Tensão

Além disso, a emissão de vistos na embaixada em Havana foi suspensa de maneira indefinida

Redação |
Embaixada dos Estados Unidos em Havana (Cuba) Wikimedia

O governo dos Estados Unidos ordenou nesta sexta-feira (29/09) a retirada de todo seu pessoal não essencial da  embaixada em Cuba, em decorrência do suposto “ataque acústico” que teria atingido pelo menos 21 norte-americanos que trabalham no local cujo responsável ainda se desconhece. Além disso, a emissão de vistos na embaixada em Havana foi suspensa de maneira indefinida, segundo as emissoras CNN e CBS.

Mais cedo, o governo norte-americano já havia afirmado que o secretário de Estado, Rex Tillerson, estava “revisando todas as suas opções”, inclusive a retirada de parte do pessoal diplomático em Cuba, após o “ataque acústico”.

Dois dias antes, na terça (26/09), Tillerson se reuniu em Washington com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, para tratar do assunto. Após o encontro, o Departamento de Estado disse, em um comunicado, que a conversa entre ambos foi “firme e franca”, e que “refletiu a profunda preocupação dos Estados Unidos com a segurança de seu pessoal diplomático”.

Nela, Tillerson “expressou a gravidade da situação e insistiu às autoridades cubanas sobre sua obrigação de proteger o pessoal da embaixada e suas famílias”.

Cuba afirma estar investigando o incidente. Em nota divulgada na terça (28/09), a chancelaria do governo da ilha afirmou que Rodríguez “transmitiu que, de acordo com o resultados preliminares obtidos pelas autoridades cubanas em sua investigação, que levou em conta os dados repassados pelas autoridades dos Estados Unidos, até o momento não há evidências das causas e da origem dos problemas de saúde reportados pelos diplomatas estadunidenses”.

“O chanceler assegurou a Tillerson que a investigação para esclarecer este assunto segue em curso e que Cuba tem um grande interesse em concluí-la, para o qual é imprescindível contar com a cooperação eficiente das autoridades estadunidenses. Ele afirmou que seria lamentável que se politizasse um assunto dessa natureza e que se tomem decisões apressadas e sem sustentação em evidências e resultados investigativos conclusivos”, diz o comunicado cubano.

‘Ataque acústico’

Os EUA afirmam que pelo menos 21 norte-americanos que trabalham na embaixada sofreram “incidentes de saúde”, ainda que também ressaltem que não tenham “respostas definitivas sobre a fonte ou causa” dos mesmos. Alguns destes diplomatas teriam sofrido lesões cerebrais traumáticas leves e perda de audição por causa dos incidentes.

As novas tensões se emolduram em um período de esfriamento das relações bilaterais por conta da nova política fixada pelo presidente Donald Trump, que impôs restrições à reaproximação com a ilha, defendeu o bloqueio comercial e se negou a negociar com o governo de Raúl Castro enquanto não houvesse o que chamou de “avanços democráticos” em Cuba.