Lula pelo Brasil

Ele conheceu histórias de estudantes que ingressaram no ensino superior e técnico através de programas de seu governo

Mariana Pitasse |
Lula posa ao lado de alunos do curso de teatro do Instituto Federal Fluminense (IFF). José Eduardo Bernardes

Com a presença massiva da juventude durante os atos da Caravana Lula pelos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, o ex-presidente destacou a necessidade de retomar o investimento em educação para alavancar o crescimento do país.

Lula entrou em contato com diversas histórias de estudantes que tem um ponto em comum: o ingresso nas universidades e nos cursos profissionalizantes a partir de programas sociais e políticas públicas criadas durante a gestão dele e da presidenta Dilma Rousseff. 

Esse é o caso do capixaba Murilo Maia, de 27 anos, que se formou em física na unidade Cariacica do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Murilo começou o curso incentivado por sua mãe, que trabalhou a vida toda como cozinheira, e acreditava que só a partir dos estudos o filho teria mais oportunidades.

“Aqui descobri minhas paixões e o que eu queria fazer da minha vida. Continuo estudando para ser professor de física, para motivar as gerações futuras a estudarem e colocar o Brasil para frente”, diz. 

Wesley Pires, de 30 anos, também quer ser professor, mas de geografia. Ele veio de Cachoeiro do Itapemirim (ES), até Campos dos Goytacazes (RJ) para estudar no Instituto Federal Fluminense (IFF).

Sem apoio da família, Wesley teve que conciliar as aulas com o trabalho até conseguir bolsas auxílio que garantissem a continuidade dos estudos.

“Vim com a cara e a coragem. No início trabalhava e estudava, até conseguir auxílio moradia, assistência estudantil e bolsa permanência, que é o aparato para eu me manter aqui. Se estou aqui é graças a esses auxílios”, conta. 

O Programa de Bolsa Permanência que garantiu os estudos do Wesley foi ampliado nos governos Lula e Dilma. Somente no estado do Rio, foram mais de 117 mil bolsas pelo Prouni, que promove o acesso de estudantes de escolas públicas às universidades particulares. Também foram firmados aproximadamente 135 mil contratos através Fies, programa de financiamento de graduações de ensino superior. Além disso, foram criados cinco novos campi universitários e 23 novas escolas técnicas. 

Já no estado do Espírito Santo, foram mais de 32 mil bolsas pelo Prouni, cerca de 58 mil contratos pelo Fies, um campus universitário e 16 novas escolas técnicas. 

A estudante de arquitetura do Instituto Federal Fluminense, Rayane da Silva, de 18 anos, também se mantém em Campos dos Goytacazes com sua bolsa estudantil. 

“Eu vim de Italva, no estado do Rio, um lugar que não tem faculdade e nem curso técnico. Eu moro com minha mãe, ela é faxineira. Ela sempre soube que aqui eu teria oportunidades de crescer, bem diferente da realidade da minha cidade. Eu recebo a bolsa auxílio moradia, além disso a bolsa atleta. Preciso desse dinheiro, minha mãe não tem condições de me manter aqui”, explica. 

No IF de Campos, Lula foi recebido por centenas de estudantes e demonstrou sua preocupação com o cenário da educação no país, após a aprovação, no ano passado, da Proposta Emenda Constitucional (PEC) que congela os gastos públicos pelos próximos 20 anos. A medida afeta, principalmente, os investimentos na área de educação e saúde. 

O ex-presidente ainda afirmou que falta muito para se fazer pelo ensino brasileiro e lembrou dos cortes anunciados pelo governo golpista de Michel Temer, principalmente no ensino técnico. Em 2018, o investimento na área da educação será 35% menor.

“Educação tem que ser prioridade. Não tem investimento mais sagrado para um país que não seja em educação. No meu primeiro mandato proibi o uso da palavra gasto para educação, é investimento. Quando você coloca dinheiro em uma empresa, ela pode falir, mas a educação faz com que as pessoas cresçam e a sociedade conquiste aquele bem e evolua”, afirmou o ex-presidente.

Para o reitor do Instituto Federal Fluminense, Jefferson de Azevedo, os governos de Lula e Dilma inauguraram uma nova maneira de investir em educação no país. 

“Uma lógica de levar educação para os interiores e dar oportunidade para os filhos de trabalhadores de fazerem faculdade, mestrado, doutorado e escolher de maneira livre suas opções educativas”, opina. 

Para Lula, a prioridade que a educação teve em seus governos tem relação também com sua história pessoal: 

 “Eu sou filho de uma mulher que teve 12 filhos, quatro morreram. Eu fui o primeiro a ter diploma primário, por isso, tive condições de ir para o Senai, fazer o curso de torneiro mecânico e trabalhar em uma empresa grande. Ganhava um salário infinitamente maior do que dos meus irmãos, eu fui o primeiro a ter uma casa, uma geladeira e uma televisão. Eu aprendi que um homem formado tem um valor maior na sociedade e possibilidades de vencer na vida mais do que alguém que não tem nenhuma formação”, afirmou em seu discurso em Campos. 

A Caravana Lula pelo Espirito Santo e Rio de Janeiro passou pelas cidades de Vitória, Cariacica, Campos dos Goytacazes, Marica, Itaborai, Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu e Rio de Janeiro.