Lava Jato

Frente Brasil Popular organiza um ato político para receber Lula, que depõe pela segunda vez como réu na Lava Jato

Daniel Giovanaz |
Cerca de 30 mil manifestantes prestaram solidariedade ao ex-presidente, na última vez que ele esteve em Curitiba Ricardo Stuckert

O ex-presidente Lula (PT) volta a Curitiba nesta quarta-feira (13) para prestar seu segundo depoimento como réu na operação Lava Jato. Ontem, o presidente do PT no Paraná e ex-deputado federal Florisvaldo Fier conhecido como Dr. Rosinha, convocou uma coletiva de imprensa e divulgou detalhes sobre a programação da 2ª Jornada de Lutas Pela Democracia. Assim como no dia 10 de maio, os atos em solidariedade a Lula foram organizados pela Frente Brasil Popular, que reúne movimentos sociais e sindicais de várias categorias.

“Não é um ato semelhante ao do dia 10”, esclareceu Dr. Rosinha ao início da coletiva. “Não é um evento ‘de massa’. Terá mais o caráter de debate”.

Cerca de 30 mil militantes ocuparam Curitiba por ocasião do primeiro depoimento de Lula, sobre o “caso triplex”, em maio. A maior parte deles chegou no dia anterior à vinda do ex-presidente, e ocupou um terreno próximo à estação rodoferroviária. “Desta vez, não teremos acampamento”, afirmou o deputado federal.

Isso não significa que não haverá militantes de fora de Curitiba. Cerca de 4 mil pessoas, divididas em 50 caravanas do interior do Paraná, devem chegar à capital nas primeiras horas do dia. Não haverá caravanas de outros estados – apenas ônibus isolados, de militantes que se reuniram de forma autônoma para prestar solidariedade a Lula.

O local onde será realizada a 2ª Jornada também muda. Em vez da Praça Santos Andrade, os militantes vão se reunir na praça Generoso Marques, também na região central de Curitiba.

Programação

O ato político começa às 15 horas, com apresentações gratuitas dos músicos Pereira da Viola, de Minas Gerais, e de artistas curitibanos como Elian Woidello e os grupos Samba da Resistência e delGhetto. O depoimento de Lula está agendado para o início da tarde no prédio da Justiça Federal, no bairro Ahú.

O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente Lula de receber dois imóveis da empreiteira Odebrecht, em troca de benefícios em contratos com a Petrobras.

A suposta propina teria sido paga com um apartamento em São Bernardo do Campo e um terreno em São Paulo, para construção de uma nova sede para o Instituto Lula.

Mais uma vez, o que pesa contra Lula não são provas documentais, mas sim, depoimentos concedidos sob pressão, em troca de benefícios – as chamadas “delações premiadas”. Por isso, às 16h30, está prevista uma aula pública com o ex-ministro da Justiça, Eugenio Aragão, sobre os métodos utilizados pela operação Lava Jato. Em seguida, haverá uma breve cerimônia de lançamento do livro “Comentários a uma sentença anunciada: o processo Lula”, publicado pelo Projeto Editorial Práxis, com apoio do Instituto Joaquín Herrera Flores e Instituto Declatra. A obra, organizada por juristas, traz argumentos técnicos relativos à primeira sentença do juiz de primeira instância Sergio Moro contra o ex-presidente.

João Pedro Stédile, integrante da direção nacional do MST e da Frente Brasil Popular, será chamado ao palco para explicar o “Plano Popular de Emergência”, um programa construído pelos movimentos sociais com medidas para combater o atual desemprego e falta de investimentos no país.

Lula encerra o ato político com um discurso previsto para as 19 horas, após o depoimento. O presidente estadual do PT insistiu no caráter pacífico das manifestações e ressaltou que os militantes são orientados a não aceitar nenhum tipo de provocação.