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Eucalipto domina dois terços das florestas plantadas no Brasil


Deserto verde

Plantações aumentaram e, segundo especialistas, podem avançar ainda mais, com o aval das autoridades

Leonardo Fernandes |
Indústria de celulose na cidade de Eunápolis, na Bahia Amanda Oliveira/GOVBA

O Brasil possui 9 milhões e 850 mil hectares de florestas plantadas. E, segundo o levantamento Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2017, divulgado na última quarta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 75% desse território é voltado à produção de eucalipto, cujas florestas são apelidadas de “desertos verdes” pela grande quantidade de água que consomem e o estrago que causam ao solo.

A maior parte das florestas plantadas está nas regiões Sul (36%) e sudeste (25%). João Dagoberto dos Santos, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) explica que embora a quantidade de hectares de florestas plantadas seja menor do que outros tipos de cultivo, o forte impacto socioambiental está relacionado com o alto nível de concentração desses cultivos.

“O empreendimento do agronegócio de árvores é extremamente pequeno, se comparado aos milhões de hectares de cultivo agrícola tradicional, soja, milho e algodão. O problema do impacto dele é a concentração. Eles estão concentrados em muito poucas regiões. Então o impacto na dinâmica dos territórios onde eles atuam é muito forte”, pondera.

“O sistema de silvicultura atual é incompatível com outros manejos. Eles têm um domínio muito grande sobre consumo de água onde eles estão instalados, uma homogenização da paisagem, uma absorção muito grande de nutrientes a logo prazo. E impossibilitam a utilização do solo de uma maneira muito drástica, gerando impactos ambientais e sociais muito graves”, completa.

Santos explica que, diferente de outras monoculturas, as florestas de eucalipto demandam uma quantidade enorme de água e nutrientes, inviabilizando o solo para outros tipos de cultivo, e afetando as famílias de pequenos agricultores.

“Se você tem hoje uma monocultura de cana ou de soja, em dois meses você passa um trator em cima e começa a fazer outra coisa. Você tem um monocultivo de eucalipto, para você desmobilizar essa terra para plantar outro tipo de agricultura é muito difícil, é uma energia muito grande. Então inviabiliza mesmo, porque toma todo o espaço, toda a luz, nutrientes. Com o atual padrão de silvicultura, seja para produção de celulose ou de energia, não cabe outras coisas”. 

Para Kelli Mafort, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os dados revelam mais uma vez o domínio do agronegócio sobre o campo brasileiro.

“Esse dado de que temos no Brasil 75% das florestas plantadas com eucalipto é revelador de como o campo brasileiro está hegemonizado por esse modelo do agronegócio, das transnacionais, das grandes empresas. No setor de celulose, especificamente, estamos falando de grandes empresas, como por exemplo, a Suzano Celulose, que há mais ou menos dez anos comprou uma empresa israelense de produção de transgênicos; estamos falando da Fibria, da Votorantim, são gigantes do agronegócio que se ocupam das terras brasileiras”. 

Para Santos, o país chegou a essa realidade, graças a uma relação de simbiose entre o Estado e as empresas que dominam o setor.

“O estado tem tratado do jeito que ele trata o agronegócio convencional. 2016 mudaram as regras, saíram do Ministério do Meio Ambiente e foram para o Ministério da Agricultura, o que já mostra como o Estado tem tratado esse tema. Se você pegar o anuário estatístico do BNDES dos últimos 10 anos, o setor de produção de celulose foi o que mais tomou recursos do BNDES. Então o Estado sempre foi um sócio, beneficiando esse setor mais do que outros setores na questão do financiamento. Por isso é muito difícil exigir do Estado que trate essa questão de maneira diferente, porque ele é um acionista do setor florestal, principalmente via financiamento do BNDES e os antigos mecanismos de financiamento florestal”.

Eucalipto transgênico acelera a destruição

Se a situação já é grave, ela ainda pode piorar. Os estudiosos no tema alertam para o perigo de aumento substancial desse tipo de monocultivo a partir da aprovação do uso comercial do H421, uma espécie de eucalipto transgênico, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em 2015.

Kelli Mafort explica que o Brasil é praticamente o único país do mundo que autoriza o cultivo de eucalipto transgênico, que sequer tem a comercialização aprovada em muitos países. Ela conta que em 2015, as mulheres da Via Campesina realizaram uma ação de denúncia sobre um viveiro de mudas de eucalipto transgênico e outra ação durante a reunião da CTNBio, onde se discutia a aprovação do cultivo do H421 no Brasil.

“O eucalipto transgênico reduz de sete anos para até quatro o crescimento de uma árvore. A gente sabe que o eucalipto consome muita água. O monocultivo de eucalipto, em um tempo ainda mais abreviado, que significa que terá que fazer mais cortes, e, portanto, vai aumentar a produção, tem um impacto muito grande sobre as bacias hidrográficas, o que agrava a questão da crise hídrica”, alerta.

Outro impacto grave do chamado “deserto verde” é sobre as abelhas, como explica Mafort. “Por outro lado, interfere diretamente na produção de mel. 80% do mel produzido no Brasil é orgânico, boa parte produzida pela agricultura familiar, e esse mel é contaminado pelo eucalipto transgênico. Inclusive, parte dessa contaminação pode culminar com a extinção das colmeias. Quando a gente fala de abelhas a gente pensa logo na produção de mel, mas além da produção de mel, precisamos pensar que 75% da polinização de todos os vegetais é feita pelas abelhas, então elas têm uma função muito importante para a biodiversidade”, alerta. 

Diante do cenário pré-eleitoral no Brasil, Mafort faz um chamado a colocar o tema da agroecologia e das agroflorestas no debate, na busca de superar o modelo predatório aplicado pelo agronegócio em conluio com a bancada ruralista.

“Nós temos que derrotar as forças conservadoras, temos que derrotar as forças golpistas e, além disso, devemos também exigir que os presidenciáveis democráticos tenham um plano de defesa da reforma agrária, da agricultura familiar, da agroecologia e das agroflorestas. É por isso que nós estamos tão engajados nessa luta: para que a gente consiga ter vitórias nas urnas e consiga levar a pauta da agroecologia e da agrofloresta para a trincheira eleitoral”. 

Segundo o relatório do IBGE, o líder entre os estados brasileiros no cultivo de eucalipto é o Paraná, seguido por Minas Gerais e Santa Catarina.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

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Redação |
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Reproduzimos abaixo a última edição do Ponto, enviada em 21 de setembro de 2018.

21 de setembro de 2018

Olá,

Contagem regressiva de 16 dias para o primeiro turno e as pesquisas eleitorais desta semana apontam que os dois turnos da eleição devem mesmo ser polarizados entre Bolsonaro e Haddad. Analisamos este cenário e a agonia de Alckmin, bem como movimentações curiosas no meio militar. Não deixe de conferir também a lista de retrocessos da semana, as notícias que talvez você não tenha visto e as recomendações de leitura para aprofundar os temas da newsletter. Vamos lá.

Eleição acelerada. Com Ibope e DataFolha na semana que passou, confirmaram-se algumas previsões, como o crescimento acelerado de Haddad, certa cristalização dos votos de Bolsonaro e os carros de Marina e Alckmin quebrando bem antes do fim da prova. Há ainda Ciro Gomes, que seria imbatível num segundo turno, mas precisa antes passar na prova do primeiro. Neste cenário, a maior parte das análises tem dito que a disputa do segundo turno foi antecipada. Para José Roberto de Toledo, o movimento do eleitor em antecipar o voto do segundo turno faz sentido. Isto já estaria acontecendo com o eleitor de Alckmin, mas ainda não com o de Ciro. Segundo os institutos, o eleitor do candidato do PDT é um dos mais propensos a mudar de voto mas, possivelmente, “Ciro virou um voto de passagem para eleitores não-petistas que relutam em aderir à expressão mais radical do antipetismo”, o que explicaria sua manutenção de intenção de votos. Vale ouvir a análise do mesmo Toledo nos minutos iniciais do podcast da Piauí.

Junto com a ideia da antecipação do turno, vem outra, aquela de que vivemos uma grande polarização. Em artigo para o Outras Palavras, Antônio Martins diz que a marca desta eleição não é a polarização, mas a despolitização. Para ele, rebaixar a disputa a petismo x antipetismo favoreceria a direita e o melhor caminho para Haddad seria trocar esta polarização por uma mais politizada: favoráveis x contrários ao golpe. Na revista Piauí, Marcos Nobre lembra que desde 1994 a eleição se organiza em função do polo lulista. Ele avalia que Haddad está em vantagem para preparar o segundo turno, e deveria investir tanto no eleitor “nem nem” (brancos, nulos, abstenções) quanto em estabelecer pontes com a parte da elite política e econômica que tem horror a Bolsonaro. Falamos mais sobre isso abaixo na seção Radar.

Bate cabeça. Mesmo estável nas pesquisas, a campanha de Bolsonaro não para de proporcionar momentos de bateção de cabeça entre os diferentes grupos por trás da candidatura. O general Mourão, candidato a vice, praticamente desautorizou Bolsonaro na questão das urnas eletrônicas, acentuando o desconforto entre os aliados. Na área econômica, apareceu pela primeira vez uma proposta da candidatura que se baseia apenas em fanfarronices. Paulo Guedes apresentou para uma plateia de empresários a proposta de um imposto único com alíquota de 20% para pessoas físicas e jurídicas. O trabalhador que ganha 1.500 reais, o que ganha 8 mil reais ou o empresário que fatura 150 mil por mês pagarão o mesmo imposto de 20%. Para o economista Pedro Rossi (Unicamp), o IR ficaria mais caro para quem ganha menos e menor para os salários ou rendimentos mais altos. Vale ver também esta tabela que ilustra como ficaria o IR do Posto Ipiranga. Estas e outras declarações, de Paulo Guedes e Mourão, teriam feito Bolsonaro tentar enquadrar dois de seus principais quadros na campanha.

RADAR

Acenos. Com o crescimento de Haddad, a semana trouxe um movimento curioso na imprensa: foi o petista quem acenou para o mercado ou é o mercado quem está acenando para o petista? A política econômica de um futuro governo Haddad concentrou as manchetes. Na segunda (17), a Folha aproveitou declarações do economista Marcio Pochmman para atestar que o PT estaria moderando o discurso: “A perspectiva não é de um governo que promova choques, mas a implementação de políticas graduais”, disse Pochmann. “Temos um programa, uma proposta. Nada que nos exigiria fazer um ajuste radical”. Na terça, a mesma Folha e o El País insinuaram que Haddad teria escanteado Pochmann, tido por radical. No dia seguinte, a Folha se decidiu: Haddad é mesmo um moderado e quer um economista assim na sua equipe. Já o Infomoney, espécie de porta-voz do mercado, deixa claro: a preferência do mercado é por Bolsonaro e por um motivo bem simples: o programa do PT não prevê reforma da previdência nos termos defendidos pelo mercado. Daí a mira em Pochmman que já havia dito que a previdência precisava de mudanças pontuais, mas descartava uma reforma.

Aqui jaz. A candidatura de Geraldo Alckmin vive seus dias de velório e luto. Estacionado abaixo dos 10% tanto no Ibope quanto no Datafolha, o tucano assistiu a uma verdadeira debandada nesta semana, começando pelo sempre pragmático “centrão”, mas também nas fileiras do próprio partido, incluindo sua criação, João Dória, que foi o primeiro a sinalizar que pularia fora do barco, cabos eleitorais no nordeste e até do ex-presidente do PSDB Arthur Virgílio. O tucano sonha com uma reação como a de Aécio Neves em 2014 e para isso decidiu elevar o tom tanto contra Bolsonaro, quanto contra Haddad. Mais do que chegar no segundo turno, como aponta Daniela Lima na matéria acima, na prática, não é o caso de Alckmin que está em jogo, mas do PSDB que perde sua cadeira cativa de antipetismo, inclusive nos setores com maior renda e escolarização. Nesta quinta (20), FHC chegou a publicar uma carta aos eleitores pedindo serenidade e votos contra a polarização.

Bolsonaro agenda imprensa. Quem acompanha a news desde o começo deve lembrar que já indicamos alguns textos para entender a tática da extrema-direita de espalhar boatos, contaminar o debate público e atrair a atenção para si. Pois bem. Parece que funciona mesmo. Ainda no domingo, direto de sua cama no hospital, Bolsonaro disparou um vídeo que acabou pautando boa parte da agenda da imprensa e da própria campanha. A acusação sobre fraude nas urnas eletrônicas foi respondida pelo presidente do STF e também pela presidente do TSE. No Twitter, um dos filhos de Bolsonaro disse que o TSE “entregou os códigos de segurança das urnas para a Venezuela”, o próprio TSE emitiu nota tendo que negar o boato, que já tem mais de cinco mil retuítes. Em tempo: o PSL não compareceu aos testes das urnas eletrônicas.

Indulto. Bolsonaro também pautou de certa forma o debate sobre o indulto a Lula em caso de eleição de Haddad. O Estadão alardeou que uma decisão de Barroso, do STF, impediria o indulto. Na verdade, a decisão ainda precisaria passar pelo plenário do STF para transformar em realidade a manchete do jornal. Já os especialistas em direito ouvidos pelo UOL afirmam que um presidente pode indultar quem quiser por decreto. Porém, segundo Haddad, o próprio Lula é o primeiro a dispensar o indulto: “Lula não vai abrir mão da defesa de sua inocência. É o primeiro a dizer ?não quero favor, quero que os tribunais brasileiros e fóruns internacionais reconheçam que fui vítima de um erro judicial”.

Coturnos. Movimentação importante de ser acompanhada são as cada vez mais frequentes declarações de militares sobre política e eleições, com ameaças veladas (ou nem tanto) de golpe militar. Depois de Mourão falar abertamente em autogolpe e Constituinte em povo, o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva deu declarações semelhantes em entrevista na GloboNews. O Nexo traz um resumo e análises sobre declarações de militares e de integrantes da campanha de Bolsonaro. Na Folha, o sociólogo Celso de Barros foi taxativo: o plano dos bolsonaristas é dar um golpe. Na Carta Capital, André Barrocal analisa o perigo do crescente militarismo, que acaba de chegar ao STF, com a nomeação de um general como assessor da presidência. Quem se interessar mais pelo assunto pode assistir à entrevista de Celso Amorim, ex-ministro da Defesa, à Carta Capital, em que comenta as afirmações dos generais da reserva.

Museus. A MP aprovada por Temer uma semana depois do incêndio do Museu Nacional abre uma brecha para a privatização dos museus. A medida, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, prevê a criação de fundos patrimoniais para arrecadar e gerir doações de pessoas físicas e jurídicas para projetos de interesse público – o que, na prática, significa dar carta branca para a classe empresarial interferir na gestão da cultura.

RETROCESSO DIÁRIO

Autônomos. O número de microempreendedores – trabalhadores autônomos com CNPJ – cresceu 68% em quatro anos, alcançando 7,3 milhões de pessoas neste ano. O desemprego e a terceirização são responsáveis diretos pelo crescimento. Apesar das facilidades para abertura e contribuição, o setor também apresenta 43% de inadimplência nos tributos.

Sem 13º. Professores e técnicos da Universidade Estadual Paulista (UNESP) não deverão receber o 13º salário neste ano, segundo comunicado da própria Universidade. Será o segundo ano consecutivo que cerca de 12 mil estatutários, ativos e aposentados não receberão o benefício. A reitoria justifica que iniciou a gestão com a previsão orçamentária de apenas 12 salários e pressiona o governador Marcio França (PSB) por uma suplementação orçamentária.

Abismo. Pesquisa do IPEA revela que os 10% mais ricos da população brasileira são responsáveis por 51,5% da desigualdade de renda total do país. O percentual é maior do que outros países como Estados Unidos (45%), Alemanha (44%) e Grã-Bretanha (41%). O IPEA utilizou uma metodologia que compara a distância da renda de cada indivíduo com a média de renda do país, para conhecer como a contribuição do grupo mais abastado pode ajudar a definir redistributivas como impostos progressivos sobre renda e patrimônio.

Menos greves. Segundo o DIEESE, o número de greves em 2017 caiu 25% em relação ao ano anterior. O desemprego e os efeitos da reforma trabalhista são apontadas como as principais razões para a redução das mobilizações. Uma a cada quatro greves tiveram caráter defensivo, ou seja, pela manutenção ou implementação de direitos conquistados. Um crescimento em relação aos últimos quatro anos anteriores.

Doente. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) autorizou a  farmacêutica norte-americana Gilead a patente do medicamento Sofosbuvir para Hepatite C. Na prática, impede que Fiocruz-Famanguinhos e um consórcio de empresas brasileiras produzam um medicamento genérico para o mesmo tratamento que permitiria o aumento de 30 mil para 50 mil em pessoas atendidas e economia de R$1 bilhão para o país.

VOCÊ VIU?

Previdência. Cinco candidatos a presidente defendem a substituição do atual modelo de previdência por um sistema de capitalização. A Rede Brasil Atual mostra como funciona no Chile, onde o modelo foi instituído por Pinochet na década de 1980. O resultado: aposentadorias mais baixas, porque o trabalhador depende apenas da sua própria contribuição.

Fraude. Braço direito de Bolsonaro na economia, Paulo Guedes é apontado pela Justiça como um dos beneficiários de fraude que causou prejuízos à fundação de aposentadoria dos funcionários do BNDES. Guedes não é réu no processo, mas consta junto com outros oito investidores como beneficiários pela fraude.

Ele voltará. Eduardo Cunha ainda tem muito poder no MDB. Sua filha Danielle, candidata a deputada federal, recebeu R$ 2 milhões do fundo público e lidera as doações entre os 19 candidatos a deputado federal pelo partido no Rio.

Toffoli paz e amor. Na sua primeira semana como presidente do STF, Dias Toffoli concedeu entrevista coletiva onde deixou claro: nada de temas polêmicos na pauta do Tribunal neste ano. Objetivamente, já avisou que não debate a prisão em segunda instância, que poderia beneficiar Lula, nem as questões vinculadas a aborto e drogas. Sobre o aumento do auxílio-moradia dos juízes, divagou sobre a necessidade de uma repactuação.

Enquadro. Para a surpresa geral, o ministro Ricardo Lewandowski se pronunciou favorável a uma lei de controle dos abusos de autoridade de instituições como o Ministério Público, Polícia Federal, tribunais de contas e órgãos de controle, cujos “membros que têm agido além de sua esfera de competência”. A proposta de controle de abusos tem sido combatida especialmente por procuradores do MP.

Chantagem. A cada pesquisa eleitoral, a bolsa oscila e o dólar dispara. Sinais do “temperamento do mercado”. Mas a consultoria Austin Rating afirma que se o dólar hoje seguisse o mesmo comportamento da especulação anterior a posse de Lula em 2002 a moeda deveria estar batendo em R$7,39. “Fatores subjetivos, como a guerra comercial entre Estados Unidos e China e o ambiente político, pesam mais do que fatores objetivos, econômicos em si”, diz a consultoria.

Uma vitória. A advogada Valéria Lúcia dos Santos, impedida de trabalhar, algemada e retirada por PMs, voltou ao tribunal nesta semana, agora sob direção do juiz titular, e venceu a causa e ainda fez o TJ-RJ filmar todas as audiências.

Arquibancada. Torcidas organizadas, entre elas a Gaviões da Fiel, do Corinthians, têm se somado à campanha #EleNão. A Torcida Jovem do Santos foi outro grupo representativoque se manifestou. Já as mulheres vão às ruas no dia 29 contra a candidatura que tem cara de fascismo, jeito de fascismo e parece fascismo mesmo.

É BOATO

Guiné. A apreensão de uma dinheirama com o filho do ditador da Guiné Equatorial no aeroporto de Viracopos mostra como a grande imprensa muitas vezes curte surfar numa fake news. O Estadão fez uma chamada que ajuda a dar força ao boato que vincula o dinheiro às eleições no Brasil. O curioso é que o projeto Comprova, consórcio de jornais que reúne o próprio Estadão, mostrou que não há nenhum indício que sustente o boato.

Ameaças. Na semana em que até a apresentadora Fátima Bernardes precisou desmentir um boato estapafúrdio que a vinculava ao ataque contra Bolsonaro, vale ler a história de uma estudante que, estando a 300 km do local onde Bolsonaro foi esfaqueado, passou a ser perseguida por causa de uma boataria espalhada na internet.

BOA LEITURA

Paulo Freire. O educador completaria 97 anos no dia 19. Em 2018, o livro Pedagogia do Oprimido completa 50. Um especial do Brasil de Fato discute a atualidade de Paulo Freireem um momento de crescente intolerância.

2008, ano que não terminou. A crise econômica de 2008 completou dez anos e ainda sentimos as consequências do estouro da bolha imobiliária nos EUA .O Nexo fez um passo-a-passo da crise, origens e consequências.  A BBC Brasil relembra como cinco países, inclusive o Brasil, se comportaram na crise. Para o Brasil, o resultado foi desindustrialização e crise fiscal, segundo a Agência Brasil. Para o inglês The Guardian e a The Intercept, o mundo não aprendeu nada com a crise e um novo terremoto vem aí.

Tubarão sincero. A Vice entrevistou um investidor bilionário de São Paulo para entender afinal o que pensa o mercado?. “No caso do Bolsonaro, talvez ele pudesse ser o melhor dos presidentes, porque tem o espírito autoritário. E o Brasil precisa disso.

Geração Coca-Cola. A geração formada pelo hiperconsumo quer respostas rápidas para os problemas e por isso adere a propostas reducionistas e simplistas gestadas por uma elite sem compromisso nacional. Artigo do delegado aposentado da PF Armando Coelho Neto.

Quem vota no Coiso. O El País destrinchou a pesquisa Ibope para entender o perfil de quem já se decidiu por Bolsonaro e não pensa em abrir mão. O Bolsonarista convicto é homem, branco, com ensino médio ou superior e evangélico. Ainda sobre o tema, na Carta Capital a cientista política Esther Solano explica por que mulheres votam em Bolsonaro: “discurso simples e conservador do candidato convence até quem sofre com o machismo”.

Ameaçadas. A Agência Pública ouviu o testemunho de quatro mulheres que sofrem perseguições por sua posição favorável ao aborto: uma pastora, uma professora, uma jornalista e uma estudante de direito. Contraditoriamente, são ameaçadas de morte por “defensores da vida”.

O pós-Lula. O cientista político Jean Tible se pergunta se a esquerda e os movimentos populares estão preparados para o cenário político e econômico pós-eleição? Uma análise retrospectiva e projetiva.

Agrotóxico. A cidade de Tocantins que vive uma epidemia de doenças causadas pelo glifosato usado na soja transgênica. Casos de abortos e de contaminação do leite materno na investigação da The Intercept.

Lugar de fala. Preocupada com as ficções de que o nazismo seria um movimento de esquerda, a embaixada alemã no Brasil precisou produzir um vídeo para esclarecer o assunto. A Folha até reproduziu declarações em que Hitler repudiava o marxismo. Só que não funcionou. Negacionistas do holocausto e eleitores de Bolsonaro insistem que os alemães não têm autoridade para tratar do assunto, afinal aquele é o país de Karl Marx. Certamente os alemães não assistem a Netflix.

Obrigado por nos acompanhar até aqui. Voltamos na próxima semana! Não esqueça de recomendar aos amigos: http://bit.ly/AssinePonto

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Adulador de Lula, autor de áudios que viralizaram, sonhou que recebeu chaves de Moro para tirar o ex-presidente da cadeia

Ouça acima alguns dos áudio de “adulador” de Lula

Áudios para ‘adular’ Lula e Haddad são gratidão por feitos no Nordeste, diz autor

Mensagens que viralizaram pelo WhatsApp brotaram da história de Pedro Félix, que trocou a roça pela construção e por conta de políticas sociais viu sua vida, da família e dos amigos se transformar

por Hylda Cavalcanti, da Rede Brasil Atual

Em Lavras de Mangabeira, no interior do Ceará, a 434 quilômetros de Fortaleza, o sol esturricante é comum.

A cidade de 31 mil habitantes tem como principais atividades econômicas a agricultura, a pecuária e o trabalho nas indústrias localizadas nos municípios da microrregião do Cariri — uma das regiões visitadas pela Caravana Lula pelo Brasil, há um ano.

Em Mangabeira, um dos seis distritos da zona rural de Lavras, povoado em sua maior parte por agricultores, a rotina é de carências.

Lá nasceu e vive até hoje Pedro Félix Diniz, de 44 anos.

Pedro se identifica como construtor, porque faz um conjunto de atividades entre pedreiro, mestre de obras e operador na recuperação de edificações, ao lado de uma equipe de amigos.

Com pouco estudo, trabalhador da roça desde a infância ao lado dos cinco irmãos e do pai, que com mais de 70 anos continua com seu roçado, ficou conhecido nos últimos meses por gravar áudios engraçados e espalhar por redes sociais.

Neles, manifesta seu carinho extremo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – “hoje acordei com uma vontade danada de adular Lula…”, diz em um dos mais famosos.

Os áudios, como ele conta, representam um reconhecimento das mudanças ocorridas em sua vida pessoal e em sua região depois dos governos de Lula

Depois da proibição da candidatura do líder petista pelo Tribunal Superior Eleitoral, Pedro Félix incorporou o entendimento de que “Haddad é Lula”.

E passou a gravar frases transferindo sua “adulação” para o candidato oficializado pelo PT à presidência da República.

Fernando Haddad, segundo colocado nas pesquisas eleitorais, segue em busca da transferência das intenções de voto que davam a liderança ao ex-presidente.

Muitos chegaram a achar que os áudios eram feitos por algum comediante, ou tinham orientação publicitária.

Pedro, por sua vez, fica assustado quando é chamado para participar de algum programa de rádio.

Os áudios, como ele conta, representam um reconhecimento das mudanças ocorridas em sua vida pessoal e em sua região depois dos governos de Lula.

São sua forma de “lutar” para que o país volte a oferecer condições para os que querem trabalhar, investir e, como ele, “melhorar de vida”.

Dividir sandálias

“Eu falo em tom de brincadeira quando digo que vou dar meu dedo mindinho ao doutor para implantar no Lula, ou quando peço para ser preso com o Lula, mas isso tudo traduz minha verdade. Esse homem mudou minha vida e a de minha família. E o Haddad é o candidato capaz de fazer voltar os programas que foram implantados da época dele até o impeachment da Dilma”, ressalta.

Da infância à adolescência, Pedro tinha de dividir sandálias com o irmão que tivesse o número do pé mais próximo do dele, todas as vezes em que o pai comprava calçados para a família.

“O dinheiro não dava para comprar para todo mundo, então meu pai comprava um par para dois filhos. Um calçava durante a manhã e o outro à tarde e a gente se dividia sobre os lugares para onde iria trabalhar para não ir descalço onde a falta de sapato fizesse os pés doerem mais.”

Um dia, no período de entressafra, quando não há nada a ser plantado e as pessoas procuram atividades provisórias para ganhar um dinheirinho até voltar ao roçado, ele arrumou uma ocupação como ajudante de pedreiro.

Pôs na cabeça: “Prefiro essa vida do que trabalhar na roça”.

Achou que tinha encontrado ali sua vocação.

Aprendeu tudo direitinho, voltou para a plantação ao lado do pai e dos irmãos, mas continuou em paralelo como ajudante em obras diversas.

“Muitas vezes, o pessoal não confiava em mim, não achava que eu soubesse fazer direito. Então eu dizia ‘deixa eu trabalhar de graça. Vou aprendendo e você vai vendo que eu sei fazer. Se eu errar, pago o prejuízo’.”

Ganhou confiança, chamou colegas para montar uma equipe e começou, ele mesmo, a trabalhar em reformas de casas, consertos, pintura.

Mais adiante, passou a construir e a ganhar mais credibilidade.

A vida continuava dura, mas tinha ficado um pouco melhor.

Reflexo de políticas sociais

As políticas públicas que passaram a influenciar a vida das pessoas pobres no Nordeste a partir de 2003 não demoraram a surtir efeito.

Com a transferência de renda, a valorização do salário mínimo e a oferta de crédito surge uma nova classe consumidora.

As economias de pequenas cidades e microrregiões se transformam.

Não à toa, em recente entrevista ao Jornal da Globo, Haddad observou que o PIB no Nordeste cresceu em ritmo chinês na década passada.

E entre os que passaram a ter possibilidade de ter em casa uma televisão de plasma, uma geladeira nova e mais moderna, um telefone celular, escola para as crianças, também veio a vontade de reformar ou pintar a casinha.

Pedro sentiu o impacto positivo disso tudo.

Conta que desse período até 2016, trabalhou tanto que a vida de extrema pobreza que levava se transformou.

Ele hoje é dono de duas casas.

A primeira, onde vivem seus pais e irmãos, e outra onde mora com a mulher e os dois filhos.

A sua, diz com orgulho, “tem primeiro andar”.

Foi também o primeiro morador da cidade a comprar um automóvel Gran Siena, da Fiat.

“Cheguei todo feliz na concessionária para tirar meu carrinho sonhado. Na época, custou R$ 45 mil. Nunca pensei que chegaria a isso algum dia.”

Pedro ajuda até hoje familiares e prossegue com sua equipe fazendo trabalhos no município.

Mas reclama que sente o tranco da crise econômica, que os pedidos não são como antes, o trabalho caiu.

Reflexo do golpe

“Dá para viver, mas o que temos notado desse governo para cá é uma queda grande para todo mundo. Eu faço estes áudios por brincadeira, mas também porque precisamos da volta do Lula. E eu sei que o Haddad vai retomar a linha de trabalho implantada no governo dele e da Dilma”, afirma, prometendo fazer “tudo o que for possível para contribuir para a transferência de votos de Lula para Haddad”.

“Oxe, menino. Lula é Haddad e Haddad é Lula.”

Sobre o fato de ter um candidato cearense na disputa, Ciro Gomes (PDT), afirma que não vê problema.

“O voto do Lula é do Lula. As pessoas até gostam do Ciro, mas entre ele e o candidato do Lula, vamos votar no Haddad.”

Ele só tem uma reclamação, mas que considera superável.

“Só tenho problema com o Camilo Santana (atual governador do Ceará, do PT, que tem como candidato em sua chapa o senador emedebista Eunício Oliveira). Fiquei chateado com ele porque está unido com o Eunício e o Eunício é do MDB do Temer, ajudou no impeachment da Dilma. Mas se é para ajudar o PT, aqui em casa estaremos com Camilo também.”

E explica. “O que acontece é que hoje a gente vive muito preocupado com a situação do país. As pessoas voltaram a viver em dificuldade outra vez. Eu fiquei espantado com a amplitude que minhas mensagens tiveram, mas se elas puderem ajudar a eleger o Haddad, já estou satisfeito. Muitas pessoas que não iam votar nele já me procuraram para dizer que mudaram de ideia depois de conversar comigo. Falo e brinco dessa forma porque sou louco pelo Lula de verdade, porque senti na pele os efeitos do governo dele.”

Quando indagado sobre o candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, Pedro Félix diz que não o vê como uma ameaça ao PT, ao menos no Nordeste.

“Não é daqui, não demonstra conhecer a sofrência (sic) do nosso povo com a seca, não vai trazer nada de bom para os nordestinos. Já Haddad tem todo o caminho a percorrer que foi deixado por Lula e que nos ajudou a melhorar. E não foi pouco não, pode perguntar para as outras pessoas”, acrescenta.

Lavras de Mangabeira fica a 60 quilômetros de distância de Juazeiro do Norte, uma das maiores cidades do Ceará, onde está previsto comício com Haddad nas próximas semanas.

O sonho de Pedro, agora, é ir até lá para ouvir “o que o substituto do Lula vai falar” e, se conseguir, tirar uma foto ao lado de Haddad.

O sonho maior, de estar ao lado de Lula, nunca foi realizado, mas ele diz que espera um dia conseguir realizá-lo.

“Se Haddad me receber em Juazeiro levo até minha bicicleta (que é constantemente citada nos áudios e utilizada no seu trabalho) para ele sentar nela”, diz.

Mídia espontânea

A ideia de Pedro Félix de fazer áudios começou em 2016, logo após o impeachment de Dilma Rousseff. Mas os áudios viralizaram mesmo depois da prisão de Lula, no primeiro semestre.

As mensagens contagiaram primeiro os amigos próximos, passaram a ser reproduzidas para várias cidades do Ceará e ganharam o Brasil.

“Olha só isso”, contou rindo o publicitário Alexandre Fernandes, que tinha acabado de receber um dos áudios de um colega, durante almoço de trabalho no restaurante Francisco – ponto frequente de encontro de políticos e assessores parlamentares em Brasília, na última semana.

“Em Fortaleza todo mundo conhece essas mensagens, só não tem muita ideia de quem é o cara que está por trás delas”, afirmou o engenheiro agrônomo Marcio Rodrigues, brasiliense que mora há 15 anos na capital cearense e vai todo mês a Brasília.

Com a formalização da candidatura de Haddad, Pedro Félix passou a ter o ex-ministro e ex-prefeito paulistano como principal alvo.

A mídia espontânea é direta e ele tem, inclusive, na imagem que ilustra seu perfil no aplicativo WhatsApp, uma foto dele com os dizeres “Haddad é Lula”.

“Tive um sonho em que estava debaixo de um pé de goiabeira e o Lula me pedia para adular Fernando Haddad. Disse a ele: homem, pois já está adulado”, afirma, numa das mensagens.

“Eu tinha coragem de passar os 12 anos na cadeia mais Lula”, ressalta em outra, com sotaque carregado.

“Meu sonho era pegar um dedo que tenho aqui e o doutor fazer um transplante para colocar nele, para ele ficar com os dedos completos, sem faltar mais nada”, diz.

“Quando como uma galinha capoeira cozinhada com cuscuz, não lembro de outra pessoa não. Só do Lula. Fico imaginando, será que o bichinho já almoçou nesse instante?”, arremata na seguinte.

“Se pudesse, faria tudo o que digo”

Felix revela já ter feito mais de 500 áudios, pelas suas contas, e não tem noção da quantidade de vezes que foram reproduzidos.

Já concedeu inúmeras entrevistas, com esta, ao Brasil de Fato.

“Sei de gente na Paraíba, Pernambuco e Maranhão que está recebendo essas mensagens. É uma coisa fora do comum, nunca pensei que fosse chegar a uma repercussão desse tamanho”, conta.

“Somos do sertão, pessoas pobres e sem chances. O Brasil teve muitos presidentes, mas só o Lula conseguiu fazer tanta coisa. O que eu falo sai de dentro de mim, do meu coração. Se pudesse, faria tudo aquilo que digo nos áudios”, destaca.

Na avaliação da professora da faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Ciência da Informação, Márcia Marques, a repercussão dos áudios de Pedro Félix é reflexo do que tem acontecido nos últimos tempos em todo o mundo, que está mexendo com o “fazer” da comunicação e levando os profissionais a avaliarem outras formas de comunicar.

“As pessoas não comentam mais nas redes sociais uma postagem, vão lá e fazem elas mesmas. Esse protagonismo está aparecendo e tem sido muito favorecido pela mídia digital. É interessante e tem conseguido passar o recado. Tem uma característica que foge da mídia hegemônica”, afirma.

“Ele segue, ao seu modo, o caminho que o pessoal da Porta dos Fundos (conjunto de vídeos que viralizaram na internet e depois resultaram em um programa, veiculado na televisão) começou lá atrás, reservadas as proporções por que lá os participantes eram profissionais de comunicação e o Pedro, não. Hoje todo mundo sabe imitar uma repórter de TV, todo mundo sabe agir como um repórter de rádio”, destaca a professora.

Para a profissional em marketing Fernanda Estelita Soares, iniciativas do tipo são formas de expressão que têm tudo para serem expandidas neste período eleitoral, sobretudo num momento em que são publicadas informações falsas (as fake news) e contratados robôs para sugestionar os eleitores sobre os atuais candidatos.

“Os áudios do Pedro Félix consistem numa forma natural de se expressar da população mais simples. Representam uma outra via encontrada pela massa para passar sua mensagem diante do império da mídia tradicional. E, ainda por cima, trazem o apelo bem-humorado do sotaque do homem simples nordestino”, explica a professora.

“Não me espantarei se souber de vários apresentados por autores diferentes.”

Enquanto isso, Pedro segue com suas atividades e seu jeito. Está longe de ser rico e trabalha duro ao lado da sua equipe.

Tanto que não pode atender celular durante o dia, quando está nas obras.

Volta para casa durante a noite. O telefone quebrou e, em vez de trocar por um mais novo, mandou consertar.

Mas sabe que os pais, ele e os irmãos possuem outras condições econômicas em relação aos anos 1990 e que os filhos estão sendo criados, hoje, em situação bem melhor do que a dele.

Não pede um governo de vantagens, nem benefícios, só a chance de continuar tendo a oportunidade de ser chamado para mais serviços. E ver as pessoas próximas também levando uma vida melhor. “Com menos sofrência.”

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Publicação de: Viomundo

Simulação de segundo turno mostra Bolsonaro disputando eleitorado de Lula

Da Redação

Uma detalhada simulação de segundo turno feita pelo DataPoder 360 mostra que o candidato do PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro, está disputando com Fernando Haddad o tradicional eleitorado do ex-presidente Lula.

Pela projeção, Haddad e Bolsonaro estão empatados dentro da margem de erro de mais ou menos 2 pontos percentuais (43% a 40% para Haddad, com 16% de votos nulos ou brancos).

Eles também aparecem tecnicamente empatados no primeiro turno (26% a 22%).

É a primeira pesquisa que registra tal avanço de Haddad. Ciro Gomes, o terceiro colocado, tem 14%.

De acordo com o levantamento, o neofascista e Haddad aparecem com uma grande taxa de votos sólidos, de quem diz que não pretende trocar de candidato (Bolsonaro 90%, Haddad 84%).

A pesquisa pode ter registrado a migração de votos de Geraldo Alckmin e Marina Silva, que aparecem respectivamente com apenas 6% e 4%.

Um dado curioso: de acordo com o DataPoder, no segundo turno 73% dos votos de Guilherme Boulos (2% na pesquisa) migrariam para Bolsonaro.

Já 72% dos votos do democrata cristão Eymael ficariam com Haddad.

Dos eleitores de Ciro Gomes, 55% apoiariam o petista, 26% Bolsonaro e 19% optariam por votos nulos ou brancos.

Chama a atenção o bom desempenho do neofascista no eleitorado tradicional do ex-presidente Lula: na simulação de segundo turno, ele aparece com 43% dos votos de quem ganha até dois salários mínimos (39% para Haddad) e 47% dos que recebem de dois a cinco salários mínimos (43% para Haddad).

O candidato do PSL endossa a ideia de seu mentor econômico, Paulo Guedes, de fixar uma alíquota única de imposto de renda, o que prejudicaria os mais pobres — Guedes falou em 20%.

Haddad, por sua vez, fala que vai estender a faixa dos isentos para os que recebem até cinco salários mínimos.

Essa diferença de postura, em tese, deve beneficiar Haddad.

Há dúvidas, no entanto, sobre se a eleição de 2018 será travada no campo do debate racional.

Feito o que aconteceu nos Estados Unidos com Donald Trump, Bolsonaro parece ter encarnado o candidato antissistema, no qual alguns eleitores votam para implodir o sistema político.

Como Bolsonaro tem apenas 29% no Nordeste, contra 54% de Haddad, é possível supor que a entrada do candidato do PSL com os mais pobres se dê nas regiões metropolitanas, mais propícias inclusive à disseminação do voto antissistema, pela proximidade geográfica entre os eleitores.

Sobre a pesquisa DataPoder, há de se considerar que foi feita por telefone e com 4.000 entrevistas.

No caso do Datafolha, foram 8.600 entrevistados pessoalmente — em tese, pesquisas assim trazem resultados mais confiáveis.

O perfil os eleitores dos dois principais candidatos em primeiro turno, segundo o mais recente Datafolha (Bolsonaro 28% a 16%), ficou assim:

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Publicação de: Viomundo

Bolsonaro e Haddad podem empatar no segundo turno

Pesquisa DataPoder360 nos dias 19 e 20 de setembro de 2018 (últimas 4ª e 5ª feiras) indica que Jair Bolsonaro (PSL) tem 26% das intenções de voto para presidente. Fernando Haddad (PT) registra 22%.

Trata-se de situação de empate técnico no limite da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa do DataPoder360 é realizada por meio de ligações para telefones celulares e fixos (a metodologia detalhada está no final deste post).

A metodologia não exclui nenhuma classe social. Cerca de 90% dos brasileiros têm acesso a telefone. O sistema faz discagens aleatórias e de maneira parametrizada para atingir comunidades de todas as classes sociais –pois cada telefone está atribuído a 1 CEP e assim é possível atingir áreas de alto, médio e baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

DataPoder360 não pesquisou em seus levantamentos anteriores uma combinação com os atuais 13 candidatos a presidente. Por essa razão, não é possível fazer a curva evolutiva para cada 1 deles.

É possível analisar, entretanto, o Agregador de Pesquisas do Poder360 e ver a curva de todos os candidatos na média das pesquisas de todas as empresas.

CIRO GOMES: FORTE COM 14%

O candidato do PDT mostra resiliência. Vá ou não para o 2º turno, terá relevância no processo até o final.

Em muitas eleições presidenciais brasileiras houve pelo menos 3 candidatos bem posicionados até a reta final do 1º turno. Eis exemplos recentes:

  • 2002 – no 1º turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 46,4%. José Serra (PSDB), 23,2%. Anthony Garotinho (PSB), 17,9%. Ciro Gomes (à época no PPS) ficou em 4º lugar e teve 12% –em 2002 foi a última vez que o cearense disputou o Planalto;
  • 2010 – essa eleição teve 3 candidatos fortes. No 1º turno, Dilma Rousseff (PT) ficou com 47%. O tucano Serra teve 32,6%. E Marina Silva (então no PV) marcou 19,3%;
  • 2014 – novamente 3 nomes competitivos no 1º turno. Dilma marcou 41,6%. Aécio Neves (PSDB) teve 33,6%. Marina Silva (no PSB) ficou em 3º lugar com 21,3%.

Agora, em 2018, a duas semanas do pleito, parece que os 3 nomes fortes já estão definidos pelo eleitorado: Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT).

CERTEZA DO VOTO

Segundo o DataPoder360, já há ¾ dos eleitores que dizem ter certeza do voto. Os outros são os que tendem a votar em branco, nulo ou a não aparecer no dia 7 de outubro. Vai ficando cada vez mais difícil mudar o quadro.

Uma das formas de medir a cristalização do voto é o percentual que cada candidato tem de “votará com certeza”. Essa métrica é apurada pelo DataPoder360 quando se pergunta –depois de aplicar o cenário com os 13 nomes que disputam o Planalto– se o eleitor tem certeza de que vai votar no político escolhido no dia da eleição ou se ainda pode mudar de opinião.

No caso de Bolsonaro a taxa “votará com certeza” entre seus apoiadores é de expressivos 90%. Isso significa que é muito difícil para adversários tirarem votos do capitão do Exército na reserva.

Vale registrar: a pesquisa do DataPoder360 terminou no início da noite de 5ª feira (20.set.2018), quando o tucano Geraldo Alckmin já havia adotado o tom mais forte nos seus comerciais para tentar desconstruir a imagem de Bolsonaro.

O levantamento do DataPoder360 também já captou o noticiário negativo a respeito da recriação da CPMF caso Bolsonaro seja eleito –política que ele negou que vá adotar.

Por enquanto, mesmo sendo alvo de comerciais e noticiário negativos, Bolsonaro parece continuar sólido com seus 26% –sendo que 90% desses eleitores dizem já estar decididos a ir até o fim com o militar.

Só por curiosidade, mas não para comparação, no cenário de 24 a 27 de agosto do DataPoder360, ainda com Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT, Bolsonaro pontuava 21%.

Outro candidato que tem pontuação sólida nesta rodada de agosto do DataPoder360 é Fernando Haddad, com seus 22%. Desses, 84% afirmam que não mudam mais de opinião e vão mesmo votar no candidato petista em 7 de outubro.

Obviamente, o DataPoder360 mede a “certeza do voto” para todos os candidatos a presidente. No caso dos que pontuam muito pouco faz pouca diferença se seus eleitores votam ou não com certeza neles –pois terão pouco impacto no resultado final do pleito.

ALCKMIN E MARINA: FRÁGEIS

Chama muito a atenção o caso de Geraldo Alckmin (PSDB). Ele tem a maior aliança partidária e o maior tempo no horário eleitoral. Ainda assim, o tucano tem só 6% de intenção de voto –e 25% desses eleitores cogitam abandoná-lo antes do 1º turno.

Marina Silva (Rede) pontua só 4%. Ocorre que 30% dos seus atuais seguidores dizem que podem mudar de opinião nas próximas duas semanas.

SIMULAÇÕES DE 2º TURNO

DataPoder360 fez 4 testes de 2º turno. A opção foi simular o 1º colocado (Bolsonaro) contra os outros mais competitivos neste momento.

O militar fica à frente numericamente de Alckmin e de Marina, mas empatado na margem de erro da pesquisa.

Contra Haddad, o placar é de 43% para o petista e 40% para Bolsonaro. Há aí também uma situação de empate estatístico –a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Já Ciro Gomes é o único, de acordo com o DataPoder360 que hoje venceria Bolsonaro num confronto direto de 2º turno: 42% a 36%. Não há empate nesse caso. O pedetista ganharia de maneira clara se a disputa fosse hoje.

VOTOS DOS DERROTADOS NO 2º TURNO

Há 1 cruzamento que é útil para entender quem poderá no 2º turno herdar votos dos candidatos derrotados.

Num hipotético 2º turno entre Bolsonaro e Haddad, o militar herdaria mais votos de Alckmin, Henrique Meirelles (MDB), João Goulart Filho (PPL), Cabo Daciolo (Patri), João Amoêdo (Novo) e Guilherme Boulos (Psol).

Para ficar nos candidatos de campanhas mais estruturadas e com maior pontuação, dos eleitores do tucano Alckmin, 47% dizem que votariam em Bolsonaro no 2º turno e só 19% iriam de Haddad.

No caso de Marina Silva, 30% votam em Haddad e 13% em Bolsonaro.

VOTO POR GÊNERO

Outra tabela a ser considerada é a demografia do voto de Bolsonaro e Haddad quando o DataPoder360 faz a simulação de 2º turno.

Dá-se 1 fenômeno interessante na divisão do voto por gênero.

Num eventual 2º turno entre Haddad e Bolsonaro, o militar deixa de ter a grande assimetria entre eleitores homens e mulheres –suas taxas no segundo turno são 41% e 39%, respectivamente.

Na simulação de 1º turno Bolsonaro tem 32% entre homens e só 21% entre mulheres.

Agora, a divisão do voto para a simulação de 2º turno entre Bolsonaro e Haddad. Vale destacar o voto por região. O militar ganha nesse confronto direto com petista no Sul e no Centro-Oeste, empata no Sudeste e perde no Norte e no Nordeste.

DEMOGRAFIA DO VOTO

Além de investigar o voto dividido por gênero, o DataPoder360 também estuda as variáveis por idade, renda familiar, nível de escolaridade e região.

Quando são considerados os dados da simulação de 1º turno, Bolsonaro se dá melhor entre eleitores de 16 a 24 anos (31%), os de nível superior (40%), os da região Sul (36%) e Centro-Oeste (43%) e os que têm renda familiar de 5 a 10 salários mínimos (51%).

Haddad tem suas melhores pontuações com jovens de 16 a 24 anos (27%), eleitores com nível de escolaridade de nível fundamental (29%), os do Nordeste (32%) e os que não têm renda fixa na família (29%).

Do Poder360.

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Singer: Com 32% dos votos de quem ganha de dois a cinco salários mínimos, Bolsonaro também é o candidato da revolta popular

Wilson Dias/Agência Brasil

Entre a espada e a parede

É preciso combinar a defesa da democracia com a reativação, por baixo, da atividade econômica

 André Singer, na Folha

A 15 dias do primeiro turno das eleições, parece provável que caiba a um dos candidatos do campo popular o comando do polo democrático contra a opção autoritária representada por Jair Bolsonaro (PSL, 28% das intenções de voto) na segunda fase.

Caso a probabilidade se confirme, tanto Fernando Haddad (PT, 16%) quanto Ciro Gomes (PDT, 13%) terão que conjugar duas necessidades antagônicas.

De um lado, a de agregar todos os que rejeitam a volta da ditadura.

De outro, romper com o bloqueio neoliberal quanto à política econômica.

Cabe lembrar que a ascensão do postulante de extrema direita corresponde a dupla determinação.

Estimulada inicialmente pelo antipetismo que eletrizou vastos setores da classe média a partir de 2013, a candidatura radical não chegaria ao ponto alcançado caso a economia andasse bem.

No numeroso segmento de renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos, no qual emprego e renda são os problemas principais, Bolsonaro alcança 34% das intenções de voto (Datafolha, 20/9).

É verdade que convertido a um ultraliberalismo de ocasião, o programa de Bolsonaro levaria ao resultado oposto do pretendido por tais eleitores.

Não obstante, é um voto que passa longe de plataforma.

Trata-se, na verdade, de um protesto contra uma casta (Brasília) que roubaria a sociedade (Brasil), impedindo que haja mais postos de trabalho e melhor remuneração.

Assim, a insatisfação com a economia é o pano de fundo que abarca todo o eleitorado popular.

Em consequência, para que os comandantes da opção democrática levem a embarcação a bom termo, isto é, possam governar, será preciso combinar a defesa da democracia com a reativação, por baixo, da atividade econômica.

Aqui, porém, esbarram em conflitos centrais.

O debate posto no Brasil é semelhante ao que acontece mundo afora.

Como tem se tornado comum depois de 2008, diante das crises, o neoliberalismo em lugar de recuar, se torna mais radical.

Considera ser indispensável aprofundar a austeridade para, supostamente, corrigir problemas causados pela própria austeridade.

Parte dos neoliberais é sinceramente democrática e o seu concurso será relevante para brecar a ascensão dos que flertam com o fascismo à brasileira.

A posição da revista The Economist (Folha, 20/9) contra o bolsonarismo, por exemplo, ajuda a conformar o amplo arco que se levanta em favor das liberdades civis.

Simultaneamente, porém, pressionam, por todos os meios e formas, para que os presidenciáveis populares beijem a cruz da “responsabilidade fiscal”, com o que ficariam imobilizados.

Haverá alguma fresta entre a espada e a parede?

Leia também:

Torcidas do Santos e Corinthians repudiam Bolsonaro

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Publicação de: Viomundo

Ouça o Programa Brasil de Fato – Edição Paraná – 22/09/2018


Rádio

Visita do teórico Noam Chomsky é destaque dessa edição

Redação |
O programa vai ao ar em rádios das cidades de Ponta Grossa, de Paiçandu, Paula Freiras e Paulo Frontin Gabi Lucena

A visita do teórico estadunidense Noam Chomsky é destaque da edição deste sábado do Programa Brasil de Fato Paraná.

Neste programa, você vai conhecer também a Rede Mandala, uma articulação paranaense de empreendimentos de economia solidária do campo e da cidade é destaque da edição desta semana do Programa Brasil de Fato no Paraná. A Rede Mandala envolve cerca de 3 mil pessoas de diferentes cidades do estado, e incentiva outra forma de produção e consumo que respeite as pessoas e o meio ambiente. Quem vai contar mais detalhes dessa experiência é a educadora popular Tatiana Dedini, diretamente dos estúdios do Brasil de Fato.

Também vamos falar como o desemprego e os altos juros afetam e endividam as famílias brasileiras. E nas eleições estaduais, vamos ver como o ataque a candidatos deve ser investigado como crime eleitoral.

No Papo Esportivo, Gabriel Carriconde avalia como o modelo de gestão bem sucedida , do time Operário, de Ponta Grossa, garantiu o acesso à série B do Campeonato Brasileiro.

E tem música e muito mais!

Além de acompanhar pela internet através da rádio Brasil de Fato, você pode acompanhar o programa em:

Ponta Grossa, na Rádio Princesa 87, 9 FM, aos sábados, a partir das 11h

Paulo Frontin, na Rádio Cidade 87,9FM, aos sábados, a partir das 6h20 e 21h

Paula Freiras, na Rádio Paula Freitas 87,9FM, aos sábados, a partir das 11h.

Paiçandu, na Rádio Pioneira 91,3 FM, aos sábados, a partir das 5h30

Ficha Técnica

Apresentação: Gabriel Carriconde e Lucas Botelho | Roteiro: Franciele Petry e Lucas Botelho | Montagem: Lucas Botelho | Apoio: Equipe de jornalismo do Brasil de Fato

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Ouça o Programa Brasil de Fato – Edição Minas Gerais 22/09/2018


Rádio

Mulheres de todo o Brasil vão às ruas no próximo dia 29 contra o fascismo de Bolsonaro

Redação |

Faltam menos de 15 dias para o primeiro turno das eleições de 2018. No próximo dia 7, quase 150 milhões de eleitores vão às urnas para eleger seus candidatos à Presidência e ao governo do estado, e escolher seus senadores, deputados federais e estaduais. Em repúdio a Jair Bolsonaro (PSL), mulheres de todo o país organizam uma manifestação no sábado (29) para denunciar o conservadorismo e o fascismo que o candidato representa. Acontecem ações em, pelo menos, 19 capitais e em 12 cidades mineiras.

Conheça o projeto Mesa de Theresa, que acontece em BH, e serve café da manhã nas ruas da capital. A iniciativa é da artista plástica, pintora e professora da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), que se inspirou em memórias de sua avó que servia café fresquinho a quem visitava sua casa. Theresa chega, monta uma mesa com pães, bolos, biscoitos e coa o café na hora para quem tiver passando no local. Na toalha de mesa, as pessoas bordam impressões e mensagens enquanto compartilham o momento.

Confira também roteiro cultural, notícias do esportes, Amiga da Saúde e, claro, muita música! Sintonize na rádio Brasil de Fato! Todos os sábados, às 11h. 

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Ouça o Programa Brasil de Fato – Edição Pernambuco – 22/09/18


PERNAMBUCO

Dia de luta contra a discriminalização do aborto é destaque nesta edição

Da Redação |
Sintoniza a Rádio Clube 720 AM aos sábados e domingos, às 7h Arte: Brasil de Fato

O programa dessa semana traz uma entrevista com Paula Viana, que é enfermeira e da coordenação colegiada do Grupo Curumin. O tema da conversa foi as pautas em torno do aborto no Brasil, especificamente sobre o dia de luta Latino Americano e Caribenho pela Discriminalização do aborto, que é celebrado no no dia 28 de Setembro. Além disso, nosso repórter Daniel Lamir destaca os temas e as declarações mais importantes da coletiva de imprensa com José Dirceu, que estava no Recife para o lançamento do seu livro “Zé Dirce – Memórias”.

Nesta edição também tem o quadro Mosaico Cultural com todas as informações e vida do escritor chileno Pablo Neruda. Ainda tem a volta do boletim semanal da Rede Lula Livre, que volta a ser veiculado em todos os nossos próximos programas. Esta quadro sempre traz os temas relacionados com o preso político Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso na Polícia Federal de Curitiba.

Tem isso e muito mais. Confere!

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Cimi denuncia: Em evento da ONU, governo tenta mascarar a situação dos povos indígenas no Brasil

Foto: Flávio Vicente Machado, missionário Cimi

Estado brasileiro tenta mascarar real situação dos povos indígenas em evento da ONU

Representantes do governo brasileiro ignoram denúncias de violação de direito à autodeterminação dos povos indígenas isolados e atacam críticos

por Michele Calazans, Ascom Cimi

O Diálogo Interativo em grupo com o Relator Especial sobre os direitos dos povos indígenas e o Mecanismo de Especialistas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP) abordou nessa quarta-feira, dia 19 de setembro, em evento da Organização das Nações Unidas (ONU), na Suíça, a dramática situação vivida no Brasil pelos povos indígenas em situação de isolamento voluntário.

Apesar de os dados apresentados denunciarem a total fragilidade na proteção desses povos, representantes do Estado brasileiro não se pronunciaram sobre o assunto e ainda criticaram as publicações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o trabalho da relatora Especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz.

Em declaração conjunta, o Cimi e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), ressaltaram a necessidade de garantir o direito à autodeterminação dos povos indígenas isolados, pelo respeito à sua livre decisão e ao tipo de relações que desejam estabelecer com outros grupos, bem como na defesa e garantia dos territórios que habitam:

“As notícias sobre o assassinato de pessoas, ou massacres no Vale do Javari e na Terra Yanomami, no Brasil, mostram a grave violência a que estão expostos, mesmo dentro de áreas protegidas”.

O Cimi e a Repam afirmam que as atuais políticas voltadas a esses povos isolados são absolutamente insuficientes para garantir suas vida e seu futuro.

Para as entidades, é essencial redobrar os esforços dos Estados e organizações internacionais para:

*reconhecer oficialmente a existência de povos isolados;

*garantir a proteção territorial e a adoção do princípio da precaução, tanto como obrigações inalienáveis;

*estabelecer mecanismos de cooperação bilateral nos lugares onde os territórios são transfronteiriços;

*estabelecer um diálogo transparente com as comunidades envolvidas, organizações indígenas e sociedade civil.

O Cimi endossou os dados apresentados por Victoria Tauli-Corpuz no relatório em que apontou o Brasil como país mais perigoso para defensores de direitos dos povos indígenas.

O documento afirma que projetos de conservação e adaptação às mudanças climáticas e medidas de mitigação também correm o risco de minar os direitos dos povos indígenas, a menos que eles criem salvaguardas de direitos humanos.

“Os modos de vida e subsistência dos povos indígenas foram considerados ilegais ou incompatíveis com projetos de conservação e mudança climática, levando à proibição de meios tradicionais de subsistência e à prisão, detenção e expulsão forçada de povos indígenas”, completou a relatora especial da ONU.

O Secretário-executivo do Cimi, Cleber César Buzatto, questionou a postura do governo brasileiro e de seus representantes.

Para Buzatto, em vez de somar esforços para responder as denúncias feitas por organizações da sociedade civil junto a instâncias multilaterais de direitos humanos, o Estado brasileiro deveria se preocupar com a situação dos povos indígenas do Brasil, que sofrem intenso e violento ataque de setores vinculados aos interesses do agronegócio.

“O Cimi reitera as denúncias feitas junto ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e exige providências efetivas do governo brasileiro para revogar o Parecer 001/17, da AGU/Temer, destravar os procedimentos de demarcação das terras indígenas e proteger as terras demarcadas contra o ilegal esbulho possessório cada vez mais flagrante país afora”.

A fala conjunta do Cimi e do Repam também reiterou o posicionamento do Papa Francisco ao advertir que a presença de povos isolados “nos lembra que não podemos dispor dos bens comuns ao ritmo da ganância do consumo”, destacando que a defesa da vida desses povos é também a defesa do futuro da Amazônia e de tudo o que representa para a Humanidade e para o Planeta.

A presidente-relatora do Mecanismo de Especialistas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Erika Yamada, apresentou o estudo “Consentimento Livre, Prévio e Informado: Uma abordagem baseada em direitos humanos”, bem como o relatório anual do mecanismo ao Conselho de Direitos Humanos, referente ao período de agosto de 2017 a julho de 2018.

“Nosso estudo destaca a base dos direitos humanos para o Consentimento Livre, Prévio e Informado, amplamente fundamentado no direito à autodeterminação e discriminação racial”.

Segundo Erika Yamada, a falha em levar em conta os próprios modos dos povos indígenas de gerir seus territórios mina o direito de autodeterminação.

“Estamos todos cientes das muitas práticas de Consentimento Livre, Prévio e Informado, que existem nos setores privado e financeiro, nos Estados, dentro da ONU e de suas agências. Os próprios povos indígenas têm seus próprios protocolos sobre consentimento livre, prévio e informado. Este estudo faz uma revisão crítica dessas práticas, encorajando todos os atores a adotar uma interpretação substantiva dos direitos humanos. Tal interpretação evitaria um foco estreito em etapas processuais, em vez de uma participação genuína dos povos indígenas afetados”, esclareceu.

O estudo conclui, explica a presidente-relatora do Mecanismo de Especialistas, com conselhos de medidas que os Estados, povos indígenas e outras partes interessadas podem tomar para implementar o Consentimento Livre, Prévio e Informado.

Esse aconselhamento inclui:

*o estabelecimento de um mecanismo regulador a nível nacional, que deve ser consultado em si;

*o estabelecimento de pré-condições para obter consentimento livre, prévio e informado, como a criação de confiança e métodos de negociação culturalmente apropriados;

* e, principalmente, garantir que o consentimento seja sempre o objetivo das consultas.

A relatora Especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, destacou que, no exercício de seu mandato, observado a escalada preocupante nos ataques, criminalização e ameaças contra os povos indígenas que estão defendendo seus direitos de proteger suas terras, territórios e recursos, decidiu dedicar o relatório temático ao Conselho sobre este assunto.

“Essas violações estão ocorrendo no contexto da competição intensificada e exploração de recursos naturais. Grandes projetos de desenvolvimento estão causando danos irreparáveis ??ao nosso meio ambiente e aos recursos naturais dos quais os povos indígenas dependem para sua sobrevivência”, concluiu.

Veja também:

As propostas de Boulos, Ciro e Haddad para enfrentar os barões da mídia

O post Cimi denuncia: Em evento da ONU, governo tenta mascarar a situação dos povos indígenas no Brasil apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

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