Captura de Tela 2016-04-30 a?s 02.06.01

Teatral: Janaína Paschoal em ato público pelo impeachment de Dilma no largo de São Francisco; fazendo alongamento em público antes de se apresentar à comissão do impeachment no Senado e gritando com o senador Telmário Mota (PDT-RR)

por Luiz Carlos Azenha

Seo Elias, conhecido em Porto Velho como Catitu, não quer saber de muita conversa.

“Não quero nada com esse procurador”, diz ele ao telefone. Elias se refere a Douglas Kirchner, que foi casado com sua filha Tamires.

Os dois, Douglas e Tamires, volta e meia reaparecem no noticiário. Aconteceu de novo durante o depoimento da advogada Janaína Paschoal à comissão do impeachment no Senado.

Além de ser uma das autoras do pedido de afastamento de Dilma Rousseff, Janaína atua como advogada do procurador que, segunda ela, abriu “a primeira investigação” contra o ex-presidente Lula.

A “musa do impeachment” parece determinada a salvar o cargo de Douglas.

Meses antes de começar a investigar Lula, Kirchner foi acusado em Porto Velho de participar do sequestro e cárcere privado da própria esposa. Ambos eram da Igreja Evangélica Hadar, que tem muitos familiares de Tamires como integrantes — inclusive a tia, pastora Eunice, fundadora da igreja.

Hoje Tamires não mora mais em Porto Velho. Num primeiro depoimento sobre o caso, ela acusou Douglas de espancá-la com cintadas e bofetadas. Depois, voltou atrás. O pai, Catitu, também negou em depoimento oficial que a filha tenha sido vítima de violência do marido.

Ligamos para saber se ele, Catitu, tinha influenciado a filha a “mudar de ideia” ou se tinha concorrido para que ela deixasse Porto Velho. Qualquer escândalo envolvendo a igreja Hadar, afinal, é um tiro no pé da própria família.

Catitu não quis saber de conversa. Depois da primeira resposta, bateu o telefone.

Em uma de suas sustentações orais, Janaína deixou claro o que a atraiu para caso: “Se fosse um caso de [lei] Maria da Penha, eu realmente talvez não estivesse aqui. Mas quando eu li aquele material enorme [da investigação] eu vi ali um caso de liberdade religiosa. E essa é uma matéria sobre a qual eu tenho me debruçado há anos”.

UM CASO ESPANTOSO. UMA INCRÍVEL FALTA DE CURIOSIDADE

Num mundo em que as notícias e opiniões viajam velozmente, em que as pessoas bombardeiam e são bombardeadas por elas como nunca, em que a capacidade de atenção está prejudicada pelo dilúvio de dados, há um papel para a mídia: o de contextualizar as informações, de maneira a guiar os leitores/ouvintes/telespectadores através daquilo que muitas vezes nos parece uma selva informativa.

Mas, no Brasil, não é o que se vê: por incompetência, falta de capacidade econômica ou escolha ideológica, nossa mídia examina alguns fatos mais e melhor que outros.

Às vezes não demonstra a menor curiosidade por casos verdadeiramente escabrosos, como este.

Desde abril de 2015 o nome de Douglas Kirchner ganhou repercussão nacional, a partir de denúncias publicadas pela revista Época contra o ex-presidente Lula largamente reproduzidas por outros meios.

No entanto, as primeiras notícias sobre as graves acusações que Kirchner sofre em processos administrativo e criminal só sairam — e na blogosfera — em fevereiro de 2016.

Foi no GNN, de Luís Nassif, que também registrou um compartilhamento significativo de Kirchner nas redes sociais.

O procurador definiu como “sensacional” um vídeo de “cristãos” que sugerem que o reconhecimento da união estável entre homossexuais vai levar a casamentos entre pedófilos e crianças e à zoofilia e que o grande problema das sociedades não é a opressão, mas o pecado.

O vídeo também descreve o feminismo como algo “de esquerda”, condenável, uma tentativa de apagar as diferenças entre homens e mulheres.

Faz pensar, considerando que Kirchner responde a processo no TRF de Rondônia pela co-autoria de cárcere privado da esposa.

PASSANDO O PANO PARA A MILITANTE DO IMPEACHMENT

A degradação da história pessoal do promotor correu em paralelo com a da mídia.

Mesmo depois que decisões relativas a Kirchner haviam sido tomadas em instâncias do Ministério Público Federal, muitos fatos relativos às denúncias contra ele foram omitidos, com generoso espaço concedido às teses da defesa de Janaína Paschoal no processo administrativo disciplinar (PAD).

Em manchete recente, no dia 29 de março de 2016, o diário conservador Estadão cravou: “Conselho do MP forma maioria para demitir procurador de caso de Lula suspeito de agredir a mulher”.

O “forma maioria” da manchete do Estadão induz o leitor a acreditar numa ação política pela demissão de Kirchner.

A escolha das palavras vai ao encontro da tese da advogada Janaína, que sustenta que seu representado é vítima de “perseguição política”.

Paschoal assumiu a defesa de Kirchner de última hora. Ela mesmo contou, na sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal do dia 14 de março de 2016.

Naquela ocasião, cabia ao CSMPF decidir se Kirchner teria ou não a “vitaliciedade”, ou seja, todas as vantagens e deveres do cargo de forma vitalícia, depois de dois anos de estágio probatório.

A relatora do caso, Ela Wiecko de Castilho, votou pela demissão dele, mas foi derrotada por 5 votos a 4, conforme noticiou em primeira mão o Viomundo.

Captura de Tela 2016-04-30 a?s 00.18.50Em menos de um ano, Kirchner rendeu à revista Época, dos irmãos Marinho, três reportagens de capa e pelo menos duas outras de grande repercussão, sempre com documentos que deveriam ser sigilosos

Para quem está chegando agora, vale recapitular:

1. Kirchner, transferido de Rondônia para Brasília em 05.08.2014, quando já respondia a processo disciplinar e criminal por agressões à esposa, abriu procedimento investigatório contra o ex-presidente Lula no dia 20 de abril de 2015. Ou seja, cerca de seis meses depois de assumir posto no MPF-DF. A defesa de Lula afirma que ele militava fortemente contra o PT e o governo nas redes sociais. O próprio Kirchner disse que se baseou inicialmente em recortes de jornais. Suspeita contra Lula: tráfico internacional de influência.

2. Os dados do procedimento foram imediatamente vazados para a revista Época. Um recorde. Dez dias depois, no dia 30 de abril, já eram reportagem de capa, apesar de não passarem de suspeição: Lula, o operador. Como é que Kirchner, com apenas seis meses de Brasília, já tinha acesso aos jornalistas Thiago Bronzatto e Filipe Coutinho?

3. Época continuou desfrutando do trabalho do promotor Kirchner através do repórter Thiago Bronzatto em ao menos quatro reportagens subsequentes.

Confira as datas: 26.06.2015, 28.08.201503.10.2015 19.02.2016, sendo duas outras reportagens de capa. Tudo em menos de um ano.

4. A defesa de Lula alega que a Época teve o que os advogados do ex-presidente nunca tiveram: acesso aos dados de um procedimento que corria em “segredo de Justiça”.

5. A partir desta e de outras atitudes de Kirchner, a defesa de Lula fez denúncias gravíssimas contra ele ao próprio CNMPF (ler no pé do post).

4. Gravação telefônica de Lula, divulgada em 16.03.2016, registrou a seguinte conversa:

Lula: “Nós vamos pegar esse de Rondônia agora, eu vou colocar a Fátima Bezerra e a Maria do Rosário em cima dele”.

Paulo Vannuchi: “É isso mesmo!”.

Lula: “Sabe porque, eu até tirei um sarro da Clara Ant de ficar procurando o que fazer, faz um movimento das mulheres, contra esse f.. d. p…! Ele batia na mulher, levava a mulher no culto religioso, deixava ela sem comer, dava chibatada nela, sabe?! Cadê as “mulher de grelo duro” lá do nosso partido?!”

Mil interpretações podem ser dadas a este diálogo. Ele é posterior à condução coercitiva de Lula, que aconteceu em 04 de março de 2016.

Indiscutível, no entanto:

1. Kirchner àquela altura já era acusado pelos advogados de Lula de cometer várias irregularidades (vazar documentos sigilosos e redistribuir o procedimento para si próprio, dentre outras), o que talvez explique a frustração expressa pelo ex-presidente;

2.  A conversa é de MUITO DEPOIS de Douglas Kirchner ter mantido a própria mulher em cárcere privado em Porto Velho. Ou seja, apesar da obviedade, é preciso registrar em tempos de déficit cognitivo que não foi Lula o responsável pela abertura de processo administrativo disciplinar ou criminal contra Kirchner.

Cabe agora recapitular dados sobre as circunstâncias em que eles surgiram:

1. Douglas Kirchner, nascido em 2 de maio de 1989, em Iporã do Oeste, Santa Catarina, foi um brilhante concurseiro, que conquistou uma disputadíssima vaga de procurador do MPF quando já era funcionário público em Rondônia. Ele, com 24 anos de idade, e a esposa Tamires Souza Alexandre, então com 20 anos, integravam a Igreja Evangélica Hadar, em Porto Velho.

2. O casamento teria resultado de uma “visão” da pastora Eunice Batista Pitaluga Campelo, que enxergou compatibilidade no casal.

3. Por suposta rejeição do casamento, Eunice teria decidido punir a sobrinha Tamires. Primeiro, com uma surra de cipó. Em seguida, num “processo disciplinar” que envolveu sequestro e manutenção de Tamires em cárcere privado, nas instalações da própria igreja.

4. Depois daquela primeira surra de cipó, quando Kirchner ainda não era procurador, ele assumiu oficialmente o cargo, em 14 de maio de 2014. Naquele dia, a mulher já estava em cárcere privado e permaneceria mais dois meses assim enquanto o marido atuava oficialmente como procurador federal em Rondônia.

5. Tamires fugiu da igreja. A data exata pode ser determinada pelo alerta dado à população de Porto Velho pela própria família de Tamires: 23 de julho de 2014. Ela foi morar na rua, certamente com medo de represálias, já que o marido era procurador federal, a tia pastora da igreja e vários familiares integrantes da congregação. Acolhida por conhecidos, conseguiu no Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Porto Velho uma medida protetiva para não ser levada novamente à igreja.

6. Denunciado publicamente, Kirchner foi transferido de Rondônia para Brasília em agosto de 2014. A defesa sempre sustentou que ele foi apenas omisso em relação à mulher, ou seja, deveria no máximo ser suspenso pelo MPF. Na versão da acusação, Kirchner violou a Lei Maria da Penha e deveria, além de responder criminalmente, perder o cargo.

JANAÍNA CAI DE PARAQUEDAS

Douglas Kirchner estava próximo de completar os dois anos de estágio probatório quando o Conselho Superior do Ministério Público Federal, CSMPF, se reuniu para considerar se ele teria direito ou não à “vitaliciedade”.

A advogada Janaína Paschoal entrou no caso de última hora. Segundo ela, foi procurada por Douglas na noite de quarta-feira, 09 de março e passou a ler todos os documentos do caso.

Na sexta-feira, a defesa apresentou um laudo médico alegando que “à época dos fatos era o examinado [Douglas Kirchner] portador de distúrbio psiquiátrico do tipo reativo, caracterizado por fanatismo religioso”.

Foi com base neste laudo que o CSMPF decidiu, por 5 votos a 4, confirmar Kirchner. A subprocuradora geral da República, Ela Wiecko, relatora do caso, foi voto vencido. No relatório, ela acusou Douglas Kirchner de violar a lei Maria da Penha (para ouvir o relatório e o debate naquela sessão, clique aqui).

Porém, a Corregedoria Nacional do Ministério Público fez recentemente uma acusação gravíssima a Kirchner.

Novamente, ficou ficou longe das manchetes (ver documento abaixo).

Segundo a denúncia,  Douglas Kirchner “agiu de maneira desleal para com a Instituição, porquanto omitiu, por ocasião do julgamento do estágio probatório perante o CSMPF, perícia médica oficial, produzida por iniciativa da defesa no referido PAD [processo administrativo disciplinar], que atestava a sua higidez mental”.

Trocando em miúdos, ele trocou o atestado oficial que o considerava mentalmente apto por outro, apresentado de última hora, segundo o qual Kirchner agira em relação à mulher por conta de “doença psiquiátrica” causada por “fanatismo religioso”.

O procurador Kirchner “omitiu dos Conselheiros laudo pericial oficial que atestava a plena capacidade, à época daqueles fatos, para compreender a ilicitude de suas ações”, escreveu o conselheiro Fábio Bastos Stica.

Por isso, no dia 31 de março, ele decidiu liminarmente pela suspensão do ato de confirmação de Kirchner no CSMPF e pelo afastamento liminar do procurador de suas funções, para evitar que o vitaliciamento acontecesse “por mero decurso de prazo” (os dois anos vão se completar no dia 14 de maio próximo).

Na decisão, o conselheiro reiterou as graves acusações a Kirchner feitas em Rondônia: “contribuiu e assentiu que a própria esposa fosse vítima de intensas e reiteradas sevícias, perpetradas por lapso temporal de cinco meses (violência doméstica que importou em agressões físicas, restrição de liberdade, ofensas morais e privação de condições mínimas de alimentação e higiene)”.

Aqui uma pergunta é inescapável: quem decidiu omitir um laudo e apresentar outro?

Dois dias antes da liminar, o Conselho Nacional do Ministério Público já demonstrara ter oito votos (inclusive o do procurador-geral Rodrigo Janot) para demitir Kirchner quando o conselheiro Walter de Agra Júnior pediu vistas. Na sessão seguinte, a extraordinária do dia 05/04, Kirchner perdeu por 11 a 2: teve apoio apenas dos conselheiros Walter de Agra Júnior e Esdras Dantas, os dois representantes da OAB no Conselho.

A advogada Janaína Paschoal bateu boca no início do julgamento, alegando que “novas provas” deveriam ser consideradas (veja o vídeo acima).

Captura de Tela 2016-04-30 a?s 06.30.25

A acusação do CNMP foi de que ele teria cometido “incontinência pública e escandalosa”: A incontinência pública e escandalosa, segundo o Superior Tribunal de Justiça, é definida pela doutrina e jurisprudência como o comportamento que não se ajusta aos limites da decência, ou seja, que mereça censura de seus semelhantes, e que esteja revestida de publicidade ou repercussão pública. Segundo análise integralmente acolhida pelo relator do PAD e realizada pela comissão processante instituída pelo CNMP para investigar a matéria, “a incontinência pública e escandalosa se configurou no caso presente porque os fatos se desenvolveram no ambiente de uma igreja com acesso livre ao público, e não em ambiente privado”, segundo nota do próprio CNMP.

Cabem ainda embargos de declaração, mas no seu voto o relator Leonardo Carvalho destacou que, “como Douglas Kirchner ainda não completou o período de dois anos desde seu efetivo exercício no MPF e, portanto, segue em estágio probatório, a pena de demissão pode ser aplicada sem a necessidade de ajuizamento de ação de perda de cargo, nos termos da interpretação do artigo 208 da Lei Complementar nº 75/93″. O estágio termina oficialmente em 14.05.2016.

Apesar do voto de 11 x 2 pela demissão de Kirchner, a advogada Janaína Paschoal continua sustentando publicamente que o promotor é vítima de perseguição dentro do MP.

Foi o que ela repetiu durante sua aparição na comissão do impeachment no Senado.

Tarde da noite, o senador Telmário Mota (PDT-RR) fez a ela cinco perguntas específicas sobre a proposta de impedimento da presidenta Dilma Rousseff — e acrescentou no final uma última, pedindo que Janaína confirmasse se é mesmo a advogada de Douglas Kirchner.

Ela explodiu! Vejam no vídeo abaixo:

Antes da explosão, que foi precedida de choro com uma cópia da Constituição de 88 nas mãos, Janaína havia se declarado apartidária, apesar de ter trabalhado nos governos FHC e Alckmin e de ter recebido R$ 45 mil reais do PSDB pelo seu parecer pró-impeachment.

A insistência em denunciar publicamente um complô contra um de seus “clientes sagrados”, sugerindo que isso se dá por ele ter decidido investigar o ex-presidente Lula,  torna inevitável que a militante Janaína — não a advogada — responda a questões importantes, sempre no campo da política.

O objetivo é fechar brechas num caso ainda contado pela metade: algum partido e/ou político pediu a Janaína que assumisse a defesa de Kirchner? algum jornalista ou empresa jornalística fez o mesmo? alguém estranho à causa pagou por serviços prestados? quem comanda o complô contra o promotor? o complô inclui o procurador-geral Rodrigo Janot? o complô inclui Ela Wiecko, relatora do caso no CSMPF? Lula e Dilma fazem parte do complô? se sim, como e através de quem? se sim, quais as vantagens oferecidas/recebidas pelos envolvidos? quantos votos o complô obteve no CSMPF? e no CNMP? quem decidiu que o procurador Kirchner deveria omitir o laudo oficial do processo de vitaliciamento, substituindo-o por aquele que considerou Douglas Kirchner vítima de “fanatismo religioso”, foi o procurador ou sua advogada?

Captura de Tela 2016-04-30 a?s 03.35.00

A igreja onde o casal vivia e onde Tamires ficou em cárcere privado; quando ela fugiu, mensagem foi distribuída em Porto Velho pedindo que informações sobre o paradeiro de Tamires fossem repassadas à família, que tinha vários integrantes na igreja

PRDF: Defesa de Lula denunciará abusos a Janot, CNMP e OAB

Instituto Lula

20/02/2016

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai representar junto ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, denunciando os reiterados abusos e ilegalidades que têm sido cometidos contra Lula no âmbito da Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF).

Também será denunciado ao presidente nacional da OAB, Cláudio Lamachia, o cerceamento ilegal das prerrogativas dos advogados por parte do procurador Douglas Kirchner.

Em breve resumo, desde abril de 2015, a PRDF:

1. Promove, a partir de ilações fantasiosas, verdadeira devassa sobre a vida pessoal e atividades profissionais do ex-presidente Lula, invadindo dados fiscais, bancários, comerciais e até viagens e hospedagem no exterior;

2. Impede o pleno acesso da defesa ao teor do procedimento, mas nada faz para impedir que dados sigilosos e partes injuriosas dos autos vazem sistemática e ilegalmente para a revista Época, das Organizações Globo;

3. Estabeleceu um rodízio de procuradores no comando do procedimento, o que prolonga sua duração, dificulta o direito de defesa e dilui as responsabilidades pelos abusos e ilegalidades cometidos;

Sobre a revista Época desta semana, o Instituto Lula afirma:

1. O único crime evidenciado na reportagem é o vazamento ilegal de um procedimento sigiloso, ao qual os advogados de Lula tiveram acesso negado, também de forma ilegal;

2. A se acreditar na revista, que tem histórico de manipulação de documentos oficiais, a PRDF consumiu dez meses de “investigações”, custeadas com dinheiro público, para concluir que Lula teria, hipoteticamente, ajudado o BNDES a receber parcelas atrasadas do governo da Venezuela. Tratar tal hipótese como crime seria desmerecer não só o dever de imparcialidade do Ministério Público mas até a capacidade cognitiva de alguns de seus membros.

3. O contrato entre a LILS Palestras e a empresa Odebrecht é semelhante, inclusive nos valores, a contrato de palestra de Lula assinado e pago (com recolhimento de impostos) pela INFOGLOBO, que edita O Globo e demais publicações da família Marinho.

A seguir,  nota técnica do advogado Cristiano Zanin Martins

Em relação à reportagem “Lula fez tráfico de influência em favor da Odebrecht”,  as Organizações Globo, por meio da revista “Época”, voltam a atacar a honra e a imagem do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva,  utilizando-se, para tanto, de informações colhidas em procedimento investigatório sigiloso que tramita perante o Ministério Público Federal de Brasil.

O Procurador da República que deu origem a este procedimento admitiu, no âmbito de processo disciplinar perante o Conselho Nacional do Ministério Público, que a acusação por ele formulada em desfavor do ex-Presidente Lula foi construída a partir da coleta – por ele próprio realizada – de sete documentos na internet, consistente em comentários opinativos e publicações de blogs e jornais.

A condução do procedimento sofre contínuas mudanças praticamente a cada semana, corroborando a idéia de que há um direcionamento e, acima de tudo, um prejulgamento em relação ao ex-Presidente Lula formado não a partir de fatos, mas de idéias e posicionamento ideológico. Não por acaso, o Procurador da República que instaurou o procedimento mantinha nas redes sociais publicações altamente ofensivas ao Partido dos Trabalhadores e seus membros e elogios  a partidos e pessoas que se situam em campo político antagônico, conforme documentação entregue pelos advogados do ex-Presidente Lula ao Conselho Nacional de Justiça (CNMP).

Como sempre ocorreu, os advogados do ex-Presidente Lula tentam obter cópia desse procedimento desde a primeira quinzena de dezembro de 2015.  O pedido foi negado e na primeira quinzena de janeiro de 2016 foi refeito, com base em nova base legal que não deixa dúvida sobre o direito dos advogados de obterem cópia de procedimento investigatório. Mesmo assim, o deferimento de acesso foi parcial, excluindo-se qualquer decisão ou despacho meritório formulado naqueles autos – tais como aqueles que os advogados do ex-Presidente Lula tomaram conhecimento pelas páginas da revista.

Não bastasse, apenas na data de ontem (19/02/2016), no final do dia, tais cópias parciais foram entregues aos advogados do ex-Presidente Lula, em contraposição à conduta adota em relação à revista Época, que conseguiu ter acesso a todo o procedimento sigiloso.

Não é apenas a falta de acesso imposta aos advogados do ex-Presidente Lula que macula todo o procedimento e a relação mantida pelos responsáveis pela sua condução com a revista Época.
Isso porque, durante esse período em que os advogados do ex-Presidente Lula ficaram sem acesso, os assessores da Procuradoria da República prestaram informações escritas de que o Procurador Douglas Kirchner, ao passar transitoriamente perante o 1º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF – onde o procedimento foi deflagrado – teria feito uma redistribuição do feito ao  5º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF. E o titular do 5º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF é o próprio procurador Douglas.

Essa obscura tramitação não está justificada nas cópias fornecidas aos advogados do ex-Presidente Lula, que contém apenas respostas de ofícios e petições.
A gravidade dos fatos é gritante, razão pela qual os advogados do ex-Presidente Lula irão, mais uma vez, levar a situação ao conhecimento do Procurador Geral da Republica – que até hoje não deu resposta às ilegalidades antes denunciadas – e ao Conselho Nacional do Ministério Público, que necessita cumprir as suas funções constitucionais e impedir que continue havendo o vazamento de informações sigilosas sonegadas aos advogados.

Também será dado conhecimento formal, ao presidente do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, em audiência marcada para esta semana, do cerceamento ilegal do Direito de Defesa por parte do procurador Douglas Kirchner.

Advogado Cristiano Zanin Martins

*****

Nota do BNDES, 20.02.2015

O BNDES repudia mais um ataque da Revista “Época” à instituição e seu presidente, Luciano Coutinho, desta vez na matéria “Lula fez tráfico de influência em favor da Odebrecht, diz MPF”.

Em primeiro lugar, atribuir ao presidente do BNDES o poder de interferir na concessão de um financiamento na forma relatada na reportagem demonstra ignorância absoluta em relação aos procedimentos do Banco. As operações de apoio a exportação passam por dezenas de técnicos, funcionários concursados do BNDES, e órgãos colegiados internos e externos ao Banco. Todas as operações relatadas na reportagem foram submetidas a esse processo. Se houvesse, de fato, o tal “modus operandi criminoso” envolvendo o BNDES, como acusa Época, seria preciso exercer influência indevida sobre quase uma centena de pessoas.

Já o “modus operandi” de Época é bastante claro. Como é praxe, a revista apresenta apenas fatos e datas que supostamente reforçariam sua tese equivocada, omitindo aquilo que a contradiz. Requenta informações que já foram, por repetidas vezes, abordadas em reportagens que atacavam o BNDES. E, como tem sido regra, a maioria das respostas dadas pelo BNDES aos questionamentos feitos pela revista foi omitida, e o pouco que foi registrado foi relegado burocraticamente ao fim a matéria.

A revista esconde de seus leitores a informação de que a operação de financiamento a exportações brasileiras para a obra do porto de Mariel já estava em curso desde 2009 e nada teve a ver com a visita de Luciano Coutinho ao Instituto Lula. A tramitação da parcela do empréstimo liberada em agosto de 2011 foi explicada em detalhes a revista, que ignorou as informações do Banco.

O BNDES faz cerca de 1 milhão de operações de crédito todos os anos e relaciona-se com o conjunto das empresas brasileiras. Isso significa que, para aqueles que adotam o “modus operandi” de ”Época”, é possível fazer associações de quase qualquer natureza, entre datas, empresas e operações financiadas para tentar legitimar uma tese falsa ou corroborar uma ilação.

O BNDES tem absoluta convicção da lisura e rigor dos seus procedimentos e lamenta o vazamento de informações de um documento sigiloso do Ministério Público que a própria revista admite trazer conclusões “não definitivas”.

A tramitação das operações que envolveram a Odebrecht foi rigorosamente idêntica à de quaisquer outros financiamentos do BNDES, sem qualquer excepcionalidade. Também não procede a afirmação da revista que as condições oferecidas pelo banco nos financiamentos seriam camaradas. O BNDES pratica, inclusive, taxas de juros semelhantes ou até superiores aquelas ofertadas por outras agências de crédito à exportação que competem com o Brasil no mercado internacional.

O BNDES tem fornecido todas as informações requisitadas pelas autoridades competentes na investigação citada, e está seguro de que sua conclusão irá corroborar a correção de todos os procedimentos realizados pela instituição.

Leia também:

O que pensa o fotógrafo que denunciou o golpe aos olhos do mundo

O post Cliente de Janaína Paschoal deu golpe no MPF: omitiu laudo oficial e se disse doente de “fanatismo religioso”; gritaria com senador Telmário deixa perguntas sem resposta; veja o vídeo apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo