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UNE em evento no Paraná, na sexta-feira (29), que lembrou um ano do massacre de Curitiba pelo governador Beto Richa; na quinta-feira (28), a diretora de comunicação da UEE-SP e presidenta do DCE da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Emanuelle Thomaziello e a estudante de Direito da FMU, Natália Miranda, foram agredidas durante uma manifestação em defesa da democracia; um homem tomou o megafone da estudante e deu pontapés antes de fugir

O formigueiro da juventude

por Carina Vitral*

As manifestações da juventude brasileira nos recentes dias e, em especial, na última quinta-feira, 28 de abril, são uma prova de que o consórcio político-midiático que planeja um golpe sobre nossas instituições peca pela arrogância ou pela cegueira.

A ofensiva de Michel Temer, Eduardo Cunha e Aécio Neves para atropelar a República pisando sobre os movimentos sociais trouxe o cálculo de que éramos inexpressivos como formigas.

No entanto, o Dia Nacional de Paralisações nas universidades e outros atos de revolta em todo o país mostram que, aos afoitos, cabe às vezes é meter o pé inteiro dentro do formigueiro e se dar mal.

Apenas os que não conhecem a história do Brasil imaginariam que um golpe de estado dessa magnitude contaria com a passividade de grupos como os estudantes.

No feriado do dia 21 de abril, milhares deles foram espontaneamente às ruas em defesa da legalidade.

No Dia Nacional de Paralisações, foram realizadas em todo o Brasil a suspensão de aulas, assembleias de estudantes, “trancaços” de portões e acessos, atos culturais e muitas outras atividades.

Os companheiros Cunha e Temer talvez não tenham visto a formação de 74 comitês universitários em 74 grandes universidades do país para barrar o golpe, a partir do movimento Universidade Pela Democracia.

Caso tenham visto, estão apostando alto ao minimizar a capacidade de organização dos estudantes universitários, professores, técnicos administrativos e comunidade acadêmica na mobilização social e na formação de opinião a respeito do momento que vive o país.

Menosprezam o fato da universidade brasileira, atualmente, não abrigar somente os filhos das famílias ricas, brancas e dos bairros nobres.

Estão lá os pobres, negros, índios, LGBT, personagens historicamente excluídos do ensino superior que compreendem com muita clareza que o golpe é também contra eles e contra o que eles representam hoje no país.

A confissão de desprezo pela educação a partir do chamado Plano Temer – que inclui até a vergonhosa desvinculação dos recursos para essa área na Constituição Brasileira – é uma fórmula didática para indicar que prounistas, cotistas, estudantes do FIES, do Ciência Sem Fronteiras e de outros programas estão do lado oposto ao do vice-presidente conspirador.

A juventude brasileira claramente não se sente representada pelos deputados que votaram pelo golpe no dia 17 de abril.

Os jovens do país, principalmente os que enfrentam mais dificuldades no seu dia a dia, sabem que a manobra de retirar a presidenta do país não tem, como objetivo, melhorar as suas vidas. Sabem que aqueles que sentarão na cadeira de Dilma não voltarão seus olhos para quem está por baixo na sociedade brasileira. Por isso, essa parcela da população não foi às manifestações a favor do impeachment.

Durante as jornadas de junho de 2013, muitos foram os que tentaram definir, controlar, explicar o que estava acontecendo, utilizando clichês e pensamentos prontos. No entanto, a diversidade daquelas manifestações abriu a porta para a criação instantânea e ininterrupta de novas narrativas no debate público brasileiro, que não permitem de forma nenhuma a interpretação simplória de que o impeachment golpista é fato consumado.

Da crise surgem novos fenômenos, novos personagens, novos fatos e possibilidades. A juventude sempre representa o novo. O formigueiro é uma das muitas forças da natureza que simplesmente entram em erupção, independente do que se espera dele. Não pisem. Não subestimem.

*É presidenta da União Nacional dos Estudantes

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Publicação de: Viomundo