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Eles estão com os dias contados. Atiram na blogosfera mas vão morrer nas mãos de um “aliado” gringo: Mark Zuckerberg, do Facebook 

por Conceição Lemes, Luiz Carlos Azenha e Leandro Guedes

O Viomundo surgiu em 2003, num apartamento da rua Duane, em Tribeca, Manhattan.

Foi sugestão do jornalista Roberto Chahim a um correspondente internacional frustrado pelo fato de que tinha de encaixar assuntos complexos em 60 segundos do Jornal Nacional.

Logo vieram o empresário Kauê Linden, o webdeveloper Leandro Guedes e a premiadíssima repórter investigativa Conceição Lemes, a editora do site.

Aos poucos, a nós foram se juntando centenas de colaboradores informais: leitores, comentaristas, colunistas, jornalistas que não encontravam espaço em seus próprios empregos formais.

Formamos uma crescente comunidade virtual.

Mergulhamos na blogosfera e descobrimos, especialmente com o Luís Nassif, que o discurso único conservador passara a repetir, com o governo trabalhista de turno — Lula, em primeiro mandato — o que fizera anteriormente com Getúlio Vargas e João Goulart.

Por isso, nossa ideia evoluiu para um site de esquerda que faria contraponto ao que internautas batizaram de GAFE.

Mesmo aqueles que entre nós não se definem ideologicamente como de esquerda acreditam que a mídia tradicional não reflete a diversidade da sociedade brasileira — e é preciso mudar isso.

Nossa audiência disparou durante a campanha presidencial de 2006, com a denúncia de que um delegado de Polícia Federal havia combinado com um grupo de repórteres um vazamento que afetou o resultado do primeiro turno.

Era o vazamento de fotos do dinheiro que seria usado por aloprados do PT para comprar um dossiê contra o então candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra.

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Na campanha de 2006, a Globo blindou Alckmin e Serra, mirou a artilharia no PT e se esqueceu de uma gravação que comprometia o delegado federal Edmilson Bruno com uma parede artificial de dinheiro utilizada na campanha: era a “foto da Globo”?

Ele aconteceu na antevéspera do primeiro turno.

Publicamos uma transcrição mambembe da conversa entre o delegado e os jornalistas.

Nela, o delegado dizia que poderia atribuir o vazamento das fotos a um furto. A uma faxineira da Polícia Federal, por exemplo. Silêncio dos repórteres…

Na época o Viomundo estava hospedado na Globo.com e Azenha era repórter da TV Globo de São Paulo.

Ele foi cobrado pelo hoje chefão da Globo, Carlos Schroder, por telefone: por que havia divulgado no blog informação obtida enquanto repórter da Globo?

Schroder tinha razão.

A resposta foi de que o repórter vira relevância jornalística no assunto e considerara a informação de interesse público.

O G1, da Globo, publicou uma transcrição completa da conversa entre delegado e jornalistas, corrigindo erros do Viomundo, que tinha feito anotações “na perna” a partir da gravação que nos foi mostrada por um colega da rádio Jovem Pan, inconformado com a armação.

Isso demonstrou apenas que a Globo tinha uma cópia da conversa mas decidira não divulgá-la no Jornal Nacional.

Seria constrangedor: o delegado Edmilson Bruno, autor do vazamento, mencionava na gravação uma certa “foto da Globo” e sugeria os melhores horários de divulgação.

Será que a “foto da Globo” era aquela em que Bruno montou uma verdadeira parede cenográfica com dinheiro retirado dos malotes durante perícia da Polícia Federal? A foto que a partir dali estrelaria a propaganda da campanha do tucano Geraldo Alckmin?

Isso nunca foi esclarecido.

Em 2010, no Encontro de Blogueiros, que nasceu por sugestão do Viomundo, alertamos: a blogosfera deveria formar uma cooperativa para vender cliques em conjunto no mercado publicitário.

Seria uma forma de furar o bloqueio político e ideológico dos empresários brasileiros. A ideia ainda não prosperou.

Em 2015, depois de uma crise existencial por conta de ação judicial de preposto dos irmãos Marinho, decidimos buscar uma saída comercial que garantisse a sobrevivência do site pelo menos a médio prazo, sem o déficit histórico que hoje alcança os 200 mil reais.

Por isso, o Viomundo transferiu o controle de seu espaço publicitário para a agência Café Azul.

Leandro Guedes montou um fundo para manter o site no ar.

A ideia era combinar:

1. assinaturas de leitores;

2. venda de anúncios via Google, que não faz discriminação político-ideológica e remunera razoavelmente bem quem como nós tem um público AAA;

3. crowdfunding;

4. parcerias com movimentos sociais;

5. acesso ao mercado publicitário.

A resposta foi melhor do que antecipávamos.

Guedes, responsável pela arrecadação e manutenção do site, explica: “No primeiro semestre de 2016, depois do pagamento das taxas de agencias, impostos, etc., o fundo recebeu R$ 16 mil de uma campanha publicitária do Banco do Brasil. Tudo o mais veio da publicidade via Google e dos assinantes. Já em nossa primeira ação de crowdfunding, para a Galeria dos Hipócritas, obtivemos R$ 40 mil bem antes do prazo previsto. Decidimos manter a campanha no ar mesmo depois de atingida a meta para financiar o passo seguinte”.

Vocês devem ter notado que as quantias são relativamente modestas.

Ainda assim, nos animaram a dar o próximo passo: acreditamos que existe uma lacuna na blogosfera, a do jornalismo investigativo.

É onde crescentemente investiremos nossos parcos recursos.

Já conseguimos o compromisso de três excelentes profissionais:

*Garganta Profunda tem 20 anos de trabalho na área. Ele não quer se identificar, pois teme ser incluído em algum tipo de lista negra dos donos da mídia corporativa. É o principal investigador da Galeria dos Hipócritas, “contratado” pelos leitores. Tem o mesmo prazer da gente, de tratar de assuntos que não agradam aos Marinho, Frias, Mesquita e Civita.

*Octávio P.B. Ribeiro é um dos melhores repórteres policiais do Brasil. Adotou o pseudônimo em homenagem ao lendário colega. Já foi vítima de perseguição de poderosas instituições, por isso também prefere preservar a identidade. Ele já escreveu sobre o contador-delator Trombeta: a mídia divulga quando ele denuncia o PT mas quase cala quando trata de aliado de Geraldo Alckmin e de ministros do governo Temer.

*Lumi Zúnica é um mestre na análise de contratos e nas buscas em cartórios. Ele já escreveu sobre como empresas brasileiras tiraram proveito de um brecha na legislação do Peru para transformar aquele país num paraíso fiscal. Como revelou com exclusividade o Viomundo, uma das herdeiras da família Marinho aparece em anotações apreendidas na Operação Lava Jato, relacionada a três empresas offshore montadas pela lavanderia Mossack&Fonseca. O pai dela atribuiu todos os negócios exclusivamente ao ex-genro. Os Panamá Papers revelaram que uma das empresas tem endereço em Lima, assunto perfeito para o peruano Zúnica. O que será que um obscuro empresário carioca faria no Peru? Será que vamos descobrir um laranjal nos Andes?

*Conceição Lemes é a mais premiada repórter de Saúde do Brasil. É uma repórter investigativa de primeira linha, essencial no momento em que um engenheiro ameaça o SUS. Algumas reportagens exclusivas dela, aqui no Viomundo, tiveram grande repercussão:

Entre 2004 e 2010, governos tucanos de São Paulo deram R$ 250 milhões à mídia, quase tudo sem licitação

Governo paulista ficou três anos sem limpar a calha do rio Tietê

Jornalista mineiro denunciou fundação de Aécio em Liechtenstein 3 anos e 4 meses antes da revista Época. E foi preso

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Tratando destes assuntos, é natural que tem gente querendo calar a Conceição!

A verdade é que os ex-presidentes FHC e Lula fizeram pouquíssimo para enfrentar um dos maiores problemas da democracia brasileira, que é a concentração da mídia nas mãos de poucos.

Nenhum deles promoveu políticas públicas pela desconcentração, nem regulamentou o capítulo da Constituição de 1988 que trata do assunto:

§ 5º – Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

Não se trata de um exercício retórico: em janeiro de 2013, a ONG Repórteres Sem Fronteiras definiu o Brasil como “O país dos 30 Berlusconis”.

Dilma Rousseff, ao assumir, fez pior: repetiu que enfrentar a concentração era uma questão de “controle remoto”.

Isso equivale a tomar como normal o fato de que, nos três mandatos petistas até 2014, uma única rede, a Globo, recebeu R$ 6,2 bilhões em publicidade federal, quase 50% do total destinado à TV aberta.

O número não inclui o jornal O Globo, a rede CBN, o portal G1, nem outras empresas jornalísticas do Grupo Globo. Não inclui as verbas recebidas pelos irmãos Marinho de governos estaduais ou municipais. Não inclui as verbas recebidas pela Fundação Roberto Marinho através da Lei Rouanet.

Por baixo, a Globo abocanha perto de R$ 1 bi por ano em dinheiro público, uma distorção que afeta concorrentes, reduz o número de empregos, prejudica o conteúdo regional e tira oxigênio de um setor essencial da economia.

Queremos a Globo próspera e vencedora, mas sob regras da concorrência do capitalismo que ela mesmo diz defender.

O problema que a Globo encarna é tão ou mais grave que o vivido pelo México, onde a família Azcárraga, da Televisa, faz e desfaz presidentes, molda políticas públicas à sua imagem e semelhança e contribui para a submissão do interesse nacional aos Estados Unidos.

No Brasil, o problema foi agravado por outros fatores: a criminalização das rádios comunitárias, a “tomada” de muitas delas por ONGs controladas por políticos, a renovação automática de concessões sem relação com o interesse público e a regulamentação antiquada, dentre outros. Tudo isso compõe um quadro sombrio para a sociedade brasileira.

Como se isso não bastasse, o governo interino de Michel Temer agora dá um passo regressivo: decidiu concentrar ainda mais as verbas publicitárias para salvar a pele dos Marinho, dos Frias, dos Civita e dos Mesquita diante da ameaça das redes sociais.

Isso não vai afetar a blogosfera como eles imaginam, pelo contrário.

O jornalista Fernando Morais lançará, em breve, o site Nocaute. Foi totalmente financiado através de crowdfunding promovido via Facebook usando uma nova ferramenta, o Apoie Me, desenvolvido pelo Leandro Guedes.

O financiamento coletivo e as cooperativas jornalísticas, no estilo Jornalistas Livres, são o futuro.

Apesar de todos os percalços em nossa trajetória de quase uma década e meia, é isso o que nos anima: a sintonia com mudanças que, mais cedo ou mais tarde, vão resultar no aprofundamento da tíbia democracia brasileira.

Diz a Constituição de 1988:

§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

Os argumentos falsos e as projeções enganosas, marteladas cotidianamente pelos aliados do governo Temer na mídia velha, tratam de encobrir o verdadeiro objetivo: aplicar de maneira disfarçada censura de natureza política e ideológica.

É uma tentativa medíocre e rasteira de recolocar o gênio dentro da lâmpada. Perdeu, playboy!

 

O post Como os leitores salvaram o Viomundo e agora dão novo rumo à comunidade apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo