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Senadora do PSL viaja e coloca Bonner, Reinaldo e Merval no Partido Nazista

Reprodução

Da Redação

A senadora do PSL Soraya Thronicke, de Mato Grosso do Sul, fez ampla viagem na maionese ao acusar como nazistas os jornalistas William Bonner, Eliane Cantanhêde, Renata Vasconcellos, Cristiana Lôbo, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Gerson Camarotti e Miriam Leitão.

A senadora fez isso ao reproduzir tweet do presidente Jair Bolsonaro acusando o comentarista Merval Pereira, porta-voz da família Marinho:

— Você contrataria alguém para palestrar em sua empresa pagando R$ 375.000,00?
— Acredito que não? Mas se contratar o dinheiro é seu e ninguém tem nada a ver com isso, tá ok?
— Mas, o jornalista Merval Pereira, colunista do Jornal O Globo, em 24/março/2016, pela empresa MPF Produções e Eventos, recebeu do SENAC/RJ, R$ 375.000,00 por uma palestra.

É fato que Merval recebeu R$ 375 mil do SENAC do Rio de Janeiro, como revelou o Intercept Brasil.

Não foi por uma, mas por várias palestras.

Críticas de Merval à Vaza Jato foram rebatidas pelo editor Leandro Demori:

“Questão de interpretação. Na minha interpretação, por exemplo, Merval não é jornalista e esse texto poderia ser uma nota oficial publicada no site do MPF de Curitiba”, escreveu Demori, sobre um texto em que o porta-voz dos Marinho dizia que tudo se tratava de uma “questão de interpretação”.

Famosamente, Merval também criticou o livro Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., que trata essencialmente da corrupção do senador José Serra e do PSDB.

As revelações de Amaury, ainda que indiretamente, foram comprovadas amplamente por investigações posteriores do tucano.

Em comentário na rádio CBN, Merval Pereira disse recentemente que “Bolsonaro está começando a dar sinais de que está governando em benefício próprio”.

“Evidentemente ele está colocando o Moro em uma situação difícil. Tudo indica que ele vai continuar assim porque ele quer controlar os órgãos de investigação para proteger a família dele”, afirmou Merval.

A Globo é a grande defensora de Sérgio Moro e da Lava Jato.

A neta preferida de Roberto Marinho, Paula, teve seu nome mencionado em documentos apreendidos pela Operação Lava Jato na sede da empresa Mossack & Fonseca, na avenida Paulista, em São Paulo.

A empresa promovia um laranjal global, permitindo sonegação de impostos e trânsito de dinheiro sem origem determinada.

Paula, segundo os documentos, pagou de sua conta bancária durante alguns meses as despesas de manutenção de empresas de fachada baseadas em refúgios fiscais, como Nevada (EUA), Panamá e Ilhas Seychelles.

A Lava Jato nunca avançou nestas investigações.

Paula e o agora ex-marido controlaram durante anos a concessão, feita sem concorrência pública, do clube de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas.

O casal também construiu uma luxuosa mansão à beira mar em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, enrolada em questões ambientais.

Por ausência de investigação, não foi possível descobrir até agora se Paula ajudava o marido a sonegar impostos ou fazia parte de um esquema mais amplo, do Grupo Globo ou da família Marinho, para movimentar dinheiro entre refúgios fiscais.

Publicação de: Viomundo

Bolsonaro e os indígenas: uma visão do século 19

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Publicação de: Viomundo

G7: Macron pede mobilização de potências contra incêndios na Amazônia

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O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu neste sábado (24) a “mobilização de todas as potências” para ajudar o Brasil e os demais países afetados pelos incêndios na Amazônia. Ele também defendeu o reflorestamento das regiões atingidas.

“A Amazônia é nosso bem comum. Estamos todos envolvidos, e a França está provavelmente mais do que outros que estarão nessa mesa [do G7], porque nós somos amazonenses. A Guiana Francesa está na Amazônia”, afirmou Macron em pronunciamento em cadeia nacional para lançar o início da cúpula do G7, que acontece na cidade francesa de Biarritz.

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“Vamos lançar uma mobilização de todas as potências que estão aqui, em parceria com os países da Amazônia, para investir na luta contra os incêndios que estão em curso e ajudar o Brasil e todos os outros países que são atingidos. Depois, investir no reflorestamento e permitir aos povos autóctones, às ONGs, aos habitantes desenvolverem atividades preservando a floresta, que nós precisamos”, explicou o francês.

Mais cedo, Paris havia indicado a intenção de chegar a um consenso no G7 sobre uma ajuda financeira para esses dois objetivos. Em seu discurso neste sábado, Macron adotou um tom mais ameno do que na véspera, quando disse que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, “mentiu” sobre os compromissos em relação à preservação ambiental, assumidos durante a reunião do G20, em junho.

Com informações da RFI.

Publicação de: Blog do Esmael

Haddad: “A injustiça é como uma bala perdida que fere a alma”

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Em sua coluna semanal no jornal Folha de S. Paulo, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), explica porque a sua condenação pela Justiça Eleitoral é mais um triste exemplo de perseguição política no Brasil.

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Confira a íntegra do artigo de Haddad:

Em 2015, fui alvo de delação premiada. Fui acusado de ter uma dívida de serviços gráficos não declarada à Justiça Eleitoral quitada por uma empreiteira com recursos de caixa dois. O assunto foi, por três anos, exaustivamente debatido pela imprensa. Em 2018, fui denunciado. Escrevi um artigo nesta Folha, “Questão de honra” (16/5/2018), narrando todos os fatos que seriam demonstrados no curso do processo que levariam à minha absolvição.

No artigo, tratei da decisão tomada no início da minha administração, quando suspendi contrato de construção do túnel Roberto Marinho, por suspeita de superfaturamento, semanas antes do pagamento feito à gráfica, decisão que contrariava os interesses do delator. Tratei também do depoimento do dono da gráfica de que os serviços pagos pela empreiteira tinham sido encomendados pelo Diretório Estadual do PT e não estavam relacionados à minha campanha, para a qual os pequenos serviços prestados haviam sido declarados e pagos com recursos regularmente arrecadados.

Estes fatos foram corroborados por depoimentos de secretários municipais, de funcionários da gráfica e de dirigentes do próprio partido que, de forma determinada, confirmaram a origem da encomenda dos serviços gráficos. Provei que o delator estava mentindo, mas o juiz, para minha perplexidade, me condenou por algo que sequer fui acusado.

No que me diz respeito, depois de afastar a hipótese de corrupção, improbidade ou qualquer crime doloso, o juiz, contrariando todos os depoimentos, entendeu que nenhum serviço gráfico havia sido prestado, nem para o diretório estadual (não declarados) nem para a minha campanha (declarados), tomando como base a evolução da conta de energia elétrica da gráfica.

Mesmo sendo réu primário, fixou a pena em quatro anos e meio de prisão, quando o limite máximo é de cinco anos, pelo simples “desinteresse” em checar notas correspondentes a 0,5% das despesas da minha campanha. Vejam que a acusação de receber vultosos recursos de caixa dois para pagar serviços gráficos não declarados —hipótese afastada pelo juiz— se transformou, em função de um frágil elemento de convicção, em condenação por pequenos serviços declarados e supostamente não realizados, pagos com recursos lícitos.

Uma inversão, no mínimo, extravagante: pagar notas frias com dinheiro quente. Um trabalho bem-sucedido de quatro anos para desmentir o delator caiu por terra por teoria estranha à própria linha de argumentação da promotoria, inclusive nas alegações finais.

A injustiça é como uma bala perdida que fere a alma. Não me impedirá de caminhar ereto e lutar pela verdade.

Fernando Haddad é professor universitário, ex-ministro da Educação (Lula e Dilma) e ex-prefeito de São Paulo

Publicação de: Blog do Esmael

Atos pela Amazônia e contra política ambiental de Bolsonaro se espalham pelo país


Mobilização

Mobilização que começou nas redes sociais reúne milhares de pessoas em diversas cidades do Brasil e do mundo

Redação* |
Manifestantes com cartazes durante ato em São Paulo (SP) Paulo Pinto/ Fotos Públicas

Manifestantes ocupam as ruas de diversas cidades do Brasil e também de outros países desde sexta-feira (23) em protestos contra as queimadas na Floresta Amazônica e a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro.

As mobilizações foram organizadas pelas redes sociais após a repercussão internacional sobre os incêndios que devastam a maior floresta tropical do mundo há semanas. Nos últimos dias, líderes políticos e personalidades artísticas manifestaram indignação diante do cenário de destruição observado na região.

Na capital paulista, a concentração para o ato começou por volta das 18h da tarde de sexta-feira no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Com faixas e cartazes, os manifestantes criticaram as recentes declarações de Bolsonaro sobre o tema e também pediram a saída do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A professora Beatriz Silva atribuiu a situação à complacência do governo com as ações criminosas na floresta, lideradas principalmente por setores ligados ao agronegócio.

“O papel do governo Bolsonaro em tudo isso não é apenas se omitir, porque muitos governos se omitiram na questão da Amazônia até hoje, mas é compactuar e trabalhar em conjunto, de mãos dadas, com ruralistas e com a bancada pecuarista, que neste momento é a grande responsável por essa destruição na Amazônia”, afirmou.

Um dos principais alvos dos ataques de Bolsonaro, Organizações Não Governamentais (ONGs) ligadas a causas ambientais também participaram dos atos. Sem apresentar qualquer prova, o presidente disse, na última quarta-feira (21), que entidades de proteção ao meio ambiente podem estar envolvidas nos incêndios ilegais.

Para Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica, a mobilização é uma resposta da população ao descontentamento com os desmontes promovidos na política ambiental.

“O brasileiro não quer isso. Sem floresta a gente não tem água, não tem saúde, não tem vida”, acrescentou.

A fumaça dos incêndios ocorridos nas regiões Norte e Centro-Oeste ultrapassou limites geográficos e chegou a São Paulo na última segunda-feira (19), fazendo o céu de cidades paulistas escurecer no meio da tarde. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) confirmaram a associação do fenômeno às queimadas.

O episódio, segundo a professora Isadora Rocha, serviu para “acordar” a população para a questão ambiental.

“O culpado por esse incêndio é o Bolsonaro, é o agronegócio, é o consumo exacerbado da da sociedade capitalista. Infelizmente, o Brasil despertou muito tarde, precisou de uma massa cinzenta parar sobre São Paulo para que as pessoas aqui parassem as coisas, para que elas fizessem um ato”, disse.

Bolsonaro também foi alvo de um panelaço na noite de sexta-feira durante pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão sobre os incêndios na Amazônia.

Neste sábado (24), o presidente voltou a falar sobre o assunto. Novamente com informações que divergem de estatísticas oficiais, ele afirmou que “a média das queimadas está abaixo dos últimos anos e está indo para a normalidade esta questão”.

Dados divulgados recentemente pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), elaborados a partir de imagens de satélite, apontam que o Brasil já registra um aumento de 83% nos focos de incêndio em relação ao ano passado. O período contemplado é do início de janeiro até o dia 19 deste mês.

Novos atos em defesa da Amazônia e contra a política ambiental do governo Bolsonaro estão programados para este domingo (25) em municípios do Brasil e do mundo. Confira aqui a lista com os locais das manifestações.

(*) Com informações de Pedro Stropasolas

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Erika Berenguer: Incêndios na floresta amazônica não ocorrem de maneira natural; é preciso que alguém taque o fogo

Erika Berenguer: É preciso entender que a Amazônia não é um bando de árvore juntas, mas sim nosso maior bem. Sem a Amazônia não há chuva no resto do país, comprometendo seriamente comprometendo nossa produção agrícola e nossa geração de energia. Foto publicada no perfil da pesquisadora

Erika Berenguer*, em perfil de rede social, sugestão de Beto Mafra

Há 12 anos eu trabalho na Amazônia e há 10 pesquiso sobre os impactos do fogo na maior floresta tropical do mundo.

Meu doutorado e meu pós-doutorado foram com isso e já vi a floresta queimando sob os meus pés mais vezes do que gostaria de lembrar.

Me sinto então na obrigação de trazer alguns esclarecimentos enquanto cientista e enquanto brasileira, já que pra maioria das pessoas a realidade amazônica é tão distante:

Primeiro, e mais importante, é que incêndios na floresta amazônica não ocorrem de maneira natural – eles precisam de uma fonte de ignição antrópica ou, em outras palavras, que alguém taque o fogo.

Ao contrário de outros ecossistemas, como o Cerrado, a Amazônia NÃO evoluiu com o fogo e esse NÃO faz parte de sua dinâmica. Isso significa que quando a Amazônia pega fogo, uma parte imensa de suas árvores morrem, porque elas não têm nenhum tipo de proteção ao fogo.

Ao morrerem, essas árvores então se decompõem liberando para a atmosfera todo o carbono que elas armazenavam, contribuindo assim pras mudanças climáticas.

O problema nisso é que a Amazônia armazena carbono pra caramba nas suas árvores, a floresta inteira estoca o equivalente a 100 anos de emissões de CO2 dos EUA, então queimar a floresta significa colocar muito CO2 de volta na atmosfera.

Os incêndios, que são necessariamente causados pelo homem, são de 2 tipos: aquele usado pra limpar o roçado e o usado pra desmatar uma área; o que estamos vendo é do segundo tipo.

Para desmatar a floresta, primeiro corta-se ela, normalmente com o que é chamado de correntão – dois tratores interligados por uma imensa corrente, assim com os tratores andando, a corrente entre eles vai levando a floresta ao chão.

A floresta derrubada fica um tempo no chão secando, geralmente meses a dentro da estação seca, pois só assim a vegetação perde umidade suficiente pra ser possível colocar fogo nela, fazendo toda aquela vegetação desaparecer, e sendo então possível de plantar capim.

Os grandes incêndios que estamos vendo agora e que fizeram o céu de São Paulo escurecer representam então esse último passo na dinâmica do desmatamento – transformar em cinzas a floresta tombada.

Além da perda de carbono e de biodiversidade causadas pelo desmatamento em si, existe também uma perda mais invisível – aquela que ocorre nas florestas queimadas.

O fogo do desmatamento pode escapar para áreas não desmatadas e caso esteja seco o suficiente, queimar também a floresta em pé.

Uma floresta que então passa a estocar 40% a menos de carbono do que anteriormente ela armazenada e, de novo, carbono esse que foi perdido para a atmosfera.

As florestas queimadas deixam de ser de um verde luxuriante, esbanjando vida e a cacofonia de sons dos mais diversos bichos se silencia – a floresta adquire tons de marrons e cinzas, com os únicos sons sendo aqueles de árvores caindo.

A estação seca na Amazônia sempre trouxe queimadas e há anos tento chamar a atenção pros incêndios florestais, como os de 2015, quando a floresta estava excepcionalmente seca devido ao El Niño.

O que tem de diferente esse ano é a dimensão do problema. É o aumento do desmatamento aliado aos inúmeros focos de queimada e ao aumento das emissões de monóxido de carbono (o que mostra que a floresta está ardendo), o que culminou na chuva preta em São Paulo e no desvio de vôos de Rondônia pra Manaus, cidades situadas a meros mil quilômetros de distância.

E o mais alarmante dessa história toda é que estamos no começo da estação seca. Em outubro, quando chegar ao auge do período seco no Pará, a tendência infelizmente é da situação ficar muito pior.

Em 2004 o Brasil chegou a 25000 km2 de floresta desmatados no ano. De lá pra cá reduzimos essa taxa em 70%. É possível sim frearmos e combatermos o desmatamento, mas isso depende tanto da pressão da sociedade quanto da vontade política.

Depende do governo assumir a responsabilidade pelas atuais taxas de desmatamento e parar com discursos que promovam a impunidade no campo.

É preciso entender que sem a Amazônia não há chuva no resto do país, seriamente comprometendo nossa produção agrícola e nossa geração de energia.

É preciso entender que a Amazônia não é um bando de árvore juntas, mas sim nosso maior bem.

É de uma dor indescritível ver a maior floresta tropical do mundo, meu objeto de estudo, e meu próprio país queimarem.

O cheio de churrasco acompanhado do silêncio profundo numa floresta queimada não são imagens que vão sair da minha cabeça jamais. Foi um trauma. Mas na escala atual, não vai precisar ser pesquisador ou morador da região pra sentir a dor da perda da Amazônia.

As cinzas do nosso país agora buscam a gente até na grande metrópole

*Erika Berenguer,  brasileira, pesquisadora sênior nas Universidades de Oxford e Lancaster (Reino Unido), especializada em florestas tropicais. Integra a Rede Amazônia Sustentável (RAS), composta por pesquisadores de mais de 30 instituições do Brasil e do exterior.

Publicação de: Viomundo

Servidores do Judiciário Federal querem liberdade de Lula


JUDICIÁRIO E PODER

42% da massa carcerária brasileira estão na cadeia sem o trânsito em julgado, aponta evento realizado na Vigília

Pedro Carrano |
Criticou-se também a relação de “dobradinha” entre imprensa e Judiciário, assim como a espetacularização da morte Pedro Carrano

Eles chegaram pela manhã cedo, ou ainda na noite anterior. A ansiedade era para conhecer o espaço político que completa hoje 504 dias de resistência: a Vigília Lula Livre, localizada no bairro Santa Cândida, na frente da superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Cerca de 40 servidores do judiciário federal, da justiça do trabalho e eleitoral, compareceram hoje (24) à vigília para pedir a liberdade do ex-presidente Lula, e sobretudo reivindicar um Judiciário democrático, e não mais antipopular. Criticou-se também a relação atual de “dobradinha” entre imprensa e Judiciário, assim como a espetacularização da morte – o que foi visto no episódio do recente sequestro de ônibus no Rio de Janeiro.

Oriundos de ao menos 10 estados, os servidores participaram do chamado bom dia, boa tarde e boa noite Lula, onde leram uma carta redigida do ramo. Rafael Molina, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), que possui cerca de 1500 filiados, afirma que o Judiciário não pode influenciar nas eleições. “O judiciário não tem legitimidade para isso, não pode se esconder atrás de nossas garantias para se aproveitar disso e intervir na democracia brasileira. Com isso, o judiciário não está fazendo o seu papel”, critica.

Também da ABJD, Thiago Duarte Gonçalves, servidor de São Paulo, aponta que essa postura tem sido comum em vários países da América Latina. “Estamos vivendo o que chamamos de neogolpismo, o golpe contou com estruturas do judiciário como ponta de lança para legitimar a saída da Dilma, e esse sistema de justiça foi protagonista do golpe. A própria base social do golpe conta com a classe média, que é o setor onde estão muitos servidores”, analisa.

Por um Constitucionalismo popular

Rafael Philipe Kowalski, secretário de comunicação da ABJD no Paraná, reivindica um direito popular e aponta que, assim como Lula, 42% da massa carcerária brasileira estão na cadeia sem o trânsito em julgado. Ou seja, sem a conclusão do julgamento com os recursos cabíveis. “Muitas pessoas não têm direito a primeiro julgamento, feito por juízes que não escutam a defesa (…) O direito é temido. Para a maior parte da população ele é opressão e não solução”, decreta Kowalski.

Servidores apontam também as dificuldades e os desafios de manter uma posição progressista em meio a um segmento conservador. “Convivemos em um meio fascista. A gente começou a se agregar em assembleias. A questão do judiciário elitista, quem é que passa em concurso para juiz? Não é o trabalhador. Sou de um estado de maioria negra, mas não vemos negros no Judiciário. Passamos a ver a partir das cotas”, analisa a servidora baiana, Ana Cristina Montalvão Campos, servidora da Bahia.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Acordo com Mercosul é ‘pouco provável’ enquanto Amazônia queimar, diz UE


MEIO AMBIENTE

Encontro do G7, que acontece na França, deve ter o meio ambiente como um dos temas principais

Redação* |
Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu Reprodução: Conselho Europeu

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse neste sábado (24) que é “pouco provável” que o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul seja ratificado enquanto a Amazônia sofrer com queimadas e incêndios.

“Certamente, nós apoiamos o acordo UE-Mercosul. Mas é difícil imaginar um processo de ratificação enquanto o governo brasileiro consentir a destruição dos pulmões verdes [Amazônia]”, disse Tusk, ao chegar hoje a Biarritz, no sul da França, para a Cúpula do G7.

O encontro, que reúne os líderes dos sete países mais industrializados do mundo, deve ter o meio ambiente como um dos temas principais.

O anfitrião da cúpula, o francês Emmanuel Macron, travou uma batalha com o governo do Brasil na questão da Amazônia. O Palácio do Eliseu disse que o presidente Jair Bolsonaro “mentiu” ao assumir os compromissos em defesa do meio ambiente na última cúpula do G20, em Osaka. A França e a Irlanda também ameaçaram se opor ao acordo da UE-Mercosul devido às políticas ambientais brasileiras.

O acordo de livre-comércio, que demorou 20 anos para ser negociado, foi finalmente assinado em junho. No entanto, precisa ser ratificado por todos os países para entrar em vigor.

(*) Com Ansa

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Após um mês, promessa do governo a caminhoneiros não sai do papel


Roda presa

Questão da tabela do frete mínimo deve ser decida no STF; categoria culpa entidades patronais por inércia em negociações

Igor Carvalho |
“Aqueles que detém o PIB brasileiro, os grandes embarcadores, a indústria e a agricultura não querem pagar", afirma sindicalista Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Quando o ministro da Infraestrutura,Tarcísio Gomes, convocou caminhoneiros de todos os setores, autônomos e sindicalistas para um encontro no dia 24 de julho, para selar o acordo que colocaria fim à insatisfação dos condutores, houve a expectativa de que a categoria, enfim, conseguiria ter êxito após dois anos de greves e reuniões. Porém, um mês depois, as negociações seguem estagnadas e um acordo parece distante. Para os líderes do movimento, as entidades patronais são culpadas pela inércia.

“Aqueles que detêm o PIB brasileiro, os grandes embarcadores, a indústria e a agricultura não querem pagar. Não querem o piso vinculativo e não aceitam propostas quando têm que mexer no bolso. Eles querem continuar com a exploração e não haverá acordo se não vier a constitucionalidade”, afirma Carlos Alberto Litti Dahmer, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac) de Ijuí (SC).

De acordo com os caminhoneiros, a categoria apresentou propostas para a fixação de preço mínimo para a tabela. Porém, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação do Transporte Rodoviário do Brasil (ATR Brasil), que representa transportadoras, e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) se recusam a negociar o valor e pedem para que a tabela não seja vinculativa, ou seja, obrigatória, mas apenas uma referência para a negociação com o transportador autônomo.

Internamente, governo e caminhoneiros já sabem que o impasse deve durar até pelo menos 4 de setembro, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIns) sobre a tabela de frete, que foram movidas justamente por CNA, CNI e ATR Brasil.

“Não abrimos mão do piso ser vinculativo. Eles querem que seja referencial. Então, está nesse impasse. Estamos nos organizando para acompanhar o julgamento no dia quatro e vamos continuar sentando com os embarcadores para tentar negociar”, afirma Wallace Landim, o Chorão, liderança dos caminhoneiros forjada nos inúmeros grupos de whatsapp, onde parte dos motoristas se organiza.

A tabela de frete foi uma concessão do governo Michel Temer (MDB) aos caminhoneiros, quando estes estavam em greve, em maio de 2018. A medida prevê o pagamento de multa para os contratantes que desrespeitarem o preço estabelecido no documento.

“Se a tabela não foi vinculativa, apenas uma referência, os caminhoneiros seguirão sendo passado para trás. A categoria está doente, precisamos de soluções. Sem a tabela, vamos continuar pagando para trabalhar”, encerra Chorão.

Até o fechamento desta matéria, a CNA, CNI e STR Brasil não enviaram posicionamento sobre as acusações feitas pelos caminhoneiros.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Há 65 anos o suicídio de Getúlio Vargas abalava o Brasil

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Neste sábado (24), há 65 anos, o presidente Getúlio Vargas cometia suicídio, com um tiro no coração, dado em seu quarto, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, então capital da República. Getúlio, o líder da Revolução de 1930, enfrentava uma violenta campanha contra o seu governo nacionalista, trabalhista e democrático, que criou a Petrobrás, o Sistema Eletrobrás – ameaçadas pelo governo entreguista de Bolsonaro – e as leis sociais de defesa dos pobres.

O gesto extremo abalou o Brasil e milhões de brasileiros, em fúria, saíram às ruas, realizando protestos e um quebra-quebra contra as sedes de jornais opositores de Getúlio (O Globo, por exemplo), emissoras de rádio golpistas, escritórios de empresas e instalações norte-americanas no país. Uma comoção sem precedentes. Os deputados golpistas da UDN, incluindo Carlos Lacerda, donos de jornais e militares que preparavam o golpe, fugiram para Portugal.

Uma carta-testamento foi encontrada ao lado de seu corpo, um documento que resume o pensamento é o ideario político do líder nacionalista. A carta é um chamado para a defesa da soberania do País, de suas riquezas, e do povo trabalhador.

A herança política de Getúlio Vargas perdura até hoje. Líderes políticos como Leonel Brizola (já falecido) e o ex-presidente Lula são lembrados como herdeiros das tradições políticas do grande caudilho gaúcho.

G7: Macron pede mobilização de potências contra incêndios na Amazônia

Confira a íntegra da carta-testamento de Getúlio Vargas

”Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci.

Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.

A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.

Eu vos dei a minha vida.

Agora ofereço a minha morte

Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre, não querem que o povo seja independente.

Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.

Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação.

Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém.

Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”.

Publicação de: Blog do Esmael

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