Marcos de Oliveira: Cortes em educação e pesquisa comprometem futuro

A ladainha é sempre a mesma: sem investir em educação o Brasil não vai conseguir avançar, é preciso formar mais engenheiros e pessoal de TI (como se Ciências Humanas fosse algo menor…), fundamental investir em pesquisa, blá-blá-blá. E na hora de cortar verbas para garantir o pagamento dos juros da dívida, os 2 primeiros a perder são educação e pesquisa.

O Orçamento de 2026, sancionado no 1º dia útil do ano, cortou R$ 488 milhões no orçamento das 69 universidades federais, como noticiado no final de dezembro.

Para o sindicato que reúne os docentes do ensino superior (Andes), é “um grave ataque à educação, que já enfrenta uma situação crítica. Além do rebaixamento orçamentário, as universidades também sofrem com as perdas inflacionárias e o aumento de gastos com terceirizados em 2025”.

Mas a tunga para desviar R$ 1,8 trilhão para a dívida pública não ficou só nas universidades.

A pesquisa também terá menos verbas. A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) denunciam que o orçamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para 2026 será de R$ 1,738 bilhão, com redução de R$ 92,4 milhões em relação à proposta original; a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) terá R$ 4,726 bilhões, uma queda de R$ 359,3 milhões.

“Em um orçamento total da União da ordem de R$ 6,34 trilhões, a educação responde por cerca de 3,35%, enquanto ciência e tecnologia representam apenas 0,35%”, expõe a SBPC em editorial.

“Em mais de 10 anos, observa-se um grande desfinanciamento das universidades, com encolhimento drástico do custeio real, e avanço das emendas para fechar o orçamento. De acordo com o Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) do Governo Federal, de 2014 a 2025, houve uma queda de 57% do custeio real. Em 2014, o valor era de R$ 17,19 bilhões e, em 2025, caiu para R$ 7,33 bilhões”, argumenta o Andes.

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Enquanto isso, foram ampliados para R$ 61 bilhões os recursos do Orçamento de 2026 para emendas parlamentares, sendo que, desse montante, R$ 49,9 bilhões ficam sob comando direto das e dos parlamentares.

*Marcos de Oliveira, jornalista, formado pela ECO/UFRJ, é diretor de Redação do Monitor Mercantil e conselheiro da Câmara de Intercâmbio Cultural Brasil-China

Publicação de: Viomundo

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