coluna

Governo está com muita pressa para facilitar a ação de mineradoras estrangeiras

Mário Augusto Jakobskind |
Temer viajou para a China para participar de uma reunião dos BRICS Isac Nobrega/PR

A Justiça Federal em Brasília decidiu suspender o decreto extinguindo a Reserva Nacional de Ouro e Cobre (RENCA), na Amazônia, por considerar totalmente ilegal a medida sancionada pelo governo golpista do putrefato Michel Temer. A Advocacia Geral da União vai apelar. Na verdade, o governo usurpador está com muita pressa para facilitar a ação de mineradoras estrangeiras, tanto assim que cinco meses antes do que Temer baixou, o ministro golpista das Minas e Energia Fernando Coelho Filho, adiantou no Canadá que aconteceria o decreto presidencial.

Pressionado, o governo golpista tentou enganar os incautos e baixou outro decreto em que afirma que garantiria a preservação do meio ambiente e as terras indígenas. Uma mentira do tipo que os responsáveis pelo programa governamental costumam revelar com a colaboração da mídia comercial conservadora. Se os golpistas pensam que convencem a opinião pública estão muito enganados, porque o putrefato político Michel Temer perdeu a credibilidade se é que algum dia a teve.

O que está acontecendo em relação à Renca é simplesmente uma repetição do que vem sendo feito habitualmente por este governo que representa e agrada apenas um setor minoritário, qual seja, os empresários que só se interessam  em investir visando o lucro fácil em detrimento da maioria a população brasileira. Essa é a verdade que os golpistas tentam esconder da população através de embromações midiáticas com a ajuda de alguns analistas de sempre.

A TV Globo com seus telejornais em todos os horários manipula grosseiramente informações com o claro objetivo, por exemplo, de os parlamentares aprovarem o que os “analistas” denominam de reforma da Previdência. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado, praticamente ignorada pela mídia comercial conservadora, comprova a falsidade sobre o propalado déficit da Previdência.  Mas a Rede Globo não está nem aí para essa informação e martela diariamente no déficit do orçamento devido ao aumento dos gastos com a Previdência.

Concomitante a isso, o Ministro da Fazenda e aposentado do Bank of Boston aparece com entrevistas do gênero chantagem, ou seja, se nada for feito com a Previdência o Estado brasileiro vai quebrar etc e tal. Ao mesmo tempo, o putrefato Michel Temer viaja para a China para participar de uma reunião dos BRICS e aproveitará a oportunidade para convencer os chineses para investir no Brasil em áreas do Estado que estão sendo privatizadas. Na verdade, o que prevalece para Temer é a ânsia de levar adiante o mais rápido possível a  entrega das riquezas do país. Aí pode ser qualquer um que esteja disposto a obter vantagens, independente da coloração política.

Ao mesmo tempo em que isso acontece, o governo golpista brasileiro abre a região Amazônica para a realização de exercícios militares, impostos pelos Estados Unidos, com a participação também da Colômbia e Peru. Os exercícios serão realizados em uma área próxima da fronteira com a Venezuela, país que já vem sofrendo sanções econômicas por parte do governo de Donald Trump com o claro objetivo de desestabilizar o governo bolivariano. A China, por sinal, se manifestou contra esse ataque norte-americano, que tem por objetivo criar uma situação de tamanha instabilidade que possa resultar em uma agressão militar.

Será apenas coincidência a realização de exercícios militares conjuntos na área Amazônica? Será que os militares brasileiros aceitarão de bom grado as manobras conjuntas que para muitos analistas podem resultar em uma agressão já colocada em pauta por Donald Trump ao admitir a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela?  Será que os militares brasileiros aceitarão repetir o que fizeram em 1965 ajudando os Estados Unidos na intervenção realizada na República Dominicana? Era um tempo em que o Brasil estava sob o domínio de um golpe empresarial militar e em que um ministro do Exterior, Juracy Magalhães,  afirmava, sem se envergonhar, muito pelo contrário, que o que “é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Hoje, o Brasil está sob o domínio de um governo resultante de um golpe parlamentar, midiático e judicial sem a participação direta dos militares. Como para muitos os tempos hoje são outros, vale uma pergunta que não quer calar: será que aceitarão passivamente repetir o que fizeram há 52 anos, ajudando na derrubada de um governo que pretendia realizar reformas necessárias que o então governo dos Estados Unidos não aceitava em hipótese alguma? Hoje, a Venezuela rica em petróleo está na mira de Trump, o que em si é um perigo, que o Brasil não deveria se envolver.