por Conceição Lemes

Foi publicado no Diário Oficial do Município de São Paulo desta quinta-feira (31/08) o seguinte despacho:

Quem assistir daqui a pouco à transmissão da partida Brasil e Equador verá no campo o produto deste despacho: painéis de publicidade sobre a cidade de São Paulo.

Isso já aconteceu em 23 de março, no jogo Brasil e Uruguai, quando foi veiculada propaganda do programa Cidade Limpa.

O prefeito João Doria Jr., que já cortou até leite das crianças, foi criticado por fazer propaganda da cidade em mídia nacional que, soube-se, no dia seguinte, foi bancada pela empresa vendedora de remédios Ultrafarma, de Sidney Oliveira.

Para a partida de hoje, Doria mudou um pouco a estratégia. Talvez como vacina, já publicou o despacho da publicidade a ser veiculada e o doador. Será a mesma Ultrafarma.

Qual será o teor da propaganda desta vez?

Falará da Cidade Limpa?

Ou divulgará seus “feitos” na saúde pública?

Se em março se poderia colocar na conta do seu estilo marqueteiro, agora tem um objetivo óbvio: está em campanha para disputar a presidência da República.

Já o “magnânimo” Sydnei de Oliveira está fazendo doação para a Prefeitura –  na verdade, é para o Doria — a troco de quê?

Se a intenção fosse mesmo ajudar a Prefeitura, por que não repassou esse dinheiro para merenda? As crianças estão proibidas de repetir a refeição. Muitas têm como única refeição a que comem na escola.

Ou então para o programa de leite que Doria também cortou?

Ou ainda para reformar a Unidade Básica de Saúde República, na região central de São Paulo?

Em janeiro, o forro dessa UBS desabou e o governo Doria prometeu reabrir em 90 dias. Passaram-se oito meses (240 dias) e nada de reforma. Nessa quarta-feira (30/08), Doria disse que não será mais reaberta.

Doria prevê o fechamento de 50 UBS e todas as unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

Há uma semana o Metro Jornal, com base na lei de acesso à informação, denunciou que faltam 2.360 médicos na rede pública da capital.

O secretário da Saúde, o médico cirurgiãoWilson Pollara, tal qual o ministro da Saúde, o engenheiro Ricardo Barros, jogou toda a culpa pela má gestão dos serviços nos seus colegas de profissão:

“O prejuízo no atendimento é causado por médicos contratados que faltam ao serviço, não por não ter médicos”

O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) reagiu à altura (na íntegra, ao final):

A fala de Pollara é um desrespeito com a categoria. Tanto médicos concursados, que trabalham na administração direta, ou de organizações sociais, são obrigados a trabalhar com péssimas condições em serviços que contam com o desabastecimento de insumos.

Mesmo com condições adversas impostas pela prefeitura, os médicos se esforçam ao máximo para oferecer assistência de qualidade para a população.

(…)

A falta de profissionais médicos no município de São Paulo acontece porque a prefeitura não tem uma política clara de provimento de recursos humanos na saúde.

Existe uma demanda por novos concursos públicos, a prefeitura não chama médicos já aprovados em concursos vigentes (não cumprindo sua promessa de campanha) e cada organização social tem a própria política de recursos humanos, o que dificulta a organização do trabalho médico no município.

Além disso, Doria reduziu o passe livre estudantil, extinguiu 51 linhas de ônibus, reduziu convênios de assistência social, encerrou oficinas culturais para crianças e adolescentes nos Centros Educacionais Unificados (CEU), reduziu apoio a grupos culturais

Para justificar os cortes, o prefeito alega ter herdado rombo de R$ 7,5 bilhões da gestão Fernando Haddad (PT).

Não é verdade. Quando Doria assumiu tinha R$ 5,4 bilhões nos cofres do município deixados pela gestão Haddad.

Para o ex-vereador Odilon Guedes, mestre em economia pela PUC-SP, o prefeito pode estar segurando a verba para aplicar no final de 2017 e início de 2018, ano em que serão realizadas eleições presidenciais e para governos do estado.

Em entrevista à RBA, Odilon Guedes disse:

“O governo Doria vive de marketing. É possível que esteja deixando para fazer investimentos e ações que impactem a população no ano eleitoral. Ele gosta de se proclamar gestor. Bem, o que se espera de um gestor é que saiba se virar na adversidade e não que saia simplesmente cortando tudo”

Reitero: o dono da Ultrafarma está bancando o Doria a troco de quê?

Será que ele ainda sonha com a ressuscitação do projeto de Doria de acabar com as farmácias públicas das unidades de saúde e os medicamentos serem entregues na rede privada ?

“Nesse tipo de publicidade não prevalece o interesse público da cidade. É mais uma jogada de marketing associando a figura do Doria à famosa camisa canarinho da seleção brasileira e que foi bastante explorada nas manifestações contra a Dilma”, critica a vereadora Juliana Cardoso (PT).

“Com certeza trata-se de uma doação para promover a gestão e que seria até bem-vinda se fosse para reverter os cortes de leite das crianças  e do transporte escolar”, arremata.


Secretário de Saúde de São Paulo culpabiliza médicos por má gestão dos serviços

Sindicato dos Médicos de São Paulo repudia fala de Wilson Pollara, pois prefeitura é a responsável pela má qualidade dos serviços de saúde

SIMESP

Em matéria publicada ontem, dia 24, no Metro Jornal, foi divulgado que faltam 2.360 médicos na rede pública da capital, os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação. Em resposta, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Wilson Pollara, afirmou que “o prejuízo no atendimento é causado por médicos contratados que faltam ao serviço, não por não ter médicos”. O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) repudia a fala do secretário, que culpabiliza médicos pela má gestão dos serviços.

A fala de Pollara é um desrespeito com a categoria. Tanto médicos concursados, que trabalham na administração direta, ou de organizações sociais, são obrigados a trabalhar com péssimas condições em serviços que contam com o desabastecimento de insumos. Mesmo com condições adversas impostas pela prefeitura, os médicos se esforçam ao máximo para oferecer assistência de qualidade para a população.

Atualmente a maioria dos médicos que trabalha na rede da prefeitura são contratados por organizações sociais (OSs), que possuem ponto eletrônico. Esses médicos não só cumprem com a produtividade exigida pela OS, como também seguem a exigência de assiduidade, feita pelos empregadores.

A falta de profissionais médicos no município de São Paulo acontece porque a prefeitura não tem uma política clara de provimento de recursos humanos na saúde. Existe uma demanda por novos concursos públicos, a prefeitura não chama médicos já aprovados em concursos vigentes (não cumprindo sua promessa de campanha) e cada organização social tem a própria política de recursos humanos, o que dificulta a organização do trabalho médico no município.

A Secretaria de Saúde, ao culpabilizar o próprio profissional pela falta de médicos, demonstra um imenso desrespeito para com os profissionais dessa categoria. Com essa atitude, o secretário demonstra também desrespeito com a população e descaso com a saúde.

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Publicação de: Viomundo