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Depois de sucatear Hospital Universitário, Zago assume saúde estadual de São Paulo


Vices

Dentre os recém-empossados por Márcio França e Bruno Covas, também está réu por improbidade na gestão do Metrô

Julianna Granjeia |
"É uma tragédia anunciada, a nomeação de Zago. Márcio França dá um sinal claro que quer desmontar o que resta da saúde pública de São Paulo" Marcos Santos/ USP Imagens

Márcio França (PSB) e Bruno Covas (PSDB) assumiram os governos do estado e da cidade de São Paulo neste mês de abril mantendo os nomes de confiança e a equipe base de Geraldo Alckmin e João Doria (ambos do PSDB). No governo estadual, a nomeação mais polêmica dentre os novos secretários é a de Marco Antonio Zago, ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP), que assume a Secretaria da Saúde. Na prefeitura, o novo chefe de gabinete de Covas, Sergio Avelleda, é investigado por improbidade administrativa na gestão do Metrô.

Zago é apontado como responsável pelo sucateamento do Hospital Universitário (HU), com demissão de profissionais, fechamento de leitos e o consequente recuo no número de atendimentos à população. Na clínica médica, por exemplo, o número de profissionais atendendo à população passou de 72 em 2013 para 56 em 2017, segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). Na pediatria, a redução de profissionais foi de 45 para 34.

“É uma tragédia anunciada a nomeação de Zago. Márcio França dá um sinal claro que quer desmontar o que resta da saúde pública de São Paulo. Zago assumiu a USP dizendo que a universidade era grande demais e jogou pesado para se livrar do HU. Hoje, 1/4 dos leitos estão bloqueados, tem salas cirúrgicas sem funcionar, os profissionais têm péssimas condições de trabalho. Ele como gestor de saúde é uma catástrofe”, afirmou Gerson Salvador, diretor do Simesp.

Por meio de nota, o Governo estadual afirmou que “tem total confiança na capacidade de gestão do secretário Zago”. “A manutenção do HU junto à USP foi uma solicitação da comunidade acadêmica e das respectivas entidades de classe dos funcionários do hospital e da universidade. Eventuais novos pleitos sobre a unidade poderão ser avaliados pelo novo secretário”, conclui a nota.

Capital

Em acordo com o ex-prefeito João Dória,  Bruno Covas decidiu manter a equipe base da Prefeitura pelo menos até o final deste ano. No entanto, o novo prefeito terá uma maior centralização da gestão.

Um decreto publicado no Diário Oficial no último sábado (14) estabelece que qualquer tipo de decisão estratégica somente poderá ser tomada após autorização do gabinete do prefeito. Na prática, isso retira a autonomia administrativa de secretarias e prefeituras regionais da cidade.

Ex-secretário de Mobilidade e Transportes, Sergio Avelleda agora é o braço-direito do prefeito. Também ex-presidente do Metrô, ele virou réu, nesta semana, em ação de improbidade que envolve o período das gestões dos tucanos José Serra, Alberto Goldman e Geraldo Alckmin. Substitui Wilson Pedroso no posto.

Trocas na Prefeitura 

Secretaria de Mobilidade e Transportes: João Octaviano Machado Neto

Foi presidente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) durante a gestão Dória. Também foi secretário de Obras da gestão de Celso Pitta (1997-2000). Substitui Avelleda.

Companhia de Engenharia de Tráfego (CET): Milton Persoli

Engenheiro e funcionário de carreira da Prefeitura desde 1978. Era secretário adjunto das Pefeituras Regionais. Entra no lugar de João Octaviano.

Secretaria das Prefeituras Regionais: Marcos Penido

Foi secretário de Serviços e Obras na gestão Dória. Também já foi presidente da CDHU (Comissão de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), secretário de Habitação do Governo do Estado, em 2014, durante gestão de Geraldo Alckmin. Substitui Cláudio Carvalho.

Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras: Vitor Aly

Antiga Secretaria de Serviços e Obras. Aly ocupava a presidência da SP Obras. Foi assessor especial de Mário Covas quando governador e assessor especial da presidência da CDHU. Substitui Marcos Penido.

SP Obras: Maurício Brun Bucker

Fundador e diretor da empresa de engenharia Construdata, foi responsável por obras como a Ponte Estaiada, túneis Eusébio Matoso e Cidade Jardim, Autódromo de Interlagos e linhas do Metrô. Já foi chefe de gabinete na Câmara Municipal de São Paulo e trabalhou como assessor da diretoria de Obras da Empresa Municipal de Urbanização da cidade de São Paulo, hoje SP Urbanismo. Entra no lugar de Aly.

Secretaria de Justiça: Rubens Rizek Jr.

Foi secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento de Alckmin. Também foi presidente da Corregedoria Geral da Administração do Estado de São Paulo, secretário de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, presidente do Conselho de Administração da CETESB, presidente do Conselho Consultivo da Fundação Mario Covas e presidente do Conselho Estadual do Meio Ambiente. Substitui Anderson Pomini.

Secretaria da Casa Civil: Eduardo Tuma

O vereador tucano será responsável pela interlocução com o Legislativo e teve apoio do presidente da Câmara, Milton Leite (DEM). Substitui Covas.

Trocas no Estado

Secretaria de Planejamento e Gestão: Maurício Pinto Pereira Juvenal

Jornalista, braço direito do governador há muitos anos, foi era chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. Também responde interinamente pela Casa Civil, no lugar de Samuel Moreira.

Procuradoria-Geral do Estado: Juan Francisco Carpenter

Na PGE desde 1990, era subsecretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Governo e já trabalhou nas procuradorias Fiscal e Administrativa. Entre 2002 e 2006, ocupou o cargo de procurador do Estado assessor junto à Subprocuradoria-Geral da Consultoria Geral. Em 2007, atuou na Assessoria Jurídica do Governo, órgão que chefiou entre 2011 e 2015. Substitui José Renato Ferreira Pires.

Secretaria de Comunicação: Clóvis Rodolpho Carvalho de Vasconcellos

Outro aliado antigo de França. Foi seu assessor de imprensa desde que o governador atuava politicamente em São Vicente. Substitui Carlos Graieb.

Secretaria da Agricultura e Abastecimento: Omar Cassin Neto

Era o chefe de gabinete da secretaria. Assume no lugar de Rubens Naman Rizek Junior.

Secretaria de Logística e Transporte: Mário Mondolfo

Já atuou nas áreas de engenharia de infraestrutura de transporte no Metrô e na Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo). Também foi superintendente de Exploração da Infraestrutura Rodoviária na ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres), diretor de engenharia no DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e gerente na Dersa Desenvolvimento Rodoviário S.A.). Substitui Laurence Casagrande Lourenço.

Secretaria de Cultura: Romildo Campello

Atuava como secretário-adjunto da pasta desde o ano passado. Anteriormente, foi secretário de Turismo e do Verde e Meio Ambiente. Também foi Ouvidor Geral de Mogi das Cruzes.

Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho: Cícero Firmino da Silva, conhecido como Cícero Martinha

Filiado ao Solidariedade, próximo do deputado federal Paulinho da Força,  presidente nacional do partido, que apoiará a reeleição de França. Martinha é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá. Substitui José Luiz Ribeiro.

Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação: Marcos Monteiro

Ocupou diversos cargos públicos, sendo o último o de secretário de Planejamento e Gestão do Estado de São Paulo. Substitui Márcio França, que acumulava o posto com o de vice-governador.

Procuradoria: Gianpaolo Smanio

Mais votado na lista tríplice eleita por promotores e procuradores do Estado, Smanio foi reconduzido ao cargo.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Temer tem declarado guerra aos povos indígenas, afirmam lideranças


Desmontes

Líderes indígenas e especialistas denunciam uma série de retrocessos históricos promovidos pelo governo de Michel Temer

Vinícius Mansur |
Índios guarani-kaiowá protestam em frente ao Palácio do Planalto contra retrocessos nas políticas de demarcação de terras – 17-05-2018 Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

A vida dos povos indígenas sofreu importantes impactos nesses dois anos do governo golpista de Michel Temer. Se mesmo os períodos de maior estabilidade democrática foram marcados por muita resistência dos índios, a longa lista de retrocessos já promovidos pelas forças que levaram e sustentam Temer no poder é interpretada por lideranças indígenas e especialistas como uma verdadeira declaração de guerra contra essa população. 

“A pauta indígena já vinha sendo prejudicada por essa sanha desenvolvimentista que assolou o Brasil nos últimos 15 anos. Com o golpe, essa situação se cristalizou como uma ofensa declarada e uma total declaração de guerra contra o modo de vida dos índios. E os povos indígenas passaram a ficar na linha dos inimigos desse governo. Foram jogados no lugar de inimigos”, analisa o líder indígena Ailton Krenak.

O assessor jurídico da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Luiz Eloy Terena, destaca que o retrocesso no governo Temer é agressivo ao ponto de entregar para a bancada ruralista, que já domina as verbas bilionárias das políticas e órgãos públicos voltados ao agronegócio, o controle da Fundação Nacional do Índio (Funai).  

“Nós estamos vivendo um tempo em que a presidência do órgão indigenista oficial do Estado brasileiro, a quem compete a defesa dos direitos indígenas, é indicada pela bancada ruralista. Então, pra você ter a noção de como isso é grave. Como é que essas ameaças não são mais ameaças, são violações a todo momento que está acontecendo contra os povos indígenas”, criticou.

Retrocessos na Funai

Em fevereiro de 2017, Temer nomeia o ruralista e relator da PEC 215 Osmar Serraglio para comandar o Ministério da Justiça, pasta a qual a Funai é subordinada. Em maio, Serraglio designa o general Franklimberg Freitas como presidente da fundação e, pela primeira vez desde o fim da ditadura militar de 1964 que massacrou diversos povos indígenas, um militar voltou ao comando do órgão. Ironicamente, uma reportagem do Estado de São Paulo revelou que a própria bancada ruralista pediu e conseguiu a exoneração de Freitas essa semana, alegando que a Funai não tem colaborado com o setor.

Em paralelo, a Funai também sofre com a falta de verbas, como mostra o gráfico do Inesc, abaixo. Apesar de o orçamento ter aumentado nos últimos anos, a previsão para 2018 ainda está entre as mais baixas dos últimos 12 anos e é pouco expressiva diante das demandas acumuladas em todo o território nacional. Somente em 2017, a Funai perdeu quase 20% de seu corpo técnico.  

Retrocessos nas demarcações de terras

Todos os processos de demarcação das terras indígenas estão parados desde que Temer assinou o Parecer 001/2017 da Advocacia-Geral da União (AGU), publicado em 20 de julho de 2017. Menos de duas semanas depois, a Câmara dos Deputados votou e livrou Temer de inquérito por corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O movimento indigenista denuncia que a assinatura do Parecer foi uma das barganhas que a bancada ruralista obteve para poupar o presidente da investigação. 

O secretário adjunto do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Gilberto Vieira, explica que o parecer da AGU acolhe toda a formulação jurídica da tese do Marco Temporal que vem sendo defendida pelos ruralistas desde 2009 (quando o STF julgou o caso Raposa Serra do Sol), e que pretende que só sejam demarcadas novas terras indígenas caso estas estejam ocupadas pelos grupos que as reivindicam na data da promulgação da Constituição de 1988. 

“Esse parecer ele praticamente inviabiliza e paralisa todos os processos de demarcação, porque os órgãos públicos da União teriam que seguir esse parecer, que é um parecer inconstitucional segundo a PGR já sinalizou. Ou seja, o parecer pinçou algumas decisões do Supremo. Em algumas decisões mais atuais o Supremo sinaliza para o reconhecimento do direito desses povos”, disse Vieira.

Eloy Terena afirma que o parecer é tão perverso que, ao atingir todas as esferas do governo federal, ele também restringe o direito de defesa dos povos indígenas.

“Quem faz a defesa das terras indígenas no Judiciário é justamente o advogado da União, porque terra indígena é bem da União, ele tem que defender ela, e os procuradores federais, procuradores da Funai, enfim. Com o advento desse parecer, você impede que esses procuradores e AGUs atuem na defesa. Então, o que está acontecendo é que muitas comunidades que tem os seus processos lesados estão tendo uma defesa precária, quando não estão tendo defesa alguma”, criticou.

Retrocessos em terras já demarcadas

Além de paralisar os processos de demarcação em curso, o governo Temer também já cancelou a Terra Indígena (TI) Jaraguá, em São Paulo (SP), cuja portaria declaratória foi publicada em 2015. A medida foi tomada pelo ministro da Justiça Torquato Jardim em agosto de 2017.

Entretanto, as maiores ameaças para as terras já demarcadas tem vindo do assédio do agronegócio, de madeireiras e do garimpo. Esta semana, a liderança indígena Adriano Karipuna foi até Nova Iorque denunciar este processo na 17ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas das Nações Unidas. Adriano afirmou que a TI Karipuna, em Rondônia, vem sendo amplamente loteada e vendida desde 2015. 

Para agravar o quadro, o governo estuda legalizar o arrendamento das terras indígenas. Em novembro do ano passado, o ministro da Justiça disse, em entrevista ao jornalista Josias de Souza, que Temer enviaria uma proposta ao Congresso, fato ainda não consumado. O ministro afirmou que há o “índio-empresário” que aceita a ideia do arrendamento e que a proposta do governo pretende apenas regular o que “já acontece”. O parágrafo 2º do artigo 231 da Constituição brasileira afirma expressamente que as TIs são de usufruto exclusivo dos índios. 

Para o professor de Descolonização do Conhecimento, Sociedade e Ambiente na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Felipe Milanez, o governo Temer contribuiu indiretamente para o aumento da pressão sobre as terras indígenas de duas formas. De um lado, o cheque em branco dado aos ruralistas e a apologia da privatização que impregna a atuação do governo fomentam o assédio do grande capital sobre todos os recursos naturais, alimentando uma expectativa de que, a qualquer momento, poderão estar liberados para o mercado. Por outro lado, a falta de políticas sociais e o desemprego, que características importantes do governo golpista, empurram trabalhadores para zonas de conflito.  

“O aumento da pobreza na Amazônia e em todo o Brasil (com Temer tendo acabado com a reforma agrária e sem nenhum trabalho na construção civil), faz com que todas aquelas pessoas que estavam procurando emprego em grandes obras vão procurar trabalho aonde? Em madeira ilegal, garimpo. Cresceu muito o garimpo ilegal na Amazônia por conta da valorização do ouro e por conta da única oportunidade de trabalho que essa população tem”, explica Milanez.

Os dados sistematizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) demonstram uma escalada, quase ininterrupta, de conflitos envolvendo indígenas a partir de 2010, quando foram registradas 28 ocorrências. Já em 2016 constam 152 conflitos, um salto de mais de 440%. Os dados completos de 2017 ainda não foram divulgados pela entidade. 

Retrocessos culturais

O documentário Ex-Pajé, dirigido por Luiz Bolognesi e premiado este ano no Festival de Berlim, retrata a conversão religiosa de um líder espiritual Suruí em Rondônia, chamando atenção para o processo de catequização indígena que setores evangélicos vem empreendendo no século XXI. Em Brasília, a bancada evangélica, liderada pelo Partido Social Cristão (PSC), também tem demonstrado interesse pelo segmento e conquistado espaço na Funai. Antes do general Freitas, a presidência do órgão pertencia ao pastor Antônio Toninho Costa, indicado pelo partido. 

Segundo Felipe Milanez, durante o governo Temer, o PSC tem emplacado sistematicamente suas indicações para diversos postos na Funai, em uma aliança com os ruralistas que ele considera extremamente perigosa. “Eles negociam quem fica com a alma e quem fica com a terra. Interessa para o ruralista atingir a alma, o espírito dos povos indígenas. O que significa atingir a sensação de pertencimento ao seu povo, a sua existência. Isso fomenta brigas, rachas internos. E isso ajuda a conquistar terras”, resumiu.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Folha vira assessoria de imprensa e faz release laudatório de livro de FHC

A Folha de SP fez uma reportagem recheada de elogios e frases feitas laudatorias sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mais parece assessoria de imprensa.

A matéria tem trechos constrangedores como esse:

“Aos 86, em plena forma, o sociólogo forjado na efervescente Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP dos anos 1950 vai além e delineia a sua plataforma para a reabilitação da política partidária.

Trata-se de ser libertário nos costumes, em temas como a liberalização das drogas e a descriminalização do aborto, radical no combate à desigualdade de oportunidades e compromissado com a eficiência, na economia e no governo, e com a integridade no trato da coisa pública”

 

 

A globalização, ao enfraquecer organizações como o Estado e os partidos e ampliar a autonomia do indivíduo, produziu um hiato entre um sistema representativo fossilizado, de um lado, e as aspirações de uma sociedade dinamizada, do outro.

É preciso reformar o ambiente partidário para reconectá-lo à vida dos cidadãos e reforçar o alicerce da democracia. Assim caminha o argumento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seu novo livro, “Crise e Reinvenção da Política no Brasil”.

Aos 86, em plena forma, o sociólogo forjado na efervescente Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP dos anos 1950 vai além e delineia a sua plataforma para a reabilitação da política partidária.

Trata-se de ser libertário nos costumes, em temas como a liberalização das drogas e a descriminalização do aborto, radical no combate à desigualdade de oportunidades e compromissado com a eficiência, na economia e no governo, e com a integridade no trato da coisa pública.

A reportagem da Folha brinca com o político tucano, em entrevista na sede da Fundação FHC, no centro de São Paulo: “170 anos depois de Engels e Marx, o sr. lança o manifesto do partido efeagacista?”.

Eles queriam transformar o sistema produtivo, retruca. “Eu quero uma coisa mais modesta, melhorar as condições de decisão política no Brasil.”

Para completar o quadro propício ao surgimento do novo partido —ou bloco de poder, como prefere FHC, num fraseado emprestado do ideólogo marxista Antonio Gramsci (1891-1937)—, há também os adversários a combater.

Três deles são identificados ao longo dos oito pequenos artigos, todos inéditos, que compõem o livro.

Em primeiro lugar, FHC rejeita a ideologia do ultramercadismo e do individualismo possessivo. Identifica a emergência de pessoas participantes, preocupadas com seu bem-estar, mas também com temas da coletividade, como as várias desigualdades e as questões ambientais.

Esses cidadãos contemporâneos aderem a valores como decência e mérito e os exigem de seus representantes.

O segundo oponente a enfrentar, segundo FHC, é a “velha esquerda burocrática e estatista”. A ideia de que o Estado, conduzido por um partido iluminado, pode ser o agente transformador do ser humano e da sociedade deveria ser enterrada, segundo se depreende da leitura dos artigos e da crítica dura ao período petista no governo federal.

Entre a direita e a esquerda ultrapassadas, “incorporando elementos de ambos os lados”, atua o corporativismo, o terceiro e mais frequente adversário da plataforma de mudanças esboçada ao longo do livro.

Os partidos brasileiros, disse à Folha, foram capturados pela lógica cartorial do corporativismo. Tornaram-se uma “carta-patente para pegar dinheiro público”. Com isso se distanciaram ainda mais da sociedade em ebulição.

O choque produzido pela Operação Lava Jato, ao expor o tamanho da corrupção no jogo do poder, catalisou essa crise de representação. “Além do mais, é uma coisa pro domo sua [em causa própria]? A sociedade não gosta. E generaliza”, disse o tucano.

A reportagem indagou ao ex-presidente por que os partidos em geral, e o seu PSDB no caso de Aécio Neves, não criaram mecanismos para afastar correligionários envolvidos em escândalos de corrupção.
Negar-lhes legenda parece um meio de cumprir o objetivo, defendido no livro, de reaproximar as agremiações dos anseios dos cidadãos.

“Porque os partidos participaram desse processo, em grau menor ou maior”, respondeu. Fez a ressalva de que no caso da Lava Jato o PSDB foi menos impactado pelo fato de não estar no governo federal no período dos desmandos.

“A matriz cultural brasileira é corporativista”, disse o ex-presidente, enunciando uma ideia forte presente em seu livro. Tão forte que ele chama de intermezzo, em alusão à peça musical de curta duração, o período reformista que vai do governo Itamar Franco (1992) até o fim do primeiro termo de Lula (2006).

As defesas institucionais erguidas nesse intermezzo contra retrocessos estatistas e oligárquicos mostraram-se insuficientes: “Houve uma espécie de vitória ideológica da matriz tradicional brasileira sobre uma nova matriz. Perdemos muito da batalha”.


Segundo Fernando Henrique Cardoso, as consequências políticas da debacle brasileira desta década talvez se revelem ainda mais graves que os efeitos da grande recessão. A economia, diz ele, mostra sinais de retornar aos eixos.


Na política, em contraste, predomina a incerteza profunda. “Quem vai ganhar a eleição? Não sabemos.

Como estamos mudando muito rapidamente, as pessoas têm medo. Essa ideia de que você quer o novo é uma ideia. Mas o novo é o desconhecido.”

Este momento de ultrafragmentação e de crise aguda das forças partidárias, segundo interpreta o ex-presidente, joga nas costas de uma liderança singular a responsabilidade por transmitir essa mensagem ainda desconhecida que poderá galvanizar a sociedade nas eleições de outubro.

Que liderança? Aquela “que for capaz de expressar o que as pessoas sentem, mas ainda não sabem o que é”. Esse enigma nem FHC nem ninguém parece capaz de decifrar.

Com informações da Folha

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Filósofo diz que prisão de Lula o transformou em “mito”

 

Em sua coluna semanal à Radio CBN, o filósofo Mario Sergio Cortella disse que Lula se tornou um “mito” após  discurso histórico no Sindicato dos Metalúrgico do ABC.

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Advogada tem esperança de Esquivel visitar Lula: ” A secretária da 12ª Vara Federal informou errado; juíza não analisou nosso 2º pedido”

Adolfo Pérez Esquivel visita Acampamento Lula Livre nesta quinta-feira (19) em Curitiba. Foto: Ricardo Stuckert

por Conceição Lemes

Tânia Mandarino integra o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD) e dá apoio jurídico no Brasil ao Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel no Brasil.

Há pouco entrevistei-a pelo whatsapp:

— Tem chance ainda de Esquivel visitar o ex-presidente Lula?

— Ainda, há sim.

— Mas a juíza não indeferiu também a visita de Esquivel como amigo? Desde o final da manhã circula a notícia de que a juíza havia indeferido.

— Assim que chegou ao meu conhecimento essa informação, via CartaCapital e Agência Brasil, questionei a secretária da 12ª Vara da Justiça Federal. Após falar com a juíza que estava em audiência, a secretária retornou. Realmente a juíza ainda não havia apreciado o segundo pedido nosso.

— O que aconteceu?

— A secretária da 12ª Vara Federal disse que se enganou, deu informação errada a alguns veículos de comunicação.

— Mas então o que juíza indeferiu hoje?

— A decisão que saiu hoje cedo foi referente aos embargos de declaração que nós interpusemos para sanar a omissão da juíza em relação ao pedido de visita de Esquivel como amigo pessoal do presidente Lula.

Na segunda-feira (16/04) , as advogadas Ivete Caribé da Rocha e Tania Mara Mandarino, protocolaram duas demandas de Esquivel à juíza federal Carolina Lebbos, da 12²ª vara da Justiça Federal de Curitiba (PR)

Na primeira, em caráter de urgência, Esquivel pediu à juíza autorização para visitar o amigo Lula nesta quinta-feira (19/04).

As advogadas esclareceram que Esquivel, depender de mudança de seu voo de retorno a Buenos Aires, poderia ficar em Curitiba até esta sexta, dia 20. Colocaram como alternativa o dia 20, na parte da manhã.

A segunda demanda era um comunicado de inspeção.

Aproveitando a visita a Lula, Esquivel informou que, na condição de Prêmio Nobel da Paz e presidente de Organismo de Tutela Internacional dos Direito Humanos, faria inspeção na sala em que o ex-presidente está encarcerado, assim como nas demais instalações, inclusive aquelas em se encontram custodiados outros presos.

As advogadas lembraram à juíza Carolina Lebbos que a inspeção está fundamentada nas Regras Mínimas das Nações Unidas para o tratamento de presos – Regras de Mandela, regramento editado pelo Conselho Nacional de Justiça.

Ontem, quarta-feira (17/04), a juíza indeferiu o segundo pedido, que é o de inspeção.

— Como ela não se manifestou sobre a visita do Esquivel como amigo, nós interpusemos ontem mesmo embargos de declaração nessa ação, que a juíza indeferiu hoje — reforça Tânia Mandarino.

— Observe que nessa decisão ela justifica que se determinou o retorno aos autos, justamente para análise das questões pendentes — acrescenta.

— Acredita que a juíza vá despachar em tempo hábil para a visita amanhã cedo? 

— Apesar de o despacho poder ocorrer em tempo hábil, a possibilidade de que a prestação jurisdicional chegue com atraso é muito grande.

— Ou seja, não a tempo de a visita ocorrer. E, aí?

— Alguém já disse que justiça tardia não é justiça. De qualquer forma, o importante é que o pedido seja deferido. Caso, ele já tenha ido embora, certamente nos  cotizaremos para  trazê-lo, de novo, da Argentina para a visita. Esquivel certamente encontrará um lugar em sua apertada agenda. Lula vale a luta!

 

 

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Publicação de: Viomundo

Nota do PT sobre empresário ferido diante do instituto Lula

 

A Executiva Municipal do PT de Diadema, reunida na última segunda-feira (16), decidiu publicar a nota abaixo em solidariedade ao  ex-vereador   Maninho:

Nos últimos dias a imprensa escrita, falada e televisada tem se dedicado a uma verdadeira campanha midiática contra o companheiro Maninho, ex-vereador e dirigente do PT Diadema, procurando vincular a imagem do nosso partido à prática da violência e à onda generalizada de ódio político instalada no país.

Diante desta operação orquestrada dos meios de comunicação empresariais apoiadores do golpe e do estado de exceção vigente no Brasil, nosso Partido vem a público manifestar sua solidariedade ao companheiro Maninho e restabelecer a verdade dos fatos ocorridos:

1) O companheiro Maninho reagiu a uma provocação violenta efetuada por um grupo de manifestante de direita em frente à sede do Instituto Lula no exato momento em que era anunciada a arbitrária e injusta decretação da prisão do ex-presidente Lula.

2)  Esta prática dos manifestantes de direita vem sendo incentivada pela mídia, quando de forma sistemática pregam o ódio ao PT e à esquerda, envenenando a “opinião pública”, minimizando ou escondendo a série de ataques sofridos por centenas de lideranças populares nos últimos anos, vários deles resultando em mortes.

3) Não esqueçamos que bombas já foram jogadas no Instituto Lula sem que a imprensa demonstrasse o mesmo furor com que ora atacam o PT. Os ataques sofridos pela caravana do presidente Lula no sul do pais revelam a natureza da escalada fascista em nosso pais, na qual a direita não tem pudor de agredir militantes de esquerda à luz do dia com chicotes e soco inglês, lançar pedradas ferindo gravemente dirigentes petistas e finalmente atirar no ônibus da caravana de Lula.

4) De nossa parte, não pregamos a violência como método de luta política. No caso concreto em questão, o companheiro Maninho reagiu a uma provocação, sem nunca ter tido a intenção de ferir quem quer que fosse, já tendo publicamente, através dos seus defensores, lamentado o desfecho dos acontecimentos. As imagens do episódio são claras ao revelar que, não fosse a fatalidade da passagem aleatória de um caminhão no momento, não teria se consumado o ferimento com a gravidade infelizmente ocorrida.

5) Finalizamos alertando mais uma vez para o perigo da escalada fascista no Brasil. A direita que usa a violência como método de ação política segue impune e intocada pelo aparato policial e judiciário. Passado mais de um mês do assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro, até o presente momento não há nem sombra dos assassinos e seus mandantes.

6) A mesma mídia que acusa, julga sem direito de defesa e condena sumariamente a esquerda, tem um comportamento benevolente, brando e elástico em relação à violência perpetrada pela direita. Dois pesos e duas medidas.

7) Reafirmamos nossa defesa dos métodos democráticos e condenamos a violência como método sistemático de ação política e seguiremos juntos, cada vez mais atentos para a defesa de nossas organizações e militantes contra as ameaças fascistas.

Comissão Executiva do PT Diadema

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Publicação de: Blog da Cidadania

Instituto da Cultura Árabe repudia Ana Amélia: “Difusão do discurso do ódio”

Waldemir Barreto/Agência Senado

Nota de repúdio às declarações da senadora Ana Amélia sobre os árabes

O Instituto da Cultura Árabe repudia veementemente a declaração da senadora Ana Amélia (PP-RS) em sessão do Senado transmitida pela TV que, ao criticar um depoimento da senadora Gleisi Hoffmann sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à rede de televisão Al Jazeera, relacionou a emissora a grupos terroristas.

A Al Jazeera é um dos grupos de comunicação mais respeitados do planeta. Além de praticar um jornalismo que serve de referência, entrevista e promove reportagens com líderes, artistas, intelectuais e ativistas que se identificam com a luta em defesa dos direitos humanos, respeitando a diversidade de opiniões.

Relacionar uma emissora de TV do mundo árabe a grupos terroristas, além de demonstração de desconhecimento em relação aos países árabes, é prática explícita de preconceito racial e islamofobia.

A Constituição brasileira é clara quanto aos delitos de racismo e discriminação e quaisquer formas de sistemas religiosos e profissões de fé. Partindo de uma senadora da República, constitui-se em um constrangimento ainda maior para nossa a sociedade.

O Brasil historicamente é destino de imigrantes de diversas partes do mundo, entre eles, os árabes.

Os imigrantes sempre viram no país um local acolhedor para recomeçarem suas vidas.

Seu legado está presente em todas as áreas do conhecimento e na construção do próprio país.

Temos certeza de que a sociedade brasileira em geral não aceita e não compactua com atos dessa natureza, que incitam crimes de ódio, abrindo-se as portas à barbárie.

O ICArabe, organização autônoma, laica, de caráter científico e cultural, trabalha desde sua concepção para desconstruir esses estereótipos, via promoção e divulgação da rica cultura árabe.

Valorizamos o caminho da harmonia entre as comunidades e entre os povos e o respeito às diferenças. Acreditamos que a integração entre as culturas e o diálogo são essenciais, assim como o respeito aos direitos humanos de todas as pessoas, brasileiras ou não.

O incentivo a práticas preconceituosas, de qualquer natureza, e a difusão do discurso do ódio constituem atos hediondos e instrumentos de fragmentação e de segregação de um povo conhecido em todo mundo por sua união e amabilidade nas relações com todas as etnias de sua constituição.

Diretoria do Instituto da Cultura Árabe

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Marco Aurélio pauta ação que pode tirar Lula da cadeia

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Publicação de: Viomundo

Marco Aurélio pauta ação do PcdoB que pode tirar Lula da cadeia

Carlos Humberto/SCO/STF

Relator inclui na pauta do STF ação do PCdoB sobre segunda instância

do Vermelho

A ação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) contra a prisão em segunda instância foi incluída na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do ministro Marco Aurélio Mello, nesta quinta-feira (19).

A definição de uma data cabe à presidenta da corte, ministra Cármen Lúcia.

Se a ação for aceita, pode resultar na liberdade do ex-presidente Lula.

A ação, assinada pelos advogados Celso Antonio Bandeira de Mello, Weida Zancaner e Geraldo Prado, pede que seja concedida medida cautelar a fim de impedir e tornar sem efeito qualquer decisão que resulte em execução provisória de pena privativa de liberdade antes da existência de decisão condenatória transitada em julgado.

O PCdoB entrou com a ação no Supremo na última quarta-feira (18).

A presidenta da legenda, Luciana Santos, disse que espera, com a ação, que o STF garanta e respeite à Carta Magna. “Esperamos garantir a defesa da Constituição brasileira e que se respeite o devido processo legal e o Estado Democrático de Direito. Nós estamos vivendo uma anomalia”, justificou.

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Publicação de: Viomundo

“Temer não está assinando nenhuma demarcação indígena”, denuncia documentarista


Dia do Índio

Ex-Pajé estreou nesta semana no festival É Tudo Verdade, e vai ao circuito comercial no próximo dia 26

Júlia Dolce |
Cena do documentário Ex-Pajé, que conta a história de Perpara, indígena do povo Paiter Suruí, e seus conflitos religiosos Divulgação

Nesta quinta-feira (19), data em que se celebra o Dia do Índio no país, ocorre o lançamento do documentário Ex-Pajé, do diretor Luiz Bolognesi, no festival “É Tudo Verdade”, em São Paulo. O filme retrata a expansão religiosa da Igreja Evangélica entre os povos indígenas, com foco no povo Paiter Suruí, que vive em territórios entre os estados de Rondônia e Mato Grosso.

Selecionado para o Festival de Cinema de Berlim, que aconteceu em fevereiro deste ano, o filme ganhou grande repercussão nacional e internacional. A obra questiona o tema da intolerância religiosa e do etnocídio, a partir da história de Perpera, um pajé que passou a viver grandes conflitos internos depois de ter tido contato com pastores evangélicos que demonizaram os saberes indígenas.

O Brasil de Fato conversou com Luiz Bolognesi, que já escreveu o roteiro e dirigiu outras obras com a temática indígena, como o documentário Terra Vermelha, sobre o massacre sofrido pelo povo Guarani Kaiowá, e o premiado desenho animado “Uma História de Amor e Fúria”, que conta a história do Brasil a partir do ponto de vista de um índio Tupinamba imortal.

O diretor destacou que a atual conjuntura política brasileira representa uma ameaça cada vez maior aos indígenas.

“A bancada agro querendo mais terra, e a Igreja Evangélica querendo mais almas. Há uma associação terrível de destruição da cultura indígena, na tentativa de aprovar leis que vão contra a demarcação de terras. Temer não tem assinado nenhuma nova terra indígena, está com vários processos parados em sua mesa, sendo que era uma tradição dos governos anteriores assinar demarcações na semana do Dia do Índio”, afirmou.

Na próxima semana, o documentário Ex-Pajé será exibido no Acampamento Terra Livre, grande manifestação que ocorrerá em Brasília, organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). O filme estreia no final do mês em salas de cinema por todo o país.

Confira a entrevista completa:

Brasil de Fato – O você destaca do aprendizado que teve por meio do contato com os povos indígenas na produção do documentário?

Luiz Bolognesi – Teve alguns aspectos positivos e, evidentemente, um aspecto negativo que está muito registado no filme. Eu passei um mês convivendo com os Paiter Suruí no território indígena, e a gente tem muito a aprender com eles, da maneira como eles vivem, por meio de uma economia absolutamente ecológica, preservando a floresta, sobrevivendo com as hortas e colheita, toda uma maneira de viver muito harmônica. Os rios deles estão vivos, eles pescam, e isso não existem nas nossas cidades. É uma maneira muito interessante de viver sem o excesso de consumo, algo que precisamos aprender.

Outra coisa muito interessante é como eles se relacionam com o tempo, nós sempre estamos correndo atrás do relógio, atrasados, e no final do dia temos uma sensação de culpa por não dar conta de tudo o que tinha que fazer. Estamos sempre frustrados em relação ao tempo, e eles tem uma relação em que eles são senhores do tempo, enquanto nós somos escravos do tempo. Eles tem rituais de convívio muito tranquilos em relação ao tempo. Um exemplo disso é que eu via todos os dias, antes de trabalhar, a matriarca da aldeia, mãe de muitos filhos, fazendo um longo café da manhã, de quase uma hora, conversando, trocando ideia, dando risada, e depois de um bom tempo eles saíam para trabalhar. Esse modo de lidar com o tempo produz uma sociedade muito menos estressada. Então acho que nesse “Dia do Índio”, uma reflexão importante é que nossa civilização precisa aprender com as civilizações que existiam aqui antes dos europeus chegarem. São centenas de povos, herdeiros de culturas milenares, que têm muita ciência. 

Já o lado negativo e frustrante são as questões de aculturação que eles vivem. Hoje a principal ameaça à eles são as Igrejas Evangélicas, que estão entrando nas aldeias, que levam algumas coisas positivas à eles, mas, sobretudo, impõem a fé religiosa e Jesus, demonizando e perseguindo os pajés, dizendo que tudo o que eles fazem é coisa do diabo. Que eles não podem mais tocar as flautas, fazer as rezas, fazer as festividades, destituindo deles um poder que passa de um por outro há mais de quatro mil anos. Isso gera um processo de destruição da cultura, porque o pajé é o centro da cultura indígena, não apenas o sacerdote mas um grande cientista, o cara que conhece as plantas, conta as histórias e os mitos para as crianças. Quando você destrói esse grande centro de saber e religiosidade, a cultura como um todo começa a desaparecer. Acho que isso foi o grande aprendizado que eu tive desse processo, e o filme reflete tudo isso, do ponto de vista de um ex-pajé, que na verdade nunca deixou de ser pajé, que se chama Perpera. O filme acompanha o sofrimento dele nesse processo violento de guerra psicológica e destruição do seu conhecimento, e proibição de ele agir como pajé. 

Você acredita que na atual conjuntura política, e também com as Bancadas Evangélica e Ruralista, essa destruição da cultura indígena está mais eminente? 

Sim, a gente tem uma atitude da Bancada Evangélica e da Bancada do Agro muito violenta. O agro, querendo a terra, aumentar sua fronteira de plantação e seus ganhos, e a Igreja Evangélica querendo mais almas. Há uma associação terrível de destituição da cultura indígena e da tentativa de aprovar leis que vão contra a demarcação de terras indígenas. O Michel Temer não tem assinado nenhuma nova terra indígena, tem vários processos na mesa dele e na do Ministro da Justiça. Era uma tradição que vinha desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, e de Lula e Dilma Rousseff, e agora nesse governo não está se assinando nada, a não ser uma série de medidas tramitando no Congresso para substituir os direitos dos povos indígenas. Por isso que semana que vem esses povos farão um grande acampamento em Brasília, o acampamento Terra Livre, para lutar pelos seus direitos, solicitar as demarcações. Aumentou também a violência no campo contra indígenas, mas, por outro lado, há também um fortalecimento do processo de resistência. Hoje as lideranças indígenas estão muito organizadas, eles se chamam de parentes e estão organizados para lutar pela sobrevivência de sua cultura, para que não seja varrida, e de seus próprios corpos.

Como tem sido a recepção do documentário?

O filme foi selecionado para o Festival de Berlim, o que para nós é uma surpresa muito grande, porque é um selo de qualidade incrível emprestado ao filme. Lá tivemos quatro sessões com salas lotadas, muitas matérias em jornais europeus, criticas muito boas. Lemos um manifesto feito pelas lideranças indígenas e pelos pajés conta a intolerância religiosa lá em Berlim. Isso teve uma repercussão muito grande na mídia internacional e nacional. Ou seja, o filme conseguiu dar muita visibilidade para essa voz, esse manifesto, esse lugar de fala das lideranças indígenas. Então a repercussão internacional foi muito boa, e no Brasil está começando agora, com uma sessão que fizemos ontem no Rio de Janeiro, e hoje tivemos duas sessões em São Paulo. No dia 26 de abril o filme entra em cartaz. Também fizemos uma sessão na própria aldeia, que foi muito forte, e também tinha um clima de certo constrangimento, porque como eles se tornaram quase todos evangélicos, os pastores viraram o olhar deles contra o filme. Mas eles viram o filme, lotaram a sessão, e tivemos um debate muito rico. Eles terminaram dizendo que gostaram muito do filme e que não viram nenhum ato contra a Igreja Evangélica e contra os pastores. De fato, o filme não tem essa pegada, ele não poderia falar de intolerância religiosa e ser intolerante. Mas foi uma questão bastante delicada. Daqui a pouco liberaremos os filmes para serem passados nas aldeia, e na semana que vem exibiremos o filme no Acampamento Terra Livre para as próprias lideranças indígenas. Será muito rico, eu estou super ansioso por isso.

Qual a importância da cultura para a divulgação dos saberes indígenas?

A meta do meu trabalho é traduzir e expressar os pensamentos e angústias dos povos indígenas hoje, mas eles são capazes, e sempre foram, de se expressar nas nossas ferramentas. Temos muitos índios escritores, temos índios cineastas, índios fazendo hip hop, funk. Então eles são capazes de ser autores de sua própria voz, e estão lutando e conquistando esse espaço. Eles têm competência para isso e acho muito importante que sejam autores de suas próprias obras.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

STF criminaliza a política ao aceitar denúncia contra Aécio, diz jurista


Justiça

Marco Aurélio de Carvalho, da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, denuncia ilegalidades da Lava Jato

Redação |
O senador Aécio Neves é réu em processo penal por corrupção e obstrução de Justiça Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, nesta terça-feira (17), denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral de República (PGR) contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). No âmbito da Operação Lava Jato, o senador foi acusado pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça. Para juristas, entretanto, a aceitação dessa segunda denúncia constitui uma criminalização da atividade parlamentar de Aécio.

É o que afirmou Marco Aurélio de Carvalho, advogado integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), em entrevista ao Brasil de Fato. O jurista considera que ação faz parte de uma série de arbitrariedades que a Lava Jato vem cometendo ao longo dos últimos anos e que vêm sendo denunciadas pela ABJD.

“O que queremos, sem mais nem menos, é que a justiça seja aplicada para todos. Então esquecendo que é o Aécio, ele, em nenhum momento, poderia ter sido acusado de obstrução de justiça por exercício regular de atividade parlamentar”, afirmou.

Carvalho destaca também que o processo contra Aécio tem sido utilizado para passar uma imagem de suposta neutralidade da Operação, que é acusada de perseguir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso no último dia 7 de abril.

“Estão querendo legitimar a justiça penal do inimigo, aplicada contra o Lula, para adversários políticos de Lula, exatamente para passar a impressão para os leigos que estamos diante de um processo penal isento. Isso é um equívoco muito grande. Então é uma estratégia para legitimar as ações de exceções que estão sendo feitas contra grupos de esquerda em especial. Temos que lembrar que Aécio é um tucano que já está fora do ninho, ninguém quer estar perto dele”, disse.

Confira a entrevista completa: 

Brasil de Fato – Como o processo de Aécio Neves também serve para ilustrar as arbitrariedades cometidas pela Operação Lava Jato?

Marco Aurélio de Carvalho – Vamos esquecer que é o Aécio, porque não podemos fazer com os outros o que não queremos que seja feito com a gente. A justiça não pode eventualmente tirar a venda dos olhos para espiar quem é o réu. Defendemos uma justiça com parâmetros e que traga segurança jurídica para todos. Então o que vale para Aécio, é o que vale para Lula, para mim e para você, ou pelo menos é o que deveria valer. O fato de ele ter feito a disputa política bastante fervorosa e ardente que fez conosco, não pode em hipótese nenhuma nos cegar em uma visão equivocada.

O que queremos, sem mais nem menos, é que a justiça seja aplicada para todos. O tucano, em nenhum momento, poderia ter sido acusado de obstrução de justiça por exercício regular de atividade parlamentar. Ele foi eleito pelo povo de Minas Gerais. Uma eleição não questionada, e recebeu mandato parlamentar. Então ele tem funções típicas e atípicas, as funções típicas de um parlamentar são as legislativas, e as atípicas são a de fiscalização, que têm relação direta com o tipo de atividade que ele pode exercer em relação ao Tribunal de Contas, ao próprio governo, etc. Isso está previsto na própria Constituição Federal, a partir do momento que ele recebe mandato parlamentar, ele tem mais é que legislar.

Então, a denúncia recebida por obstrução de justiça, porque ele voltou contra algumas medidas que estavam no Pacote das 10 Medidas Contra a Corrupção, é no mínimo reprovável. Sim, ele alimentou esse ódio do qual ele é vítima, e é um dos principais responsáveis pelo que acontece com ele. Mas em nenhuma situação do tipo qualquer parlamentar poderia ser criminalizado.Foi u m equívoco muito grande do tribunal, eles criminalizaram a política. Isso foi um alerta feito inclusive pelo advogado que representa Aécio, Alberto Zacharias Toron. Pelo menos nesse aspecto, a denúncia não deveria ter sido recebida.

Quais outras exceções jurídicas, além da criminalização da política, podemos observar nesse caso?

O Ministro Luís Roberto Barroso, que é julgador do caso, falou fora dos autos. Em nenhum país do mundo um juiz que vai julgar um caso pode fazer isso. Ele deu entrevista para a Globo citando o caso Aécio, dizendo que tinha provas fartas. Isso é muito grave. Além do recebimento da denúncia, a própria forma como as delações foram feitas, a armadilha a qual o Aécio foi submetido, independentemente de ser quem é, é algo que precisa ser pensada. Isso no Direito não é bom para ninguém. Ele sofreu teste de integridade. Independentemente de ter cometido o delito que cometeu, ele foi vítima de uma armação.

A própria questão da corrupção ali, a contrapartida que ele recebeu, não está muito definida também. Então não posso deixar de achar que é um equívoco jurídico. Mesmo a decisão de suspensão do exercício do mandato dele foi um equívoco de graves proporções, uma afronta ao próprio Senado. Mas fica claro que a justiça hoje está sendo aplicada com seletividade, e que como ficou chato agora que prenderam o Lula, eles tem que justificar esse processo. Mas lembrando que apenas receberam a denúncia do Aécio, o processo ainda não acabou, pode ser que na hora da condenação o liberem.

Acha que o processo de Aécio está sendo utilizado para passar a imagem de neutralidade da Lava Jato?

Isso tem paralelo com tudo o que está acontecendo no país. Porque cria-se a ideia de que a lei é para todos. Estão querendo legitimar a justiça penal do inimigo, aplicada contra o Lula, para adversários políticos de Lula, exatamente para passar a impressão para os leigos que estamos diante de um processo penal isento. Isso é um equívoco muito grande. Então é uma estratégia para legitimar as ações de exceções que estão sendo feitas contra grupos de esquerda em especial. Lembrando que o Aécio é um tucano que já está fora do ninho, é um tipo de tucano radioativo, então ninguém quer estar perto dele, por isso que não salvaram. O caso do Alckmin, por exemplo, foi levado para a Justiça Eleitoral.

Qual a lógica então de levarem o caso de Vaccari, a mesma situação, para a Justiça Criminal? Não há lógica que sustente. Nós estamos vivendo um momento muito delicado no país, um avanço do estado de exceção, que culminou no golpe constitucional que a gente sofreu. Hoje vivemos uma nova conformação no mundo, os golpes vêm sendo dados sem o uso da força, até porque não seria aceito o aparato militar para atingir resultado, então para buscar legitimidade, eles interpretam a lei do jeito que querem, de forma circunstancial, com objetivo eleitoral, e dá aspecto de legitimidade. O Lula foi condenado por um processo que jamais poderia levar ninguém a condenação, mas trouxe uma sentença penal condenatória executada provisoriamente. Por ter sido confirmado por juízes passa a ideia de legitimidade.

Você acredita que o próprio PSDB se beneficia desse processo?

Você cria, na verdade, uma separação. Alguns são cidadãos de segunda classe. O Aécio vai para a câmara de gás, e os tucanos, chamados santos, estão acima de tudo a qualquer dúvida, e o programa deles é memória eleitoral. Tanto a justiça sabe disso que pegou o Aécio, candidato à presidência. Para o próprio PSDB isso traz dividendos eleitorais, pois o Aécio não é uma pessoa próxima ao Alckmin, ainda tinha um grupo de apoio que perdeu. Isso traz facilidade para o Alckmin, porque elimina o adversário interno, e cria na opinião pública a ideia de que o PSDB não está acima da lei, mas que os que fizeram coisas erradas já foram punidos.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

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