáticas, você automaticamente está colaborando para a garantia de que essas espécies migratórias encontrem no seu trajeto os ambientes que elas estão acostumadas a encontrar ao longo de todas as gerações dessas espécies. Portanto, há uma relação direta e reafirma o compromisso do Brasil com a articulação multilateral. O multilateralismo é fundamental porque dele depende a articulação entre países, nações em busca de objetivos comuns.
Portanto, o Brasil liderando a COP 15, ele mais uma vez contribui para mobilizar o esforço internacional em benefício do meio ambiente.
E, aliás, quando a gente fala de multilateralismo, a questão climática vai estar sempre tangenciando todas as discussões, pelo menos no próximo século, certamente, né?
Com certeza.
Agora, secretário, cabe ao Brasil também liderar os esforços para o êxito das negociações em março, né? Como é que isso vai ser feito, principalmente pelo senhor, que é o presidente da COP 15?
Mobilizando os países, estimulando a participação, estimulando a apresentação de bons exemplos de ações desenvolvidas.
Nós temos, por exemplo, o que nós chamamos de evento de alto nível, que precede, ele ocorre no dia anterior ao início da COP, em que nós teremos ministros, Estado, lideranças de vários países que vão apresentar os melhores esforços que eles vêm desenvolvendo para servir de exemplo para outros países, estimular novas ações. Então, o papel do presidente da COP é de estimular a participação dos países nos seus esforços, aumentando a sua capacidade de ação, aumentando o seu compromisso, aumentando a sua dedicação para essa agenda internacional tão relevante.
E quantos países hoje são signatários dessa conferência? Quais são os objetivos do Brasil ao fim da conferência?
Olha, nós temos 132 países signatários, mas o Brasil, além desses 132 países, mais a União Europeia, porque a União Europeia tem os seus países que participam, mas também com uma unidade específica, então nós temos 133, sendo 132 países, mais a União Europeia, mas o Brasil vai convidar também os países todos da América do Sul e da América Central para participarem, mesmo aqueles que não são signatários, com o objetivo, inclusive, de estimular todos esses países a entrarem na convenção. Então, nós teremos aí um volume bastante significativo de países participando, além, evidentemente, de cientistas, de acadêmicos, da sociedade civil, povos indígenas, comunidades tradicionais, setor privado, que colabora muito, para que a gente possa criar um grande debate e estimular o aprofundamento dos compromissos e ampliar o alcance da Convenção de Espécies Migratórias.
Essa convenção, ela acontece a cada três anos, não é como a COP do Clima, das mudanças climáticas, que é anual, né?
Não, ela é a cada três anos e a presidência da COP permanece como presidência por três anos e é sucedida na próxima COP, que ocorrerá, portanto, daqui a três anos.
Ah, então o senhor vai permanecer presidente dessas negociações e desses encontros, né? Porque outros, eu imagino, que acontecerão até daqui a três anos.
Isso. O Brasil preside, né? O presidente da República me indicou para presidir essa conferência das partes de agora e a previsão é de que o Brasil segue presidindo até a próxima COP daqui a três anos.
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