Da Redação

Numa pesquisa do UOL com internautas, mais de 90% escolheram a Paraíso do Tuiuti como a campeã do domingo de desfiles na Marquês de Sapucaí.

Foi a escola que rompeu o silêncio em torno das reformas neoliberais do governo Temer, apoiadas de forma uniforme e massiva — às custas de muito dinheiro, inclusive — pelos barões da mídia.

Numa página do Facebook, a simples reprodução da foto de Jack Vasconcelos, o carnavalesco da escola, rendeu mais de mil compartilhamentos.

Em outra, um comentarista descontente escreveu que era só o que faltava, um “carnavalesco comunista”.

O fato é que Vasconcelos e sua escola de samba mexeram com os brasileiros nas arquibancadas e nas redes sociais, ao tratar de forma direta do “segredo de Polichinelo” que a mídia corporativa tenta esconder: a derrubada de Dilma Rousseff pelos paneleiros e patos, alguns dos quais manipulados por dinheiro grosso da Fiesp, com ampla cobertura da Globo e congêneres, abriu caminho para a ‘escravidão moderna’: o assalto aos direitos sociais dos brasileiros, cristalizada na reforma trabalhista do vampiro neoliberal, Michel Temer.

Na página de Vasconcelos no Facebook, dezenas de elogios.

Na da Paraíso do Tuiuti, que tem modestos 35 mil seguidores, já foram feitos mais de 350 comentários na reprise do desfile do domingo à noite, a grande maioria rasgando elogios à escola.

Nos bastidores, Jack Vasconcelos é tido como uma das revelações do Carnaval carioca.

Em fevereiro de 2017, deu entrevista ao site especializado Carnavalesco, na qual disse que uma de suas principais influencias foi Joãosinho Trinta, que criou o mítico Ratos e Urubus em 1989, pela Beija Flor, uma ácida crítica social que teve a imagem de um Cristo mendigo proibida.

– Quando você descobriu que tinha dom para artes e como foi?

Jack Vasconcelos: Eu desenhava na escola. Tentava imitar os traços do Daniel Azulay, que tinha um programa de TV e eu assistia muito.

Comecei rabiscando, e no colégio eles viram que eu tinha aptidão para desenho. Mas nesta fase, nunca passou pela minha cabeça seguir essa área, e minha família não tinha nenhuma interação com o carnaval.

Mas eu gostava da área de desenho, e só mais tarde passei a acompanhar carnaval, e fui gostando mais, investi na parte de desenho.

– E como entrou no mundo carnavalesco?

Jack Vasconcelos: Certa vez fui a Viradouro e o Joãozinho Trinta que me recebeu. Ele me mostrou os desenhos e foi quando eu vi que eu não desenhava nada. Ali eu pensei que precisava estudar mais desenho.

Eu pensava que desenhava alguma coisa e saí de lá me sentindo humilhado. Ele me aconselhou a estudar, porque eu era novo, adolescente e eu quis investir muito nisso. E a área do carnaval me atraiu, eu achei que podia fazer.

No mesmo dia que o João me falou aquilo, isso ali pelos anos 90, eu já estava me inscrevendo num curso de desenho artístico. Fiquei no curso por uns quatro anos, e foi um divisor de águas para mim.

Eu me interessei por carnaval vendo o produto final dele, que é a parte mais fácil. Mas ele por dentro eu pensava que era uma coisa e era outra completamente diferente. E já não tinha como voltar atrás.

Eu já estava apaixonado por esse universo.

– Em casa, a família incentivou quando você disse que ia trabalhar em barracão de escola de samba?

Jack Vasconcelos: Minha família me apoiou completamente, desde sempre. Claro que havia preocupação, porque quem envereda pelo lado artístico trabalha numa inconstância a vida toda.

Na verdade, hoje em dia, nem ser concursado dá instabilidade; isso ficou lá atrás.

O conselho do João foi crucial porque a gente as vezes pensa que está pronto para algo, mas a verdade é que a gente nunca está.

Sou eternamente grato a ele. Eu tenho esse hábito de estar sempre estudando. Manter-se bem informado é um estudo. Se você tem hábito de se informar sempre, ler um jornal, é estar estudando.

Eu gosto disso. Eu acabei me apaixonando pela área artística quando fui fazer Belas Artes, e acabei me interessando por outras áreas para saber como elas poderiam me ajudar no carnaval.

Fiz teatro, fiz TV, então fui pegando as oportunidades que apareceram e isso foi me dando gosto. Meus pais trabalhavam com livros, então eu já era íntimo de sempre querer aprender, me informar sempre mais.

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Publicação de: Viomundo