Das catacumbas da história, emerge uma figura que o Brasil esqueceu, mas que foi alvo de um dos mais rotundos fracassos administrativos da história deste país.

Se você acha que o Brasil tem problemas hoje, ou é muito jovem, ou tem problemas de  memória, ou é um completo idiota. Em 1988, o Brasil se debatia em meio ao que ficou convencionado chamar de “estagflação”.

Só quem viveu aquilo sabe o que foi…

Era o penúltimo ano do desastroso governo José Sarney. O Plano Cruzado havia fracassado, a inflação voltara com força e, sabe Deus por que, o então presidente convocou um economista desconhecido e sem maiores credenciais para arrumar a casa.

Mailson da Nóbrega, o novo ministro da Fazenda, havia declarado que faria uma política econômica “feijão com arroz”, sem “soluções miraculosas”, realizando somente ajustes pontuais para evitar uma hiperinflação. Todavia, a inflação incrível de 1987, de 415,87%, foi amplamente superada pela construída pela política “feijão com arroz”, de 1.037,53% ao final de 1988.

Ainda assim, Nóbrega vive dando receitas econômicas e políticas que ninguém pediu, de lá da lata de lixo da história.

Desta feita, em artigo publicado no site da revista Veja, ele mostra  que algumas pessoas têm a capacidade de piorar com o tempo. Do alto da sua insignificância, ataca o ex-presidente Lula e conta uma história de ninar: os dois governos Lula não foram obra dele, mas de FHC.

E Nóbrega ainda se arrisca na “ciência” da futurologia, dizendo que um terceiro governo Lula seria um fracasso.

É interessante conferir a elucubração desse sujeito porque pessoas como ele estão ressuscitando em um momento em que a mediocridade perdeu a vergonha e tomou o poder, de modo que sempre haverá o risco de alguém como ele voltar a ter alguma importância se a direita lograr o feito impensável de se manter no poder após 2018.

Ao texto, pois.

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Da Veja.com

Se concorrer e ganhar, Lula dificilmente fará um bom governo

Se quiser conquistar os mercados, cometerá estelionato eleitoral e perderá popularidade. Se mantiver a linha populista, terá dificuldades de governar

Por Maílson da Nóbrega

 31 dez 2017, 08h32

Imagine o leitor que Lula supere os obstáculos judiciais à preservação de sua candidatura à Presidência. Suponha, adicionalmente, que o centro político se fragmente a ponto de nenhum de seus candidatos chegar ao segundo turno. O cenário provável seria uma disputa final entre Lula e Jair Bolsonaro, na qual Lula venceria.  Combinaria maior capacidade de conquista de votos com as muitas desvantagens eleitorais de Bolsonaro.

Eleito, Lula não contaria com quatro fatores de êxito de seu primeiro mandato, a saber:

1)    O efeito retardado das reformas do governo FHC, cujos ganhos de produtividade permitiram a ampliação do potencial de crescimento da economia;

2)    A bonança decorrente da emergência da China como potência econômica, que a transformou no maior parceiro comercial do Brasil;

3)    O ciclo favorável de preços das commodities, que gerou ganhos de comércio para o Brasil, equivalentes a um expressivo ganho de produtividade;

4)    O recrutamento de nomes de prestígio para a equipe ministerial, além de conhecidos talentos para servir em várias posições da área econômica.

Além disso, Lula assumiria com a economia em lenta recuperação. O governo de Michel Temer reverteu a grave recessão, mas muito ainda é necessário para restaurar o ambiente de 2003, gerador do espaço para ampliar gastos sociais.

Lula voltou aos tempos do radicalismo. Promete um plebiscito para revogar a reforma trabalhista, o teto de gastos e a reforma previdenciária, caso venha a ser aprovada;

Os mercados se assustariam na campanha. A piora do ambiente provocaria fuga de capitais, alta do dólar, elevação dos juros futuros e fortes pressões inflacionárias. Lula poderia prometer algo como a Carta ao Povo Brasileiro de 2002, mas agora dificilmente teria credibilidade para conquistar o apoio do empresariado e dos mercados. Poderia até reverter parte da desconfiança, mas nada comparável ao que ocorreu naquele período.

Para ganhar confiança, Lula poderia comprometer-se em manter as reformas de Temer e em aprofundar as mudanças estruturais, numa linha liberal. Seria um estelionato eleitoral semelhante ao praticado por Dilma quando adotou medidas opostas às prometidas durante a campanha eleitoral. A rápida perda de popularidade dificultaria a condução do governo.

Em lugar disso, Lula poderia insistir na revogação das reformas e ampliaria os gastos do governo para conquistar apoio social. Seria o caminho para o desastre.

Lula não terá vida fácil. O país enfrentará grave crise caso ele, se eleito, aderir a um programa de cunho liberal ou preservar o populismo que tem adotado recentemente.

 

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