CategoryBrasil

Minuto a minuto: mobilizações desta segunda pretendem enterrar reforma da Previdência

Ariel Goldstein: “Revolução” das três refeições por dia mantém Lula no páreo

10 05 2017 Curitiba PR Brasil o ex presidente Luiz Inacio Lula da Silva durante Ato jornada pela democracia em Curitiba Fotos Ricardo Stuckert

Crise política e indefinição no Brasil

por Ariel Goldstein*

A impossibilidade de Lula, o candidato com as maiores intenções de voto, para competir no concurso eleitoral deste ano, introduz uma tensão entre a opção escolhida de forma majoritária e a sua exclusão como possibilidade viável.

Isso aumenta a incerteza num cenário político cuja situação já se caracterizava pela falta de definição.

A persistência na imaginação popular do veterano líder, apesar das acusações de corrupção e dos ataques da mídia, é explicada pela sua obra política.

As transformações que ocorreram no cotidiano de milhares de brasileiros imersos na pobreza.

Sua “revolução” de que os brasileiros possam comer três vezes ao dia.

A ação arbitrária do Poder Judicial na condenação de Lula mostra uma ausência de equanimidade e acrescenta a instabilidade em vez de atuar como fator de equilíbrio.

O princípio de que a justiça é universal e a lei é aplicada da mesma maneira para cada cidadão é questionado quando o julgamento do ex-presidente é analisado.

Esta nova condição crítica é adicionada à desconfiança tradicional em relação à classe política, reforçada pelas irregularidades entre as grandes empresas e o Estado reveladas pela investigação do Lava Jato, bem como o impeachment de duvidosa legitimidade que os políticos do PMDB-PSDB promoveram a Dilma Rousseff — denunciado como “golpe” pela esquerda brasileira — e as acusações de corrupção sitiando o governo de Michel Temer.

A desconfiança do eleitorado em relação aos atores políticos tradicionais é o que explica que dois dos principais candidatos potenciais são pessoas de fora da classe política: o ex-militar de direita Jair Bolsonaro e o animador da Globo, Luciano Huck.

Por sua vez, o alto perfil assumido pelo empresário Joao Doria, atual prefeito de São Paulo, é também uma expressão da crise vivida pela classe política tradicional, que levou ao surgimento de novos personagens de fora dos partidos.

Isso ocorre num contexto de fragmentação partidária e alta personalização da política, que no Brasil tem avançado nos últimos anos.

Assim como nos Estados Unidos, o discurso racista e anti-elite de Washington exercido pelo Donald Trump expressou a insatisfação daqueles prejudicados pelo modelo econômico diante da sociedade multicultural e bem-pensada, no Brasil a insatisfação com uma situação econômica dolorosa desde 2015 e a desconfiança dos políticos levou ao crescimento do discurso racista e demagógico de Bolsonaro.

Poucos meses após as eleições, os principais candidatos não são definidos ou consolidados.

Isso contrasta com o recorde de eleições entre 1994 e 2014, onde se apresentaram dois candidatos fortes dos principais partidos, PSDB e PT, que então se polarizaram e competiram em um segundo turno para a presidência.

É difícil imaginar esse cenário para as eleições de outubro deste ano.

*Autor do livro Imprensa tradicional e lideranças populares no Brasil (A Contracorriente, 2017).
@Agoldok

Leia também:

Janio de Freitas: Novo ministério de Temer é para controlar PF

O post Ariel Goldstein: “Revolução” das três refeições por dia mantém Lula no páreo apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

PSOL pede renúncia de Pezão e eleições antecipadas no Rio

01/01/2015 – Solenidade de posse do Governador Luiz Fernando Pezão na Assembleia Legislativa. Foto Marcelo Horn

Intervenção não é solução! Fora, Temer! Fora, Pezão!

do site do PSOL

O Estado do Rio de Janeiro é hoje a representação da falência de uma política antidemocrática, incompetente e corrupta do PMDB, que governa o estado há mais de uma década e deve ser totalmente responsabilizado pela situação atual.

Este mesmo partido e seus sócios conseguiram falir o Rio de Janeiro, sucatear os serviços públicos, enriquecer seus aliados e desencadear a mais grave crise de segurança pública dos últimos anos, que não começou no último carnaval.

Os megaeventos foram marcados pela corrupção e serviram para rechear os bolsos da “quadrilha do guardanapo”.

A sensação de abandono da população está em todas as áreas: saúde, infraestrutura, educação, atrasos no pagamento de servidores (inclusive de policiais) e no desmonte das universidades estaduais.

Na área da segurança pública, porém, destaca-se o sentimento de medo e insegurança diante da ausência de uma política efetiva, e a adoção da repressão como única medida.

Depois de tanto desgoverno, o PMDB, por meio do governo corrupto (e ilegítimo) de Temer e de Pezão, apresenta como grande saída para a segurança uma intervenção federal.

Fingem ignorar que o problema da violência no Estado (e no país) decorre essencialmente de questões estruturais, como a desigualdade, agravada pela retirada de direitos sociais e aumento do desemprego, promovidas por eles próprios.

Já conhecemos bem esse tipo de proposta: as diversas intervenções militares na segurança pública nunca deram resultados positivos.

As Forças Armadas estiveram na favela da Maré durante mais de um ano e não reduziram o poder do tráfico ilegal de drogas nem a violência.

Temer também já utilizou as forças militares por mais de uma vez no Rio de Janeiro, servindo inclusive para reprimir mobilizações populares.

Essa política de puro enfrentamento militarizado fracassou porque não deu resposta às causas da violência e ainda gerou o deslocamento do tráfico e da milícia pela Baixada e interior do estado.

Essa opção envolve a escolha do uso de blindados, do caveirão e da execução de pessoas, todas pobres, negras e moradoras de favelas, como política de segurança pública.

A mudança a competência da Justiça Militar para julgamento de crimes contra civis, retrocesso autoritário defendido por Temer, é outro elemento relacionado com a intervenção que trará graves consequências para nossa democracia e para os direitos humanos da população mais vulnerável.

Além disso, a “guerra às drogas”, reforçada pela perspectiva de enfrentamento militar, só serviu para reforçar a violência policial e fortalecer as facções nas superlotadas penitenciárias, sem reduzir a violência nem o comércio ilegal de drogas.

A piora dos índices de criminalidade também é de responsabilidade do governo federal, que falha em suas atribuições constitucionais de controle de fronteiras e ao não impedir a entrada de drogas e o tráfico de armas no estado.

E qual a solução proposta? Entregar o controle das polícias estaduais às Forças Armadas por meio de excepcional medida como uma intervenção federal, que visa criar uma cortina de fumaça em ano eleitoral e em meio à tentativas de aprovação da contrarreforma da previdência.

Essa intervenção federal custará milhões aos cofres públicos, dinheiro que poderia ser usado em outras áreas essenciais, como o pagamento de servidores, saúde, serviço de inteligência e efetiva prevenção ao crime.

Só na ocupação militar da favela da Maré foram gastos mais de R$ 400 milhões em pouco mais de um ano.

Fica evidente que a questão da segurança pública não será resolvida enquanto formos governados pela mesma máfia que levou o Rio ao buraco, cujo único interesse é enriquecer sua quadrilha.

Portanto, chegou a hora de derrotar essa velha política do PMDB, que se vende como novo, mas representa o velho, e seus podres poderes com isenções e benefícios fiscais, política de ocupação militar de territórios e privatização de serviços essenciais.

O projeto do PMDB, com suas reformas trabalhista, previdenciária e terceirização, intensificará o quadro de miséria e de violência urbana. Nem Pezão, nem Temer (ou o mesmo grupo político dos ex-governadores Cabral e Moreira Franco, muito menos Picciani) possuem condições técnicas ou legitimidade política para governar e intervir no Rio de Janeiro.

Por essas razões, o PSOL posiciona-se contrário à intervenção federal de Temer. Pezão não tem mais condições de governar.

Ele deve sair e o povo escolher seu sucessor. Exigimos a renúncia de Pezão e a antecipação das eleições para o governo do estado do RJ.

Convocamos a população em geral a somar-se aos protestos do dia 19.02 contra a reforma da previdência e também contra a intervenção federal. Ao mesmo tempo, fazemos um chamado a todas as organizações sindicais, aos partidos de esquerda e às organizações de direitos humanos, para debatermos propostas de saída para crise sob a perspectiva da classe trabalhadora. Como contribuições ao debate, apresentamos as seguintes medidas:

1) Reformulação total da gestão da segurança pública no RJ, visando maior integração entre as polícias, transparência e participação social, tendo como prioridades orçamentárias o investimento em inteligência e prevenção;

2) Elaboração e execução de um plano de segurança com foco na proteção da vida, a partir dos indicadores e estudos do Instituto de Segurança Pública (ISP) e do FBSP, com foco na redução de homicídios (inclusive de policiais) e mudança nas prioridades estratégicas, visando a desarticular o tráfico de armas, combater as milícias e reduzir os índices de crimes contra a pessoa (incluindo o combate à violência contra as mulheres e LGBTs);

3) Revisão da política de enfrentamento violento ao varejo das drogas nas favelas e controle da letalidade da ação policial mediante a elaboração de Planos Estaduais, com metas específicas;

4) Mudança da atual política proibicionista de drogas que promove o encarceramento em massa (e de mulheres) e o extermínio de pobres e negros, e sua substituição por uma política baseada na redução de danos, voltada para prevenção, informação e atenção ao uso problemático de drogas.

5) Investimento em uma força tarefa (com prioridade de recursos) para a redução de crimes em áreas de maior incidência de criminalidade violenta;

6) Reorganização das polícias estaduais, atualizando seus marcos regulatórios e definindo uma nova governança para a segurança pública estadual que reoriente as polícias estaduais para as suas atribuições originárias: investigação criminal e policiamento ostensivo-preventivo. Desmilitarização das polícias.

7) Efetividade da União no cumprimento de suas atribuições constitucionais, no que diz respeito à prevenção e repressão ao tráfico ilícito internacional de drogas e armas, desobrigando assim as policiais estaduais das missões constitucionalmente referidas às forças federais;

8) Investimento em Polícia técnica (em parceria com as universidades) e investigativa;

9) Investimento em programas sociais e culturais para os jovens de áreas com maior incidência de violência letal, e em educação (inclusive de jovens adultos), com prioridade para medidas de combate à evasão escolar articulada com a criação de oportunidades de emprego para jovens. Prevenção da violência nas escolas.

Leia também:

Cappelli: Temer colocou um abacaxi no colo da esquerda

O post PSOL pede renúncia de Pezão e eleições antecipadas no Rio apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Com Vampirão, ato homenageia Tuiuti e denuncia perseguição a Lula: “Que mais reajam contra o golpe”, incentiva Pimenta

Fotos: Magno Romero

Ato irreverente no aeroporto de Brasília homenageia Tuiuti e denuncia perseguição contra Lula

por Rogério Tomaz Jr. no PT na Câmara

Um grupo de pessoas realizou um ato no aeroporto de Brasília, na tarde deste domingo (18), em homenagem à escola de samba Paraíso da Tuiuti e em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da democracia brasileira.

Organizada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do PT na Câmara, e pelo Núcleo de Base Marisa Letícia, a atividade durou aproximadamente uma hora e chamou a atenção dos passageiros e trabalhadores do aeroporto.

A maioria dos participantes do ato estava fantasiado e alguns reproduziram personagens do desfile que rendeu à Tuiuti o vice-campeonato do concurso do Rio de Janeiro.

Estiveram presentes alguns manifestantes com camisas da seleção brasileira de futebol – os “manifestoches” – convertidos em marionetes, o “vampiro neoliberalista”, o pato da FIESP, entre outros destaques da escola de São Cristóvão.

Também foram vistos vários cartazes defendendo a inocência de Lula e atacando a Rede Globo.

“A ideia é mostrar com irreverência e ousadia que nós precisamos reagir em todos os espaços para denunciar o golpe, a reforma da previdência, a perseguição ao Lula, bem como mostrar que o povo brasileiro está reagindo e se organizando para defender a nossa democracia. Com esse ato queremos estimular mais pessoas a reagir contra o golpe”, disse Pimenta ao final do ato.

Reforma – O líder petista avalia que esta semana será decisiva para barrar definitivamente a proposta de reforma da previdência do governo golpista, tema que está na pauta da Câmara, mas pode não ser apreciado por conta do decreto de intervenção militar no Rio de Janeiro, instrumento que veda qualquer alteração na Constituição. “Estamos em obstrução total e continuaremos nessa posição até que a reforma seja enterrada de uma vez por todas”, afirmou.

O post Com Vampirão, ato homenageia Tuiuti e denuncia perseguição a Lula: “Que mais reajam contra o golpe”, incentiva Pimenta apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

General ameaçou Tuiuti a mando de Temer

Nos últimos dias, circularam boatos de que a escola de samba Paraíso do Tuiuti voltaria ao sambódromo carioca com novas críticas políticas para se apresentar no desfile das Campeãs, que começaria no fim da noite de sábado (17) e terminaria na madrugada de domingo (18). Porém, a escola voltou à avenida IRRECONHECÍVEL. Censurou a si mesma e foi censurada pela TV Brasil. O Blog da  Cidadania foi investigar esse caso e obteve dados  SURPREENDENTES.

As seis escolas mais bem colocadas no Grupo Especial em 2018 voltariam a se apresentar no Sambódromo do Rio. Mocidade, Mangueira, Portela, Salgueiro, Paraíso do Tuiuti e a campeã de 2018, Beija-Flor de Nilópolis, voltariam à Passarela do Samba, nesta ordem, para o Desfile das Campeãs, a partir das 21h15 do último sábado

Como a Globo não se interessou em apresentar o desfile das seis primeiras colocadas no Carnaval do Rio, a TV Brasil anunciou que transmitiria o evento.

Durante a semana, até circulou na internet a notícia de que a Tuiuti iria “zoar” também a ex-futura ministra do Trabalho Cristiane Brasil no desfile. A notícia foi dada pelo Globo e estampava a foto do “vampirão neoliberalista” encarnado pelo professor e ator Leonardo de Moraes no desfile da escola ostentando a faixa presidencial.

Vale lembrar que o personagem composto por Moraes era, originalmente, uma paródia de Michel Temer. O atual presidente é chamado de “vampiro” entre os que o repudiam. É um apelido insultante que todos sabem que é usado para ele. Há centenas de  memes antigos e novos na internet que comprovam isso.

Tudo isso mudaria a partir do efetivo desfile da Tuiuti na passarela do samba na madrugada de domingo (18). A escola passou na avenida irreconhecível. E, além disso, foi censurada.

A primeira  denúncia de que algo estava errado partiu do grupo Mídia Ninja, que entrevistou o professor que encarnou o “vampirão neoliberalista” antes de o desfile começar. Na entrevista, o professor Leonardo Moraes se diz assustado e com medo e anuncia que talvez não vá usar a faixa.

Em seguida, o professor Moraes começou a NEGAR que o seu personagem fosse Michel Temer. Afirma que o vampiro com faixa presidencial que apresentou no desfile anterior representaria “o sistema” e não Temer. E diz que a faixa presidencial não será usada porque foi perdida. Mas, no vídeo, a faixa aparece sendo escondida pela própria escola de samba.

Mas não foi só. Vídeo do desfile de sábado mostra que o carro alegórico com os manifestantes de camisa da seleção aparecendo como fantoches não tinha, agora, nem os cordéis de fantoches presos nas mãos que os manipulavam e que ficaram abanando no ar.

Na TV Brasil, as alas da Paraíso da Tuiuti mais polêmicas e que mais sucesso fizeram simplesmente desapareceram do desfile. As carteiras de trabalho maltratadas, o carro alegórico com fantoches vestindo camiseta da seleção e os patos da fieps com manifestantes fantoches dentro, tudo isso foi extirpado da TV pública.

Abaixo, a íntegra do desfile para quem quiser conferir.

No início da tarde de domingo, o jornal carioca Extra divulgou a informação de que o Palácio do Planalto poderia ter interferido no desfile para que o vampirão não ostentasse a faixa presidencial. Diante de tudo isso, o Blog da Cidadania resolveu abrir uma investigação do caso.

Para entender o caso, entrevistamos dois ex-presidentes da EBC / TV Brasil e quatro importantes juristas. Duas dessas pessoas concordaram em falar ao Blog: a ex-presidente  da EBC durante o governo Lula e fundadora da TV Brasil Teresa Cruvinel e o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão.

Na reportagem em vídeo a seguir, você verá as entrevista de Cruvinel e Aragão e as cenas de censura contra a TV Brasil e a Paraíso do Tuiuti.

 

O post General ameaçou Tuiuti a mando de Temer apareceu primeiro em Blog da Cidadania.

Publicação de: Blog da Cidadania

Cappelli: Temer colocou um abacaxi no colo da esquerda

Esquerda está com um abacaxi no colo. Como descascá-lo?

por Ricardo Cappelli*

Vamos aos fatos. O governador do estado declara durante o carnaval que perdeu o controle.

São espalhadas imagens impressionantes de violência. O governo federal decide intervir.

A pesquisa indica 80% de apoio popular à medida, 59% acreditam que irá melhorar.

O próprio chefe do poder executivo estadual apóia a intervenção. Como ser contra?

É preciso reconhecer, o adversário marcou um gol na política.

E a resposta precisa ser na política também, com inteligência e frieza. Teses acadêmicas não vão resolver.

O Maracanã lotado está vibrando com o gol, posar de chorão reclamando de um impedimento que só você está vendo, infelizmente, será muito pouco produtivo.

Imagine que você é morador do estado.

O fato é que a sensação de insegurança bateu no teto. Se foi promovida ou não é outro assunto. Ela é real.

O exército é uma instituição muito mais confiável para a população que a PM. Fato.

No meio deste caos, com sua família ameaçada, você vai ser contra o exército nas ruas?

A bandidagem, sempre que o exército vai para as ruas, costuma se encolher. É uma reação natural.

Sabem que é temporário, encolhem e esperam a tropa ir embora. A tendência é que no curto prazo realmente surta algum efeito.

É um jogo político, obviamente. Apesar disto, quem está com medo quer uma solução imediata.

A tal solução estruturante, de longo prazo, que é o correto, para quem está com medo fica parecendo papo de acadêmico, infelizmente.

O terreno da segurança pública em momentos de crise, costuma colocar a esquerda na defensiva, um eterno problema.

A Globo montou um forte aparato de apoio à medida.

É uma agenda que arrasta o debate público para um terreno tradicionalmente favorável ao discurso conservador.

Repressão ao crime, à corrupção, vai tudo moldando uma agenda e desviando o debate da agenda econômica, a questão central.

Entra em cena a velha estratégia de aparentar tratar com firmeza o doente com uma mão enquanto, com a outra, se espalha a doença tornando-a endêmica.

A intervenção vai resolver a questão? Claro que não. Pode dar resultado daqui até as eleições?

É uma possibilidade real. E como tal deve ser tratada e calculada politicamente.

O Plano Cruzado elegeu 22 governadores do PMDB e dobrou a bancada do partido. Desmoronou após as eleições. Já estavam todos eleitos.

Como jogar na política sem brigar com a população, sem ignorar a realidade objetiva?

Não adianta dizer que é aprofundamento do golpe, que é medida eleitoreira, que é factóide e etc.

É tudo isso, mas para quem está com medo o que temos para apresentar como alternativa objetiva?

Votamos contra propondo que alternativa no curto prazo para resolver uma situação de calamidade onde o próprio chefe local jogou a toalha?

O risco de isolamento se optar apenas pela negação é imenso. Considerar a medida necessária diante do caos denunciando as questões de fundo?

Não há saída ou posição fácil. Temer colocou um abacaxi no colo da esquerda. Como descascá-lo?”

*Ricardo Cappelli é secretário da representação do governo do Maranhão em Brasília e foi presidente da União Nacional dos Estudantes

Leia também:

Miola: Por que o Rio, se há estados mais violentos?

O post Cappelli: Temer colocou um abacaxi no colo da esquerda apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Janio de Freitas: Ideólogos da intervenção pensaram em política e deixaram todo o risco com o Exército

 Michel Temer durante cerimônia de assinatura de decreto de intervenção Federal no estado do Rio de Janeiro, no Palácio do Planalto. Foto: Beto Barata/PR, via Fotos Públicas

O risco ao contrário

Os ideólogos da intervenção pensam em política e deixaram o Exército com o risco

por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

A intervenção federal no Rio, como está feita, é mais contra o Exército do que contra os delinquentes a serem combatidos.

E, não constando que os ideólogos da intervenção Moreira Franco, Raul Jungmann e o general Sergio Etchegoyen tenham descoberto novas formas de ação anticriminalidade, não há por que supor ao menos redução da mortandade, tão logo acabe a usual retração dos delinquentes quando há novidade na repressão.

Mais necessária é a intervenção na chefia da Polícia Federal. Mas nos dois casos Michel Temer faz prevalecerem os seus interesses. Contra sustar as boas interferências na PF para sua condição de suspeito e acusado; e a favor de uma medida extrema e controversa que lhe traz muitas vantagens políticas. O país e os Estados são capítulos à parte.

O Exército está em operações no Rio desde julho de 2017. Se, passados sete meses, quem assinou aquele envio da tropa assina, agora, a intervenção para a mesma garantia da ordem, não é preciso recorrer a números para concluir pelo insucesso do Exército.

Isso pode ficar debitado ao seu despreparo para ações fora de sua finalidade.

A intervenção elimina tal álibi, ao estabelecer que todo o sistema de polícia e segurança do Rio passe à responsabilidade do Exército na pessoa de um general. Assim como todas as respectivas atividades.

No nível a que chegou o poder de ação do crime organizado, a repressão não conta com outra tática que não o enfrentamento direto. Do qual, pelo que se conhece, o esperável está em duas hipóteses: ou mortes a granel ou resultados muito aquém do desejado (e necessário).

A primeira ocorrência deixaria o Exército sob repulsa interna e externa, com possíveis consequências internacionais para o país. A segunda ocorrência será a derrota, que é o inferno dos militares. E não será menos do que isso para o Exército.

A única novidade da intervenção é a intervenção. Feita em cima das pernas. Nada foi estudado da situação atual, que já difere da vigente há um mês, nem discutido sobre um modo de agir diferente dos pouco ou mal sucedidos de até agora.

Os ideólogos da intervenção pensaram em política. E deixaram o Exército, que tem se mantido exemplar no Estado de Direito, com todo o risco.

A criação do Ministério da Segurança, pretendida por Temer, vem do mesmo tipo de propósitos pessoais, compartilhados no Planalto por muitos pendurados em acusações e inquéritos.

Esse ministério não teria utilidade: o que conteria já existe. Dar maior autonomia à Polícia Federal, já existente, é um objetivo falso.

O pretendido é o oposto: juntar todos os setores ligados a investigações e processos sob um mesmo comando, para facilitar manipulações sem conflito de orientação entre eles. Vem daí a crise que começa a formar-se na PF.

Inicia-se uma fase nova de ação do Planalto, para servir aos interesses de defesas pessoais e ataques à decência.

Leia também:

Cassaram a faixa do Vampirão! Pressão teria vindo do Palácio do Planalto

O post Janio de Freitas: Ideólogos da intervenção pensaram em política e deixaram todo o risco com o Exército apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Temer é acusado de ameaçar a Paraíso do Tuiuti

Reportagem do Jornal Extra sugere neste domingo que a Presidência da República intimidou a  escola de samba Paraíso do Tuiuti para não voltar à avenida mostrando o vampirão neoliberalista com a faixa de presidente da República.

Confira a reportagem

Faixa presidencial do Vampirão da Tuiuti foi escondida antes do desfile

Por: Adalberto Neto e Ricardo Rigel em 

#VAMPIRÃO – Veja os bastidores do momento em que a faixa presidencial do Vampirão da Paraíso do Tuiuti, o professor de história Leonardo Moraes, foi escondida. Informações de integrantes da agremiação apontam que a ordem para descaracterizar a fantasia veio do Planalto. A Presidência da República nega a informação. O carnavalesco Jack Vasconselos disse que não poderia afirmar ou negar a informação: “Passei o dia isolado, não estou sabendo de nada”.

A Tuiuti caiu nas graças da internet e foi destaque até na imprensa internacional ao levar para a Avenida o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, com uma crítica social ao racismo e à exclusão social. Na parte final do desfile, a agremiação trouxe uma sátira política e criticou a Reforma Trabalhista.

 

O post Temer é acusado de ameaçar a Paraíso do Tuiuti apareceu primeiro em Blog da Cidadania.

Publicação de: Blog da Cidadania

Ouça a Rádio Brasil de Fato na cobertura de atos contra a reforma da Previdência


ONLINE

Cobertura especial pode ser ouvida pelo site ou aplicativo desde as 8h desta segunda (19)

Da Redação |
Transmissão também será feita pelo site do MST Brasil de Fato

A partir das 8h desta segunda-feira (19), entra no ar a cobertura especial da Rádio Brasil de Fato sobre as manifestações contra a reforma da Previdência, previstas em diversas cidades do país. A rádio é online e pode ser ouvida pelo site do Brasil de Fato e pelo aplicativo (disponível, por enquanto, apenas na Play Store: clique aqui para baixar), além do site do MST

A programação ao vivo contará com participação de correspondentes de diversas capitais, além de notícias e análises sobre o impacto da proposta do governo Temer em alterar as regras da aposentadoria. Para isso, contaremos com a rede de jornalistas e comunicadores do Brasil de Fato e parceiros em diversos estados, especialmente em Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo.

Rádio Brasil de Fato fará entrevistas para comentar a reforma da Previdência e temas da política nacional, como a intervenção militar decretada na última sexta-feira (16) no Rio de Janeiro, pelo governo Temer. Entre os entrevistados confirmados estão Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência (governos Lula e Dilma), deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), Gilmar Mauro (MST), deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP),Jessy Daiane (vice-presidenta da UNE), Guilherme Boulos (MTST), Douglas Bechior (Uneafro), Thais Lapa (Marcha Mundial de Mulheres), entre outros.

Além da cobertura pela Rádio Brasil de Fato, também teremos a plataforma “Minuto a Minuto” no site, transmitindo em tempo real as informações. Além disso, serão publicados no site do Brasil de Fato conteúdos espanhol sobre as mobilizações.

Retransmissão livre

As rádio comunitárias, educativas, livres, além de site e blogs, podem retransmitir a programação da rádio. Para isso, segue abaixo os links para inserir o player da nossa rádio nos sites, de acordo com as plataformas disponíveis.

? Barra com o player para topo de site: https://player.hstbr.net/radioagenciabdf

? Link para Winamp: https://player.hstbr.net/radioagenciabdf/winamp.pls

? Link para iTunes: https://player.hstbr.net/radioagenciabdf/itunes.pls

? Mobile: https://player.hstbr.net/radioagenciabdf/mobile.m3u

Protestos

Movimentos populares e centrais sindicais organizados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo convocaram atos em diversas regiões do Brasil na segunda-feira (19) contra a reforma da Previdência.

“O governo golpista fez uma medida extremamente radical [intervenção no RJ] justamente para encobrir a derrota que ele teria essa semana [a reforma da Previdência seria votada no Congresso]. Nós não podemos aceitar, de forma alguma, que esse governo continue com esse tipo de medida contra os trabalhadores da periferia, como é o caso do Rio”, diz. 

Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) acredita que a pressão contra o governo deve ser ampliada nesse momento para garantir que o direito à aposentadoria das trabalhadoras e trabalhadores seja mantido. “A nossa luta é para enterrar de vez a reforma. E uma das estratégias é realizar uma forte mobilização no dia 19, com greves e paralisações, além de intensificar as ações nas ruas e nas redes”, afirma Freitas. 

Intervenção no Rio começa com censura no Carnaval

A madrugada de domingo foi agitada por um fato que nem deveria chegar a ser surpreendente, mas que acaba surpreendendo devido à ousadia dos autores.

A TV Globo, detentora dos direitos de transmissão do desfile de escolas de samba do Carnaval carioca, abriu mão de transmitir o desfile das campeãs no sambódromo da Marquês de Sapucaí entre a noite de sábado (17) e a madrugada do domigo (18), apesar de que essa transmissão certamente produziria audiência muito maior nesse horário.

Nada que ver com os interesses políticos da Globo (sic).

Tudo que ver com os interesses políticos da Globo. A emissora abriu mão de ganhar dinheiro para não constranger não especificamente Michel Temer, mas as hordas fascistas que foram à rua envergando a camiseta da Seleção e pedindo o impeachment de Dilma e a infame reforma trabalhista que a Globo e todo o resto da mídia apoiam.

Até aí, a Globo pode decidir o que transmitir ou não, pois é uma empresa privada.

Porém, o mesmo não se dá com a TV Brasil, que assumiu a transmissão do desfile, o que é ótimo porque se a tevê privada não quer transmitir, nada mais justo que a  TV pública transmita sem custo para o erário, como deve ter sido.

Porém, tudo começa a ficar pior com um belíssimo trabalho de reportagem da  Mídia Ninja, que entrevistou o ator e professor de história Leonardo Moraes, que encarnou o “vampiro neoliberalista” que, na verdade, era Michel Temer. 

Na entrevista, Moraes fala, várias vezes, sobre estar “assustado” e com “medo” e que não sabia se “a escola permitiria” que ele usasse a faixa presidencial no segundo desfile oficial da Paraíso do Tuiuti em 2018.

Ele desfilou sem a faixa

O vídeo está sendo viralmente assistido na internet, mas precisa ser mais escrutinado no que diz respeito à grave denúncia que contém.

Tanto o professor que encarnou o “vampirão neoliberalista” quanto o carnavalesco Jack Vasconcelos, que idealizou o vitorioso samba-enredo da Tuiuti,  dizem-se  assustados.

Além disso, a transmissão da TV Brasil tratou de completar a censura  não transmitindo cenas incômodas do desfile – ou transmitindo apenas flashes de apenas algumas dessas cenas.

As alas das carteiras de trabalho e dos fantoches manipulados apareceram muito rapidamente, durante poucos segundos, enquanto que a ala dos patinhos fantoches não apareceu em momento algum.

Ou seja, a tevê pública brasileira praticou censura.

Tudo isso, a autocensura da Paraíso do Tuiuti e a censura da TV Brasil, constituem um recado: a nova fase do golpe, representada pela intervenção federal-militar na cidade em que esses fatos ocorreram, envolve inclusive censura.

Se esses atos de censura passarem em branco, se não houver reação da sociedade, a censura irá se disseminar e generalizar em nosso país. É dever de cada um de nós lutar para que esse abuso ocorrido na madruga de domingo 18 de fevereiro não fique por isso mesmo.

O Blog da Cidadania não ficará parado olhando a censura tosca dos idos da ditadura militar sejam reimplantados no Brasil. Vamos lutar  com as (poucas) armas de que dispomos. Voltaremos ao assunto antes do que se pensa.

O post Intervenção no Rio começa com censura no Carnaval apareceu primeiro em Blog da Cidadania.

Publicação de: Blog da Cidadania

© 2018 bita brasil

Theme by Anders NorénUp ↑