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Cassaram a faixa do Vampirão! Pressão teria vindo do Palácio do Planalto; professor que encarna Temer critica intervenção no Rio e diz que tem medo de volta ao passado

Com e sem a faixa; mais uma do golpe?

Da Redação, com Mídia Ninja, reprodução de TV

“Não sou escravo, de nenhum senhor”, diz o samba-enredo da Paraíso do Tuiuti.

Mas, o historiador Léo Moraes, que encarnou o Vampirão na vice-campeã do Carnaval do Rio, desfilou na madrugada de hoje sem o arremedo de faixa presidencial que ostentava no desfile da madrugada de segunda-feira.

A faixa tem um acabamento com notas que imitam dólares (veja, em fotos abaixo, como era e como saiu o Vampirão)

A Mídia Ninja acompanhou Léo pouco antes dele subir ao carro alegórico.

Ele afirmou que, se autorizado pela escola, usaria a faixa.

Porém, no desfile, apareceu sem o ornamento que poderia mais diretamente identificá-lo com Michel Temer.

Uma pessoa que se apresentou como maquiadora do Vampirão disse à Mídia Ninja que ele chegou a ser proibido de desfilar, mas que duas horas antes do início recebeu a notícia de que poderia subir ao carro alegórico desde que sem a imitação de faixa presidencial.

A narradora da TV Brasil, que tem os direitos de transmissão do Desfile das Campeãs, ficou surpresa ao ver o Vampirão sem a faixa. “Talvez esconderam”, disse.

Diferentemente da Globo, a TV pública mencionou tratar-se de uma sátira a Temer.

Oficialmente, a escola diz que o vampiro representa o sistema que continua oprimindo os negros. O título dele é Vampiro Neoliberalista.

A TV Brasil não mostrou a ala dos Manifestoches e citou o protesto contra a reforma trabalhista sem exibir a carteira de trabalho esgarçada gigante que ilustrava a traseira do Neotumbeiro, o carro alegórico que carregava o Vampirão no topo.

O carro trouxe mãos gigantes nas laterais, que manipulavam figurantes vestidos com a camisa da Seleção Brasileira e batendo panelas.

Nem a TV Brasil, nem a Globo mencionaram dois outros personagens que acompanharam o Vampirão no topo: os Golpresários e os Vampiresários. No caso da Globo, a omissão foi denunciada pela historiadora Conceição Oliveira.

Ao menos dois figurantes da Paraíso do Tuiuti carregavam pequenos cartazes com Fora Temer.

O Globo sugeriu que a cassação da faixa do Vampirão seria resultado de pressões vindas do Planalto:

Segundo informações do barracão da escola, emissários da presidência da república pediram à Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesa) que impedisse o desfile do destaque. Questionado, o professor de História Léo Moraes, de 40 anos, disse que não recebeu essa informação, e que desfilaria com a faixa. Logo depois, no entanto, ele afirmou que perdeu o adereço no fim da apresentação de domingo. A reportagem do GLOBO, no entanto, viu o momento que ele pediu que a faixa fosse guardada dentro de um carro.

Mas o diário conservador carioca anunciou o fato com a manchete: ‘Vampiro-presidente’ da Tuiuti desiste de usar faixa presidencial no desfile das campeãs.

O Globo disse que tentou contato mas não obteve retorno da Presidência.

A Mídia Ninja denunciou censura, com imediata repercussão nas redes sociais (veja o vídeo acima, com entrevista do historiador que encarna o Vampirão e trecho do desfile).

Antes do desfile, sintomaticamente, um representante da escola usou o sistema de som do sambódromo para reforçar que a Paraíso do Tuiuti é um grêmio recreativo “apartidário”. “Apartidário”, frisou.

Léo Moraes, em entrevista à Mídia Ninja, criticou a intervenção militar no Rio de Janeiro e disse que estava com medo.

“A gente fica com medo, inclusive de se manifestar”, afirmou.

Em seu nome, repetiu críticas ao impeachment de Dilma Rousseff.

Léo, que é professor de História do ensino fundamental, está deixando o Brasil para morar na Itália.

Ele disse que ficou assustado com a repercussão do desfile e que sua página no Facebook foi “invadida”, com muitos elogios e algumas críticas.

Jack Vasconcelos, o carnavalesco responsável pelo samba enredo Meu Deus, meu Deus, acabou a escravidão? afirmou que prefere falar sempre através de seu trabalho.

Antes do desfile, houve gritos de Fora Temer no setor 1, tido como o termômetro da Sapucaí. Durante o sábado, Michel Temer esteve no Rio para “comandar” o início da intervenção militar na segurança pública do Estado.

Antes da Tuiuti desfilou o Salgueiro, que também causou controvérsia no Carnaval, por conta de ritmistas que desfilaram com o rosto pintado de preto, o blackface que no passado foi usado nos Estados Unidos, em filmes e apresentações de teatro, para zombar dos negros.

Só que, desta vez, a bateria da escola veio de rosto limpo.

A Paraíso do Tuiuti foi recebida e se despediu do sambódromo sob gritos de “é campeã”. Nas arquibancadas, havia cartazes contra a Globo, o golpe e a intervenção no Rio.

Um figurante carregava uma mensagem SOS EBC na imitação de carteira de trabalho, o que talvez tenha motivado a emissora a evitar a ala em que ele aparecia.

A Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), da qual a TV Brasil faz parte, está em processo de desmonte de direitos, denunciam trabalhadores.

Durante a transmissão, a hashtag criada pela TV Brasil disparou.

Embora com muito maior qualidade que a Globo quanto aos comentários, de novo os narradores foram incapazes de sintetizar e contextualizar o enredo quanto a acontecimentos recentes: manifestoches, manipulados pelos senhores do dinheiro, derrubaram Dilma Rousseff e promoveram a reforma trabalhista de Temer. Uma das formas de escravidão moderna, sugere o enredo.

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Publicação de: Viomundo

Jeferson Miola: Qual o real interesse por trás da intervenção no Rio, já que 17 Estados são mais violentos?

17/02/2018 Reunião de trabalho sobre segurança, Rio de Janeiro – RJ. Foto: Alan Santos/PR, via Fotos Públicas

Qual o real interesse por trás da equivocada intervenção no Rio?

por Jeferson Miola, em seu blog

Por qualquer ângulo que se examine, a intervenção no Rio de Janeiro é aquele tipo de escolha que tem enorme chance de colecionar muito fracasso e de produzir zero acerto.

É uma decisão tremendamente equivocada e ineficaz, que não resolverá os problemas da violência, insegurança e do crime organizado no Rio. Que não é, inclusive, o Estado da federação com a pior realidade, que justificasse a adoção de medida grave e perigosa.

No Atlas da Violência do IPEA, a taxa de 30,6 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2015 coloca o Rio na 18ª posição do país.

Estão em situação muito mais crítica que o Rio, portanto, outros 17 Estados que, em tese, deveriam merecer absoluta prioridade de atenção antes do próprio Rio.

Alguns deles com taxas alarmantes, como Sergipe, com 58,1 homicídios/100 mil habitantes; Alagoas, 52,3/100 mil; Ceará, 46,7/100 mil; Goiás, 45,3/100 mil; Pará, 45/100 mil; Rio Grande do Norte, 44,9/100 mil; Pernambuco, com 41,2/100 mil etc.

Por outro lado, o relatório de 2016 do Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal do México registra 19 cidades brasileiras dentre as 50 mais cidades mais violentas do mundo. A única cidade do Estado do Rio que figura na lista, entretanto, é Campos dos Goytacazes, em 19º lugar, com 56,4 homicídios por 100 mil habitantes.

A lista inclui Natal, Belém, Aracajú, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Salvador, Maceió, Recife, João Pessoa, São Luís, Fortaleza, Teresina, Cuiabá, Goiânia, Macapá, Manaus, Vitória e, em 49º lugar, a Curitiba dos fascistas da Lava Jato, com 34,9 homicídios por 100 mil habitantes.

Além destes 2 estudos – um nacional e outro estrangeiro – também tem muito valor a informação da presidente do Instituto de Segurança do Rio, Joana Monteiro, de que “não houve nenhuma explosão de violência no Rio durante o carnaval” [entrevista ao Estadão] que justificasse a intervenção.

Ela sustenta com dados que o número de ocorrências no período do carnaval de 2018 se equiparou a 2017, e é quase metade das ocorrências dos carnavais de 2015 e 2016.

Apesar disso, Temer e a Rede Globo enxergam na situação do Rio as “metástases” que não diagnosticam nos demais estados brasileiros em condição bastante mais crítica.

Ora, se pelo critério epidemiológico não haveria a menor justificativa para a medida, o que então explica a decisão da camarilha do Temer, que até já recebeu aplausos de juízes do STF, mesmo que a medida seja inconstitucional, porque carente de fundamento técnico-social e de consulta prévia ao Conselho da República?

O general designado interventor, Walter Souza Braga Netto, antítese do falastrão ministro da Defesa, respondeu magistralmente a esta pergunta com apenas 2 palavras: “muita mídia”, disse ele, comentando que a situação do Rio não é tão crítica como se tem noticiado. Ou, de outra maneira: não difere da realidade de décadas.

Mais além do agendamento histérico-midiático produzido pela Globo, que é verdadeiro e concreto, qual o real interesse por trás dessa equivocada e perigosa decisão, nunca antes adotada?

Especula-se que serviria como álibi para a camarilha não votar [e não ver derrotada] a reforma da previdência, uma vez que a Constituição proíbe mudanças constitucionais sob a vigência de decreto de intervenção federal. Isso, contudo, é mera consequência; é muito, mas muito pouco provável que tenha sido o fator determinante para a medida.

Outra hipótese é de que intervenção teria sido pensada como cartada política para turbinar candidaturas do bloco dominante explorando demagogicamente a agenda da segurança. É possível que sim, porém improvável, porque os riscos de fracasso suplantam muito a expectativa de êxito.

Em questão de dias o cenário ficará desanuviado, e então o enigma poderá ser decifrado. Não se pode menosprezar, todavia, que a intervenção no Rio abre uma janela de oportunidade para o endurecimento autoritário do regime de exceção, com a adição do componente militar à ditadura jurídico-midiática que domina o país.

A intervenção no Rio não caracteriza o fechamento do regime, mas poderá significar, se isso for necessário para interditar a vitória do Lula ou do candidato que ele ajudar a eleger na eleição de outubro próximo.

Seja por puro acaso, por sorte ou por planejamento estratégico, a verdade é que a oligarquia golpista pode ter adicionado um novo ingrediente ao cardápio de opções para perpetuar o golpe.

Leia também:

Jaqueline Muniz: Intervenção no Rio é porque tem Jornal Nacional

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Publicação de: Viomundo

Temer CONFESSA: intervenção no Rio é uma FARSA

A intervenção federal no Rio de Janeiro foi talvez a medida mais criminosa do usurpador Michel Temer. O que se espera é que ele pague na Justiça pela longa fila de ilegalidades que cometeu ao decretar essa medida, que irá custar BILHÕES aos depauperados cofres públicos deste país devido, exclusivamente, aos interesses políticos e econômicos dessa desgraça em carne e osso que o Brasil tem o desprazer de chamar de “presidente”.

A intervenção militar é um fracasso de crítica entre as pessoas que pensam, mas é bem possível que uma população acuada como a do Rio caia no mais caro golpe publicitário de que se tem notícia no Brasil.

Em primeiro lugar, é preciso notar a gravidade e o ineditismo dessa medida. Embora as forças armadas já tenham atuado diversas vezes em diversos estados nos últimos anos, a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, anunciada na sexta-feira (16/2), é a primeira do tipo desde a promulgação da Constituição de 1988.

Nas intervenções federais com militares como a que ocorreu durante as Olimpíadas no Rio, por exemplo, em regra é o próprio governador que pede a ajuda e, aí, o governo federal manda tropas. Mas quem coordena tudo ainda é o governador.

O que ocorreu no Rio por iniciativa de Temer foi diferente. Essa intervenção é muito maior e muito mais grave: está sendo substituído o governador num determinado assunto, a segurança pública. O general interventor tomará decisões sobre segurança sem dar satisfação ao governador.

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/intervencao-federal-no-rj-e-a-1-desde-a-constituicao-de-1988.ghtml

Dito isso, vem a primeira pergunta incômoda que há para fazer sobre essa medida infame. E ela está sendo feita até pela grande mídia, geralmente submissa aos abusos dos golpistas. No portal UOL uma pergunta que não quer calar: Por que governo federal intervém no Rio se há outros Estados com mais mortes?

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/02/17/por-que-governo-federal-intervem-no-rio-se-ha-outros-estados-mais-violentos.htm

Excelente pergunta. Apesar de o governo federal ter assinado decreto determinando a intervenção federal devido à crise de segurança no Rio de Janeiro, o Estado está longe de ser o mais violento do país em ranking de mortes. O Rio aparece em décimo lugar no país, melhor que Sergipe, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pará, Amapá, Pernambuco, Bahia, Goiás e Ceará, como se vê no gráfico abaixo

Em seguida, há que avaliar a péssima repercussão que essa medida teve mundo afora. E para que não digam que estou exagerando, reproduzo manchete do UOL, insuspeito de ser “petista”, que relata que a repercussão internacional da intervenção no Rio foi trágica para a imagem do país.

E para provar que falo sério, reproduzo comentário do antipetista e bajulador de Temer Ricardo Noblat, da revista Veja

Como se vê, Noblat não só confirma que a mídia internacional viu um ato condizendo com ditadura, na intervenção militar no Rio, como, também, confirmou para todos o que Blogs como este vêm dizendo, que a mídia  estrangeira também acha que Dilma Rousseff foi derrubada por um golpe

O mais hilariante nessa história é que o próprio general-interventor, segundo o Estadão, deu a entender que não há maiores motivos para essa intervenção e insinuou – a credite quem quiser – que a iniciativa de Temer é busca por “muita mídia”.

‘Conexão Estadão’: O que está por traz da intervenção no Rio?

Então a pergunta que não quer calar é: se há Estados com mais violência e criminalidade que o Rio que não sofreram intervenção, se a situação da segurança no Rio nem é tão grave (segundo o general-interventor) e se essa medida prejudicou a imagem do Brasil no exterior, por que, diabos, essa porcaria de medida foi tomada?

Quem começou a matar a charada foi o site de matriz russa Sputnik: Intervenção no Rio é estratégia para seduzir opinião pública.

https://br.sputniknews.com/brasil/2018021610547094-intervencao-rio-estrategia-opiniao-publica-temer/

Estratégia de quem para “seduzir” a opinião pública brasileira? De quem tomou a medida, Michel Temer.

Como você vai ver no vídeo, ao fim do texto, tem muito carioca otário que vai embarcar nessa farsa que não resolverá nada na questão da segurança naquela cidade.

Não resolve. Intervenção militar no Rio não fará nada além de abusar de pobres, humilhando-os e até matando-os ao confundirem a população das comunidades pobres com “bandidos”. E é aí que está o perigo, a total inabilidade de soldados para lidarem com a população.

Soldado é feito para guerrear, não para cuidar da segurança de cidades em tempos de paz. Soldado não é treinado para servir o público, como é dever da polícia; soldado é treinado para matar e destruir. Em guerras.

Mas se não basta todas essas demonstrações de que a intervenção no Rio é uma farsa, vamos dar a palavra a Michel Temer, no vídeo ao fim do texto. Ele vai confessar que a intervenção não tem importância alguma.

O que acontece é que a Constituição estabelece que não é possível votar modificações nessa mesma Constituição se houver intervenção federal em alguma parte do país. Por exemplo: com a intervenção o governo não pode votar a reforma da Previdência.

E o que diz Temer? Vamos assistir ao vídeo e ver o que ele dirá sobre isso.

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Publicação de: Blog da Cidadania

Jaqueline Muniz: Intervenção no Rio é “barata voa”. E, por que o Rio? Porque tem Jornal Nacional

por Luiz Carlos Azenha

A professora Jaqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública na Universidade Federal Fluminense, foi a fundo na entrevista imperdível que concedeu à Globonews.

Por óbvio, não mencionou o Jornal Nacional, que é por nossa conta.

“Barata boa”, resumiu, sobre a intervenção militar improvisada do governo Temer.

Importante, a partir do depoimento dela, relatar alguns episódios que testemunhei como repórter e que, espero, possam ajudá-los a formar opinião.

Início dos anos 2000. Sou repórter da TV Globo no Rio de Janeiro.

Fui apresentado a um projeto piloto do que, mais tarde, viriam a ser as UPPs, já no governo Cabral.

A presença permanente de policiais no alto de um morro.

Negar território ao tráfico, diziam. Fazê-lo com investimentos sociais.

Pouco depois, testemunho um tiroteio na favela do Jacarezinho, no Rio. Um tiroteio, digamos, cenográfico, já que ninguém atirava de volta.

As cenas são exibidas no Jornal Hoje. A Globo substitui o uso de ‘suspeitos’ por ‘bandidos’, nos textos jornalísticos.

Aqueles investimentos sociais prometidos, de fato nunca vieram.

A Globo tinha grande intimidade com Josias Quintal, o secretário de segurança pública de Garotinho.

Tanto que, quando Fernandinho Beira Mar é preso na Colômbia, viajamos num jato do governo estadual para encontrá-lo em Bogotá.

Em retrospectiva, política. Pura política.

Já em São Paulo, depois de exercer o cargo de correspondente nos Estados Unidos, vou à Colômbia para tratar de segurança.

Visitamos presídio de segurança máxima. Em Medellin, os teleféricos construídos para transportar a população pobre aos bairros ricos da cidade.

Na base das torres, serviços antes negados à população. Mas, Pablo Escobar permanece popular.

É que ele “prestava serviços” à população mais pobre de maneira que o estado colombiano nunca prestou.

Eleição de Barack Obama, em 2008, nos Estados Unidos.

Na pré-campanha, Samantha Powers ajuda a escrever a plataforma para a América Latina. É simpática aos líderes sul americanos que combatem a pobreza.

Mas, quando Obama se torna oficialmente o candidato do Partido Democrata, a plataforma surpreendentemente muda.

A ênfase é em combater o crime organizado. Deduzo, por minha própria conta, que o objetivo é exportar armas e tecnologia de fabricantes norte-americanos às polícias latino americanas.

Por volta de 2010. Vou à fronteira do Brasil e Paraguai para reportar sobre os Barões da Maconha.

Não é coincidência que os mulas sejam de municípios com baixíssimo IDH.

A suspeita é de que policiais sejam avisados antecipadamente sobre os carregamentos que vão atravessar a fronteira e utilizar as rodovias brasileiras.

Eventualmente, uma apreensão aparece com grande destaque na TV.

O juiz local reclama que os presos são sempre os peixes pequenos, não há combate eficaz à lavagem de dinheiro das quadrilhas, que envolvem gente “de bem” graúda.

2013. Vou ao Maranhão como repórter para falar sobre a ‘exportação’ do crime organizado ao Nordeste brasileiro. O PCC chegou.

Visitamos Pedrinhas antes da grande rebelião. Os relatos consistentes são de que o crime organizado migrou do Sul em direção ao Nordeste.

O “barata voa” de que fala Jaqueline Muniz na entrevista.

Num presídio do centro de São Luís, os presos pagam a agentes penitenciários para sair à noite, às escondidas.

Fazemos o flagrante. É o exemplo da ‘contaminação’ do aparato de segurança pelo crime.

2014. O repórter Dario de Medeiros faz, com a ajuda dos leitores do Viomundo, uma contundente análise sobre o fracasso das UPPs cariocas. E do avanço das milícias, que ajudam a eleger governantes.

Cai em mim a ficha de que o Brasil vive a mexicanização da segurança pública: a parceria entre o crime organizado e a polícia está institucionalizada, na ausência de investimentos sociais e de boas condições salariais para os servidores.

As UPPs, escreve Dario, servem a um ‘projeto de cidade’ que cria corredores para a especulação imobiliária.

Um projeto autoritário de cidade da Globo, denuncia o deputado Marcelo Freixo.

2017. Faço a rota do Solimões, onde a Família do Norte disputa o controle do tráfico de cocaína e skunk com o PCC.

Os presídios locais já estão todos controlados pelo crime organizado.

Na falta consiste de recursos e de uma política nacional séria de combate ao crime, com mais inteligência e menos pirotecnia, os locais partem para uma acomodação com os chefões.

Amazônidas se ressentem do fato de que a Polícia Federal desembarca gente do Sudeste, sem nenhum conhecimento ou respeito pela cultura local, para combater o crime.

Os presídios estão abarrotados, inclusive com gente que aguarda julgamento e, enquanto isso, faz universidade do crime. A maior parte está presa por associação ao tráfico.

Em Coari, o delegado local me conta sobre o assalto à delegacia de polícia em que trabalha.

Conclusões:

    1. Investimento em programas sociais mitigadores, redistribuição de renda, taxar os de cima para investir nos de baixo;
    2. Descriminalização das drogas;
    3. Investimento em inteligência;
    4. Tirar da cadeia os soldadinhos do crime organizado, cujas famílias ficam reféns dos chefões;
    5. Dignidade salarial para os agentes de segurança.

Não há solução mágica. Requer dinheiro. Longo prazo.

Faltou explicar: por que o Rio de Janeiro e não, digamos, o Ceará?

Porque a intervenção no Rio de Janeiro rende mídia. Repercute. Sai no Jornal Nacional.

E, ao sair no Jornal Nacional, pode ser utilizada para fins políticos.

Como eleger um Bolsonaro light. Quem sabe um Temer, ou um Alckmin apoiado pelo Temer, ou uma eleição adiada em nome da ordem, agora que já alcançamos o progresso.

Como começa a gente sabe, nunca sabe como — e quando — termina.

Pulso firme. Para tudo ficar exatamente como está.

Leia também:

Bruno Sobral: Do choque de austeridade ao choque de ordem

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Publicação de: Viomundo

Contra a reforma da Previdência: confira a agenda de mobilizações em todo o país


Atos

Movimentos populares e centrais sindicais convocam atos em diversas regiões do Brasil na segunda-feira (19)

Redação |
De acordo com movimentos populares e centrais sindicais, os atos tem como objetivo pressionar o governo a retirar a reforma Central Única dos Trabalhaodres

Independente do anúncio de intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, que impede a votação da reforma da Previdência por tempo indeterminado, movimentos populares e centrais sindicais convocam a população a ocupar as ruas do país contra a medida na segunda-feira(19). 

“Essa reforma já está quase derrotada. Mas, no entanto, esse Congresso Nacional corrupto, junto com esse governo golpista está novamente trazendo essa reforma para a pauta do dia. Nós não podemos aceitar que mais uma vez esse governo tenta retirar direitos dos trabalhadores como foi com a reforma trabalhista”, defende João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). 

O dirigente avalia que a intervenção do exército no Rio demonstra a falta de força de Temer para aprovar a reforma. 

“O governo golpista fez uma medida extremamente radical justamente para encobrir a derrota que ele teria essa semana. Nós não podemos aceitar, de forma alguma, que esse governo continue com esse tipo de medida contra os trabalhadores da periferia, como é o caso do Rio”, diz. 

Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) acredita que a pressão contra o governo deve ser ampliada nesse momento para garantir que o direito à aposentadoria das trabalhadoras e trabalhadores seja mantido. 

“A nossa luta é para enterrar de vez a reforma. E uma das estratégias é realizar uma forte mobilização no dia 19, com greves e paralisações, além de intensificar as ações nas ruas e nas redes”, afirma Freitas. 

Confira a agenda de mobilização nas principais capitais: 

BAHIA
Em Salvador, terá manifestação no Iguatemi, a partir das 7h. No período da tarde, a concentração começa às 15h para o ato no Campo da Pólvora.

CEARÁ
Em Fortaleza, haverá atos e paralisações em todas as regiões, sendo a maior delas marcada no centro, a partir das 9h. Haverá uma caminhada pelas ruas do centro com concentração na Praça da Bandeira.
Cariri: 8h – concentração na passarela da avenida Padre Cícero (na CE 292, entre Juazeiro do Norte e Crato)
Crateús: 7h – Praça da Matriz
Iguatu: 8h – concentração na Praça da Caixa Econômica
Itapipoca: 8h – em frente ao prédio do INSS
Sobral: 7h30 – Praça de Cuba
Vale do Jaguaribe: 5h – concentração no Triângulo de Peixe Gordo em Tabuleiro do Norte.

DISTRITO FEDERAL
Em Brasília, além das ações durante o dia, tem ato às 17h, no Museu da República.

ESPIRITO SANTO
Em Vitória, as 9h, tem concentração na Praça 8 e caminhada até a sede do INSS onde ocorrerá um ato público.

MATO GROSSO
Em Cuiabá, às 8h, tem ato no INSS da Avenida Getúlio Vargas.

PARÁ
Em Belém, às 7h, ação nas agências bancárias da Avenida Presidente Vargas; às 11h, ato no Mercado São Brás.
Em Marabá, às 7h30, panfletagem em frente a agencia do INSS; às 9h, audiência pública na Câmara Municipal.

PARANÁ
Em Curitiba, às 8h, panfletagem no Terminal Guadalupe – esquina das Ruas Marechal Deodoro e João Negrão; 9h, panfletagem em frente a agência do INSS; 10h, concentração na Boca Maldita; 11h, aula pública na Boca Maldita; 14h, panfletagem na ALEP.

PERNAMBUCO
Em Recife, às 15h, tem ato público no Parque 13 de Maio.

PIAUÍ
Em Teresina, tem ato marcado para às 8h, na Praça Rio Branco.
No período da tarde, a partir das 14h, terá ato no Aeoroporto de Teresina.

RIO DE JANEIRO
No Rio de Janeiro, tem ação no aeroporto Santos Dumont de manhã, no embarque dos deputados; e, às 16h, tem ato na Candelária.
Em Campo dos Goytacazes, terá concentração a partir das 8h, no Sindicato dos Bancários. De lá, os manifestantes sairão em caminhada até o calçadão para o ato público.

RIO GRANDE DO NORTE
Em Natal, tem ato a partir das 14h, em frente a Agência do INSS, Rua Apodi, 2150 – Tirol.

RIO GRANDE DO SUL
Em Porto Alegre, às 5h, marcha do Laçador até o aeroporto; às 7h, concentração na rodoviária; às 9h, ato em frente a agencia do INSS; às 17h, ato na esquina Democrática.

SANTA CATARINA
Em Florianópolis, o transporte coletivo ficará paralisado durante todo o dia 19. A partir das 9h, a CUT e demais centrais sindicais e entidades farão um arrastão no centro da capital para fechar o comércio e os bancos. E, a partir das 16h, acontecerá um ato na Praça de Lutas, que terminará com uma passeata até a agência do INSS.
Região oeste
São Miguel do Oeste: 10h30 – ato na praça central contra a reforma e os devedores da Previdência
Chapecó: 9h – concentração na Praça Coronel Bertaso e ato nos bancos Itaú e Bradesco
Xanxerê: 13h30 – ato em frente ao banco Bradesco
Região Sul
Criciúma: 8h – ato em frente à agência do INSS
Região Meio Oeste
Caçador: 9h – ato no Largo Caçanjure
Lages: 14h – ato em frente ao prédio da Previdência Social
Região Vale
Blumenau: 15h – ato em frente à Prefeitura
Rio do Sul: 7h – ato em frente à agência do INSS
Região Norte
Joinville: 13h30 – concentração na empresa Tupy
16h – ato na Praça da Bandeira
Jaraguá do Sul: 13h – ato em frente à empresa WEG
Canoinhas: 9h – ato na Praça do Chimarrão.

SÃO PAULO 
Em São Paulo, às 16h, tem ato público em frente ao MASP, na Avenida Paulista.
Capital
Os municipais, filiados ao Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), farão ato e assembleia, às 13h, na Rua da Quitanda, 162, no centro da cidade de São Paulo. Trabalhadores ligados ao Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) farão ato em frente à Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, 15, no centro da capital, às 14h.
Químicos e bancários também preparam mobilizações na cidade de São Paulo. Metroviários mobilizam suas bases e farão panfletagem em estações do Metrô localizadas nas zonas sul, centro, leste e oeste. São elas: Jabaquara, Itaquera, Brás, Barra Funda, Luz, Tamanduateí e Capão Redondo. À tarde, todas as categorias seguem para o ato na Avenida Paulista.
ABC
Os metalúrgicos do ABC farão greve com o objetivo de atingir a base formada por 70 mil trabalhadores. Na região, químicos e trabalhadores de confecções cruzarão os braços. Em Mauá, trabalhadores da saúde farão protestos em frente ao Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini. Outras mobilizações estão sendo preparadas até o dia 19.
Baixada Santista
A CUT, sindicatos e movimentos ligados à Frente Brasil Popular da Baixada Santista organizam às 7h uma panfletagem na Alfândega de Santos, na Praça da República, s/nº, no centro histórico de Santos. Às 12h haverá panfletagem e diálogo com a população na Praça Rio Branco, s/nº, no centro da cidade de São Vicente.  Às 18h, as entidades farão ato contra a retirada de direitos, na Praça da Independência, s/nº, no bairro Gonzaga, em Santos.
Bauru
Movimentos e sindicatos farão ato em frente ao INSS, localizado na R. Azarias Leite, 10-75, no centro da cidade.
Campinas
Os trabalhadores do transporte irão paralisar na região, os urbanos e os fretados. Petroleiros, trabalhadores do setor de energia, da construção civil também irão cruzar os braços. Servidores ligados ao sistema judiciário também irão aderir aos protestos. No final da tarde, no Largo do Rosário, os movimentos farão ato, às 17h.
Guarulhos e Arujá
A greve irá atingir o transporte da cidade, puxada pelos condutores e cobradores. Os bancários confirmam paralisação nas principais agências, assim como os trabalhadores da construção civil cruzam os braços em alguns canteiros de obras. Aeroviários e aeroportuários sinalizam participação neste dia de luta.
Jundiaí
Protestos no calçadão, no centro da cidade de Jundiaí, às 9h, com participação de sindicatos e movimentos. No local haverá panfletagem de materiais e diálogo com a população.
Matão
Os metalúrgicos terão assembleias com atraso, a partir das 6h30, nas empresas da região.  
Mogi das Cruzes e região
Panfletagem na estação de trem de Suzano. Em seguida concentração na Praça dos Expedicionários, a partir das 9h30, onde ocorrerá ato contra a reforma da Previdência.
Presidente Prudente
Os trabalhadores e estudantes se concentram a partir das 15h em frente ao INSS, na Rua Siqueira Campos, 1315, para ato em defesa da aposentadoria.
Ribeirão Preto
Na cidade, estão programadas assembleias dos trabalhadores pela manhã e panfletagem no calçadão, no centro. Às 17h, está previsto um ato no Campus do Hospital das Clínicas, na Avenida Bandeirantes, 3.900, na Vila Monte Alegre.
São Carlos
O Sindicato dos Metalúrgicos fará assembleia nas empresas da região. Às 9h, os movimentos que compõem a Frente Brasil Popular da cidade se concentrarão na Praça Itália para, em seguida, saírem em marcha até a estação ferroviária da cidade. Os trabalhadores de Araraquara se somam neste ato.
São José do Rio Preto e Catanduva
Bancários param as principais agências das cidades. Também haverá panfletagem no Terminal Rodoviário de São José do Rio Preto, na Rua Pedro Amaral, no centro.
Sorocaba
Os trabalhadores em empresas de transportes urbano, intermunicipal, rodoviário, de fretamento e de cargas irão cruzar os braços por 24 horas. A greve irá atingir os 42 municípios da região, de Araçariguama até Itararé, passando pelos municípios das regiões de Sorocaba, São Roque, Itapetininga e Itapeva. Os metalúrgicos e químicos também sinalizam paralisação nas fábricas.
Vale do Ribeira
Na cidade de Registro haverá ato público contra a reforma da Previdência, em frente ao INSS do município, na Avenida Wild José de Souza, 362, no bairro Vila Tupy, às 14h.

SERGIPE
Em Aracaju, às 14h, no Palácio dos Despachos, tem ato  unificado dos servidores públicos do Estado.
 

Bruno Sobral: Depois do “choque de austeridade” no Rio, o “choque de ordem”

Primeiro Pezão entregou o cofre; agora, o fuzil

Intervenção (militar) no RJ: dobrando a aposta no choque de austeridade

por Bruno Sobral*

1) Não é possível dissociar essa intervenção (militar) na segurança do Regime de Recuperação Fiscal, os dois são imposições do governo federal travestidas de “acordo”. Afinal, não tivemos poder de barganha praticamente nenhum nos dois casos, apenas cumpre-se ordens passando por cima de nossa autonomia federativa.

2) Em ambos, prevalece a tese de crise moral e ineficiência administrativa. Por essa razão, após o apelo a “choque de austeridade” se apela agora a segunda fase do “choque de ordem”. As duas faces de uma mesma moeda.

3) O “choque de ordem” não começou agora, já existia desde que criou-se uma prioridade de desembolsos para a pasta de segurança a despeito dos atrasos para as demais funções de Estado. Na ocasião, argumentei diversas vezes que o risco era do Rio se tornar um “Estado policial” onde poderia parar tudo menos a segurança.

4) Essa tática não deu certo porque o choque de austeridade foi tão duro que mesmo sendo priorizada a pasta de segurança sofreu um enfraquecimento considerável do ponto de vista de recursos para um planejamento e visão estratégica.

5) Passou a prevalecer a lógica curto prazista que dá razão ao uso mais indiscriminado do poder bélico. Tática cruel pôs reduz o espaço de mediação com lideranças sociais no território e expõe o policial a maior risco (em particular, de vida) em operações improvisadas e que se exige resultados midiáticos.

6) Diante disso, duas vias poderiam ser cogitadas. Primeira via, aprofundar essa lógica belicista de “território em guerra”. Segunda, socorrer financeiramente o governo estadual junto a planejamento estruturado de políticas numa lógica desenvolvimentista de “territórios produtivos”. Na segunda via, ao invés de intervenção militar, se teria uma solução federativa via o fortalecimento de um fundo nacional de segurança pública junto de políticas indutoras sobre a economia estadual.

7) Optou-se para primeira via, aquela da lógica belicista de “território em guerra”. Ela se adequa bem a interpretação resumida a crise moral e ineficiência administrativa, dado que é um governo estadual que se aceita fraco e inoperante e que renuncia a função que foi escolhida como a principal. Parte da opinião pública que acredita em soluções de força salvacionista vão idealizar os desdobramentos diante das demonstrações ostensivas das armas do poder público.

8) Porém, prevalece a questão central: e a questão financeira? Mantendo-se o governo estadual na lona, servo dos interesses de credores de dívida e pulando de receita extraordinária em receita extraordinária sem capacidade orçamentária para qualquer ação estratégica. Diante disso, não idealizo que se fortalecerá nem mesmo a pasta de segurança pública sem uma solução que garanta o fortalecimento financeiro do governo estadual para restabelecer suas políticas.

9) O que o governo federal faz agora é mais um ataque ao princípio federativo para dobrar a aposta no choque de austeridade que ele nos impôs. Um governo estadual que já serviu para articular isso nos últimos anos agora cumpre seu último papel, após condenar a economia agora entrega o controle do território. Após o saque e expropriação, legitima-se um território visto como em guerra que é um território fadado a ser improdutivo.

10) Ou superamos as limitações da tese de crise moral e ineficiência administrativa para uma olhar mais profundo para os problemas econômicos ou não entenderemos que ao invés de tanque e fuzil, o escudo do povo sofrido é sua carteira de trabalho. Inclusive para fortalecer a pasta de segurança esse olhar é preciso para ela se enxerga como composta de classe trabalhadora e voltarmos a ser todos sujeitos de nossa própria história como população fluminense. Só assim não vacilaremos em servir ainda mais a um governo federal que nos tira poder de gasto e recuperação socioeconômica.

Conclusão:

O tema de segurança vai se tornar o principal tema do processo eleitoral estadual. Cabe decidir se os candidatos vão escolher combinar com: austeridade fiscal máxima somada a lógica belicista de um território em guerra (logo, improdutivo), ou então com solução federativa que fortaleça de recursos as funções da administração estadual somada a carteira de trabalho como escudo do povo (ou seja, políticas de emprego e da renda sob um território produtivo).

*Bruno Sobral é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ e especialista em economia fluminense.

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Temer: Um histórico de dissimulação

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Publicação de: Viomundo

Luiz Eduardo Soares: Militares são peões “em um jogo de cartas marcadas”

Brasília – O Comandante Militar do Leste, General Braga Netto, durante entrevista coletiva sobre o decreto de intervenção no Estado do Rio de Janeiro (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Intervenção militar no Rio: dos juízes aos generais

por Luiz Eduardo Soares, via Conversa Afiada

A situação da segurança pública no Rio é gravíssima e, portanto, não há mais lugar para discursos oficiais defensivos e auto-indulgentes. O crime organizado se espalhou como por metástase, mas note bem: só há crime organizado quando estão envolvidos agentes do Estado. Segmentos numerosos e importantes das instituições policiais não apenas se associaram ao crime, mas o promoveram –e aqui se fala sobretudo no mais relevante: tráfico de armas, crime federal. O que fez a polícia federal ? O que fez o Exército, responsável com a PF pelo controle das armas? O que fez a Marinha para bloquear o tráfico de armas na baía de Guanabara? O Estado do Rio está falido, suas instituições profundamente atingidas, mas o que dizer do governo federal e dos organismos federais? De que modo uma ocupação militar resolveria questões cujo enfrentamento exige investigação profunda e atuação nas fronteiras do estado, além de reformas institucionais radicais e grandes investimentos sociais?

Os próprios militares sabem que não podem nem lhes cabe resolver o problema da insegurança pública. Sua presença transmitirá uma sensação temporária de que o Rio se acalmou, porque os sintomas estarão abafados, mas nada será solucionado e a solução sequer será encaminhada. Basta analisar o que se passou na Maré: o Exército ocupou as favelas por um ano, desgastou-se na relação com as comunidades, a um custo de 600 milhões de reais, e tão logo as tropas se retiraram, os problemas retornaram com mais força.

Já que não se trata de enfrentar os verdadeiros e permanentes desafios da segurança pública, muito menos resolvê-los, a que serve a intervenção: são três, a meu ver, suas funções, todas de natureza eminentemente política – é lamentável que os militares se prestem a esse papel, deixando-se manipular, politicamente, como peões em um jogo de cartas marcadas.

(1) Muda-se a narrativa sobre a realidade do Rio, investindo-se na expectativa sebastianista da redenção, que se realizaria, nesse caso, pelas Forças Armadas, em especial o Exército, e pelo governo federal. Um projeto dessa magnitude não seria implantado sem um acordo com a grande mídia, porque sua descrição dos fatos e sua escolha de focos serão decisivas para o êxito político da operação. Ela consistirá essencialmente no deslocamento de Bolsonaro, abrindo-se um espaço para que uma candidatura de centro-direita, em nome da lei e da ordem, mas legalista, capture o eleitorado de direita: ter-se-ia, assim, uma espécie de bolsonarismo sem Bolsonaro. Sai o capitão aventureiro e desorientado, e entram generais formalmente legalistas, embora “duros”. Abre-se novo espaço para candidaturas no Rio e no país, e para a emergência de lideranças “de fora da política” e “impolutas”. Parece que está em curso uma transição: aos poucos, deixamos de ser o país dos juízes para nos tornarmos a nação dos generais – de novo, ainda que, dessa vez, com cobertura legal, uma vez que, depois do impeachment, qualquer atropelo às leis poderá ser tolerado desde que os fins justifiquem, para seus operadores, os meios. As denúncias relativas ao auxílio moradia contra Moro e Bretas, poucos dias depois da condenação de Lula em segunda instância, deixam claro que, para a mídia e as elites que mandam no país, em particular o capital financeiro e seus sócios internacionais, o papel dos magistrados já foi cumprido e agora é tempo de “cortar suas asinhas” para evitar que acreditem no próprio personagem e avancem sobre o PSDB, os bancos e as corporações midiáticas. Como se vê, a intervenção militar no Rio complementa a exclusão de Lula da disputa eleitoral, uma vez que não seria suficiente exclui-lo e prosseguir na sistemática marginalização da candidatura Ciro Gomes, se a direita e o centro não se entendessem e criassem uma alternativa viável.

(2) Atuando-se reativamente na emergência, impede-se mais uma vez que alcancem a agenda pública temas fundamentais: (a) a política de drogas; (b) a reforma do modelo policial e a refundação das polícias, com a mudança do artigo 144 da Constituição (por exemplo, com a aprovação da PEC-51 que o senador Lindbergh Farias apresentou em 2013);

(3) a repactuação entre o Estado e as comunidades que vivem em territórios vulneráveis, em especial a juventude, de modo a que as instituições policiais deixem de ser parte do problema e se transformem em parte da solução. Hoje, as execuções extra-judiciais são a regra, o que leva analistas a declarar que essas áreas estão sob a regência de um Estado de exceção. Infelizmente, isso ocorre com a anuência, por cumplicidade ou omissão, do Ministério Público e as bençãos do poder Judiciário;

(4) o investimento em infra-estrutura, educação e cultura, e a abertura de novas oportunidades para a juventude mais vulnerável, respeitando-se as camadas populares e, assim, bloqueando o aprofundamento do racismo estrutural. Os recursos, aos bilhões, viriam do corte no pagamento de juros aos rentistas.

(5) Um efeito lateral nada desprezível seria a suspensão das votações no Congresso da reforma da previdência, salvando o governo de uma derrota, no item que supostamente justificaria sua ascensão ao poder. Por mais que, hoje, o governo negue essa possibilidade, está aberta a temporada de caça a brechas judiciais para obstar o processo de votação.

Não posso concluir sem chamar atenção para os riscos que a intervenção militar representa para os moradores das comunidades e para os próprios militares, que são jovens e não foram treinados senão para o enfrentamento de tipo bélico. A primeira morte provocada por um militar, em decorrência da nova legislação, será julgada pela Justiça militar, o que poderá transferir para a arena jurídico-política internacional a problemática da ocupação do Exército, tornando a operação política um desastre, a médio prazo, a despeito do provável apoio ufanista da grande mídia. Por outro lado, se um militar for atingido mortalmente, as consequências serão imprevisíveis, fazendo girar mais rápida e intensamente o círculo, ou a espiral da violência.

Além de tudo, não nos esqueçamos do exemplo mexicano: quando as Forças Armadas se envolvem na segurança pública, abrem-se as portas para sua degradação institucional.

Luiz Eduardo Soares é antropólogo, escritor, dramaturgo e professor de filosofia política da UERJ. Foi secretário nacional de segurança pública. Seu livro mais recente é “Rio de Janeiro; histórias de vida e morte” (Companhia das Letras, 2015)

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Publicação de: Viomundo

Ouça o Programa Brasil de Fato – Edição Sorocaba – 17/02/18


Rádio

Mobilizações contra a reforma da Previdência que ocorrem na segunda (19) são destaque no rádio

Redação |
Em Sorocaba, na Rádio Super (87.5 FM), o programa vai ao ar sábado às 12h, com reprise aos domingos no mesmo horário. Gabi Lucena | Bdf

Em Sorocaba, o programa deste sábado (17) destacaram a agenda de mobilizações que vão ocorrer na segunda-feira (19) contra a aprovação da reforma da Previdência.

A medida que praticamente retira o direito dos trabalhadores e trabalhadoras de se aposentar estava com votação marcada no Plenário da Câmara Federal nesta semana. Com o anúncio do decreto de intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro feito pelo presidente golpista Michel Temer na sexta-feira (16), a medida não pode ser votada enquanto o decreto estiver em vigor, de acordo com a Constituição Federal.

Mas, movimentos populares e centrais sindicais mantiveram os atos em todo o país como forma de pressionar o governo a retirar de vez a reforma da pauta.

João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) faz análise dos últimos acontecimentos envolvendo a reforma da Previdência e ainda fala das expectativas para as mobilizações contra a medida.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o diretor de carnaval, Thiago Monteiro falou sobre os temas que a escola levou para avenida e a repercussão que as alegorias, alas e fantasias que trouxeram questões atuais, como a perda de direitos dos trabalhadores tiveram nas redes sociais.

“A repercussão na proporção que ela tomou chegou a surpreender um pouco, mas quando a escola se propôs a fazer o enredo, ela sabia que atingiria determinadas pessoas da sociedade, que [o tema] seria, no mínimo, debatido. Então, isso nos traz muita alegria, porque eu acho que o objetivo foi atingido, de, pelo menos, fazer o povo, a sociedade debater o assunto”, diz Monteiro.

No quadro Alimento é Saúde você vai conhecer os benefícios do orégano para além do tempero. A planta possui propriedades antissépticas e antibióticas. Para quem sofre de algum problema respiratório como bronquite e sinusite, por exemplo, o condimento pode ser usado para inalação. Aprenda como fazer.

E tem música boa para animar o sábado! Anitta, Jojo Todynho, Karol Konka, MC Kevinho e Simone e Simaria estão entre os destaques musicais. Além disso, você ouve Wilson das Neves, com O Dia Em Que O Morro Descer E Não For Carnaval e Martinho da Vila, com Aquarela Brasileira para se despedir ou estender um pouco mais o clima de carnaval.

Temer é primeiro presidente a intervir em um Estado

Em entrevista à DW Brasil, o coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da Universidade de Brasília (NEV-UnB), Arthur Trindade, disse que essa intervenção na segurança do Rio de Janeiro é “inédita”.

Diz o especialista que já aconteceram outras intervenções na área de Segurança Pública no Brasil durante a Nova República, mas elas foram chamadas de “intervenção branca”, porque não se deram a partir de decreto presidencial.

O que aconteceu outras vezes foi o governo federal nomear uma autoridade militar como secretário de Segurança Pública para assumir a área. Em Alagoas, foi feito duas vezes.

Pela primeira vez, o presidente decreta a intervenção. É muito diferente de apenas nomear um secretário. Todas as polícias ficam subordinadas a esse interventor, que, por decreto, não está subordinado ao governador. Portanto, ele está fora do jogo da política estadual. Isso é muito inusitado.

Se isso confere um grande poder ao interventor, e é isso que se deseja, às vezes, por que não foi feito antes?

Os outros presidentes, como Fernando Henrique e Lula, nunca quiseram, pois isso trava qualquer possibilidade de reforma.

No caso do Temer, é politicamente interessante, pela impossibilidade de aprovar a reforma. Embora ele diga que pode suspender a intervenção para votá-la, se isso for levado ao STF, alguns ministros irão se posicionar radicalmente contra a suspensão.

O pesquisador diz que não foram critérios relacionados a crimes e homicídios, que fizeram Temer decretar intervenção no Rio de Janeiro porque esse Estado não tem a pior situação dos homicídios no Brasil. Ceará e Rio Grande do Norte estão em situação muito pior.

O Rio tem essa questão midiática. O próprio general interventor (Braga Netto), ao assumir, disse: “Muita mídia”.

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Publicação de: Blog da Cidadania

Temer: Breve histórico de um campeão da dissimulação, scripta manent

Da Redação

11 de janeiro de 2006. O telegrama foi enviado pelo então cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, Christopher J. McMullen, à burocracia dos Estados Unidos, inclusive ao Conselho de Segurança Nacional.

Era o relato de uma conversa com o presidente do PMDB, Michel Temer.

A releitura do telegrama, em retrospectiva, é reveladora.

Temer diz ao cônsul que o PMDB pode fechar aliança com o PSDB — ou renovar com o PT. Ou lançar candidato próprio. Elenca os possíveis candidatos do seu partido, mas sempre com senões.

Temer critica os programas sociais de Lula. Temer não faz objeções à ALCA, um projeto-chave para os Estados Unidos.

Um dos intertítulos do telegrama diz: Com aliados como este…

Os norte-americanos já sabiam!

Temer não está com ninguém, mas com… Temer. Age nas sombras, dissimulado.

Da conversa com o cônsul salta aos olhos a tentativa de reforçar seu papel de interlocutor preferencial. O cara!

Fevereiro de 2015. Eduardo Cunha é eleito presidente da Câmara. Irmãos siameses, diz, sobre a dupla Temer-Cunha, o ex-governador Ciro Gomes.

Segundo o delator Dilson Funaro, foi Temer quem colocou Fábio Cleto, o operador de Cunha, na Caixa Econômica Federal. Na mesma Caixa, operou Geddel Vieira Lima, muito próximo de Temer, na condição de vice-presidente.

A ambição do PMDB pelo poder total se consolidou com a ascensão de Cunha, manobrando sua maioria na Câmara à base de propinas.

29 de outubro de 2015: é a data do lançamento oficial do programa Ponte para o Futuro, anunciado como release Temer no link: http://pmdb.org.br/wp-content/uploads/2015/10/RELEASE-TEMER_A4-28.10.15-Online.pdf.

O vice apresenta seu programa de governo com Dilma sentada na cadeira presidencial.

2 de dezembro de 2015: Eduardo Cunha acolhe o pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

7 de dezembro de 2015. Divulgada a carta de Temer a Dilma, em que ele faz a defesa, em termos paroquiais, dos aliados escanteados por Dilma do governo: Moreira Franco, Eliseu Padilha e Edinho Araújo, o homem da Secretaria dos Portos de janeiro a outubro de 2015.

“A senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado”, reclamou Temer em sua carta, que remete à pia batismal da carreira de Temer, o porto de Santos.

“Assessoria do vice disse que ele se surpreendeu com divulgação de carta”, anunciou o G1. Todos acreditamos. Foi o rompimento oficial, mas dissimulado.

Dilma, em retrospectiva, tinha razão para desconfiar — e mandava o ministro da Justiça conversar com o então vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Temer, em sua carta, deixou explícito: “Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o Vice Presidente Joe Biden — com quem construí boa amizade — sem convidar-me o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio da “espionagem” americana, quando as conversas começaram a ser retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar com o Vice Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado absoluta falta de confiança”.

Notem que Temer se refere à espionagem dos Estados Unidos, que de fato e comprovadamente aconteceu, como “espionagem”, entre aspas.

Àquela altura, Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala, era assessor de Temer na vice-presidência.

Anotações encontradas na casa de Loures pela Polícia Federal, datadas de 2015 e 2016, fazem referência a uma série de medidas que poderiam indicar envolvimento direto de Temer na campanha do impeachment: “vamos ajudar deputado a decidir, ele está indeciso”, diz uma delas. Outra fala em colocar faixas nas proximidades de casas de deputados e uma terceira menciona anúncios em jornais (o que a Fiesp e vários outras entidades fizeram).

07 de março de 2017. Temer, já oficialmente usurpador, recebe Joesley para a conversa íntima no Jaburu. “Sempre pela garagem, viu?”, disse a certa altura.

Temer está seguro de que uma decisão “política” do TSE vai evitar a cassação da chapa Dilma-Temer, como de fato aconteceu.

Joesley fala sobre Geddel Vieira Lima, recém-afastado do governo, com a intimidade de quem recebera dele R$ 4,4 bilhões em créditos da Caixa, quando Geddel era vice-presidente do banco.

Joesley faz uma pergunta-chave sobre o financiamento da campanha de 2018.

O diálogo é concatenado pelo próprio Joesley: Geddel-financiamento de campanha:

Batista – Geddel você tem visto ele?

Temer – Falou comigo hoje, por telefone. (inaudível) uma razão (inaudível)

Batista – Exatamente. Como vai financiar 2018?

Temer – Não sei. (Inaudível) Acho que quando melhorar bem a economia, muda.

É Temer candidato à reeleição, àquela altura contando com os R$ 51 milhões no bunker de Geddel?

Geddel, diga-se, já em 2014, na condição de secretário-geral do PMDB, pregava o rompimento do partido com o governo liderado pelo PT.

Em sua última postagem no Facebook antes de deixar o governo, Geddel, já na condição de ministro de Temer, atacou Dilma: “O país não aguentaria mais ser dirigido por uma pessoa inepta”.

Citado na Lava Jato, terminou a entrevista ao diário A Tarde, de Salvador, dizendo que a menção a ele era “uma leviandade que repilo com vigor”.

Geddel, que por questões regionais rompeu com o PT e fez campanha por Aécio Neves em 2014, foi catapultado por Temer de uma vice-presidência da Caixa para a intimidade da Secretaria de Governo.

Hoje, sabe-se, é o pedaço mais escancarado da quadrilha.

22 de março de 2017. Com esta data, o lobista da Shell em Brasília, Tiago de Moraes Vicente, incrivelmente filiado ao PMDB, assina carta pedindo a Temer audiência com o presidente mundial da companhia, Ben van Beurden, que aconteceria no dia 5 de abril. A carta foi encontrada na casa de… Rocha Loures, o homem da mala.

Naquele mesmo mês de março, o ministro do Comércio britânico, Greg Hands, esteve no Brasil, visitou três capitais e esteve com Paulo Pedrosa, homem forte do Ministério das Minas e Energia, fazendo lobby pela redução de impostos e redução dos licenciamentos ambientais, conforme o diário britânico Guardian.

Temer atendeu aos pleitos da petroleira. Assim, sem mais, nem menos?

O fato é que a dissimulação de Temer atravessa toda esta narrativa.

Por ela, fica claro que ele não dispensará qualquer caminho para se manter no poder, inclusive o que implique em adiar as eleições ou governar cedendo poder ao general Sergio Westphalen Etchegoyen, formalmente chefe do Gabinete de Segurança Institucional, mas na verdade ministro do Interior à moda antiga.

Como escreveu Temer em sua carta a Dilma, provavelmente com uma chantagem embutida:

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem).

Dentre os escritos, aquele, em que Eduardo Cunha contou tudo: “O verdadeiro diálogo ocorrido sobre o impeachment com o então vice-presidente, às 14h da segunda-feira 30 de novembro de 2015, na varanda do Palácio do Jaburu, 48 horas antes da aceitação da abertura do processo de impeachment, foi submeter a ele o parecer preparado por advogados de confiança mútua. Foi debatido e considerado por ele correto do ponto de vista jurídico”.

Leia também:

CUT diz que intervenção militar “é mais um vexame” de Temer

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Publicação de: Viomundo

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