Pedro Carvalhaes: Fui agredido em restaurante de BH por vestir camiseta com o rosto do Lula
Redação Viomundo
Os leitores do Viomundo já puderam ler aqui artigos que publicamos de Pedro Carvalhaes.
Graduado em Direito pela UFMG, ele é roteirista.
Pedro mora em Belo Horizonte.
Ontem, quinta-feira, 28 de agosto, ele estava almoçando num restaurante perto de sua casa, quando, de surpresa, foi agredido por dois senhores que estavam no local.
No texto abaixo, Pedro Carvalhaes relata tudo o que aconteceu na hora e os desdobramentos.
Por Pedro Carvalhaes
Como de costume, almocei nesta quinta-feira, 28 de agosto, num restaurante do bairro onde moro em BH. Chama-se “Boneca de Lili”.
Ao terminar de servir meu prato, o senhor da primeira foto na fotomontagem (veja no topo) dirigiu-se a mim de modo nervoso, dizendo ofensas como “ filho da puta” e “ladrão”.
Fiquei confuso, pois nunca vira aquele indivíduo. Foi quando dei-me conta de que suas ofensas se deviam ao fato de eu estar trajando uma camiseta com a imagem do presidente Lula.
Imediatamente, de modo enérgico, mas polido, coloquei o sujeito no seu lugar, advertindo-o de que ele não poderia me agredir em público, em função de minhas ideologias.
O indivíduo violentamente ameaçou então arremessar um vidro de pimenta na minha cara.
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Imediatamente, sem ceder à tentação de partir para as vias de fato, liguei para a Polícia Militar, requisitando uma viatura. O indivíduo em questão rapidamente evadiu-se, temeroso da eventual abordagem policial.
Durante o embate, tive a impressão de que o agressor era eu, e não o sujeito que me dirigia impropérios, uma vez que o gerente do restaurante, ao invés de abordar o verdadeiro agressor, tentava me coagir a não chamar a PM. Chegou a dizer surrealmente que eu teria uma faca na mão (esquecendo-se de mencionar, claro, o garfo e o prato cheio de comida que eu também portava, pois tinha acabado de me servir no buffet).
Após a evasão do agressor, sentei numa mesa com o gerente, e pedi-lhe que tomasse providências não apenas para identificar o indivíduo que me atacara, como para pedir que o mesmo não mais frequentasse o estabelecimento.
Quando nada pior parecia poder acontecer, eis que um segundo indivíduo passou por mim e, diante do gerente, dirigiu novos impropérios à minha pessoa, claramente por motivações políticas.
Disse o segundo agressor que eu seria “beneficiário de bolsa” (que, por acaso, não sou; e, ainda que fosse, não seria demérito algum).
Este segundo agressor tentou inclusive agredir-me fisicamente, e só não conseguiu em função do gerente e de um garçom terem se colocado diante de mim.
Novamente resisti ao impulso de reagir fisicamente, e liguei uma vez mais para a PM.
Ao meu lado, duas clientes que viram tudo e comigo se solidarizaram, tentaram também acionar a PM.
Eis que o segundo agressor, não satisfeito, continuou a tecer seus xingamentos de natureza política, mandando-me ir para Cuba e para a Venezuela.
Não bastasse isso, o indivíduo em questão perguntou se eu seria “viado”, e dissera que eu só poderia ser “viado”.
Foi quando, de modo enfático, comuniquei a ele que o crime de homofobia estava configurado, e que eu pediria às autoridades policiais que efetuassem o flagrante.
Então esse indivíduo, de maneira absolutamente descontrolada, pegou uma faca de mesa e ameaçou-me com a mesma, sendo novamente contido por um garçom e pelo gerente, a quem quase esfaqueou.
(Chamou-me atenção o fato de o gerente ter dito ao criminoso que parasse, pois estaria quase esfaqueando-o e não a mim. Seriam conhecidos?)
Por sugestão das duas clientes que intercederam por mim, pus-me a esperar a viatura na porta do restaurante.
O criminoso novamente tentou me esfaquear, sem sucesso, e evadiu-se do local.
Igualmente por sugestão das minhas duas testemunhas, decidi não aguardar pela chegada da viatura, e rumei com elas para a Polícia Civil para reportar os crimes.
Afinal, nada impediria que o agressor voltasse, talvez armado, e que tentasse novamente atentar contra minha integridade física.

O BO feito por Pedro Carvalhaes na delegacia próxima ao restaurante. Fernanda de Sena Gois e Géssika de Sena Gois, que viram o que aconteceu na hora, o acompanharam. Elas foram testemunhas
Feito o registro policial, a investigadora que me atendeu sugeriu que eu pegasse as imagens do acontecido no restaurante.
Rumei para o estabelecimento, acompanhado das duas testemunhas que comigo foram prestar a queixa.
Conversei com o proprietário, cujo nome é Sílvio Rodrigues Mota.
Ele deu a entender que liberaria espontaneamente a imagens das câmeras, embora, a princípio, talvez por afinidade ideológica com os agressores, ou por medo da eventual repercussão dos fatos prejudicar o estabelecimento, tenha passado a mesma impressão de que me passara seu gerente, quando da primeira agressão: a de ser alguém que tentava transformar a vítima em agressor, pondo panos quentes numa situação inadmissível, que é a agressão de um cidadão, seja em função de sua orientação ideológica, seja em função de sua orientação sexual.
Mais tarde, o senhor Silvio entrou em contato comigo, contradizendo tanto o que dissera seu gerente (que as imagens estariam à minha disposição), quanto seu aparente compromisso de cooperar com a apuração dos crimes.
Após consultar seu advogado, o empresário disse que só entregaria as imagens por determinação das autoridades, deixando ainda subentendido que não poderia tomar partido de nenhum dos lados.
É como se houvesse qualquer equivalência possível entre um cliente gratuitamente agredido de forma criminosa por suas orientações política e sexual, e dois outros que, de diferentes modos, agrediram gratuitamente esse cliente .
Decidi expor a situação aqui em razão da evasão proposital dos dois agressores.
Tentarei localizá-los de outras formas, mas gostaria de compartilhar as imagens de ambos.
Se alguém eventualmente puder indentificá-los, de modo que eu possa levá-los a responder pelas agressões, peço que, ainda que anonimamente, escreva para este e-mail: [email protected]
Agradeço a atenção e tranquilizo os que eventualmente se preocuparam: não cheguei a sofrer nenhum dano físico, e levarei todos os responsáveis a pagar em todas as esferas cabíveis, na medida integral de suas responsabilidades.
Não passarão!
Publicação de: Viomundo