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 Da Redação

A doutora Ela Wiecko, do Ministério Público Federal (MPF), é uma das maiores autoridades brasileiras na área de Direitos Humanos.

Até esta terça-feira (30/08), era vice-procuradora geral da República. Ou seja, a número dois na hierarquia da Procuradoria Geral da República (PGR).

Hoje, ela pediu exoneração do cargo.

Foi após reportagem da revista Veja, que denuncia um vídeo, mostrando-a em um evento em Portugal contra o golpe no Brasil.

“Eu estava de férias, em um curso como estudante. É isso”, respondeu à revista (ao final, a íntegra da entrevista).

Na entrevista, Wiecko denunciou que  o processo de impeachment “é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras”.

Além de respeitadíssima, Ela Wiecko é muito querida dentro do próprio MPF.

Sua renúncia certamente vai mexer com os brios de muitos omissos neste momento.

Como ela é procuradora de carreira, ela permanecerá na PGR.

Enquanto isso, delegados federais que fizeram campanha abertamente pela eleição de Aécio Neves nas redes sociais seguem na Operação Lava Jato.

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Em 2008, a procuradora federal do Direitos do Cidadão, Ela Wiecko, ouve reclamações de segurados do INSS durante vistoria em posto em Brasília. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

NOTA PÚBLICA EM SOLIDARIEDADE A ELA WIECKO

da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados

Ela Wiecko é uma das maiores autoridades do país na área dos direitos humanos. Sua trajetória, dentro e fora do Ministério Público Federal, é exemplar e digna de gratidão e reconhecimento.

Colaboradora de anos e anos desta Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Ela Wiecko é uma referência em lutas essenciais à nossa democracia: contra o trabalho escravo, pelos direitos dos povos indígenas e quilombolas, pela igualdade racial e de gêneros, pela ética na política.

Uma pessoa cuja sensibilidade social e compromisso com a Justiça são indissociáveis de sua atividade profissional e posicionamento cidadão.

Respeitamos sua decisão de renunciar ao cargo de Vice-Procuradora Geral da República, registrando no entanto a lacuna que se abre na instituição neste momento delicado da vida nacional, com tantos riscos à democracia e aos direitos humanos.

Sabemos que poderemos continuar contando, como sempre contamos, com sua atuação funcional destemida e consequente na defesa dos direitos fundamentais do povo brasileiro.

Deputado Padre João 

Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados 

De Renato Simões*, no Facebook 

Não há militante de Direitos Humanos desse país que não tenha uma palavra de gratidão e reconhecimento a Ela Wiecko.

Sua renúncia ao cargo de Vice-Procuradora Geral da República, depois de ter denunciado o caráter golpista do processo de impeachment em curso, é outro episódio dessa vida pela qual devemos agradecer e reconhecer.

Ela Wiecko é uma das mais dedicadas e aplicadas procuradoras da República.

Por sua profunda sensibilidade e compromisso social, Janot teve que destacar em sua nota onde anuncia a renúncia de Ela: “na Vice-Procuradoria-Geral da República, ela foi responsável por importantes projetos na área de direitos humanos, como a criação do Comitê Gestor de Gênero e Raça do Ministério Público Federal e a defesa da legalidade da Lista Suja do trabalho escravo. Também teve atuação de destaque no Conselho Superior do Ministério Público Federal e nos processos junto à Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça.”

Parece muito, mas é pouco ainda para registrar a atividade de Ela pelos direitos humanos e pela ética na política.

Tempos bicudos esses do golpe, em que procuradores coxinhas perseguem partidariamente lideranças e partidos, impunemente, enquanto a opinião de uma Sub-Procuradora Geral da República com tantos serviços prestados gera sua inabilitação para continuar no cargo.

Sua renúncia deve ser oportunidade para uma série reflexão da cúpula do Ministério Público Federal sobre a instituição e sua participação no golpe.

Como disse Ela Wiecko em sua entrevista, tem muita gente no MPF (e na sociedade) que pensa como ela.

#NãoAoGolpe #ImpeachmentSemCrimeÉGolpe #ForaTemer

E viva Ela Wiecko!!!

* Renato é ex-deputado federal pelo PT/SP, com atuação principalmente na área de direitos humanos. 

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Vice-procuradora da República denúncia: “É um golpe dentro daquelas regras”

Do Blog do Esmael, em 30/08/2016  

A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko Volkmer de Castilho, em entrevista na Veja, disse nesta terça (30), que o processo de impeachment “é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras”. Abaixo, leia a íntegra:

‘É um golpe’, diz vice-procuradora da República sobre impeachment

Número dois de Rodrigo Janot, que participou de protesto anti-Temer, diz a VEJA que não gosta de ver o peemedebista como presidente do Brasil

por Rodrigo Rangel em 30 ago 2016, 15h58 Brasil

Para a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko Volkmer de Castilho, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, agora em fase final no Senado, é golpe. Número dois de Rodrigo Janot, Ela Wiecko participou em junho passado, em Portugal, de uma manifestação que pedia “Fora Temer” e denunciava o suposto golpe em curso no Brasil. A participação da procuradora no ato foi revelada nesta terça-feira pelo site de VEJA.

Em entrevista por telefone, ela disse ter ido ao ato como cidadã, e não como procuradora. Em seguida, reforçou a crítica ao processo contra Dilma: “Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras”.

Recentemente, foi o marido de Ela Wiecko, Manoel Lauro Volkmer de Castilho, quem protagonizou outra polêmica. Ele era um dos principais assessores do ministro Teori Zavascki, relator dos processos do petrolão no Supremo Tribunal Federal, e acabou obrigado a pedir demissão após a descoberta de que assinara um manifesto em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A VEJA, Ela Wiecko disse que não está satisfeita com a chegada de Michel Temer à Presidência da República. E, cometendo uma inconfidência, ela explica um dos motivos de sua resistência ao peemedebista: o fato de ele estar entre os alvos das delações premiadas em tramitação na Procuradoria-Geral da República.

“Eu estou incomodada com essas coisas que estão acontecendo no Brasil. Acho que não foi da melhor forma possível. E pelas coisas que a gente sabe do Temer, não me agrada ter o Temer como presidente. Não me agrada mesmo. Ele não está sendo delatado? Eu sei que está. Eu não sei todas as coisas a respeito das delações, mas eu sei que tem delação contra ele”. A seguir, a entrevista.

Em um vídeo a senhora aparece numa manifestação que chama o processo de impeachment de golpe. O que a senhora pode dizer a respeito?

Eu estava de férias, em um curso como estudante. É isso.

Há quem considere que é difícil dissociar a posição de vice-procuradora geral da República de uma situação como essa.

Eu não posso falar nada? Não posso ter nenhuma liberdade de manifestação? (Isso) é um pouco exagerado, né? E eu fui discreta, eu estava junto (dos manifestantes), não tive nenhum protagonismo maior. Eu estava de férias. (Isso) é um patrulhamento que impede a pessoa de ser o que ela é, de pensar.

A senhora partilha da opinião de que o processo de impeachment é um golpe?

Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras. Isso a gente vê todo dia, é parte da política.

Seria, então, um golpe com participação da Suprema Corte e da própria Procuradoria-Geral da República, da qual a senhora faz parte?

Aí tem que ser uma conversa muito mais comprida.

Mas a senhora vê irregularidades no processo?

Você está me perguntando como procuradora da República ou como cidadã? Eu posso falar até claramente, mas não vou falar por telefone.

A senhora se arrepende de ter participado do ato?

Não, não me arrependo.

Havia outras autoridades ali?

Não. Eu estava ali como estudante, de férias. É um curso de verão, de sociologia jurídica, com o professor Boaventura. Tinha gente de outros países também.

A ideia de fazer a manifestação surgiu na sala de aula?

Eu não fui a organizadora.

Como a senhora recebe a repercussão dessa situação? Isso a constrange dentro do Ministério Público?

Tem muita gente que pensa como eu dentro da instituição. Eu estou incomodada com essas coisas que estão acontecendo no Brasil. Acho que não foi da melhor forma possível. E pelas coisas que a gente sabe do Temer, não me agrada ter o Temer como presidente. Não me agrada mesmo. Ele não está sendo delatado? Eu sei que está. Eu não sei todas as coisas a respeito das delações, mas eu sei que tem delação contra ele. Então, não quero. Mas as coisas estão indo.

O que a senhora pensa do Temer exatamente?

Eu vou cortar a conversa aqui. Se quiser conversar comigo, tem que conversar olho no olho. Não vou ficar falando por telefone.

A senhora pode nos receber?

Vou ver como está minha agenda, porque estou com muitos compromissos. Agora mesmo estou indo para uma sessão no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Não sei a que horas vai terminar.

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Publicação de: Viomundo